Tag: Medo de Dentista

  • Dentista Minuto #23: Meu paciente tem medo de dentista!

    Dentista Minuto #23: Meu paciente tem medo de dentista!

    “Eu odeio dentista”. Certeza que você, colega, já ouviu isso acompanhando de um “nada pessoal, doutor!”. Mas convenhamos: é difícil não levar pelo menos um pouquinho pro lado pessoal…

    Isso não é ódio… é medo. Um pouco de vergonha. Às vezes até fobia. E mais, é falta de informação: seu paciente não sabe o que vai acontecer do outro lado da porta da sala de espera… e isso assusta.

    Algumas verdades que aprendi interagindo com quem tem medo de dentista nesses 7 anos do Blog Medo de Dentista:

    • Confiança é fundamental, e a boca é uma parte muito íntima do nosso corpo. O paciente se sente vulnerável. Evite “dar bronca”… é possível orientar sem constranger.
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    • Nem todo mundo não escova os dentes direito por preguiça ou descaso.
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    • Medo não é frescura. Não é porque o cara tem 2 metros de altura por 1,5 de largura que ele não pode ter medo de dentista.
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    • Não subestime o medo do seu paciente, não faça pouco caso. Isso só aumenta a sensação de insegurança e é quase certo que o paciente não volta mais.
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    • Em caso de movimentos bruscos, avise seu paciente. Sempre que for “apertar, puxar, empurrar”, avise!
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    • Por outro lado, não fique explicando muito o que você está fazendo. Não entre em detalhes técnicos sobre osteotomias, odontosecções, sangramentos e retalhos.
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    • Deixe claro para o paciente que quem dita o ritmo é ele.

    E se você não se sente preparado pra atender um paciente ansioso, não atenda. Encaminhe. Vai ser melhor pra vocês dois. 😉


  • Dentista Minuto #14: A Anestesia do Dentista

    Dentista Minuto #14: A Anestesia do Dentista

    Depois do motorzinho do dentista, o que causa mais medo é a anestesia. Ué, mas não era pra anestesia ser uma coisa boa? E é, acredite!

    A agulha gengival é bem mais fina e flexível que aquelas de injeção. Não fique imaginando uma “injeção na boca”, é bem mais light que isso.

    “Ah, doutora, será que precisa mesmo?” Precisa. Aliás, por que o dentista sugeriria anestesia se não houvesse necessidade? Muitas vezes o paciente vem com aquela história de “vamos tentar sem anestesia pra ver se dá”, mas acaba sendo pior…

    “Eu quase morri de dor no dentista!”. E você deixou o dentista aplicar anestesia? Então…

    Sim, a anestesia pode oferecer certo desconforto. Mas nada de mais. A anestesia é uma bênção!

    Resumindo… ninguém gosta de tomar anestesia. Eu não gosto. Mas a anestesia não é um motivo pra sentir dor, é a solução pra ela. Não há nada pior pra você do que ser aterrorizado pela possibilidade da dor cada vez que o seu dentista aperta o pedal do “motorzinho”. E não há nada pior para o seu dentista do que tentar atender você enquanto você pula na cadeira. 🙂


  • Pais – Âncora ou Balão no Tratamento Odontológico?

    Pais – Âncora ou Balão no Tratamento Odontológico?

    Não sou Odontopediatra, mas atendo as crianças que permitem tratamento. A grande maioria, para minha alegriiiiiiia,  coopera comigo e o tratamento flui como esperado.

    Mas e quando aparece uma criança (ou onça?) acompanhada de pais que dificultam o atendimento?

    Mais uma da série “Aconteceu Aqui e Agora”…

    Uma menina de 9 anos acompanhada de sua mãe. Na primeira consulta fiz todas as orientações, expliquei sobre as consultas, fiz uma atividade educativa com as duas e iniciei os procedimentos preventivos (evidenciação de placa, profilaxia e aplicação de flúor). Durante o exame clínico mostrei pra mãe a deficiência de escovação da menina. Enfatizei que a responsabilidade pela saúde bucal de criança é da mãe (coisa que ela não gostou de ouvir) e que a garotinha ainda não tem coordenação motora suficiente para que sua saúde bucal não seja monitorada pelos pais. Durante a evidenciação eu não sabia mais o que era dente e placa. Ficou tudo um “roxo” só e eu, com a sonda exploradora foi explicando o que era aquela massinha branca na superfície do dente (explicação dada para mãe e para menina). Terminamos a sessão e remarquei para dar início às restaurações.

    Na semana seguinte a paciente retornou. Quando abriu a boca, a massa branca estava lá como se nunca tivesse sido removida. Mais uma vez orientei a mãe e fiz um apelo financeiro: “_ Sra., o convênio me paga somente 1 vez para realizar esse procedimento de profilaxia. Hoje vou refazê-lo, mas das próximas vezes que houver necessidade de repetir cobrarei da Sra.”

    Gentilmente a mãe chamou a filha de “imbecil”.

    A menina reapareceu 1 mês depois, por acaso hoje. A escovação melhorou muito, mas a menina tem um medo que não é dela.

    _ Minha mãe disse que você vai arrancar todos os meus dentes e que tudo que você usa vai doer.

    ÓTIMO DONA MÃE! A Sra acabou de afundar com o tratamento da sua filha!

    Lógico que a garotinha não deixou que eu realizasse qualquer procedimento nela. Até do sugador ela reclamava. Não tem como atender uma criança assim sem ser um especialista nisso. Chamei a mãe e expliquei que a filha não permitia o tratamento e indiquei um profissional de confiança para dar continuidade ao tratamento.

    Nesse instante a mãe segurou a filha pelo braço e bateu nela. Agressão gratuita dentro do consultório.

    Não acho que nós, profissionais, devamos nos “meter” na conversa das mães com seus filhos. Cada mãe educa os filhos da maneira que acha melhor. Mas é revoltante. Provavelmente eu não serei a última dentista de quem a menina terá medo. Ela tem um medo que vem da mãe, não de mim ou de qualquer instrumento que eu use. Ela não conhece. Não há como temer o que não é conhecido.

    Educar os pais para o tratamento odontológico dos filhos é fundamental para o sucesso da relação profissional/paciente. A criança precisa adquirir confiança em nós e os pais precisam entender que não podem passar pelas nossas orientações e devem saber que elas são indispensáveis para que os procedimentos sejam realizados da melhor maneira possível dentro desses 9m² de consultório. E sempre devemos esclarecer sobre a responsabilidade deles, pais, sobre a saúde geral da criança, de acordo com as leis vigentes no país.

    Se os pais colaboram conosco, a criança colabora também.

    O que não dá é para as consultas odontológicas virarem uma rinha, como a que eu presenciei há poucos minutos.

     


  • >Medo de Dentista – Trauma de Infância

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    Fonte: imagem

    Que levante a mão quem tem fascinação por anestesia, pelo “motorzinho” barulhento e consultórios odontológicos de um modo geral! Tenho certeza que poucas pessoas levantaram… Mas por que será que isso acontece? 


    Como muitos já sabem, minha carreira começou no PSF da minha cidade. Lá eu tive um verdadeiro “estágio”, onde aprendi a lidar, principalmente, com a ansiedade dos pacientes. E essa tal ansiedade, medo e receio não é restrito ao atendimento infantil!

    Adultos, homens e mulheres, com famílias constituídas, continuam com pavor de ir ao dentista! As reações são gritantes: as pupilas dilatam, os batimentos não sintonizam, suam frio, tremem. Enfim, um monte de sintomas que, na verdade, gritam “Eu tenho medo!”.

    Quando esse medo é em paciente adulto, é importante manter um diálogo franco, orientando com palavras claras e entendíveis o que será feito. Assim, o paciente adquire confiança no profissional! Eu tenho por hábito combinar o tratamento: “Olha, hoje nós faremos isso e na semana que vem faremos aquilo, assim, assim e assim. Tudo bem?” O paciente, desse modo, já se prepara para a consulta. E eu, sabendo da situação dele, preparo o ambiente: música, brincadeiras, algum modo de descontração! Caso ache válido, entro com ansiolítico (fitoterápico ou não) para proceder ao atendimento. E, passo a passo, sem pressa, termino o tratamento. O melhor de tudo: tenho certeza que 6 meses depois ele vai voltar para avaliação!
    No caso de crianças, principalmente as que nunca foram ao dentista, as principais orientações são para os pais. Os pais, na tentativa de “ajudar”, acabam atrapalhando quando dizem, por exemplo, “se você não escovar os dentes, a dentista vai arrancar tudo!”
    Com crianças, o tratamento, além de combinado é curto. Sessões rápidas, exemplificando o quanto ela irá demorar (tipo: “olha, sabe o primeiro tempo do jogo de futebol do seu time? Vai demorar menos que isso…).

    Geralmente, na primeira sessão, eu não faço absolutamente nada! Eu conheço a criança, pergunto sobre a família, a escola, os amiguinhos, o que gosta de fazer, etc. Depois, quando a conversa vai fluindo e eu sinto que a criança “está na minha”, começo mostrando o consultório, os materiais, os instrumentais e a explicar o motivo de eu estar ali!
    Outra coisa que não faço nunca: esconder carpule, agulha, alta rotação e qualquer tipo de instrumento que irei usar na sessão! Eu apresento a seringa carpule como um foguetinho, abro uma agulha e mostro pra criança que é tão fininha quanto o fio de cabelo dela, digo que o tubete de anestésico tem uma água mágica que vai fazer o dente dormir e, se a criança quiser, entrego espelho para ela acompanhar o procedimento. Nem que seja extração!
    Imagina eu, desse tamanho, virando pra esconder uma coisa qualquer da criança? É líquido e certo que ela vai levantar da cadeira e eu, perdi ali!
    Mais um fator que faço questão de ressaltar durante o atendimento infantil: os pais/responsáveis ficam na sala de espera. A criança entra sozinha! Os pais entram para a anamnese e esclarecimentos iniciais. Mas, nas consultas subsequentes, os baixinhos entram sozinhos! E vão adquirindo confiança! Não prometo brinde, nem prêmio no final do tratamento! Apenas reforços positivos durante as sessões, parabenizando pelo bom comportamento e colaboração! Ao fim de tudo, um diploma de dentes saudáveis, indicando a data do retorno!

    Adultos com medo de dentista foram crianças que adquiriram um medo que, na verdade, não era delas (lógico que há excessões).
    Conversas francas, clareza e carinho garantem o retorno do paciente e indicações!

    Quer saber mais sobre o assunto? Nossa Diva Ana Tokus explica, tudinho, no Medo de Dentista (que hoje faz 1 ano… parabéns!).