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  • Diário de uma (quase) ex gorDIVA #4

    Diário de uma (quase) ex gorDIVA #4

    Por mais “descolada” que você seja, se está acima do peso já ouviu piada.

    Acabou de acontecer no consultório e eu confesso que, além de triste, estou p*** da vida.

    Um paciente veio fazer uma consulta. Já é meu paciente, trabalha com a minha irmã e eu sempre tive um bom relacionamento com ele e com a família dele.

    Aqui na clínica, uma das colegas está grávida, no 6° mês de gestação.

    O paciente chegou e estávamos, Camila e eu, na recepção. Nisso, o fdp (flor de pessoa) pergunta num tom de brincadeira:

    _ Vocês duas foram na mesma festa?

    Eu olhei pra Camila, ela pra mim e eu questionei:

    _ Hã?

    E, num gesto completamente sem educação, ele apontou pra nós duas dizendo:

    _ Vocês duas estão grávidas.

    Na hora respondi que não. Que eu estava gorda e que a gestante era a Camila. Ele ainda continuou com a babaquice:

    _ Jura? Mas você não era deste tamanho.

    Sem dar muita trela, mas com o olho cheio de lágrima e com um elefante entalado  na garganta, prossegui com o atendimento clínico dele.

    Quando fui liberá-lo e agendar a próxima consulta, ele mencionou ter iniciado um tratamento com uma nutricionista:

    _ Procurei uma nutricionista e perdi 15kg.

    Nisso eu, mesmo querendo chorar, decidi que não poderia deixar passar essa falta de educação e respeito. Retruquei.

    _ Perdeu 15 e já os encontrou né? Aliás, o senhor pergunta pra toda mulher barriguda se ela está grávida?

    Ele, muito sem graça, deu aquele sorrisinho amarelo. E eu continuei com a minha paulada.

    _ Um dia, com essa curiosidade, o Senhor vai encontrar alguém que mande você à merda. Em relação ao que aconteceu entre nós, eu digo que você tem muita sorte. Se você tivesse feito esse comentário comigo de mau humor, com certeza eu teria mandado você tomar no c*.

    Ele me pediu desculpas, o sorriso amarelou mais.

    Estou muito triste e são situações assim que me fazem querer estar num centro cirúrgico o quanto antes.

    Constrangimentos que todo gordinho passa. Até que ponto vai a falta de educação alheia?

    Hoje eu estou gorda. Depois, vou sambar de Louboutin na cara desse palhaço. Pode esperar.

    Se você é do tipo curioso, pense. Ficar calado pode ser a melhor opção.


  • Diário de uma (quase) ex gorDIVA #3

    Diário de uma (quase) ex gorDIVA #3

    Olá Pessoas!

    Depois de umas semanas realizando os exames necessários para a cirurgia, eis que um dia importante chegou: o dia da consulta com “A” médica que me liberaria ou não para o procedimento.

    Durante esses dias fiz exames, peguei resultado de exames, fui na nutricionista e iniciei (ou retomei) meu tratamento psicológico. De todos os passos o mais difícil está sendo a sessão de terapia. As sessões são às terças feiras e eu tenho ficado mal. Explico o motivo: apesar de nunca ter sido magra, meu ganho de peso acelerou depois do falecimento do meu pai. Em 2007 eu comecei a terapia, mas não terminei. Doía muito falar sobre a perda e lidar com toda a mudança da minha vida na época. Voltei de São José dos Campos e percebi que aqui em Resende eu tinha poucos amigos. Resultado: para lidar com a perda eu precisava de amigos pra sair, conversar, esquecer um pouco o assunto. E eu estava fazendo da minha psicóloga uma amiga. Não que não fosse, mas no consultório a relação que existe é de paciente e profissional. Enfim, abandonei o tratamento, procurei aumentar meu círculo de amizades e consegui superar algumas coisas. Mas, ainda, entrar no consultório me remete ao pior tempo da minha vida e isso é algo que eu tenho que enterrar, definitivamente.

    Minha psicóloga diz que o que mais a espanta é a minha “alienação” (não sei ao certo uma palavra pra usar) em relação ao procedimento. E, na última sessão, ela foi no alvo: “É um procedimento arriscado, que envolve sua vida. Talvez você não esteja preocupada porque, se você morrer, você pensa que vai encontrar com seu pai” (algo mais ou menos assim, talvez não com essas palavras). Pra mim, essa avaliação dela foi um sacode, porque depois do falecimento dele eu realmente perdi o medo. Ou melhor, não ligo de eu morrer. Apenas fico preocupada com quem deixarei aqui.

    Na nutricionista, algo previsível: engordei 5Kg. Motivo? Eu, literalmente, estou me despedindo da rotina “gorda”. Não tenho me privado das pizzas, comida japonesa, queijos, vinhos, doces. Isso me abalou um pouco. No dia que saí da consulta, fiquei mal ao me olhar no espelho. Tive uma crise de choro e foi onde a ansiedade aumentou. Depois daquele dia a vontade de fazer a cirurgia só aumentou. Conversamos a respeito do pós operatório, da dieta líquida, do não mastigar por 1 mês, da reeducação forçada e, com isso, minha visão sobre o todo mudou. A consciência da dificuldade, da irritabilidade, das privações tomou conta de mim. Eu acredito que esse períoodo será recompensado com a perda de peso e o aumento da auto estima. Penso que a vontade de mastigar e a irritação por não poder comer será amenizada com os quilos perdidos.

    Rumo aos quilos a menos!

    Ontem, dia 31/08, levei meus exames para a médica clínica responsável pela liberação para o procedimento. Meus exames estão normais e estou liberada para fazer a gastroplastia. A endoscopia revelou lesões ulceradas no meu esôfago e a biópsia do estômago, uma gastrite crônica. Dra. Isis me disse que é pra eu desconsiderar essa gastrite, porque em toda biópsia do estômago ela está presente, até mesmo em virtude da contaminação, do ambiente, anatomia, etc. Iniciei o uso de Omeprazol e, para elevar a taxa de ferro no organismo (que não está baixa, mas pode melhorar para a cirurgia) um remédio usado em gestantes – Materna.

    O procedimento escolhido foi o Sleeve, onde há uma redução somente do estômago, sem desvio de intestino.

    Já estou com o pedido do risco cirúrgico e pegarei o laudo da nutricionista e da fisioterapia para a próxima consulta com o cirurgião. Dra Isis disse que acredita que em meados de outubro eu opere. Depois da consulta com o Dr. Flávio Garani, o cirurgião, o que mais demanda tempo é a liberação da Unimed.

    Estou muito ansiosa e isso tem refletido na minha qualidade de sono e em algumas manifestações clínicas – dermatite e herpes labial.

    Não vejo a hora de mudar minha vida! Estou confiante e muito feliz com todo o apoio que tenho recebido dos meus familiares e amigos!

    Um beijo e até a próxima!