Tag: Oral-B

  • Clareadores dentais só serão vendidos sob prescrição odontológica

    Clareadores dentais só serão vendidos sob prescrição odontológica

    Confesso que eu achei que NUNCA daria esta notícia.

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) finalmente proibiu a venda de clareadores dentais sem prescrição de dentistas. A medida atende a um pedido do Conselho Regional de Odontologia do Estado de São Paulo (Crosp), feito ainda em 2011, motivado por denúncias contra sites na internet que vendem os produtos.

    O presidente do Crosp, Claudio Miyake, comemorou a decisão. “O uso de clareadores, sem orientação profissional, pode oferecer riscos e não deve ser comercializado de forma indiscriminada”, afirma.

    Clareamento dental

    De acordo com a resolução da Anvisa, fica proibida a venda sem prescrição de produtos que contenham concentração superior a 3% das substâncias peróxido de hidrogênio e peróxido de carbamida, como é o caso das fitas branqueadoras da Oral-B. As tiras são facilmente encontradas em supermercados e na internet, mas a partir de agora apenas farmácias poderão comercializar esse tipo de produto.

    Nas embalagens dos clareadores, também serão obrigatórios a tarja vermelha e o aviso “Venda Sob Prescrição Odontológica”.

    Com a normatização, será possível punir quem vende irregularmente. “Na internet, há fórmulas mágicas que prometem o clareamento, mas não há nenhuma preocupação com a saúde, apenas com a estética”, diz Miyake. “Os produtos não serão proibidos, apenas controlados”. 

    UPDATE: Leia na íntegra a RDC 6 de 6 de fevereiro de 2015 (ela passa a valer depois de 6 meses de publicada, a partir de agosto de 2015, portanto)

    Via Veja


  • Clareamento Dentário Que Dispensa Dentista

    Clareamento Dentário Que Dispensa Dentista

    Se você não é dentista, esse texto pode interessar.

    A Oral-B trouxe para o Brasil o sistema clareador 3D White/Whitestrips, você com certeza já viu a Gisele Bündchen falando dele (USANDO não, mas deixa pra lá). São tirinhas que contém peróxido de hidrogênio e que prometem dentes mais brancos em 3 dias e um clareamento em “3 dimensões” (seja lá o que isso queira dizer).

    Vi alguns colegas se manifestando no Facebook e no Twitter veementemente contra a venda do produto diretamente ao consumidor. Outros, clamando o socorro do CRO, do CFO e do ó do borogodó. Outros, ainda, evocando o CEO (Código de Ética Odontológica) como se ele de alguma forma proibisse esse tipo de produto. Não, não proíbe.

    O buraco é mais embaixo.

    Como eu disse, essas tirinhas só são novidade no Brasil. Lá nos EUA elas existem há muito tempo e são vendidas sem problema algum (aliás, a Johnson & Johnson também lançou coisa parecida com a marca Listerine, uma fitas dissolvíveis que, me parece, não foram vendidas por aqui). Só que lá a marca é Crest, mas até a embalagem é igual:

    Crest e Oral-B Whitestrips: embalagens

    O produto é vendido numa boa tanto lá quanto aqui por um motivo simples: ele é considerado cosmético (assim como as pastas de dente). Ou seja, não adianta a gente espernear e exigir que alguma entidade de classe faça alguma coisa a respeito… o máximo que se vai conseguir é uma “nota de repúdio oficial” em alguma publicação da área. E só. Até porque, os Conselhos Regionais e o Conselho Federal de Odontologia (assim como o CEO) são órgãos que servem para fiscalizar a atividade da profissão, e não para questionar a venda de “cosméticos”.

    Quando uma empresa multinacional lança um produto num país, esse lançamento é precedido por uma ampla pesquisa de mercado. Vejam o print screen abaixo de uma pergunta do Yahoo! Respostas respondida há 5 anos. A P&G (fabricante) foi atrás de quem entende quando precisou de uma opinião técnica. Eles sabem que o Brasil é um país ávido por estética, procrastinador com relação à saúde e doido pra economizar uma graninha. Sinceramente? Eles acertaram NA MOSCA quando lançaram o produto aqui: ele funciona (porque contém o agente clareador), evita a “inconveniente” ida ao dentista e custa R$ 69,90 (bem mais barato que um clareamento profissional). Tentei procurar pra comprar (porque a ideia inicial era testar em mim mesma) e não achei. Todos os estoques esgotados, isso tá vendendo que nem água no deserto!

    Isso há 5 anos!

    O que eu acho que muitos colegas não entenderam ainda é que a venda do Oral-B Whitestrips não tem NADA a ver com a gente. Esse é um produto que dispensa o dentista desde a sua concepção. A ideia é vender direto para o paciente e “eliminar o atravessador”, ou seja, eu e você. Na embalagem, é claro, pra ficar bonitinho, está escrito que é indicado o acompanhamento de um dentista. Mas vende no mercado, gente! Pra que dentista? E o fabricante sabe disso.

    Kit 3D White/Whitestrips

    Pergunto: você, colega, recebeu da Oral-B uma amostra do produto para experimentar? Respondo eu mesma: não. Uma colega me contou que chegou a pedir para uma representante e a mesma informou que esse produto “não tem amostras grátis para dentistas”. Aí, durante as minhas buscas sobre o assunto pelo Google, descobri vários blogueiros de moda / beleza / maquiagem / comportamento etc., formadores de opinião, testando o produto. Cada um deles recebeu 2 embalagens promocionais (uma para si e a outra para sortear entre os leitores do blog). O mimo consiste em uma maleta de acrílico transparente (chiquérrima) contendo os produtos da linha 3D White/Whitestrips e até um pen drive personalizado com informações sobre o produto.

    Entenderam o que está acontecendo? Há 5 anos o dentista interessava para atestar que o produto funcionava “satisfatoriamente” mas, neste momento, o dentista não interessa como divulgador do produto, porque o produto serve exatamente para que as pessoas não precisem de um dentista para fazer um clareamento dentário. Num dos blogs que eu visitei, considerando o teor dos comentários, a Oral-B se posicionou da seguinte forma:

    “… o 3D Whitestrips já está no mercado dos EUA há mais de 7 anos e a segurança e eficácia do produto foram avaliadas em diversos estudos clínicos que mostraram que os resultados das fitas clareadoras podem ser percebidos já no terceiro dia de uso. Ainda assim, é bom lembrar que o mais importante é ter dentes saudáveis e, por isso, a Oral-B sempre indica o acompanhamento do dentista. Ele é o profissional que vai recomendar os produtos mais indicados para cada pessoa”.

    ~~Prezados~~ da Procter & Gamble, vocês furaram ozóio dos dentistas. Não me venham com essa demagogia de que “o dentista é o profissional que vai recomendar… blá blá blá”. Vocês lançaram um clareamento dentário que dispensa dentista, assumam isso e preparem-se: o SAC de vocês vai ferver. Espero que o sistema de atendimento já tenha melhorado, os usuários das whitestrips agradecem ;).

    A lição que fica é a seguinte: se você busca mesmo a valorização da Odontologia e da profissão de cirurgião-dentista, comece valorizando a si mesmo. As empresas de produtos de higiene bucal (entra aí a Colgate e demais) nos compram baratinho e nos usam como panfleteiros de luxo com suas amostrinhas grátis de pastas e escovas de dente. A gente “vende” os produtos deles quando os recomenda e não recebe nada por isso. E a “recompensa” é essa: na primeira oportunidade, eles se livram de você. De minha parte, há muito tempo não dou amostras e nem recomendo nenhuma marca de produtos de higiene bucal, em específico, aos meus pacientes. Tudo o que recebo uso em mim mesma ou simplesmente desprezo (leia-se “jogo no lixo”). E você, tem feito o quê?

    O DicasOdonto falou sobre isso também!


  • Eu tenho alergia à Oral-B!

    Eu tenho alergia à Oral-B!

    É o que eles acham, pelo menos. Bom, deixe-me contar a história toda pra vocês…

    Em fevereiro, a moça da Oral-B veio fazer a sua visita periódica ao meu consultório. Deixou, como de costume, uma série de amostras grátis de produtos, entre eles o creme dental Pró-Saúde (aquele azul). Ainda não havia experimentado o produto e, até para poder dar uma opinião caso meus pacientes perguntem, passei a usá-lo na minha higienização bucal diária. Resultado: depois de 3 dias de uso contínuo, minha gengiva e minha mucosa jugal começaram a apresentar descamação e um aspecto áspero e sangrante (vide foto). De cara, associei ao uso da pasta de dentes.

    Efeitos do uso contínuo do creme dental

    Por motivos óbvios, interrompi o uso. Entrei em contato com o SAC da P&G (fabricante do creme dental) e relatei o ocorrido. Eles me responderam rapidamente com aquele e-mail padrão de desculpas, colocando-se à disposição e fazendo um monte de perguntas, do meu nome ao tamanho do meu sutiã ;). Sinceramente? Fiquei com preguiça de responder e deixei por isso mesmo, que é o que a maioria das pessoas faria nesse caso e a verdadeira intenção daquele monte de perguntas. Porém, em maio recebi uma nova visita da representante da marca no meu consultório. Dessa vez a intenção era me ~~presentear~~ com uma caixinha chiquérrima (mesmo) com 2 novas versões do creme dental Pró-Saúde: o Pró-Saúde Clinical Protection Cuidado da Gengiva e o Pró-Saúde Clinical Protection Sensitive. Embora não seja consenso, eu particularmente acho as pastas da Oral-B muito “gostosas”, deixam um gosto mentolado na boca que me agrada muito. Por isso, não resisti e resolvi experimentar, começando pela Cuidado da Gengiva, até por se tratar de um produto diferente daquele que havia me causado a reação adversa. Depois de 3 dias, adivinhem o que aconteceu? O mesmo. Mas mesmo assim, resolvi fechar 1 semana de uso contínuo, com 3 escovações diárias, pra confirmar e padronizar a “amostra”. Até porque a cobaia era eu mesma, WHATEVER. Crianças, NÃO FAÇAM ISSO EM CASA, ok?!

    Bom, dessa vez não teve como deixar pra lá. Entrei em contato novamente e relatei os sintomas. Como eu já tinha aquele monte de perguntas em mãos, expliquei que aquele era meu segundo contato pela mesma razão e já enviei todas as perguntas respondidas, como pode ser visto abaixo (clique na imagem para ampliar), bem como as imagens de antes e depois que vocês veem neste post.

    Clique na imagem para ampliar

    A pergunta que eu mais ~~gostei~~ foi: “Procurou orientação médica”? Fiz questão de deixar claro que, sendo dentista, nem precisaria, e se precisasse, procuraria um colega. Mas vamos considerar que foi só uma forma “errônea” de se expressar, né Oral-B? 😉

    No dia seguinte recebi o seguinte e-mail da P&G:

    Clique na imagem para ampliar

    Em resumo: “Nosso produto é sensacional e você é uma perebenta. Não use mais, sua trouxa!”. 😀

    Gente, é claro que organismos diferentes reagem diferentemente quando expostos a certas substâncias. Aí resolvi pesquisar que substância poderia estar causando isso, independentemente dessas reações que eu apresentei serem resultado de uma “não adaptação pessoal”. Até porque, como eu disse à P&G no e-mail, ouvi relatos de reações similares tanto por parte de pacientes quanto de colegas. Portanto, estamos falando de várias “não adaptações pessoais”. Eu acho isso relevante!

    Logo que aconteceu a primeira ~~alergia~~ em mim, conversei com uma pessoa que eu conheço e que trabalha junto à Oral-B e perguntei se havia relatos parecidos com o meu e, se sim, qual componente da fórmula dos cremes dentais Pró-Saúde estaria causando essas reações adversas. Essa pessoa me respondeu que SIM, que havia relatos similares, e que o nome da substância é: hexametafosfato de sódio (Na(n+2)PnO(3n+1)) O hexametafosfato de sódio (HMF) é o mesmo componente usado pelo creme dental Crest Pro-Health, que é famoso no exterior mas não é vendido aqui no Brasil (não que eu saiba). Como só a Oral-B tem a licença de uso dessa tecnologia patenteada em cremes dentais no nosso país, faz muito sentido que o componente “adverso” seja esse… sempre usei Colgate e nunca tive nenhuma ~~alergia~~. Segundo o que li a respeito, o HMF em cremes dentais é útil na remoção de manchas extrínsecas de esmalte e tem a propriedade de transformar o cálculo dental em uma forma solúvel de cálcio. É muito usado em rações para cães, porque 9 entre 10 cães AINDA não usam cremes dentais da Oral-B :D. Só pra ficar clara a ação do HMF:

    • Ação quelante sobre o cálcio: quela e remove parcialmente o cálcio presente na saliva, para que não haja a formação do cálculo. Também, se une à superfície do dente, deixando-o como se estivesse recoberto por uma camada de teflon.
      .
    • Proporciona a desnaturação e o rompimento das proteínas constituintes da matriz da placa bacteriana, promovendo a solubilização das manchas.
      .
    • O HMF, na concentração normalmente encontrada nos dentifrícios, quando não completamente dissolvido, atua como um abrasivo ~~suave~~.

    Pra não ficar no “achismo” e pra saber se a hipótese tinha fundamento, mandei mais um e-mail para a P&G e fiz a mesma pergunta que eu já havia feito ao meu “conhecido”. Reiterei que sou dentista e que as reações que relatei já havia ouvido antes, tanto de pacientes quanto de colegas:

    Clique na imagem para ampliar

    A resposta deles? Exatamente o mesmo e-mail que haviam me mandado antes, “não adaptação pessoal” e bla blá blá ZZZzzzZZZzzzzzZZZzZZZZzzzzzz…

    Enfim… independentemente de qual componente químico seja o vilão da história (se é que isso procede), os cremes dentais da Oral-B costumam ser bastante abrasivos. A abrasividade de uma pasta de dentes é dada por duas escalas chamadas REA (Relative Enamel Abrasivity, abrasividade com relação ao esmalte) e RDA (Relative Dentine Abrasivity, abrasividade com relação à dentina), e essas escalas nem sempre correspondem entre si (uma pasta de dentes que tem RDA alto não tem necessariamente um REA alto). Eu procurei e não consegui descobrir quais são os REA e RDA dos cremes dentais da família Pró-Saúde, mas a ADA (American Dental Association) preconiza que um dentifrício com RDA abaixo de 250 pode ser considerado seguro. Já a FDA (Food and Drugs Administration) considera como seguros dentifrícios com valores de RDA abaixo de 200.

    Minha chateação fica por conta de não poder usar mais os cremes dentais da Oral-B que, como eu disse, acho “gostosos” e por ter sido tratada pelo SAC como usuária comum. Não sou melhor do que qualquer outro cliente da Oral-B mas, por ser dentista, imaginei que falariam de “igual pra igual” comigo, entretanto percebi que entrar ou não entrar em contato com o o SAC deles não faz diferença nenhuma: a “culpa” vai ser sempre do cliente “não adaptado” aos seus produtos.

    Você paciente ou colega dentista que já teve as reações adversas que eu relatei, poderia por favor manifestar-se nos comentários? Quem sabe assim a P&G perceba que tem muita gente por aí com problemas de adaptação aos seus produtos.

    UPDATE

    O pessoal da Oral-B entrou em contato e a Ludmila (Relações Comerciais na região sul do Brasil) e a Talita estiveram no meu consultório pra conversar comigo. Agradeço a atenção de ambas, que se desculparam pelo atendimento equivocado do SAC da P&G e se colocaram à disposição para tirar as minhas dúvidas com relação à formulação e efeitos adversos dos cremes dentais da linha Pró-Saúde. Aí sim, hein?! 🙂