Categoria: Odontologia do Esporte

  • Odontodiva Atleta: Disfunção Cervical x DTM x Postura

    Odontodiva Atleta: Disfunção Cervical x DTM x Postura

    Mais um texto da série!

    Você já sabe que quando tem algum desvio postural é porque você pode ter alguma alteração na ATM ou na posição de repouso da mandíbula. Mas você sabia que além disso existem as disfunções cervicais? Essas afetam muitos de nós, dentistas, e a gente nem imagina que seja a causa daquela dor nos ombros e costas no fim de um dia intenso de trabalho no consultório.

    Distúrbios da coluna cervical (DCC) são doenças comuns que afetam a região cervical e estruturas relacionadas, com ou sem dor irradiada para os ombros, braços, região interescapular e cabeça. A postura anteriorizada da cabeça está frequentemente relacionada à dor no pescoço, devido à sobrecarga dos músculos cervicais posteriores realizada na tentativa de manter o equilíbrio da cabeça sobre a coluna. Esta postura pode estar também relacionada à DTM, pela modificação da posição do côndilo mandibular que por sua vez sobrecarrega as articulações temporomandibulares.

    Postura compensatória à posicionamento anteriorizado da cabeça
    Postura compensatória à posicionamento anteriorizado da cabeça

    Estima-se que cerca de 67% da população sofra de dores no pescoço em alguma fase da vida. Ainda, a dor no pescoço é muitas vezes o principal sintoma em DCC relacionada com lesões pós-traumáticas ou a lesões micro-traumáticas crônicas das articulações e estruturas periarticulares.

    A disfunção da coluna cervical é uma condição comum, representada por um conjunto de sinais e sintomas que envolvem dor e limitação da amplitude dos movimentos fisiológicos, sensibilidade e/ou dor à palpação dos músculos cervicais, além da presença de ruídos articulares e alterações posturais craniocervicais importantes. Ainda, o aumento da sintomatologia cervical parece acompanhar a severidade da DTM, porém, o inverso não foi verificado. Alguns autores afirmam que tal resultado sugere que os sinais e sintomas da coluna cervical poderiam ser melhor reconhecidos como perpetuadores ao invés de fatores predisponentes para DTM.

    Com isso tudo, podemos concluir que os desequilíbrios entre a postura mandibular em relação ao sistema músculo esquelético aparecem com frequência como fatores contribuintes para o surgimento de problemas do quadrante superior do corpo, com efeitos nas funções estomatognáticas.

    Portanto, equilibre sua mordida!!!! Em breve falarei aqui sobre os dispositivos 😉

     

    Fonte: minha monografia, em breve disponível para download aqui no blog.

     


  • Odontodiva Atleta: ATM, DTM, posição de repouso mandibular e postura corporal.

    Odontodiva Atleta: ATM, DTM, posição de repouso mandibular e postura corporal.

    Conceitualmente, a DTM pode ser definida como “um conjunto de manifestações clínicas de má função mandibular, associadas ou não à dor, que são geradas por agentes agressores à integridade morfológica ou funcional do Sistema Temporomandibular”.

    As DTMs podem ser definidas como um conjunto de condições dolorosas e/ou funcionais, que envolvem os músculos da mastigação e/ou as articulações temporomandibulares. Elas constituem um termo genérico de sinais clínicos e sintomas, envolvendo músculos mastigadores, a ATM e estruturas associadas.

    Apresentam etilologia multifatorial e usualmente envolvem uma abordagem interdisciplinar para o seu tratamento. Os fatores mais comuns relacionados às DTMs são: estresse, ansiedade, hábitos parafuncionais, desarmonias oclusais, traumas e micro-traumas, instabilidade mandibular, desequilíbrios posturais e condições físicas anormais.

    Na minha monografia da DTM, eu gostaria de ter falado sobre a correlação entre DTM e postura corporal, mas eu tive uma descoberta que mudou tudo: a correlação existe, mas entre a ATM e a postura. Um paciente que tem má postura corporal não necessariamente precisa ter uma DTM pra existir essa relação, ele pode apenas ter uma posição de repouso mandibular em desequilíbrio.

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    Os olhos sempre vão estar paralelos ao solo, então a compensação é feita na musculatura corporal quando há qualquer desarmonia na ATM.

    Mas peraí, que termo é esse?

    Learreta et al. (2004) definiram que a posição de repouso mandibular é aquela posição na qual os tônus musculares se acham em perfeito equilíbrio, onde clinicamente é a posição na qual a mandíbula se encontra suspensa no espaço pelos músculos crânio-cervico-mandibulares, em um indivíduo são, de pé, com a vista posta em um ponto distante situado na mesma altura dos olhos. Essa posição não é uma posição estática, mas é influenciável pela posição da cabeça.

    Outra autora – essa, uma fisioterapeuta – afirmou que é necessário um equilíbrio entre as cadeias musculares anterior e posterior do pescoço para manter a cabeça na posição desejada, se referindo à postura crânio-cervical. E enquanto esse equilíbrio for mantido, a cabeça se encontrará perfeitamente equilibrada sobre a articulação atlanto-occipital, a coluna cervical demonstrará uma suave curvatura lordótica, enquanto os côndilos mandibulares ocuparão a porção média e superior da superfície articular do osso temporal, em relação cêntica. As alterações posturais da cabeça, do pescoço e ombros podem ocorrer no plano frontal ou sagital e estão associadas a diversos trabalhos com a DTM.

    Pra isso, a manutenção do equilíbrio é fundamental, e a desorganização de um segmento do corpo implicará em uma nova organização de todos os outros, assumindo uma postura compensatória, que vai influenciar em funções motoras dependentes.

    Essa imagem é famosa, é do artigo de Bricot (2004). Mostra que de acordo com a maloclusão encontraremos uma postura corporal compensatória.
    Essa imagem é famosa, é do artigo de Bricot (2004). Mostra que de acordo com a maloclusão encontraremos uma postura corporal compensatória.

    Os desequilíbrios entre a postura mandibular em relação ao sistema músculo-esquelético aparecem com frequência como fatores contribuintes para o surgimento de problemas do quadrante superior do corpo, com efeito nas funções estomatognáticas. Por outro lado, desvios posturais possibilitam o surgimento de disfunções na coluna cervical, osso hióide e no grupo de músculos mandibulares, influenciando na posição e nos movimentos mandibulares, diminuindo a capacidade de adaptação fisiológica, possibilitando assim a ocorrência de DTM.

    Em suma, problemas posição da ATM levam a desvios posturais, e desvios posturais podem ocasionar um problema na postura da ATM. Mas na minha monografia eu não encontrei uma correlação entre a postura da cabeça e do alinhamento cervical quando referenciados às DTMs.

    E o que mais eu descobri após a minha monografia? Que a Odontologia do Esporte não deixa de ser também a união entre o entendimento do fisioterapeuta com o do dentista no que diz respeito à equilíbrios musculares e melhora da performance esportiva.

    Fonte do post: minha monografia. Gostaram? Em breve estará disponível para download aqui no blog. 😉