Tag: radiografia

  • Dentista Minuto #11: Grávida pode ir ao dentista?

    Dentista Minuto #11: Grávida pode ir ao dentista?

    Diz a lenda que quando uma mulher está grávida é proibido fazer qualquer tratamento odontológico. Só que isso não é verdade… gestantes não só podem como DEVEM ir ao dentista.

    A gestação é um ótimo momento pra você procurar seu dentista e manter a saúde em dia. O aumento da vascularização e da permeabilidade da gengiva durante a gravidez, por exemplo, podem deixar a gengiva mais vulnerável ao ataque bacteriano e facilitar a ocorrência de sangramento. Se a mulher descuidar com a higienização durante esse período, a probabilidade de se instalar um problema gengival ou periodontal é maior. Por isso é importante que haja avaliações odontológicas periódicas. Grávida, vá ao dentista!

    Pode extrair dente? E fazer tratamento de canal? A gravidez, em si, não contraindica esses procedimentos. Apenas prefere-se, por uma questão preventiva, não submeter a mãe e o bebê a tratamentos que possam ser adiados. A questão é que nem sempre um tratamento pode ser adiado. Aí é urgência, e urgência não admite espera, até porque passar dor ou manter uma infecção no seu organismo durante a gestação certamente é mais prejudicial do que qualquer atendimento pelo qual você venha a passar. Quando dói alguma coisa ou o dente da frente quebra e deixa a pessoa “banguela”, tem-se uma urgência. E se uma gestante estiver com dor de dente ou quebrar o dente da frente, faz-se o quê? O óbvio: procura-se o dentista e faz-se o tratamento necessário.

    Grávida pode tomar anestesia?

    Sem dúvida que pode! Se há dor e urgência no atendimento, não há absolutamente nada que justifique não usar anestesia. A anestesia odontológica é local e muito segura. Se ela não faz mal pra você, por que faria para o bebê? Além disso, existem opções de anestésicos de uso específico para gestantes (prefere-se a lidocaína em vez da prilocaína ou da mepivacaína). (FERREIRA, 1998)*

    Grávida pode tirar radiografia?

    Pode, mas não deve. É aquela história: precaução. Embora o feixe de raios X passe longe da barriga quando se faz uma radiografia no dentista e a paciente use um colete de chumbo durante a tomada radiográfica, se der pra evitar, melhor. Por isso é que não se costuma fazer tratamentos de canal durante a gravidez, o que exigiria algumas radiografias. Mas isso não quer dizer que aquele seu dente com uma cárie enorme, que já deu canal, deve ficar aberto aguardando o bebê nascer. Limpá-lo e fazer um curativo seria uma ótima ideia, para diminuir a chance de uma infecção ainda pior.

    Qual a melhor época da gravidez para ser atendida pelo dentista?

    A melhor época para uma grávida se submeter a um tratamento odontológico, se necessário, é o segundo trimestre, ou seja: 4o, 5o e 6o meses de gestação. Mas a época certa de procurar o dentista é qualquer uma! A questão é: você não deve ficar em casa sofrendo e se perguntando se deve ir ao dentista. Se o tratamento do qual você precisa será feito de imediato ou se será realizada uma ação paliativa (um curativo, por exemplo) visando aguardar um melhor momento para o tratamento em si, é uma decisão conjunta entre você e seu dentista. Se houver necessidade de opinião ou liberação médica, o próprio dentista requisitará que você procure seu médico obstetra para isso.


  • Radiação ionizante, mamografia e câncer de tireoide

    Radiação ionizante, mamografia e câncer de tireoide

    Você já deve ter recebido por WhatsApp ou lido no Facebook ah essas fontes idôneas um texto em que o Dr. Drauzio Varella, médico oncologista, supostamente associa o aumento (?) do número de casos de câncer de tireoide em mulheres com a exposição à radiação ionizante de radiografias dentárias e mamografias. Pra quem não leu, taí (tem versão em vídeo, também):

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    O Dr. Drauzio falou isso mesmo?

    Vamos deixar bem claro: o Dr. Drauzio nunca fez nenhuma afirmação nesse sentido. É um hoax, um boato que já circulava em 2015 e voltou agora. Tem um vídeo em que ele fala só de mamografia, e em nenhum momento ele diz que esse tipo de exame representa risco à saúde, sequer menciona a existência de colar de chumbo protetor de tireoide. Você pode procurar no site dele, no post sobre nódulos na tireoide não há qualquer menção a radiografias odontológicas ou mamografias, quanto mais ao suposto perigo que elas representam. Seria o melhor lugar pra falar disso, não é mesmo?! Mas ele não o fez. Ele fala, sim, da influência da exposição à radioatividade na infância e que “em lugares como Hiroshima, Nagasaki e Chernobil, onde a exposição ambiental à radiação foi muito grande, a incidência de câncer da tireoide aumentou muito na população”. Mas isso são outros quinhentos. Explico.

    Qual a diferença entre os Raios X e a radioatividade?

    Os Raios X são uma forma de radiação ionizante, ou seja, quando eles atingem um átomo podem expulsar elétrons dele para criar íons (átomos eletricamente carregados). Ao serem atingidos pelos Raios X, os tecidos do nosso organismo são modificados através de reações químicas. Esses efeitos são cumulativos, o que quer dizer que uma vez que nossas células tenham sido atingidas, o dano é permanente e irreversível. Mas qual o grau desse dano? Menor que o prejuízo de se sair no sol sem usar um boné. 

    Já a radioatividade é a propriedade que alguns elementos químicos têm de emitir isótopos radioativos, e não tem nada a ver com a radiografia médica ou odontológica, ok?! Aparelhos de Raios X como os que existem em clínicas de exames por imagem e nos consultórios odontológicos não são radioativos.

    Ontem mesmo na clínica uma paciente me perguntou antes de fazer uma radiografia panorâmica se ela podia manter o celular no bolso, se ele não iria explodir. Então.

    Isso esclarecido, vamos falar das afirmações contidas no boato.

    Isso faz algum sentido?

    Nenhum.

    O número de casos de câncer de tireoide está aumentando? Segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer), sim. Porém, isso não tem nada a ver com radiografias dentárias e mamografia… o fator que leva a esse aumento não é totalmente conhecido, mas o crescimento do volume de diagnósticos pode ser explicado. As mulheres têm características hormonais bem específicas, que nos deixam mais suscetíveis, mesmo.  Além disso, nós vamos mais ao médico que os homens, e recentemente – no Brasil – os ginecologistas incluíram na rotina o exame de tireoide. Dessa forma, era esperado o aumento do número de diagnósticos. Ainda, parece haver uma “epidemia” mundial de super-diagnóstico de câncer de tireoide. Veja esse artigo sobre o tema.

    A tal “pestana” de que o hoax fala é na verdade um protetor de chumbo que vai “enrolado” no pescoço. Ele pode ser usado na tomada radiográfica ou na mamografia, sim… só que não precisa (veja o que a Portaria 453 fala sobre isso). Na radiografia panorâmica, por exemplo, ele só atrapalha e, muitas vezes, a borda dele até aparece na imagem. Se você quer uma imagem bem feita “de primeira” (ou seja, com muito menos chance de ter que repetir a tomada e expor o paciente 2 vezes à radiação), melhor não usar. Não bastasse isso, a radiação secundária gerada é maior quando do uso de proteção plumbífera…

    Já de acordo com a Agência Internacional de Energia Atômica, “o uso do protetor de tireoide em exames de mamografia não é recomendado na rotina, devendo ser utilizado apenas nos casos em que a paciente solicite. É importante sempre informar que a utilização dos protetores pode, inclusive, atrapalhar o exame, pois se não for bem colocado na paciente, pode ser a causa de repetição nos casos em que a sua imagem se sobrepõe à imagem da mama”. Ou seja, assim como na radiografia panorâmica, além de não ajudar, atrapalha. Mas se o paciente quiser… ponha nele, uai.

    Protetor de tireoide
    Protetor de chumbo para tireoide

    Na questão da ~Máfia Médica~ eu não vou nem entrar, pois é simplesmente ridículo. Oferecer protetor de tireoide para o paciente não aumenta em nada o custo do exame. Se ele fosse descartável, ainda vá lá… mas não é.

    E quanto de radiação se absorve em um exame desses?

    Observe o diagrama abaixo:

    A radiação em perspectiva
    A radiação em perspectiva

    Em uma radiografia no consultório do dentista o paciente absorve uma dose de cerca de 0,00001 rad. Pra que houvesse risco aumentado de você ter câncer, seria preciso fazer 100 MIL radiografias em um único ano. Isso pra aumentar o risco, não pra você realmente ter câncer. Tem mais radiação num dia de sol – à sombra – e na comida que a gente come do que numa tomada radiográfica odontológica. A dose de radiação absorvida pela tireoide é cerca de 1% da dose que se recebe em 3 dias de exposição à radiação natural de fundo (a radiação a que estamos expostos diariamente, não dá pra fugir dela). Percebem como a preocupação a respeito é exagerada?

    Enfim… por favor, parem de compartilhar esse tipo de ~informação~, porque ela não salva “as mulheres do seu grupo”, pelo contrário, faz as mulheres ficarem com medo de fazer mamografia e, as pessoas em geral, de fazer radiografia no dentista. Sem esses exames uma doença importante pode ficar escondida e, pela demora no diagnóstico, até levar à morte. Se há indicação pra isso, não tenha medo de fazer exames de imagem. O benefício é infinitamente maior que o custo biológico.

    Você não é obrigado a entender do assunto, mas antes de compartilhar é obrigação sua, sim, conversar com alguém que entenda pra ver se é verdade. Se você não pretende fazer isso, não compartilhe. Isso vale pra tudo.

    * * *

    Leia um post completo (infográficos, tabelas comparativas and whatever) sobre o assunto aqui –> A Radiação em Perspectiva

    Leia também –> Raio X faz mal?

    Leia na íntegra o esclarecimento Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem sobre o uso de protetor de tireoide durante a mamografia

    Veja o posicionamento da American Association of Physicists in Medicine sobre o sensacionalismo que leva as pessoas a terem medo de se submeterem a exames de imagem

    UPDATE em 06/10/16 –> o Dr. Drauzio Verella se manifestou na sua página no Facebook:

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    Print do Facebook

    Leia também: “É um desserviço às mulheres”: Drauzio Varella desmente boato que liga mamografia ao câncer de tireoide

    Ainda: Drauzio Varella desmente boato que liga radiografias odontológicas a câncer de tireoide


  • Planos de saúde continuam não autorizando exames pedidos por dentistas

    Planos de saúde continuam não autorizando exames pedidos por dentistas

    Exame complementarMesmo com a regra da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) deixando bem claro que TEM QUE AUTORIZAR.

    Luana Rodrigues, de 24 anos, precisou se submeter a exames pré-operatórios antes de uma cirurgia ortognática, procedimento realizado por cirurgião bucomaxilofacial que, pra quem não sabe, é dentista. A contadora se surpreendeu ao descobrir que seu plano de saúde somente cobriria as radiografias caso o procedimento fosse pedido por um médico. A exigência descumpre a Norma 11, de 2007 da ANS, segundo a qual os planos devem autorizar internações e exames requeridos por cirurgiões-dentistas.

    Mas esse não é um caso isolado, infelizmente. Essa negativa é uma rotina nos laboratórios, segundo o presidente do Conselho Regional de Odontologia do Rio de Janeiro (CRO-RJ), Afonso Fernandes Rocha. “Esse problema aumenta a cada dia. É por má-fé dos planos de saúde para adiar a realização dos exames”.

    Para fazer os exames, Luana teve que pedir pra um ginecologista, amigo da família, transcrever o pedido do procedimento, que foi, então, autorizado pelo plano.

    A cirurgiã-dentista Katyuscia Lurentt passou pela situação tantas vezes que já explica o problema para os pacientes: “É um constrangimento. Sempre dou uma cópia da regra da ANS com o pedido do exame”. 

    O CRO-RJ vai pedir à ANS que repasse mais informações às operadoras de saúde e aos laboratórios sobre os exames solicitados por dentistas. Segundo a entidade de classe, os funcionários das empresas desconhecem a norma do órgão regulador, e as frequentes recusas de coberturas desmoralizam os profissionais da área. “O paciente pode achar que o dentista não é qualificado o suficiente para o trabalho. Há uma quebra de confiança e até mais burocracia, já que ele pode ir a um médico para pedir o exame, o que gera a despesa de uma consulta para o plano”, diz Afonso.

    Procurada, a ANS reforçou que a operadora de saúde não pode negar autorizações para a realização de exames complementares solicitados por dentistas. A cobertura, no entanto, deverá estar prevista no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde editado pela agência reguladora e estar de acordo com o estipulado no contrato do consumidor.

    Onde reclamar

    Caso o plano de saúde não autorize um procedimento solicitado por um dentista, com a justificativa de que apenas um médico poderia ter feito o pedido, o paciente deve procurar a operadora e a ANS (0800-7019-656).

    Intervenção

    As queixas são tratadas pelo setor de mediação da ANS, que resolve 80% dos casos. No ano passado, a agência recebeu 16.600 reclamações de clientes de planos de saúde no Estado do Rio.

    Consequências

    A agência reguladora suspende a comercialização de planos de saúde com maior número de queixas.

    * * *

    A situação é TÃO ridícula que quase dá vontade de rir. Quase.

    Via Extra


  • Enfim, Radiologista!

    Enfim, Radiologista!

    Na semana passada concluí minha especialização em Radiologia Odontológica e Imaginologia. Finalmente tenho visão de Raios X ;)! Gostaria de compartilhar com vocês meu discurso, como oradora da turma: 

    Finalmente o dia chegou, e estou certa que vocês vão concordar comigo: o tempo voa. Em novembro de 2011 nos encontramos pela primeira vez, ainda na antiga salinha de Radiologia da ABO, pra então começarmos a explorar um mundo novo, colorido em tons de cinza. Não os tons de cinza que andam na moda, que fique claro. 😉

    A partir daquele dia começamos a enxergar radiografias e tomografias com outros olhos… os olhos de quem, espera-se, precisa entender delas. Não só das informações que as imagens trazem, mas de como obtê-las com excelência. E o mais importante: do ser humano que está impresso na película. Sim, nossos pacientes não são exames de imagem… eles são pessoas. E aí surge uma dificuldade inerente à nossa especialidade: muitas vezes não somos informados sobre dados clínicos, anamnese e etc., o que pode tornar a nossa realidade bastante angustiante. Bom, ninguém disse que ser radiologista era fácil!

    Radiologia

    Se pacientes são pessoas, é essencial ressaltar a importância de considerarmos o paciente mais do que uma imagem: gostaria de contar uma pequena história, o relato de um dentista que foi publicado há alguns anos no New York Times.

    * * *

    Foi a primeira vez que me encontrei com Cynthia. Ela estava impecavelmente vestida num terno azul com um discreto broche no colarinho – uma mulher que claramente cuidava de si mesma. Ela disse que apenas queria uma limpeza dentária e veio ao meu consultório porque precisava trocar o dentista que havia frequentado regularmente por 10 anos. Como parte da conversa padrão com novos pacientes fiz várias perguntas e expliquei a necessidade de uma avaliação adequada, incluindo radiografias.

    Ela foi bastante clara, segundo me recordo: Raios X? De jeito nenhum!

    Em 28 anos de prática geral, eu havia presenciado a gama completa de reações à cadeira do dentista. A experiência pessoal tem um grande papel. Assim como as histórias de amigos e familiares, e as piadas do tipo eu preferiria fazer um tratamento de canal a me submeter a tal coisa. A internet pode fornecer conhecimento suficiente para ser perigoso, como diz o clichê, e o medo irracional que muitas vezes acompanha uma visita ao dentista dá às pessoas a motivação para serem insistentes, até mesmo desafiadoras, em relação a um tratamento que pode não ser apropriado.

    Se eu faço o que eles querem, me arrisco a deixar algo passar ou tomar decisões erradas de tratamento. Se fizer o que é certo, me arrisco a perder um paciente que precisa de ajuda.

    Expliquei à Cynthia minha filosofia de que, para um dentista ver um novo paciente, um exame completo é a base de um bom tratamento. Perguntei quando ela havia tirado radiografias dentais pela última vez. Ela me olhou suspeitosamente e disse: Me lembro perfeitamente porque foi um dia antes do 11 de setembro.  Três anos atrás! – exclamei – Acho que você está devendo.

    Aquilo não foi o suficiente pra Cynthia. Falamos mais 15 minutos sobre Raios X,  os sistemas modernos e digitais, a quantidade mínima de radiação à qual ela seria exposta, a natureza rápida e indolor da coisa toda. Eu só quero meus dentes limpos, implorou ela.

    Era realmente incompreensível. Aqui estava uma pessoa instruída, que sabia ter um problema (ela relatava mau hálito) e não queria nem mesmo considerar o nível mais básico de tratamento.

    Eu não queria perdê-la como paciente, mas não podia ceder.  Disse a ela que não podia ignorar a possibilidade de doenças ocultas. Para tratá-la, eu precisava de radiografias.  Certo, ela disse, finalmente. Faça os seus malditos Raios X!

    E foi feito o tratamento. Como descobrimos, seu mau hálito era causado por cáries grandes entre dois dentes.

    Foi somente após a finalização do tratamento que Cynthia me confidenciou a razão pela qual havia lutado tanto contra os Raios X. Sua mãe, disse ela, havia morrido de câncer, causado, supostamente, por um tratamento radioterápico feito ainda na infância.

    Conversamos de novo sobre radiação, e a diferença entre doses de radiação diagnóstica e terapêutica. No início dos anos 50 – eu contei a ela – as doses eram centenas de milhares de vezes as utilizadas hoje; ainda não havia provas suficientes dos perigos da radiação.

    Cynthia acabou aceitando a ideia de que os Raios X são uma ferramenta útil e segura. E eu fui lembrado de que, numa profissão onde a apreensão é frequentemente o ponto inicial de um relacionamento profissional-paciente, o questionário padrão nunca irá fundo o suficiente. Perguntar sobre o uso do fio dental não levará embora os temores que apontam a eventos de 60 anos atrás. Em nossa psicologia de poltrona de dentista, esperamos eventualmente chegar a esse nível. Enquanto isso, seguimos limpando, abrindo cavidades e insistindo nos Raios X.

    * * *

    Essa história me fez pensar, além do aspecto humano, é claro, sobre a responsabilidade que temos, como profissionais de Radiologia, em informar. As pessoas têm medo dos Raios X! E pasmem: muitos dos nossos colegas, cirurgiões-dentistas, não conhecem nada muito além do aspecto técnico, de como “tirar” uma radiografia. No meu blog, num texto específico sobre o assunto, recebo diariamente pedidos de ajuda desesperados (mesmo) de leitoras com a história recorrente: Fiz radiografias no dentista e logo depois descobri que estava grávida… meu bebê vai nascer com problema?. Ainda: Sou dentista e faço radiografias periapicais diariamente, vou ter que parar de trabalhar? Não quero entrar no mérito da formação que as Faculdades e Universidades têm oferecido, mas esse tipo de pergunta, confesso, me intriga.

    No caso do leigo, a ansiedade é compreensível… não há obrigação nele de saber absolutamente nada de Radiologia. E é aí que nós entramos… orientando, protegendo, dissipando o medo e, por que não, ensinando. Porque o paciente que senta em nossas cadeiras temendo pelos efeitos nocivos dos “terríveis” Raios X é, muitas vezes, o mesmo que acha que não precisa usar protetor solar porque a pele acostuma. Mas se eu pudesse dar só um conselho sobre o futuro seria este: usem o filtro solar! 😉

    Não se enganem, colegas… a nossa vida não vai ser fácil. As pessoas não esperam, apenas, que “entendamos de Raios X”. Elas esperam que os dominemos, e até mais: que tenhamos visão de Raios X. Não será incomum nas nossas vidas que surjam colegas e pacientes com radiografias em mãos querendo um parecer nosso: O que é que é isso aqui???. E em meio a várias sugestões eles se irritem: Puxa vida, decida!. E aí, pacientemente iremos explicar que imagens não decidem nada, que elas são um auxílio, mas não fecham diagnóstico. Então, ainda por cima, teremos que ouvir a recorrente piadinha: bom é ser radiologista, que não precisa ter certeza de nada! Mas não se aflijam… é pura inveja. 😀

    Enfim, mais uma etapa concluída. Agora somos especialistas e sabemos TUDO sobre Radiologia, certo? Quem dera. É agora que o trabalho começa e o estudo não para. Independentemente do rumo que as nossas vidas tomem a partir desse momento, o “bichinho” da Radiologia Odontológica nos mordeu. Nunca mais veremos uma radiografia com os mesmos olhos. Ainda bem.

    Muito obrigada.