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  • Brasil Sorridente – O que mudou na prática?

    Brasil Sorridente – O que mudou na prática?

    A instituição da Política Nacional de Saúde Bucal

    No último dia 8 de maio o presidente da República sancionou o projeto de lei (PL) nº. 8.131, que tramitava no Congresso Nacional desde 2017, instituindo a Política Nacional de Saúde Bucal. Agora transformado em lei, o PL fora apresentado no Senado Federal por Humberto Costa (PT/PE) e na Câmara dos Deputados por Jorge Solla (PT/BA). Ambos eram dirigentes do ministério da Saúde quando, em março de 2004, Lula lançou o programa Brasil Sorridente, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

    Tratava-se, à época, de um conjunto de diretrizes que balizavam as ações do governo federal nessa área e orientavam a alocação de recursos para a saúde bucal no SUS. Logo após os primeiros anos de sua implantação, os resultados começaram a aparecer, com impactos positivos nas condições de saúde bucal das populações beneficiadas. O êxito despertou a atenção de especialistas dessa área, em todo o mundo.

    Mas estados e municípios não estavam obrigados a seguir essas diretrizes. Nos quase 20 anos que se seguiram, o programa federal teve a adesão de muitos prefeitos alinhados ao Planalto e a indiferença de outros tantos da oposição, que viam o Brasil Sorridente como “um programa do Lula”. Michel Temer cortou recursos, que chegaram a níveis baixíssimos, comparáveis aos destinados à área no período pré-SUS. No governo Bolsonaro o Brasil Sorridente sofreu as consequências do desmonte do Ministério da Saúde e da agressão às políticas públicas. Foram quatro anos sem ampliação das linhas de ação e recursos minguados.

    Com a lei de 8 de maio, isso muda. O Brasil Sorridente deixa de ser apenas “um programa do governo federal” e passa à condição de uma política pública de abrangência nacional, cuja execução por estados e municípios decorre agora de exigência legal. Em caso de descumprimento, fica caracterizado o cometimento de ilegalidade pela autoridade pública, com todas as consequências previstas na legislação brasileira, inclusive o impeachment.

    Aprovado por unanimidade no Senado, ainda em 2017, o PL foi encaminhado à Câmara onde tramitou a passos de tartaruga pelas comissões de Seguridade Social e Família (2017), Finanças e Tributação (2018) e de Constituição e Justiça e de Cidadania (2022). Nos quatro anos do governo bolsonarista, o PL da saúde bucal no SUS jamais despertou algum interesse que mobilizasse sua bancada no Congresso.

    Tanto que, em setembro de 2021, dada a letargia com que o assunto vinha sendo tratado, a Federação Interestadual dos Odontologistas (FIO), enviou à Câmara dos Deputados uma Moção de Apoio à Aprovação do PL da Saúde Bucal no SUS, com alguns milhares de signatários. A essência da Moção da Federação Interestadual dos Odontologistas dizia que “não há saúde, sem saúde bucal” e pedia urgência na aprovação da lei da saúde bucal no SUS.

    A eleição de Lula mudou completamente o cenário. Em apenas alguns meses o PL foi aprovado na Câmara, enviado ao Planalto e sancionado. O ato de 8 de maio encerrou um longo processo, cuja origem remonta ao início dos anos 1980 e à proposta de criação do SUS.

    Antes da promulgação da Constituição de 1988 os municípios não eram, formal e legalmente, obrigados a nada na saúde. As maiores cidades mantinham, em alguns casos, serviços de Pronto Socorro. Santas Casas de Misericórdia e outros serviços filantrópicos viviam crises financeiras crônicas e dependiam de dotações suplementares dos orçamentos estaduais. O acesso aos serviços de saúde não era, porém, um direito.

    Após 1988, a Constituição assegurou (art. 196) a saúde como “um direito de todos e dever do Estado” e firmou a descentralização da administração pública do sistema de saúde como uma das diretrizes do SUS. Com isso, os municípios se fortaleceram como entes federativos autônomos e, valendo-se dessa relativa desconcentração de poderes no âmbito do Executivo, assumiram a prestação dos serviços públicos de saúde.

    A denominada “privatização do SUS” é, atualmente, uma das principais dificuldades para que o sistema cumpra a missão que lhe foi atribuída em 1988. Assim, se reproduz e se revitalizava na saúde um tipo de poder local hostil à radicalização democrática e perpetuador do nepotismo, clientelismo e patrimonialismo. Exceções – e as há, muitas –, apenas confirmam a regra.

    Com a promulgação da Constituição, em 1988, foi necessário regulamentar em lei os seus dispositivos. Na área de saúde bucal (mas também em outras “saúdes”, como mental, da criança, da mulher, do indígena, dentre outras) avaliava-se que a sua explicitação, reiterando-as como direito de todos, não era necessária na legislação regulamentadora, pois isso estaria implícito no artigo 196, que se referia à “saúde” como direito de todos. Por esse motivo, essas “saúdes” não foram explicitadas nas leis 8.080 e 8.142, de 1990.

    Com efeito, para essas “saúdes” a explicitação não foi necessária, pois todos os estados e municípios assumiram normalmente que sim, elas eram “saúde” e, portanto, precisavam ser executadas, como um serviço público.

    Esse aspecto é relevante para compreender o significado de uma lei, específica, da saúde bucal no SUS, ser aprovada agora, em 2023. Muitos indagam, com razão, o motivo de isso ocorrer apenas 35 anos após a criação do SUS. “Mas a saúde bucal não está no SUS? Por que é preciso uma lei como essa?” – perguntam.

    Para muitos profissionais da saúde bucal que participaram do processo reformista do sistema de saúde que levou à criação do SUS, não havia dúvida de que o princípio da integralidade da saúde, consagrado no art. 198 da Constituição de 1988, que afirma o “atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas, sem prejuízo dos serviços assistenciais”, bastava para que a saúde bucal não fosse deixada à margem do SUS.

    Mas não foi isso o que aconteceu e apenas em alguns municípios a saúde bucal foi vista como inerente à saúde e, portanto, implementada no âmbito do SUS. Isso ocorreu, de modo geral, em municípios de grande porte demográfico e, sobretudo, em períodos de gestão municipal alinhada com o governo federal. Predominou, e segue assim na maioria dos municípios, a prática de receber do governo federal os recursos para a “saúde bucal” e utilizando-os sem qualquer complementação, disponibilizar à população um ou alguns dentistas.

    De modo geral, o trabalho que realizam ocorre isoladamente e sem planejamento sanitário, segundo modelos tradicionais e superados de atenção na área. O resultado é, geralmente, o aprofundamento do grau de mutilação dentária da população. Questionados, prefeitos e secretários limitam-se a reclamar dos baixos valores “pagos pelo SUS”, reforçando a concepção do SUS, não como um sistema universal de saúde numa República federativa, mas apenas como uma espécie de “banco federal que paga fornecedores”.

    Embora a consequência desse descaso e do abandono possa ser percebida nas bocas dos brasileiros, os dados que as traduzem são pouco conhecidos, mesmo de sanitaristas e gestores públicos: atualmente a cobertura assistencial odontológica do SUS onera apenas 1,4% dos recursos federais destinados à assistência à saúde, enquanto essa porcentagem oscila entre 6% e 10% em países da Europa ocidental. A escassez de recursos públicos para a saúde bucal penaliza a população, sobretudo os mais pobres, empurrados para serviços privados de péssima qualidade, pois o SUS responde por apenas 0,6% das necessidades de extrações e restaurações dentárias na população de 5 a 85 anos de idade. A elite econômica e segmentos da classe média resolve suas necessidades no setor privado. Com preços proibitivos à maioria, esse segmento não cobre mais do que um quinto da população. O “vazio assistencial” de serviços com alguma qualidade é enorme.

    Por isso, a relevância da lei sancionada por Lula em 8 de maio. Busca-se, portanto, nesta etapa, corrigir a falha legislativa de 1990.

    Mas é preciso ir muito além. Não basta a “saúde bucal no SUS”, se o modelo de atenção não mudar. Precisamos de muito mais saúde bucal no SUS e do desenvolvimento, urgente, de um modelo de atenção que, invertendo o padrão atual de priorizar ações terapêuticas em detrimento da prevenção, diminua significativamente a ocorrência de doenças na boca, conforme enfatizou a ministra da Saúde, Nísia Trindade, ao falar no ato da sanção presidencial ao PL nº 8.131. Mais do que viabilizar “mais acesso a serviços públicos odontológicos”, disse, é preciso aprofundar o grau da atenção na área, avançando rumo à integralidade da saúde.

    Lula, por sua vez, rememorou o que dissera certa vez a médicos paulistas, na presença do ex-ministro Adib Jatene, que “todas as partes do corpo humano são tratadas como questão de saúde pública, menos a boca”. Assinalou que não se trata apenas de tratar quem está doente, mas de cuidar também da “qualidade da água e da alimentação”, de “educar a criança”, valorizar a prevenção das doenças. O Brasil Sorridente, enfatizou, “é uma coisa extraordinária porque recupera não apenas o sorriso, mas a dignidade do ser humano, o orgulho da pessoa”.

    O próximo passo, agora que a lei foi sancionada por Lula, é a publicação de um decreto que a regulamente.

    Está na pauta do Conselho Nacional de Saúde a realização da 4ª. Conferência Nacional de Saúde Bucal. O decreto, porém, não poderá esperar pela conferência, que poderá consertar eventuais erros que o decreto apresentar. Lula pediu pressa na execução dos planos de governo. Com a palavra, portanto, o ministério da Saúde.

    Paulo Capel Narvai é professor titular sênior de Saúde Pública na USP. Autor, entre outros livros, de SUS: uma reforma revolucionária (Autêntica).


  • Guest post: Alexandre Padilha fala sobre o Brasil Sorridente

    Guest post: Alexandre Padilha fala sobre o Brasil Sorridente

    E as OdontoDivas recebem a honra de publicar com exclusividade um texto do Ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

    Como falamos no blog quarta-feira, o ministro apresentou ontem o balanço dos resultados e dos novos investimentos do Programa Brasil Sorridente em municípios dos estados de Minas Gerais, Pará, Paraná, Piauí e Rio Grande do Sul.

    Foto: Luís Oliveira – Ascom / MS.

    E hoje, a presidenta Dilma Rousseff e o ministro Padilha anunciam a doação de unidades e equipamentos para cinco municípios que são referências importantes do Plano Brasil Sem Miséria, por terem alta concentração de população em extrema pobreza.

    Rio Pardo (MG) – Será feita a doação de dez consultórios odontológicos, de uma Unidade Odontológica Móvel e de novos equipamentos para o Laboratório de Prótese Dentária do município.
    Ananindeua (PA) – Será feita a doação de oito consultórios odontológicos, de uma Unidade Odontológica Móvel e de novos equipamentos para o Laboratório de Prótese Dentária de Ananindeua.
    Água Branca (PI) – Será feita a doação de quatro consultórios odontológicos e equipamentos para o Laboratório de Prótese Dentária do município de Água Branca. Outros municípios do estado também serão contemplados com esses investimentos.
    Santo Antônio da Platina (PR) – Será feita a doação de dez consultórios odontológicos, de uma Unidade Odontológica Móvel e de novos equipamentos para o Laboratório de Prótese Dentária de Santo Antônio da Platina (PR).
    Caxias do Sul (RS) – Será feita a doação de dez consultórios odontológicos, de uma Unidade Odontológica Móvel e de novos equipamentos para o Laboratório de Prótese Dentária de Caxias do Sul (RS).

    Acredito que isso seja de grande valia, além de servir pra mostrar que as políticas públicas existem, o que falta as vezes é vontade política dos gestores locais. Quem não mostra que tem problemas e não pede por melhorias acaba ficando sem verba federal. Enfim, segue o texto do nosso amigo Alexandre Padilha.

    Cuidar dos dentes é cuidar da saúde integral do cidadão

    No passado, o serviço público de saúde bucal no Brasil se caracterizou como uma das áreas da saúde de maior exclusão social, pois se tratavam de ações reativas, apenas no sentido do atendimento de demanda. Estudo concluído em 2003 pelo Ministério da Saúde apontou, por exemplo, que 13% dos adolescentes nunca haviam ido ao dentista, 20% da população brasileira havia perdido todos os dentes e que 45% dos brasileiros sequer possuíam acesso regular à escova de dente. Mas isso está mudando.

    Alexandre Padilha

    Com a implementação da Política Nacional de Saúde Bucal, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), o Brasil Sorridente é hoje o maior programa odontológico público e gratuito do mundo. São mais de 21 mil equipes de dentistas e técnicos em saúde bucal em consultórios odontológicos nos centros de saúde e nas mais de 180 Unidades Odontológicas Móveis (UOM), cobrindo quase 90% das cidades brasileiras, atendendo a população nas localidades mais pobres e distantes do País. Para se ter uma ideia, em 2011, o Brasil Sorridente fez mais de 150 milhões de atendimentos, dos mais simples aos mais complexos. E esse número crescerá, porque o Ministério da Saúde tem adquirido, gradualmente, mais consultórios para oferecer mais serviços. Estou convencido de que temos mudado a história de muitas pessoas que não iam ao dentista porque não tinham dinheiro para pagar o tratamento.

    Mas precisamos aprimorar e ampliar os investimentos para que a população tenha um tratamento dentário continuado, que vá desde a infância até a idade adulta, seja prevenindo cáries, fazendo obturações ou atendimentos especializados, como canal, tratamento de gengiva. Em parceria com estados e municípios o Ministério da Saúde tem antecipado o repasse dos recursos a estes entes federados para organizarem mutirões e atendimento nas áreas rurais e nos assentamentos. Ou seja, onde a população mais pobre não tem acesso aos serviços. Serão R$ 3,6 bilhões de investimentos no Brasil Sorridente até 2014.

    O Programa Brasil Sorridente tem também uma ação fundamental que ingressa o plano Brasil Sem Miséria para incluir socialmente a população de extrema pobreza, que é a confecção de próteses dentárias, as chamadas dentaduras. Estima-se que hoje, no Brasil, são 4,3 milhões de adultos precisando dessas dentaduras. Ao ofertar essas próteses, o Ministério da Saúde age nas saúdes física e psíquica do cidadão. Nesta, dando mais qualidade de vida às pessoas, que muitas vezes têm dificuldade de se socializarem, com vergonha de conversar, sorrir ou até mesmo de conseguir um emprego. Naquela, porque ao cuidar dos dentes, prevenimos problemas de digestão, no coração e até nos rins. Por isso, também estamos investindo na instalação de novos laboratórios de prótese para que eles possam produzi-las nas diferentes regiões do País. Atualmente, destinamos mais de R$ 8 milhões para confecção de dentaduras e há laboratórios habilitados em mais de 1.300 municípios brasileiros. E foram esses laboratórios que entregaram 340 mil próteses só no ano passado.

    O Ministério da Saúde tem trabalhado muito no Brasil Sorridente, programa que já é um dos principais do SUS. Ofertar à população atendimento odontológico de qualidade é cuidar da saúde integral da pessoa, logo, um dos nossos principais objetivos.

    Eu numa visão sanitarista vejo muita coisa boa vindo por aí. No facebook vi as fotos de um CEO que foi entregue em Caxias do Sul, é simplesmente maravilhoso!!!!

    Colegas, questionem suas prefeituras pra saber se elas já participam do Brasil Sorridente. Ter dentista no SUS e ter o Brasil Sorridente implantado são coisas bem diferentes. O Brasil Sorridente é um programa federal, que origina verba para a saúde bucal da população de uma cidade. O fato de simplesmente ter dentista pelo SUS na cidade faz com que o município financie esse serviço, tão sucateado em algumas cidades.

    *Alexandre Padilha é médico, ministro da Saúde e presidente do Conselho Nacional de Saúde.

     

    Fonte:
    Mônica Plaza / Blog da Saúde
    Fernando Ramos – Gabinete do Ministro – Ascom/Redes Sociais especialmente para OdontoDivas.com


  • A volta da diva do SUS: Apresentação de resultados do Programa Brasil Sorridente

    A volta da diva do SUS: Apresentação de resultados do Programa Brasil Sorridente

    Divos e divas, recebemos um convite do Ministério da Saúde e gostaríamos de compartilhá-lo com todos! 🙂 E em breve tem mais novidade vindo aí!

    Amanhã o ministro da Saúde (e amigo das Odontodivas desse blog lindo e cor-de-rosa) Alexandre Padilha vai apresentar em entrevista coletiva – por videoconferência – o balanço dos resultados e dos novos investimentos do Programa Brasil Sorridente nos estados de Minas Gerais, Pará, Paraná, Piauí e Rio Grande do Sul. Além do ministro, também participa da entrevista coletiva representantes da coordenação de saúde bucal dos estados.

    O evento será transmitido ao vivo pelo Blog da Saúde, pelo Twitter no perfil @InstitucionalMS e pela Web Rádio Saúde. Todos estão convidados a participar e a conhecer um pouco mais sobre os avanços do Programa Brasil Sorridente.

    Lançado em 2004, o Programa Brasil Sorridente integra a Política Nacional de Saúde Bucal, com ações de promoção, prevenção e recuperação da saúde bucal dos brasileiros.

    E você, sabe como anda a saúde bucal dos pacientes do SUS no seu estado? Não??? Acompanhe a coletiva, participe, pergunte. A videoconferência é às 10:30 da manhã e a diva do SUS estará presente. Sim, ela ressuscitou 🙂

     

     

    Fonte: Ilana Paiva
    Jornalista do Blog da Saúde
    Ministério da Saúde
    Gabinete do Ministro
    Ascom/Redes Sociais
    (61) 3315.2815
    blog.saude.gov.br
    saude.gov.br/redessociais