Ortodontista é o título que recebe o cirurgião-dentista especialista em Ortodontia.
O que é preciso pra ser ortodontista?
Pra ser especialista em Ortodontia, além de cursar a graduação em Odontologia, é preciso fazer mais 3 anos de especialização na área.
A ortodontia é a especialidade odontológica que estuda, previne e trata os problemas de crescimento e desenvolvimento da face (aí já englobando a ortopedia, também). O ortodontista tem o conhecimento teórico e o treinamento clínico para intervir prevenindo, interceptando ou corrigindo problemas de posicionamento dentário, de “mordida” e as demais disfunções dento-faciais.
Pra planejar um tratamento ortodôntico é preciso a avaliação clínica do ortontista e uma série de exames: fotos, radiografias, modelos, traçados.
E os aparelhos “personalizados”?
Isso simplesmente não existe! Aparelho ortodôntico não é acessório fashion! Não interessa se o bráquete é de verdade quando o ortodontista é falso. E é um perigo!
Peças coladas nos dentes e unidas por arames ou palha de vassoura colorida também aplicam forças nos dentes, o que significa que eles vão se movimentar. Como não há nenhum tipo de planejamento ou critério quanto à intensidade e a direção dessas forças, há um perigo real de você perder seus dentes!
O americano Devin Bost, de 22 anos, entrou com um processo contra o ortodontista Brad Chvatal no estado do Oregon (EUA), pedindo uma indenização de US$ 185.100 por ter sido obrigado a usar aparelho odontológico por 11 anos, segundo o jornal “New York Daily News”.
Esse sorrisinho não me engana!
Segundo a ação, Bost visitou pela primeira vez o dentista Brad Chvatal quando tinha 7 anos e morava em Eugene. Ele voltou ao consultório de Chvatal ao longo dos próximos anos, mas o profissional nunca retirou o aparelho odontológico.
Em junho de 2008, Bost, então com 18 anos, precisou remover o aparelho com urgência, porque seus dentes estavam podres.
Gente, socorro!!! Pra mim não ficou claro se o que ele usava era aparelho fixo ou removível, nem o tipo do aparelho. Nem se o paciente simplesmente sumiu no meio do tratamento ou questionou os procedimentos do dentista.
Concordo que se eu visse alguém com um aparelho e péssimas condições de higiene removeria na hora. Quando trabalhava no PSF fazia muito disso, antes dentes tortos do que dentes podres.
Aqui no consultório adotamos a seguinte regra:
1º) Má higiene, orientação de higiene bucal reforçada.
2º) Continua com má higiene, orientação de higiene bucal reforçada. Se não melhorar avisamos que precisaremos remover o aparelho pois não é possível dar seguimento ao tratamento ortodôntico com má higiene. Fazemos o paciente assinar um termo se comprometendo a melhorar higiene e de acordo com a conduta da remoção do aparelho em caso de não melhora.
3º) Continua com má higiene, o aparelho é removido e o tratamento interrompido. Assim mesmo.
Aqui no Brasil algumas pessoas tem mania de querer colocar aparelho num mês porque é bonito, e no outro mudar de idéia e remover por conta própria. Em geral fico feliz pois a maioria dos pacientes tem consciência da necessidade do tratamento e dos cuidados necessários para a manutenção do mesmo.
Se um paciente fica 3 meses sem aparecer no consultório é óbvio que os elastics vão estar pigmentados, alguma banda pode estar solta, o fio vai estar cutucando e tártaro pode se acumular, além de manchas brancas surgirem, dependendo do organismo de cada um. Logo, não é o aparelho que deixa os dentes podres, mas a falta de cuidado do paciente e a necessidade de manutenção.
Meu questionamento: O tal Devin Bost não questionou em nenhum momento porque o dentista nunca tirou o aparelho? O aparelho não caiu sozinho? Não soltou cimento? Não quebrou nada? Foi apodrecer como se tava em manutenção constante? Ou porque ele era um porco alguém com péssima higiene que sumiu do consultório?
Fui convidada hoje de tarde por um paciente meu de Erechim pra ser dentista na funerária que ele trabalha. Calma! Eu explico 😀
Ele trabalha numa funerária e chegou hoje todo contente que tinha ganhado bastante dinheiro esse mês. Passou carnaval, muita gente morreu e felizmente (ou infelizmente?) ele vive com o que ganha quando tem mortes. Pagou a mensalidade da orto direitinho e me disse que precisavam de uma dentista na funerária, se eu não gostaria de trabalhar pra eles de vez em quando.
Eu não entendi nada! Perguntei: “Por quê? O que uma dentista faria na funerária?”
Ele me disse que as pessoas não podem ser enterradas com nada de metal, e queriam alguém pra tirar o aparelho dos defuntos. Quem faz isso é um dos colegas dele, com alicate, mas eles têm medo de serem multados pelo “exercício ilegal da profissão”, por não serem dentistas e fazer o trabalho da remoção dos bráquetes. Além disso, tem medo de machucar o paciente defunto.
Na hora soltei uma grande gargalhada! Primeiro, por não saber que não podem enterrar uma pessoa com metal – e tem muita gente que enterra os parentes com aliança, alguma outra jóia, dente de ouro, enfim – e em seguida pelo medo de machucar o paciente defunto.
Admirei a dedicação com que eles trabalham para que o paciente não sinta dor… OH WAIT! Mas fico me perguntando se realmente é verdade isso. Será que o CRO consideraria exercício ilegal da profissão um funcionário de funerária usar um alicate não odontológico pra fazer a remoção dos braquetes.