Tag: cirurgia bariátrica

  • Diário de uma (quase) ex gorDIVA #5

    Diário de uma (quase) ex gorDIVA #5

    Tudo indo bem, graças a Deus! Minha cirurgia foi autorizada e acabei de chegar da consulta com o cirurgião!

    O grande dia será 08/10/12, uma segunda feira, mas existe a possibilidade de adiantarmos o procedimento para 02/10/12, situação a ser confirmada com o hospital da Unimed.

    Em breve, serei diferente!

    Ficarei afastada 1 mês das atividades no consultório por motivos óbvios: total restabelecimento das minhas condições de saúde, desde a retirada do dreno até a normalização da alimentação.

    Durante os primeiros 30 dias, minha alimentação é líquida/pastosa e o intervalo da ingestão dos alimentos é de 2 em 2 horas, em um volume de 50mL. Por mais que a cirurgia em si esteja bem, que eu esteja caminhando, falando, tuitando, blablabla, fica difícil manter essa rotina alimentar junto com a correria do consultório.

    Mas agora pasmem: MEUS PACIENTES NÃO ENTENDEM ISSO.

    Desde que eu tomei a decisão de operar e agendei a primeira consulta com o cirurgião, venho dizendo aos pacientes (boca grande né?) sobre o que vai ser feito e já me desculpando por possíveis desmarcações de consultas. Durante esses 2 meses de preparo, eu fiz diversos exames, alguns rápidos, outros demorados, que fizeram com que eu reagendasse meus pacientes. Agora, praticamente às vesperas de operar, as idas ao médico aumentaram e, como sabem, ele não é na mesma cidade que a minha. Para agilizar o meu lado, fui encaixada várias vezes, tendo que esperar mais de 2h pra ser atendida, fora o tempo gasto pra chegar até o consultório. Logo, mais desmarcações na minha agenda.

    Agora, liguei no consultório e uma colega veio falar comigo que alguns pacientes não querem mais ser tratados, que procurarão outro profissional. Realmente eu sinto muito por isso, mas não posso privar o paciente de, assim como eu, ter seu lado facilitado.

    Um deles chegou a dizer que “se não for essa semana não precisa mais marcar“. Imagino eu que com essa ~~fineza~~ que muitos estão pensando.

    Engraçado que na hora de lotar minha agenda, de encher meu saco e o da secretária pra arrumar um horário, eles nos tratam bem. Marcam as consultas e faltam as mesmas, fazendo com que fiquemos feito coqueiros dentro do consultório, plantados, sem produzir,  assistindo TV, jogando paciência, batendo papo no MSN.

    Muito provavelmente, se eu soubesse de todas as faltas que ocorreriam na minha agenda nos meses de agosto e setembro, teria feitos meus exames e minhas consultas sem a necessidade de desmarcar qualquer paciente agendado.

    Falta um pouco de educação e respeito por parte deles. Nós, profissionais, também somos pais, maridos, esposas, temos consultas médicas, precisamos resolver imprevistos e, por isso, pode ser que não estejamos 100% disponíveis como eles pensam que devemos estar. Aliás, não nos cabe ser/estar 100% disponível pra paciente algum.

    Eu torço para que a grande maioria entenda a minha necessidade nesse momento. Pra mim, ser gorda chegou num limite que só quem passou por essa estrada sabe o que significa. E eu mereço realizar esse sonho, para o qual eu venho me preparando física e emocionalmente.

    Para evitar qualquer tipo de aborrecimento dentro do meu consultório, eu conto com a ajuda das colegas que trabalham comigo e das secretárias que me atendem.

    Agora, mais perto do que nunca!

    Que venha a anestesia!


  • Diário de uma (quase) ex gorDIVA #4

    Diário de uma (quase) ex gorDIVA #4

    Por mais “descolada” que você seja, se está acima do peso já ouviu piada.

    Acabou de acontecer no consultório e eu confesso que, além de triste, estou p*** da vida.

    Um paciente veio fazer uma consulta. Já é meu paciente, trabalha com a minha irmã e eu sempre tive um bom relacionamento com ele e com a família dele.

    Aqui na clínica, uma das colegas está grávida, no 6° mês de gestação.

    O paciente chegou e estávamos, Camila e eu, na recepção. Nisso, o fdp (flor de pessoa) pergunta num tom de brincadeira:

    _ Vocês duas foram na mesma festa?

    Eu olhei pra Camila, ela pra mim e eu questionei:

    _ Hã?

    E, num gesto completamente sem educação, ele apontou pra nós duas dizendo:

    _ Vocês duas estão grávidas.

    Na hora respondi que não. Que eu estava gorda e que a gestante era a Camila. Ele ainda continuou com a babaquice:

    _ Jura? Mas você não era deste tamanho.

    Sem dar muita trela, mas com o olho cheio de lágrima e com um elefante entalado  na garganta, prossegui com o atendimento clínico dele.

    Quando fui liberá-lo e agendar a próxima consulta, ele mencionou ter iniciado um tratamento com uma nutricionista:

    _ Procurei uma nutricionista e perdi 15kg.

    Nisso eu, mesmo querendo chorar, decidi que não poderia deixar passar essa falta de educação e respeito. Retruquei.

    _ Perdeu 15 e já os encontrou né? Aliás, o senhor pergunta pra toda mulher barriguda se ela está grávida?

    Ele, muito sem graça, deu aquele sorrisinho amarelo. E eu continuei com a minha paulada.

    _ Um dia, com essa curiosidade, o Senhor vai encontrar alguém que mande você à merda. Em relação ao que aconteceu entre nós, eu digo que você tem muita sorte. Se você tivesse feito esse comentário comigo de mau humor, com certeza eu teria mandado você tomar no c*.

    Ele me pediu desculpas, o sorriso amarelou mais.

    Estou muito triste e são situações assim que me fazem querer estar num centro cirúrgico o quanto antes.

    Constrangimentos que todo gordinho passa. Até que ponto vai a falta de educação alheia?

    Hoje eu estou gorda. Depois, vou sambar de Louboutin na cara desse palhaço. Pode esperar.

    Se você é do tipo curioso, pense. Ficar calado pode ser a melhor opção.


  • Diário de uma (quase) ex gorDIVA #3

    Diário de uma (quase) ex gorDIVA #3

    Olá Pessoas!

    Depois de umas semanas realizando os exames necessários para a cirurgia, eis que um dia importante chegou: o dia da consulta com “A” médica que me liberaria ou não para o procedimento.

    Durante esses dias fiz exames, peguei resultado de exames, fui na nutricionista e iniciei (ou retomei) meu tratamento psicológico. De todos os passos o mais difícil está sendo a sessão de terapia. As sessões são às terças feiras e eu tenho ficado mal. Explico o motivo: apesar de nunca ter sido magra, meu ganho de peso acelerou depois do falecimento do meu pai. Em 2007 eu comecei a terapia, mas não terminei. Doía muito falar sobre a perda e lidar com toda a mudança da minha vida na época. Voltei de São José dos Campos e percebi que aqui em Resende eu tinha poucos amigos. Resultado: para lidar com a perda eu precisava de amigos pra sair, conversar, esquecer um pouco o assunto. E eu estava fazendo da minha psicóloga uma amiga. Não que não fosse, mas no consultório a relação que existe é de paciente e profissional. Enfim, abandonei o tratamento, procurei aumentar meu círculo de amizades e consegui superar algumas coisas. Mas, ainda, entrar no consultório me remete ao pior tempo da minha vida e isso é algo que eu tenho que enterrar, definitivamente.

    Minha psicóloga diz que o que mais a espanta é a minha “alienação” (não sei ao certo uma palavra pra usar) em relação ao procedimento. E, na última sessão, ela foi no alvo: “É um procedimento arriscado, que envolve sua vida. Talvez você não esteja preocupada porque, se você morrer, você pensa que vai encontrar com seu pai” (algo mais ou menos assim, talvez não com essas palavras). Pra mim, essa avaliação dela foi um sacode, porque depois do falecimento dele eu realmente perdi o medo. Ou melhor, não ligo de eu morrer. Apenas fico preocupada com quem deixarei aqui.

    Na nutricionista, algo previsível: engordei 5Kg. Motivo? Eu, literalmente, estou me despedindo da rotina “gorda”. Não tenho me privado das pizzas, comida japonesa, queijos, vinhos, doces. Isso me abalou um pouco. No dia que saí da consulta, fiquei mal ao me olhar no espelho. Tive uma crise de choro e foi onde a ansiedade aumentou. Depois daquele dia a vontade de fazer a cirurgia só aumentou. Conversamos a respeito do pós operatório, da dieta líquida, do não mastigar por 1 mês, da reeducação forçada e, com isso, minha visão sobre o todo mudou. A consciência da dificuldade, da irritabilidade, das privações tomou conta de mim. Eu acredito que esse períoodo será recompensado com a perda de peso e o aumento da auto estima. Penso que a vontade de mastigar e a irritação por não poder comer será amenizada com os quilos perdidos.

    Rumo aos quilos a menos!

    Ontem, dia 31/08, levei meus exames para a médica clínica responsável pela liberação para o procedimento. Meus exames estão normais e estou liberada para fazer a gastroplastia. A endoscopia revelou lesões ulceradas no meu esôfago e a biópsia do estômago, uma gastrite crônica. Dra. Isis me disse que é pra eu desconsiderar essa gastrite, porque em toda biópsia do estômago ela está presente, até mesmo em virtude da contaminação, do ambiente, anatomia, etc. Iniciei o uso de Omeprazol e, para elevar a taxa de ferro no organismo (que não está baixa, mas pode melhorar para a cirurgia) um remédio usado em gestantes – Materna.

    O procedimento escolhido foi o Sleeve, onde há uma redução somente do estômago, sem desvio de intestino.

    Já estou com o pedido do risco cirúrgico e pegarei o laudo da nutricionista e da fisioterapia para a próxima consulta com o cirurgião. Dra Isis disse que acredita que em meados de outubro eu opere. Depois da consulta com o Dr. Flávio Garani, o cirurgião, o que mais demanda tempo é a liberação da Unimed.

    Estou muito ansiosa e isso tem refletido na minha qualidade de sono e em algumas manifestações clínicas – dermatite e herpes labial.

    Não vejo a hora de mudar minha vida! Estou confiante e muito feliz com todo o apoio que tenho recebido dos meus familiares e amigos!

    Um beijo e até a próxima!


  • Diário de uma (quase) ex gorDIVA #2

    Diário de uma (quase) ex gorDIVA #2

    Semana passada anunciei a boa nova e já comecei a fazer os exames pré operatórios. Realizei uma batelada de exames de sangue e urina e fiquei tonta com a quantdade de sangue que tiraram de mim (brincadeira, mas achei muito sangue mesmo hehehehe).

    Rumo aos quilos a menos!

    A maioria dos exames solicitados precisam de autorização do convênio para serem realizados. Após passar 1h sentada na Unimed, consegui a liberação das guias. Eu trabalho com convênios no consultório e sei o quanto o paciente reclama quando não consegue agendar a consulta ou, até mesmo, encontrar um profissional que execute tal trabalho. Comigo, sendo paciente, não foi diferente. Em Resende não se consegue encontrar um psicólogo que faça o acompanhamento para cirurgia bariátrica que atenda pelo convênio. Terei que pagar as consultas particulares e pedirei recibo para que haja reembolso. Até porque, todas as pessoas com as quais eu conversei me disseram que sem a liberação do psicólogo não acontece a mágica da cirurgia!

    Durante essa semana, mais e mais exames. O ruim, pra mim, tem sido desmarcar meus pacientes para que eu possa realizar os exames. Dependendo do horário e do profissional, sei que não esperarei menos de 2h pra ser atendida (fora o tempo de duração do exame) e, com isso, um período do meu dia vai embora. Meus pacientes tem reclamado muito disso, mas eu preciso tirar um tempo pra mim. De um modo geral, a falta de tempo que temos (seja pra malhar, ir ao banco, marcar médicos, salão de beleza) é um problema para o dentista.

    Na quarta fiz um exame de prova de função pulmonar. Gente de Deus! Que exame terrível! Eles colocam uma espécie de “prendedor de roupas” no seu nariz e um tubo na boca. Nisso, você precisa respirar de acordo com as orientações do médico: normal ou forte. O exame tem 2 etapas, a primeira sem e a segunda com broncodilatador.

    E na quinta eu fiz a endoscopia digestiva. Aquele exame onde administram um sedativo, no caso o Dormonid, e você começa a zzzzzzZZZZZzzzzzzzzzzzzzzzZZZzzzzzzzzzZZZZZZZZZZZZZzzzzzzz.

    Além de iniciar a rotina de exames pré operatórios, eu e meu marido começamos nas aulas de Pilates (tortura mascarada de alongamento) e retomamos as caminhadas diárias. A alimentação também mudou: nada de carboidratos à noite. O resultado é: dores no corpo inteiro! Mas os depoimentos dos ~~pilateiros~~ de plantão tem nos animado muito!

    Por enquanto é isso!

    Aguardem as cenas dos próximos capítulos! #OiOiOi

     


  • Saúde Bucal em Pacientes Gastroplastizados

    Saúde Bucal em Pacientes Gastroplastizados

    Em breve serei mais uma gastroplastizada.

    A dificuldade de emagrecimento, a ausência de síndromes que justifiquem minha obesidade e o gostar de comer bem me levaram a tomar essa decisão.

    Os pacientes operados necessitam de cuidados bucais

    Tenho muitas dúvidas quanto ao procedimento, pós operatório e mudanças que acontecerão na minha saúde. A redução do estômago e a diminuição da absorção de nutrientes pode ocasionar queda dos cabelos, unhas quebradiças, anemia crônica e, até mesmo, alterações na condição de saúde bucal dos pacientes submetidos à cirurgia.

    De acordo com a literatura, o relato mais comum dos pacientes gastroplastizados é a diminuição do fluxo salivar. O médico orienta o paciente a ingerir 2L de água durante o dia, em pequenas porções. Depois do organismo estabilizado, o paciente acaba negligenciando essa orientação e acredita-se que essa diminuição na hidratação corporal seja a causa da hipossalivação. Nesse aspecto, o cirurgião dentista deve orientar o paciente quando a melhora da escovação, uso de gomas de mascar e, até mesmo, saliva artificial para que os tecidos bucais permaneçam saudáveis.

    Outro quadro comum é a perda de esmalte/dentina causada pelos episódios de vômitos após a ingestão de comida em excesso ou, até mesmo, mastigação insuficiente. Como a capacidade do estômago é reduzida, é de suma importância a trituração do alimento para que ele chegue em partículas menores, o que facilita o trabalho do estômago e evita sua sobrecarga. Além disso, a erosão nas faces palatinas, liguais e vestibulares, causadas pelo ácido de origem gástrica, também é agravada pelo hábito do paciente de escovar os dentes vigorosamente após o vômito. A ação do ácido aliada ao desgaste supericial gerado pelo atrito da escova aumenta a lesão, com o passar do tempo. O dentista deve orientar os pacientes a fazer bochechos com soluções fluoretadas após os episódios de vômito para que haja um reforço no processo de remineralização do esmalte. Assim, somente depois o paciente deve escovar os dentes.

    Como se trata de um procedimento radical, o paciente precisa ser orientado a procurar ajuda psicológica. A ansiedade gerada pelo “pensar gordo” resulta em hábitos parafuncionais nos pacientes operados. Bruxismo, roer unhas, morder lábios são relatos comuns. Disfunção temporomandibular, desgastes incisais, trincas e até mesmo fraturas devem ser diagnosticadas e a reabilitação/acompanhamento realizado pelo dentista. Além disso, as perdas dentais necessitam ser reabilitadas com próteses para que, como dito ateriormente, não haja sobrecarga no estômago.

    A cirurgia bariátrica é muito difundida hoje em dia e, por isso, tratar um paciente nessa condição é muito frequente.

    Se você foi submetido a essa cirurgia, conte para nós como anda sua saúde bucal e quais as alterações que você percebeu após o procedimento!