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  • A nova dúvida sobre o Triclosan: Pode ou não pode?

    A nova dúvida sobre o Triclosan: Pode ou não pode?

    Plax, à base de Triclosan

    Há muita falta de informação sobre os riscos associados ao uso indiscriminado do triclosan, agente bacteriostático, de odor levemente aromático, pertencente ao grupo dos fenoxifenois policlorados, usado como anti-séptico e também como conservante em cosméticos. Estamos condicionados a utilizar produtos bactericidas o tempo todo, sem a real necessidade e sem limites, favorecendo a resistência bacteriana e aumentando os riscos à saúde. E a Colgate, que criou o triclosan, parece que não tem as provas definitivas de que o uso em seres humanos é seguro.

    O triclosan é seguro?

    Está circulando nas redes sociais a informação de que o triclosan, usado como bactericida em pastas de dentes e sabonetes líquidos, pode ser cancerígeno. Estudo realizado pela Universidade da Califórnia e publicado na revista americana Proceedings of the National Academy of Sciences sugere malefícios dessa substância para o fígado. Há um ano, uma matéria publicada pela agência de notícias Bloomberg News também afirmava que a substância estava associado ao crescimento do câncer em animais.

    Apesar da polêmica, a FDA (Food and Drugs Administration), agência que regulamenta alimentos e medicamentos nos Estados Unidos, já aprovou o ingrediente triclosan há mais de uma década. A Colgate, fabricante de pasta de dente que criou o composto, também afirma que ele é seguro e que já foi submetido a testes rigorosos. Segundo a empresa, a eficácia e segurança do produto são apoiadas por mais de 80 estudos clínicos envolvendo 19 mil pessoas.

    Conforme a reportagem da Bloomberg News, a Colgate não considerou relevantes os experimentos com triclosan feitos em animais. E como mostra a FDA, não é possível ter certeza se o produto é perigoso para os seres humanos. No entanto, os reguladores de medicamentos estão revisando os riscos da substância, que é comumente usada com o intuito de reduzir a contaminação de bactérias. O triclosan, que já foi proibido pela FDA nos sabonetes, pode ainda ser encontrado em utensílios de cozinha, brinquedos para crianças e cremes dentais.

    A assessora técnica do Conselho Regional de Farmácia de Minas Gerais, Cynthia Dela Cruz, diz que o órgão não tem uma agência de pesquisa, por isso não é possível afirmar se o triclosan é ou não cancerígeno. “Para isso existe a Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária]. Não é da nossa competência avaliar essa substância”, diz a farmacêutica. Ainda segundo Cynthia, as pesquisas são muito controversas, então é difícil avaliar de forma certeira as consequências do triclosan. Ela afirma que o produto serve bem ao seu propósito, que é impedir o desenvolvimento de bactérias.

    Ainda não é hora de alarde. Calma que esse assunto será esclarecido. Se você preferir, evite o uso de triclosan até as pesquisas finais serem publicadas. Temos o digluconato de Clorexidina a 0,12% (Periogard, Noplak). Só não deve ser usado todos os dias, pois pode alterar o gosto dos alimentos.

    O que a Colgate diz a respeito?

    No site da Colgate há a seguinte nota:

    Colgate® Total 12 é o creme dental mais testado e revisado no mundo, com mais estudos publicados e revisados do que qualquer outro creme dental. Os usuários de Colgate® Total 12 podem ficar totalmente confiantes na segurança de nosso creme dental, bem como nos importantes benefícios que ele oferece: combate à placa bacteriana e aos problemas gengivais e adequada manutenção da saúde bucal.

    Então, por que notas de imprensa levantaram questões sobre a segurança de Colgate® Total 12? Não é por nenhuma nova informação sobre os ingredientes em nosso creme dental. O assunto surgiu por uma recente norma da US Food and Drug Administration (FDA), nos Estados Unidos, para os sabonetes – não para o creme dental.

    Em 2 de setembro de 2016, a FDA anunciou sua tão aguardada norma final sobre o uso de produtos higienizadores de mãos, e a conclusão não foi de que os ingredientes eram inseguros ou ineficazes. Mas verificou-se que os fabricantes de sabonetes não haviam enviado as evidências de segurança adequadas ou provas suficientes de que os produtos eram mais eficazes do que lavar as mãos com sabonete comum e água. Em razão disso, daqui a um ano os sabonetes nos Estados Unidos terão que parar de usar 19 ingredientes antibacterianos listados pela FDA.

    Um dos ingredientes é o triclosan, também usado em nossa fórmula exclusiva de Colgate® Total 12. Rapidamente, alguns repórteres, bloggers e tweeters levantaram a questão sobre nosso creme dental.

    E a verdade é: embora a FDA possa não estar convencida pelo suporte enviado pelas empresas de sabonete, o nosso creme dental foi aprovado pelo processo de Aplicações para Novos Medicamentos (NDA) do órgão, com o mesmo rigor aplicado para testes de medicamentos com prescrição. Após uma meticulosa revisão, a agência avaliou que Colgate® Total 12 oferece um benefício terapêutico significativo e seguro para seus consumidores – e essa aprovação segue inalterada.

    Os testes de segurança da NDA para Colgate® Total 12, como qualquer novo medicamento, exigem uma detalhada avaliação abrangendo uma variedade de parâmetros toxicológicos, como carcinogenicidade, toxicidade reprodutiva e de desenvolvimento, irritações oftálmicas e cutâneas, e toxidade de curto e longo prazo. O laudo original da NDA para Colgate® Total 12 continha 98 volumes e incluía mais de 100 estudos toxicológicos.

    E não termina por aí: a aprovação da NDA também exige monitoramento contínuo e atualizações de segurança, que são fornecidas anualmente pela Colgate® para a FDA.

    O peso da evidência científica acumulada ao longo de 25 anos continua a apoiar a segurança e eficácia do Colgate® Total 12. É o único creme dental aprovado através de processo da NDA/FDA e aceito pela American Dental Association como seguro e eficaz em ajudar a prevenir a gengivite. Os consumidores podem ficar confiantes na escolha de Colgate® Total 12.

    Referências:

    http://www.pnas.org/content/111/48/17200.full.pdf?sid=6bbc3f76-7c68-4607-a6fd-a0b271e8c868

    https://www.bloomberg.com/graphics/infographics/triclosan-four-decades-of-regulatory-limbo.html

    https://www.bloomberg.com/news/articles/2014-08-13/consumer-activists-put-pressure-on-retailers-to-drop-triclosan

    http://sites.correioweb.com.br/app/noticia/encontro/atualidades/2015/11/06/interna_atualidades,2522/sera-que-o-triclosan-faz-mal.shtml


  • Uso de Protetor Auricular na Odontologia

    Uso de Protetor Auricular na Odontologia

    Ao longo do exercício da nossa profissão podemos sofrer vários riscos ocupacionais severos. Um deles é a diminuição da audição, devido aos vários tipos de ruídos que estão presentes no dia a dia do nosso consultório, tais como turbinas de alta e baixa rotação, compressor de ar, sugadores de saliva, bomba a vácuo, além de outros fatores externos. Os principais efeitos do ruído ocupacional na rotina do cirurgião dentista são: diminuição da capacidade auditiva, estresse, estafa, irritabilidade, nervosismo, cefaleia, tontura, problemas digestivos, queda na produtividade, alterações na pressão arterial e aumento no risco de acidentes.

    Lelo et al. (2009)* avaliaram os limiares auditivos por meio da audiometria tonal limiar (ATL), em 30 cirurgiões-dentistas que atuam ha mais de três anos na profissão, com idade máxima de 45 anos. Todos os participantes passaram pelos seguintes procedimentos: anamnese, meatoscopia, ATL, logoaudiometria e imitanciometria. Os resultados mostraram que 27% dos cirurgiões-dentistas apresentaram queixa de zumbido, 30% de insônia e 37% dor de cabeça. Segundo os autores, tais achados justificam a necessidade da realização de exames audiométricos periódicos para evitar lesões auditivas ao longo de sua carreira e o uso de protetores auriculares para a manutenção da saúde auditiva e a diminuição dos sintomas associados, mesmo esse não sendo um EPI obrigatório. Os EPIs obrigatórios são: gorro, máscara, óculos de proteção, avental, luvas e sapatos.

    Existem vários modelos de protetor auricular no mercado, escolha o que mais você se adapte e comece o uso hoje mesmo!

    (*) LELO, N. M. V.; RICCO, F. F.; SABO, V. A.; NETTO, M. P.; RICCO. R. A. P. O. Avaliação do limiar auditivo em profissionais da Odontologia. Colloquium Vitae, p. 71-74, 2009.


  • Radiação ionizante, mamografia e câncer de tireoide

    Radiação ionizante, mamografia e câncer de tireoide

    Você já deve ter recebido por WhatsApp ou lido no Facebook ah essas fontes idôneas um texto em que o Dr. Drauzio Varella, médico oncologista, supostamente associa o aumento (?) do número de casos de câncer de tireoide em mulheres com a exposição à radiação ionizante de radiografias dentárias e mamografias. Pra quem não leu, taí (tem versão em vídeo, também):

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    O Dr. Drauzio falou isso mesmo?

    Vamos deixar bem claro: o Dr. Drauzio nunca fez nenhuma afirmação nesse sentido. É um hoax, um boato que já circulava em 2015 e voltou agora. Tem um vídeo em que ele fala só de mamografia, e em nenhum momento ele diz que esse tipo de exame representa risco à saúde, sequer menciona a existência de colar de chumbo protetor de tireoide. Você pode procurar no site dele, no post sobre nódulos na tireoide não há qualquer menção a radiografias odontológicas ou mamografias, quanto mais ao suposto perigo que elas representam. Seria o melhor lugar pra falar disso, não é mesmo?! Mas ele não o fez. Ele fala, sim, da influência da exposição à radioatividade na infância e que “em lugares como Hiroshima, Nagasaki e Chernobil, onde a exposição ambiental à radiação foi muito grande, a incidência de câncer da tireoide aumentou muito na população”. Mas isso são outros quinhentos. Explico.

    Qual a diferença entre os Raios X e a radioatividade?

    Os Raios X são uma forma de radiação ionizante, ou seja, quando eles atingem um átomo podem expulsar elétrons dele para criar íons (átomos eletricamente carregados). Ao serem atingidos pelos Raios X, os tecidos do nosso organismo são modificados através de reações químicas. Esses efeitos são cumulativos, o que quer dizer que uma vez que nossas células tenham sido atingidas, o dano é permanente e irreversível. Mas qual o grau desse dano? Menor que o prejuízo de se sair no sol sem usar um boné. 

    Já a radioatividade é a propriedade que alguns elementos químicos têm de emitir isótopos radioativos, e não tem nada a ver com a radiografia médica ou odontológica, ok?! Aparelhos de Raios X como os que existem em clínicas de exames por imagem e nos consultórios odontológicos não são radioativos.

    Ontem mesmo na clínica uma paciente me perguntou antes de fazer uma radiografia panorâmica se ela podia manter o celular no bolso, se ele não iria explodir. Então.

    Isso esclarecido, vamos falar das afirmações contidas no boato.

    Isso faz algum sentido?

    Nenhum.

    O número de casos de câncer de tireoide está aumentando? Segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer), sim. Porém, isso não tem nada a ver com radiografias dentárias e mamografia… o fator que leva a esse aumento não é totalmente conhecido, mas o crescimento do volume de diagnósticos pode ser explicado. As mulheres têm características hormonais bem específicas, que nos deixam mais suscetíveis, mesmo.  Além disso, nós vamos mais ao médico que os homens, e recentemente – no Brasil – os ginecologistas incluíram na rotina o exame de tireoide. Dessa forma, era esperado o aumento do número de diagnósticos. Ainda, parece haver uma “epidemia” mundial de super-diagnóstico de câncer de tireoide. Veja esse artigo sobre o tema.

    A tal “pestana” de que o hoax fala é na verdade um protetor de chumbo que vai “enrolado” no pescoço. Ele pode ser usado na tomada radiográfica ou na mamografia, sim… só que não precisa (veja o que a Portaria 453 fala sobre isso). Na radiografia panorâmica, por exemplo, ele só atrapalha e, muitas vezes, a borda dele até aparece na imagem. Se você quer uma imagem bem feita “de primeira” (ou seja, com muito menos chance de ter que repetir a tomada e expor o paciente 2 vezes à radiação), melhor não usar. Não bastasse isso, a radiação secundária gerada é maior quando do uso de proteção plumbífera…

    Já de acordo com a Agência Internacional de Energia Atômica, “o uso do protetor de tireoide em exames de mamografia não é recomendado na rotina, devendo ser utilizado apenas nos casos em que a paciente solicite. É importante sempre informar que a utilização dos protetores pode, inclusive, atrapalhar o exame, pois se não for bem colocado na paciente, pode ser a causa de repetição nos casos em que a sua imagem se sobrepõe à imagem da mama”. Ou seja, assim como na radiografia panorâmica, além de não ajudar, atrapalha. Mas se o paciente quiser… ponha nele, uai.

    Protetor de tireoide
    Protetor de chumbo para tireoide

    Na questão da ~Máfia Médica~ eu não vou nem entrar, pois é simplesmente ridículo. Oferecer protetor de tireoide para o paciente não aumenta em nada o custo do exame. Se ele fosse descartável, ainda vá lá… mas não é.

    E quanto de radiação se absorve em um exame desses?

    Observe o diagrama abaixo:

    A radiação em perspectiva
    A radiação em perspectiva

    Em uma radiografia no consultório do dentista o paciente absorve uma dose de cerca de 0,00001 rad. Pra que houvesse risco aumentado de você ter câncer, seria preciso fazer 100 MIL radiografias em um único ano. Isso pra aumentar o risco, não pra você realmente ter câncer. Tem mais radiação num dia de sol – à sombra – e na comida que a gente come do que numa tomada radiográfica odontológica. A dose de radiação absorvida pela tireoide é cerca de 1% da dose que se recebe em 3 dias de exposição à radiação natural de fundo (a radiação a que estamos expostos diariamente, não dá pra fugir dela). Percebem como a preocupação a respeito é exagerada?

    Enfim… por favor, parem de compartilhar esse tipo de ~informação~, porque ela não salva “as mulheres do seu grupo”, pelo contrário, faz as mulheres ficarem com medo de fazer mamografia e, as pessoas em geral, de fazer radiografia no dentista. Sem esses exames uma doença importante pode ficar escondida e, pela demora no diagnóstico, até levar à morte. Se há indicação pra isso, não tenha medo de fazer exames de imagem. O benefício é infinitamente maior que o custo biológico.

    Você não é obrigado a entender do assunto, mas antes de compartilhar é obrigação sua, sim, conversar com alguém que entenda pra ver se é verdade. Se você não pretende fazer isso, não compartilhe. Isso vale pra tudo.

    * * *

    Leia um post completo (infográficos, tabelas comparativas and whatever) sobre o assunto aqui –> A Radiação em Perspectiva

    Leia também –> Raio X faz mal?

    Leia na íntegra o esclarecimento Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem sobre o uso de protetor de tireoide durante a mamografia

    Veja o posicionamento da American Association of Physicists in Medicine sobre o sensacionalismo que leva as pessoas a terem medo de se submeterem a exames de imagem

    UPDATE em 06/10/16 –> o Dr. Drauzio Verella se manifestou na sua página no Facebook:

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    Leia também: “É um desserviço às mulheres”: Drauzio Varella desmente boato que liga mamografia ao câncer de tireoide

    Ainda: Drauzio Varella desmente boato que liga radiografias odontológicas a câncer de tireoide