Desde que a empresa que tem a top Gisele Bundchen como garota propaganda lançou no mercado nacional as “fitas branqueadoras” o assunto virou polêmica.
Há colegas a favor, há colegas contra, pacientes interessadíssimos e há comparação da nossa Odontologia com a Odontologia americana, onde esse tipo de produto é vendido em supermercados e farmácias, aparentemente sem a supervisão de um profissional dentista.
Sabe-se que o clareamento dental é um procedimento muito procurado nos consultórios, principalmente pela imposição dos padrões de estética de hoje. Trata-se de um procedimento não invasivo, como bem sabemos, e com estudos científicos em grande número, o que garante ao paciente sua execução no consultório. Veja bem, eu falei no consultório! Ou melhor, mudando a frase: SOB SUPERVISÃO DE UM DENTISTA.

Eu, como não poderia deixar de participar desse “fuá”, me dispus a comprar as tais fitas branqueadoras e opinar, não só como profissional da área, mas como consumidora e como tal, alguém que quer os resultados que a propaganda promete.
A caixa com o produto contém 14 embalagens com 2 fitas cada: uma para o arco superior e outra para o arco inferior.
Ao posicionar as fitas nos dentes, percebe-se que os dentes contidos no sorriso estético são abrangidos pela fita (de primeiro pré-molar a primeiro pré-molar superior e de canino a canino inferior) e, consequentemente, pelo produto (peróxido de hidrogênio em concentração inferior a 10%). O fabricante solicita que as fitas fiquem em contato com os elementos dentais limpos e por um período de meia hora. Como já dito aqui, o peróxido de hidrogênio tem reação rápida, logo 30 minutos realmente é o suficiente para a decomposição do princípio ativo em água e oxigênio, o responsável pelo clareamento. Mais que 30 minutos, não há efeito pois a reação química que tinha que acontecer já teve seu pico.
As tiras são moles, o que torna a aplicação das mesmas meio “desajeitada”. Facilmente elas se deslocam no arco. As superiores acabam por “escorregar” para a gengiva e as inferiores começam a deslizar para a parte palatina dos dentes. Se o paciente não conseguir manter a língua parada, corre-se o risco de remover, completamente, as tiras de posição.
Em todas as sessões que fiz, senti dormência na ponta da língua e queimação na gengiva marginal. Houve sensibilidade dental, mas isso é esperado de qualquer procedimento de clareamento e, como esse é o 5° clareamento que eu faço e em todos eu senti, não me espantou a dor, principalmente nos elementos inferiores.
Utilizei o produto por 5 dias consecutivos e notei sensibilidade ao escovar os dentes. Mas a sensibilidade que eu relato não é somente nos dentes. Eu tive lesões (pequenas úlceras) na região de pré molar superior e vermelhidão na gengiva marginal. Tive que trocar minha escova (que já é macia) por uma extra macia para não machucar mais os tecidos moles. A dormência da ponta da língua permaneceu enquanto eu usei o produto.


Procurei uma colega periodontista e a orientação que tive (além das fotos tiradas pela Dra. Carolina Leonardo Cunha) foi: SUSPENDA O USO DO PRODUTO.
Clareamento é um tratamento odontológico e precisa de supervisão.
A confecção de moldeira individual nos casos dos procedimentos caseiros é importantíssimo. Notem que, ao aplicar as tiras, há uma espécie de “baba” formada pelo agente clareador e isso gera as lesões ulceradas na gengiva. Há excesso de material e as tiras não conseguem manter o produto apenas em contato com o dente.
Quando fazemos o clareamento com o auxílio de moldeiras, orientamos o paciente em relação a quantidade de produto justamente para não haver o extravasamento do peróxido e evitar esse tipo de injúria tecidual. Lógico que, também, vale a pena ressaltar, que o uso de moldeira evita que o produto seja engolido e cause problemas ou desconfortos gástricos no paciente.
Se você pensa em comprar um produto assim, reconsidere. É barato, é acessível mas não traz a segurança que um tratamento de saúde necessita.
Procure seu dentista.
Faça clareamento dental responsável.
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