Autor: Marjorie Lanzarin

  • >Pérolas de uma pseudo-dentista #2: O caso do "filme de chumbo"

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    A 2ª pérola da nossa série foi mandada pela Thais Duque, ela que já foi a OdontoDiva da Semana do nosso blog rosa e é aluna de Odontologia do 6º nível da UFRJ.

    Ela é monitora da disciplina Endodontia I, e nos conta que para cursar essa disciplina deve-se ter cursado obrigatoriamente Radiologia antes, e sem dúvida ter frequentado as aulas práticas. Conta também que na primeira aula prática de Endodontia a tarefa é radiografar os dentes e começar a fazer os primeiros acessos em incisivos e/ou caninos. Segue o relato:

     “Estava eu quietinha ajudando uma aluna no acesso de um incisivo inferior muito pequenininho, quando um aluno me aborda com a seguinte frase: “Thata, o que tá acontecendo de errado com a minha radiografia? Tá ficando sempre muito clara e com as marcas da folha de chumbo!”
    Eu perguntei se ele estava expondo o filme no tempo adequado, revelando no tempo correto e tomando o cuidado de não abrir o filme muito perto da tampa da caixa da câmara escura portátil.
    Ele me afirmou que estava tudo ok, que realmente não sabia o que estava aconteendo.
    Eu respondi: “Vamos lá! Pega o dente e o filme que eu vou radiografar junto com vc.”

    Quando eu me aproximo do aparelho, ele aparece com o dente fixado com uma bolinha de cera Utility do lado azul do filme, pra onde a folha de chumbo fica voltada.
    Eu respondi “Aahh, vc tá me zuando! Nunca ai ficar bom assim criatura. O dente tá do lado errado.”
    E ele só me reage com um “Aaaahhh!”, como se nunca tivesse feito uma periapical antes.

    Eu mereço!!!!!”

    E você, quer ver sua pérola aqui também?
    Manda pra gente! [email protected] 😉


    #goDIVAS! GO!


  • >Pérolas de uma pseudo-dentista #1: O caso da Mufla

    >Normal todo mundo ter uma pérola na faculdade. A que vou contar agora não foi comigo, foi com uma colega no laboratório de Materiais Dentários I, no primeiro contato com a prática odontológica.

    Era começo de 2003, 1º semestre de Odontologia na ULBRA – Torres. Aula prática de materiais dentários, laboratório cheio. Nossa turma era dividida em 3 turmas práticas, tenho impressão que a nossa era a C porém não tenho certeza. Era também uma das monitorias mais concorridas pelos veteranos justamente por causa das pérolas.

    Na ULBRA no 1º semestre a gente conhecia um pouco sobre os materiais de prótese, e a prática clínica envolvia moldagem com alginato nos colegas, govida e pasta zincoeugenólica nos modelos edentados. A partir dessa segunda moldagem a gente criava uma “prótese” com apenas o segundo sextante pro modelo edentado. Tudo pra “brincar” com os materiais, e assim conhecer as propriedades dos mesmos.

    Os passos clínicos e laboratoriais pra confecção de uma prótese total eram divididos por aulas, mais ou menos assim:

    1º) Moldagem em godiva – para criar um modelo e assim a moldeira individual em resina acrílica;
    2º) Moldagem com pasta zinco-eugenólica realizada em moldeira individual para confecção do modelo de trabalho;
    3º) Confecção da placa base e rodetes de cera;
    4º) Montagem dos dentes antero-superiores em cera e inclusão na mufla;
    5º) Prensagem, forno e desinclusão da mufla;
    6º) Acabamento e polimento da pseudo-dentadura.

    E foi na hora de abrir a mufla pra colocar o acrílico termo que a pérola aconteceu!! Vários alunos assustados com os dentes presos no gesso ao abrir a mufla e vários monitores chorando de rir. Acho que era a monitoria mais concorrida justamente porque era possível se vingar no semestre seguinte das frustrações tidas quando calouros.

    E após ver os dentes presos na mufla era preciso “furá-los” para criar retenções, para assim o acrílico ficar bem retido. E com o que tínhamos que furar os dentes? O monitor diz: com a broca!!

    Eis que minha colega pega cuidadosamente a broca entre os dedos, posiciona cautelosamente no meio do dentinho e procura a coisa mais pesada que ela pode pensar… nesse caso, a tampa da mufla! Quando ela levanta a tampa da mufla e está prestes a martelar na broca com ela, vem um monitor gritando: “NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOOOO!!!!!!!!!!!!! Que tu vai fazer?????? É pra usar a broca no micro-motor, tem que vir ‘das grota’ mesmo pra pensar em martelar com a mufla na broca!!!”

    Pronto… piada pelo resto do ano nos corredores da ULBRA-Torres. Só foi esquecida no dia que um menino na Clínica I (da qual eu era monitora anos depois) resolveu fazer todo exame de profundidade de sondagem, IPV e ISG numa prótese total. Mas essa história fica pra outro post! 😉

    #goDIVAS! GO!




    PS: Vocês podem estar se perguntado da corega da pérola de hoje… ela tornou-se protesista 😀


  • Diva no SUS #1: A Especialização

    Diva no SUS #1: A Especialização

    Pegando o gancho do post da Ju Lemes falando de especializações, vou comentar um pouco da minha. Sinto-me discriminada por alguns colegas pela falta de reconhecimento pela especialização em Saúde Pública ou em Saúde da Família. Não, elas não me custam um carro nem um apartamento. Elas são gratuitas. E também me tornam uma especialista.

    Nunca foi um tema que esteve tão em evidência como hoje. O governo pretende disponíbiliar 1000 vagas para o Rio Grande do Sul esse ano para a Especialização em Saúde da Família pela Una-SUS. Os priorizados, nesse caso, são os profissionais que já atuam na Saúde Pública.

    Alunos da Medicina e Odontologia do PET-Saúde na ESF Lava Pés, realizando uma consulta multidisciplinar.

    É uma especialização multidisciplinar: para Enfermeiros, Médicos e Dentistas. Só não sei porque ainda o menor número de vagas é pros dentistas. Seria a falta de interesse da nossa classe pela área pública? Certos colegas desdenham o profissional do postinho mas pra mim, atuante no serviço público e privado as áreas não tem distinção. E o melhor de tudo: me possibilitam ter carteira assinada, férias remuneradas e 13º.

    Foi-se o tempo em que a Odontologia era só glamour. Hoje, cerca de 10.000 dentistas se formam por ano no Brasil, e há lugar apenas para os melhores. Não vou dizer especializados (claro que isso conta também), vou dizer melhores: quem tem melhor condição financeira, quem tem um melhor padrinho ou quem tem a melhor cabeça, foca no estudo e passa num concurso público. Ou pra quem tem paciência e perseverança de abrir um consultório particular e esperar de 3 a 5 anos pra obter retorno.

    Trabalho na Estratégia da Saúde da Família Lava Pés há 3 anos. Há 2 surgiu o programa PET-Saúde, uma parceria do Ministério da Saúde com a UPF e a secretaria municipal da saúde. É um programa de extensão, ensino e pesquisa do qual sou preceptora na unidade de saúde em que atuo, juntamente com médico e enfermeira. A intenção do projeto é fazer os estudantes enfrentarem o SUS desde a faculdade, pois muitos se formam e depois dão de cara com o serviço público e acabam não prestando um serviço de qualidade. O PET existe em outras regiões também, é um programa nacional, informe-se!

    Pra medicina não sei se mudou muita coisa, pois eles já tem aulas de Saúde Coletiva dentro das unidades de saúde. Pra enfermagem, geralmente no último ano os alunos tem estágios curriculares onde podem escolher hospital, centro de saúde, ou estratégias de saúde da família, onde geralmente passam 1 mês, 40 horas por semana, trabalhando como se fosse um membro da equipe. Na Odonto… cri cri cri! Poucas são as universidades que levam o aluno pro serviço público. Aqui em Passo Fundo pelo menos não era assim. A visão de Saúde Coletiva não era a visão da Saúde Pública, e graças ao PET-Saúde isso tá mudando.

    Tenho alunos se formando e alunos que vão se formar. Tenho o maior orgulho de ter um dos meus ex-alunos hoje residente da Escola de Saúde Pública em Saúde Coletiva. Tá lá, recebendo bolsa, fazendo a sua residência, e com certeza já é um profissional qualificado pro serviço público. Tenho outro que vai fazer o TCC dele envolvendo os idosos da área de abrangência da nossa unidade de saúde da família. É o único da turma a realizar uma pesquisa em Saúde Coletiva.

    Quando eles me pedem uma opinião de que especialização fazer depois de formados… minha dica é: SENTA NO MOCHO E TRABALHE! Depois decide o que quer fazer. Faça atualizações, aperfeiçoamentos… a realidade pós-formatura é outra, e as opções e o que gostamos pode mudar. Falo por mim: saí da faculdade pensando em fazer estética (aquelas mudanças grandes, dando novo formato aos dentes). Fiz uma vez isso na faculdade e ficou liiiiindo, a paciente amou. Depois fiz outra e a paciente só encheu o saco, porque ela queria os dentes da Aline Morais. Depois mudei de idéia, queria ser buco-maxilo. No aperfeiçoamento em cirurgia que fiz era tudo muito glamuroso e os residentes muito bem encaminhados. Depois notei algo: nunca teve uma residente mulher. E em Passo Fundo, conheço vários bucos que tiram sisos no consultório, assim como eu faço com meu aperfeiçoamento. FALA SÉRIO! Pagar um apartamento numa especialização pra fazer coisas que um aperfeiçoamento me permite? Era isso ou tentar ser a primeira mulher residente em Floripa, aí desisti.

    Acabei na Saúde Pública por acaso. Tava desempregada. Descobri que posso fazer estética, cirurgia e principalmente, o que mais gosto: PEDIATRIA. E é lindo ver as crianças crescendo e você estar acompanhando o progresso delas. É muito bom também trabalhar com a equipe multidisciplinar, tratando a gestante como um todo, o idoso como um todo. Dá resultado! E é muito prazeroso você ver que pequenas ações geram grandes resultados.

    Então, um incentivo: não subestime aquele colega “dentista do postinho”. No futuro, será reconhecido como um especialista, pois é preciso ter um dom pra trabalhar no serviço público. Vemos gente de todos os tipos: drogados, prostitutas, pobres, super pobres, classe média, traficantes, crianças, idosos, gente do bem. E tratamos todos da mesma maneira. Afinal… o governo não estaria investindo tanto para qualificar esses profissionais se não fosse exigir por isso no futuro!

    O SUS é lindo!! Meu incentivo é pra que todos façam parte 🙂

    #goDIVAS! GO!


  • >Poesia de Diva – Mãos

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    Pra marcar o Dia da Poesia, tirando toda poesia #FAIL que foi pro Twitter, lembrei de uma que escrevi num raro momento de inspiração sobre as minhas mãos.

    Na ocasião ela foi publicada no blog Vida de Dentista do Dr. Fabrício, o qual hoje também colaboro muito esporadicamente justamente pela falta de novos momentos de inspiração…

    Vale a intenção de relembrá-la nessa data especial aqui também.


    O que mais gosto no meu corpo?
    Ah, minhas mãos…

    Tão pequenas, delicadas, necessárias.
    O que seria de mim sem minhas mãos?
    Mãos de unhas coloridas,
    Mãos de pele ressequida…
    Mãos de luvas de boxe ou látex.

    Minhas mãos.

    Mãos que curam, trabalham, tiram a dor.
    Mãos que sofrem de tendinites.
    Mãos de dentista, mãos de artista!
    Esculpindo na resina a naturalidade de um sorriso.
    Extraindo aquele maldito dente do siso.
    Fazendo a dor parar de doer…

    Minhas mãos, minhas lindas mãos.
    Tão precisas, ressecadas.
    Doloridas, jovens e calejadas…

    O que seria de mim sem minhas mãos?


    #goDIVAS! GO!!

  • >Receita de diva #1: Cheesecake com Calda de Frutas Vermelhas

    >Inaugurando a seção RECEITA DE DIVA do blog, uma sobremesa que eu A-DO-RO fazer!!! Afinal, dentista não ‘manja’ só de boca… 😉

    CHEESECAKE COM CALDA DE FRUTAS VERMELHAS

    INGREDIENTES:
    – 2 cx leite condensado
    – 2 un queijo ricota
    – 1 cp requeijão
    – 1 un de creamcheese
    – 2 gemas sem pele
    – 1 colher farinha de trigo

    Modo de preparo:
    Pré aqueça o forno em fogo médio. Forre uma forma com fundo removível com papel manteiga. Bata todos os ingredientes líquidos na batedeira e por último acrescente a ricota (esmague a ricota com um garfo) e a farinha. Colocar no forno por cerca de 1 hora e meia em banho maria. Depois de pronto, deixe gelar e desenforme.

    CALDA
    – 2 bandejas de morango
    – 1 bandeja de mirtilo
    – 2 colheres (sopa) açúcar
    – suco de meio limão

    Modo de preparo:
    Bata uma bandeja de morangos no liquidificador, corte os morangos da outra bandeja em cubos. Coloque em uma panela baixa no fogão junto com os mirtilos e ferva até engrossar. Acrescentar o suco de limão por último. Cobrir o cheesecake com a calda e deixar gelar.

    A hora do sacrifício!

    Dá pra improvisar na calda! Dá pra fazer com cereja, ameixa, framboesa, amora… a fruta que tiver. O suco de limão é só pra deixar um pouco azedinha, contrastando com o doce.

    Quem fizer comenta aqui embaixo 😉

    #goDIVAS! GO!


  • I am… MARJO LANZARIN!

    I am… MARJO LANZARIN!

     Am… Sasha Fierce MARJO LANZARIN!


    Dona de um gauchismo incomum, lá das bandas de Passo Fundo tchê!

    Sou cheia de contradições! 

    Minhas certezas não são eternas. Me surpreendo com as mesmas coisas, infinitas vezes. 

    Gosto de descobertas. 

    Sou curiosa, vou atrás do que eu não sei. 

    As vezes sou geniosa e dona da verdade, mas procuro estar sempre bem com as pessoas. 

    Sou boa companhia. 

    Gosto de dançar, de rodar, de cantar, de rir… Adoro quem me faz rir. 

    Amo meus amigos, mas as vezes me acho ausente. 

    Nunca sei o que dizer quando conheço alguém. 

    Penso rápido e não sei lidar com gente burra. 

    Detesto puxa-saquismo, comigo não funciona. 

    As vezes sou franca ao extremo e como boa sagitariana, falo antes de pensar e isso as vezes magoa as pessoas. Portanto, cuidado com minhas crises de super-sincera! 

    Ouço mais do que falo. 

    Devo ter sido cigana em outra encarnação. 

    Quero conhecer o mundo!

    PROFISSIONALMENTE…

    Cirurgiã-Dentista, futura sanitarista, ODONTODIVA.

    Pós graduada em Cirurgia Oral Menor, especializando em Saúde Pública e Saúde da Família.

    Trabalho na ESF Lava Pés 40 horas semanais e encaro o consultório todo fim de tarde.

    Preceptora do PET-Saúde UPF.

    Colaboradora do blog Vida de Dentista.

    Adoro atender crianças, crionças, adolescentes, aborrecentes e gestantes.

    ALEATORIAMENTE FALANDO…

    Gosto de torrada com abacate, tomate e sazón amarelo.

    Sempre deixei pra estudar na noite véspera de prova.

    A maioria dos meus amigos é bem mais velho do que eu.

    Amo cães de todas as raças e tamanhos.

    Gosto de passar dias chuvosos de pijama.

    Passei no 1º vestibular, me formei dentista aos 21 anos.

    A-do-ro o estilo de vida pinup.

    Já fui vegana e não aguentei, virei ovo-lacto mas não resisti às tentações do churrasco.

    Músicas francesas inspiram meu lado cult e sofisticado.

    Tudo que eu almejo eu alcanço.

    Já morei na Nova Zelândia.

    Tenho um alterego durante a TPM, chama-se Menina Monstro.

    Tocava violão na igreja na adolescência.

    Choro assistindo filmes românticos.

    Já tive aulas de violino.

    Já tive uma música escrita e cantada pra mim “Quando o sol se pôe e a lua brilha ao longe… preciso te ver; Mas a lua cai e o sol renasce e eu sigo… Pensando em você”.

    Já me disseram “Não te vejo mais como mulher.”, o que afetou minha auto-estima, aparência e transtornou meu psicológico naquela época.

    Adoro cozinhar, minhas sobremesas são divinas!

    Lutava muay thai e pretendo voltar. Libera a tensão do dia-a-dia.

    Aos 21 anos fui pedida em casamento e não casei. Fugi.

    Sempre fui boa no português, I do speak English quite well, je veux parler français un jour, mi español es fueda.

    Saúde Pública é minha realização profissional.

    Adoro frutas caras: physalis, cerejas, amoras…


    Essa sou eu… a @marjo_lanzarin 🙂 #goDIVAS!! GO!!