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  • Diva no SUS #15: Não mais servidora, SEMPRE sanitarista!

    Diva no SUS #15: Não mais servidora, SEMPRE sanitarista!

    Finalmente criei coragem para  voltar a escrever essa séria. Estavam com saudades?

    Pois é gente, como todos sabem eu fui demitida da ESF em que trabalhei por quase 3 anos e meio. AMAVA minha rotina de trabalho na saúde pública, mesmo com todas as dificuldades burocráticas.

    Com o meu (des)orientador Elson Farias, no dia da minha formatura da especialização em Saúde Pública

    Há quase 3 meses fora do SUS pude avaliar  um pouco do meu trabalho realizado dentro dele. Alguns pacientes da ESF Lava pés me procuraram no consultório para terminar os atendimentos começados, o que me deixou muito feliz. Ganhei a confiança desses pacientes, e hoje atendo no consultório com valores diferenciados. Mas fico pensando naqueles que gostariam de continuar o tratamento mas não podem pagar o valor mesmo diferenciado que cobro no consultório. Afinal, agora eu preciso ganhar, já que não tenho mais um salário. Como estão esses pacientes?

    Como já expliquei aqui, o tema da minha monografia foi criar um Protocolo de Atendimento a gestantes e crianças. Desde que comecei a trabalhar com as gestantes e as crianças na ESF tive resultados notáveis na saúde bucal dessa população. A promoção de saúde favorecendo a educação em saúde é algo que precisa ser insistentemente trabalhada por nós dentistas, seja no público ou no privado. Mas muitos tem preguiça, isso mesmo, PREGUIÇA de desenvolver esse tipo de ação.

    Então, como estarão minhas crianças hoje? Espero que a dentista que assumiu meu lugar os trate tão bem quanto eu tratava, no MEU consultório rosa que lá ficou. Sim, coloquei em maiúsculo porque fui eu quem pagou pra deixar o consultório um ambiente agradável a todos. E como ficará a minha pesquisa que eu desenvolvia pelo PET-Saúde, agora na reta final do programa? fui desligada da ESF e de todas as ações que eu desenvolvia lá.

    Mas, como não é só sobre saudosismo esse post, vou falar sobre o que realmente importa. Como eu estou dando seguimento ao meu trabalho como cirurgiã dentista sanitarista.

    Sou multiplicadora em saúde bucal na Pastoral da Criança da região norte do Rio Grande do Sul desde 2009, mas andava meio sumida. É incrível o carinho e respeito que recebo de todos dentro da Pastoral, e é muito lindo o trabalho que eles desenvolvem. É onde vemos que não apenas os dentistas são capazes de levar informação sobre saúde bucal à população, e que todos são capazes de aprender.

    Fraternidade e Saúde Pública: "Que a saúde se difunda sobre a terra"

    Este ano, o tema da Campanha da fraternidade é Fraternidade e Saúde Pública, bem pertinente a ser trabalhado. Voltei a integrar a Pastoral e me coloquei a disposição no que for preciso.

    Outra coisa boa que me aconteceu é agora ser “profe” no curso de ASB, TSB e TPD na Iodontus aqui de Passo Fundo. Minha disciplina principal é Estrutura e Organização dos Serviços de Saúde, e é onde passo todas as informações sobre os antigos e atual sistema de saúde no Brasil. Estou afiada 😉 E muito feliz!

    Eu estava um pouco deprimida sobre o que fazer depois que saí do SUS. Pensei que não tinha valido nada eu estudar, me especializar, se no fim das contas o meu nível de interesse em Saúde Pública não ser levado em conta na hora na hora de decidir “quem manter, quem se desfazer”. Como eu não era protegida por concurso público tive que me contentar com a demissão.

    No consultório, as especializações não me fazem diferença. Me considero quase odontopediatra pela minha área de interesse em pesquisa dentro da saúde pública, mas na verdade sou apenas sanitarista, odontopediatra por dom. O que quero que entendam através do meu exemplo é que tudo sempre vale a pena. E que se as coisas não acontecem do jeito que a gente imagina ou quer que elas aconteçam, é porque tem algo maior reservado pra nós.

    Sendo assim, agora sou a OdontoDiva que ERA do SUS, pelo menos por enquanto. Mas eu vou sempre ser a OdontoDiva Sanitarista. Com muito orgulho! 😉

    #goDIVAS! GO!


  • Diva no SUS #10: O “dentista” que cola aparelho em casa

    Diva no SUS #10: O “dentista” que cola aparelho em casa

    Não entendeu o título??

    Pois é, esse cara existe na minha cidade. É quase uma lenda urbana e já ouço a mesma estória há 3 anos, desde que comecei a trabalhar na ESF Lava Pés. Mas peraí!!! Dentista??? SENTA LÁ!!!!

    Como ele trabalha?

    Ele pega uma maleta branca com brackets, fios, alicate, borrachinhas, par de luvas e sei lá que tipo de cola e vai na casa de alguém do bairro. Segundo relatos dos meus pacientes, ele cobra cerca de 40 reais pra “colocar” o aparelho. Cola os brakets, coloca um fio e borrachinhas. Sem elásticos afastadores, sem banda, sem espaçador, sem profilaxia, sem remoção de cáries. Sem trocar de luvas e sem esterilizar o material, ele passa de pessoa em pessoa o afastador de lábios/bochechas e escolhe o meio do dente pra colar o bracket, sem medição nenhuma.

    Fiquei curiosa e perguntei como ele realizava o procedimento: Pedia para os ‘pacientes’ deitarem no sofá, imagino que trabalhava em posição 12 horas. E tinha platéia, pois ele nunca ia numa casa pra colar um aparelho só. Me caiu os butiá do bolso…

    Graças a isso, quase todo mês eu faço uma remoção de aparelho no PSF. E finalmente essa semana consegui fotografar dois casos!

    O primeiro caso apareceu por um motivo totalmente diferente, como na maioria das minhas remoções de aparelho.

    A paciente tinha a gengiva inchada, sangrando e dolorida. Constatei que os brackets dos pré-molares foram colados muito na cervical, e com a higienização dificultada a gengiva começou a inchar – e paciente começou a sentir dor.

    Aparelho + cárie??

    A paciente relatou ter “feito a última manutenção” há cerca de 3 semanas e o que encontrei foram brackets soltos além de uma cárie imeeeensa que pedi uma avaliação radiográfica há quase 1 ano e nunca voltou. Dessa vez, a queixa era o inchaço da gengiva e não a cárie, afinal, o aparelho tava lá.

    Perguntei se a gengiva nunca incomodou antes, e ela me disse que chegou a ligar uma vez pro “dentista” pra ver o que fazia. Ele deu a receita caseira mais doida que já vi até hoje pra gengivite: Pegar um espinho de limoeiro e furar a gengiva com ele. Será que ia dar m@#%$¨???

    Enfim, convenci a moça a tirar o aparelho pelo bem dos outros dentes dela. Meu passo a passo:

    1) Remoção dos brackets com fórceps (não tenho alicate no PSF), soltou bem fácil sem fazer força;

    Logo após remover os brackets, observe o inchaço da gengiva

     

    O "aparelho"

    2) Remoção da “cola” com ponta diamantada de acabamento fino;

    Logo após a remoção da "cola"

    3) Raspagem com curetas da boca toda.

    Após a raspagem, como sangrou muito ficou impossível realizar o polimento. Pedi à paciente que realizasse bochechos com chá de malva, planta essa comum de se ter em casa aqui, e na área do PSF bem fácil de encontrar tambem. Sempre oriento a fazer um chá bem forte de folhas e bochechar um copo 3 vezes por dia no mínimo com o chá de morno a frio.

    Inacreditavelmente no dia seguinte a paciente voltou e a gengiva não estava mais vermelha ou inchada na região dos pré-molares.

    Note a diminuição do inchaço e vermelhidão da gengiva no dia seguinte após intervenção.

    Por fim, encaminhei a paciente pra um colega e amigo especialista, que pode garantir o tratamento. Ela continua com o 26 em boca pois quero saber da opinião do orto antes de encaminhar para endo ou exo aquele dente. O legal é que ela entendeu os males que um aparelho colocado com um dentista sem responsabilidade pode causar e indicou-me a algumas amigas para realizar o mesmo procedimento de remoção.

    QUASE ESQUECI de contar!!! O ‘dentista’ na maior casa de pau ia na dentária comprar material ortodôntico e era atendido! Felizmente, a maior dental e mais tradicional de Passo Fundo colocou uma placa proibindo a venda de materiais a quem não fosse dentista. Achei muuuuito boa a medida, e a prática desse cara começou a diminuir.

    Diminuir até sumir, pois os pacientes dele começaram a diminuir no meu consultório. Os boatos é que ele foi preso, não sei se por causa disso ou por uso de drogas… outros dizem que ele foi internado em uma clínica para usuários de drogas. Não sei, só sei que o cara sumiu. O que importa é que não tá por aí colando braket em ninguém.

    O outro caso acho que deixo pra um próximo post, já que digitei este 3 vezes!!!

    #goDIVAS! GO!

    PS: Engraçado como paciente tem mania de achar que tudo que é pago é melhor que o SUS né? Sem mais…


  • Chega! Cansei…

    Chega! Cansei…

    Pois é, cansei!

    Cansei de ser legal, é tão mais simples ser ácida! Não disperdiça preciosa energia e não hipertrofia alguns músculos da minha face. Não significa que eu vá andar de cara amarrada nem que eu vá deixar de dizer um “Bom dia!” mesmo a minha noite de sono tendo sido péssima!Cansei da minha vida odontológica! Tá acabando com a minha coluna um pouco mais a cada dia, me estressa, me cansa, fico acabada no fim do dia!! Mas isso não significa que eu simplesmente vá faltar ao trabalho amanhã de manhã ou que eu vá desmarcar todos os meus pacientes da tarde sem explicação, de uma hora pra outra.

    Cansei de ser inteligente, nossa, isso sim dá dá trabalho! Repetir explicações simples a um leigo todo santo dia e nunca ver isso dar resultado é um teste a paciência de qualquer um, mais que isso, um insulto a tudo que já estudei um dia. Claro, isso não significa que eu simplesmente vou deixar de explicar.

    Cansei de ser a boa moça, a vontade que tenho é dizer palavrões pra libertar uma tensão que só o meu travesseiro ouve. Não significa que vou sair por aí mandando @#$% todo mundo que cruzar o meu caminho.

    Cansei de pensar só no coletivo, só nos outros, no bem de todo mundo!! E eu, fico como??? Quem pensa no meu bem, em como eu estou? Isso não signifiga que vou deixar de fazer o bem sem olhar a quem só por talvez as pessoas não estarem fazendo bem pra mim.

    Cansei de tudo um pouco, tô sempre cansando, todo humano cansa. Às vezes um paciente resmunga lá na recepção que eu tô demorando demais com um paciente e ele ‘cansou’ de esperar. Às vezes reclama mais ainda porque depois do paciente anterior sair eu demoro um pouco mais porque resolvo tomar água ou ir ao banheiro…

    Nesses momentos, com um sorriso no rosto, eu explico pra ele que eu sou humana tanto quanto ele, e que nenhuma das gurias da recepção tem ouvido de pinico merece ficar ouvindo reclamações sobre mim, que estas sejam feitas diretamente a mim. Claro que nem sempre o desfecho é agradável, mas… isso não significa que vou tratar o próximo paciente de um jeito que ele não mereça. Todo paciente tem direito a um atendimento humanizado, independente do meu humor do dia.

    Entenderam o que quis dizer nas entrelinhas? Então…

    Primeiro: não deixe o seu mau humor afetar as pessoas com quem se relaciona no dia a dia. Pode gerar uma reação em cadeia e isso dá rugas!

    Segundo: Alongamentos são tão importantes quanto limpar bem os ouvidos pra ouvir com atenção! Pilates, RPG, fisioterapia também! Prestar atenção faz parte do processo ensino-aprendizagem!

    E por fim… se eu de repente ficar quietinha e não falar muito… me deixa quieta no meu canto! Não fico nada diva quando tô #$*% da cara. Se você acha tem pode ter algo a ver com isso, mexa-se! 😉

    #goDIVAS! GO!


  • Diva no SUS #9: O SUS “agora” é universal

    Diva no SUS #9: O SUS “agora” é universal

    No caminho pra Porto Alegre pra assistir a minha última aula presencial da especialização em Saúde Pública dei de cara com a seguinte nota no jornal local:

    “Inaugura amanhã a nova Farmácia do PAM, agora Farmácia Central. Os usuários poderão retirar uma senha e aguardar sentados para pegar os medicamentos na nova sede, e não mais em pé nas escadarias como na antida sede.”

    Não era exatamente com essas palavras, mas era algo como isso. ÓTIMO! Finalmente o acolhimento será realizado de uma forma mais humanizada no meu município, principalmente para os idosos que algumas vezes precisavam esperar uma manhã inteira até conseguir pehar os remédios. Mas o que mais me chamou atenção na notinha foi outra frase:

    “Os usuários da Farmácia Central poderão retirar medicamentos com qualquer receita médica, não necessariamente as dos postos de saúde, afinal o SUS é universal.”

    Você sabe o que isso significa?

    Significa que a saúde é um direito de todos e um dever do governo. A saúde é reconhecida como um direito fundamental do ser humano, cabendo ao Estado garantir as condições indispensáveis ao seu pleno exercício e o acesso a atenção e assistência à saúde em todos os níveis de complexidade. Eis o princípio da Universalidade.

    Princípio???

    A Universalidade é um dos princípios doutrinários do Sistema Único de Saúde. Os Princípios do SUS foram estabelecidos na Lei Orgânica de Saúde, em 1990, com base no artigo 198 da Constituição Federal de 1988.

    São classificados em pincípios doutrinários (ou ideólógicos) e organizacionais. Além da universalidade, são também princípios doutrinários a integralidade e a eqüidade. Quanto aos princípios organizacionais, constam: descentralização, regionalização e hierarquização, e também a participação popular (ou controle social).

    Voltando ao assunto da Farmácia Central, finalmente o meu município vai exercer o princpal princípio do SUS. Alguns vão criticar como já vem acontecendo, mas os medicamentos estão a disposição de todos e não apenas de quem não puder pagar. Isso vai diminuir as filas nos postos – há aqueles pacientes que possuem convênio pra consulta médica mas precisavam consultar de novo para poder ter uma receita do SUS e assim pegar a medicação gratuitamente – e agora ninguém ficará sem medicação por não poder comprar.

    Informe-se na sua cidade se a farmácia do município está exercendo a Universalidade! Todos temos direito à medicação 😉

    Para saber mais sobre os princípios resumidamente é só clicar aqui ou aqui, mas quem quiser a informação completa basta acessar Sistema Único de Saúde (SUS) – Princípios e Conquistas, uma publicação do Ministério da Saúde.

    #goDIVAS! GO!


  • Falando em SUS: Era uma vez, uma Cidade Qualquer…

    Em agradecimento ao convite para postar no OrtoBlog pedi ao Neto Miná que assim como eu é um entusiasta no SUS e nem se formou ainda escrever um texto para o nosso lindo blog rosa. Me caiu os butiá do bolso quando abri o arquivo em anexo no meu e-mail, vale muuuuuito a leitura!

    Espero que entusiastas do SUS, dentistas ou apenas como cidadãos brasileiros todos façam essa reflexão. O texto tá ótimo!!!

    #goDIVAS! GO!

    “Antes de mais nada, as apresentações: Sou Neto Miná, acadêmico do 6º semestre de odontologia na Universidade Paulista – UNIP em São Paulo. OdontoDivo número #3 (pra escrever no odontodivas, tem que ser odontodivo – Pré-requisito) e colaborador do Ortoblog do Leo Augusto. Vez ou outra, faço intercâmbio nos blogs dos amigos. Aproveitando a deixa: muito obrigado pelo convite Marjo.

    Assim como a diva do SUS, sou apaixonado por Saúde Coletiva e Odontopediatria, acho linda a forma como essas duas áreas podem se unir, contribuindo na elaboração de estratégias em comunidades. Porém, terei que deixar a promoção de saúde de lado para realizar um desabafo. Contarei uma pequena história, a história de uma “CIDADE QUALQUER”, que pode ser comparada com a realidade de muitas cidades Brasil a fora.

    Essa cidade tem alguns mil habitantes, possui em seu serviço publico Centro de Especialidades Odontológicas (CEOs), Laboratórios de Prótese, além de diversos dentistas trabalhando nos PSFs espalhados pela cidade e pela zona rural também. Apresenta programas preventivos com escolares, programa de fluoretação de água, enfim, uma cidade comum, com planejamentos em saúde bucal semelhantes a qualquer cidade bem estruturada. O atendimento ocorre efetivamente, os populares ficam felizes e vivem na mais absoluta harmonia.

    Como toda boa História, essa também possui um conflito:

    Essa cidade conta com alguns investimentos para manter seus atendimentos:
    1- Verba destinada ao CEO (Governo Federal)
    2- Verba destinada a confecção de Próteses Dentárias (Governo Federal)
    3- Verba destinada ao pagamento de funcionários e compra de materiais. (Prefeitura – Secretaria de Saúde)

    Com o passar do tempo os dentistas que trabalhavam nos PSFs começaram a reclamar: faltava material para atender os pacientes e o salário estava atrasado. Um problema simples, e que pode ser resolvido:

    Como os custos de fabricação das próteses são pequenos (quando comparados aos de manutenção de um CEO) e são destinados 100 reais para cada prótese produzida, pode-se utilizar o “lucro” obtido na confecção das próteses para pagar os dentistas. Infelizmente, só essa verba não é suficiente, mas como falta material também nos CEOS e os atendimentos estão paralizados, pode-se utilizar a verba destinada para manutenção e realizar o pagamento dos dentistas e demais funcionários.

    Ufa! Problema solucionado, ou não…

    Resultado: CEO e PSFs sem condições de atender a população e , com o tempo, faltam recursos para produção de próteses. Os dentistas, apesar de pagos, param de trabalhar, apenas alguns poucos dentistas realizam alguns trabalhos preventivos nas comunidades onde atuam.

    Tudo segue na mais absoluta paz na cidade, profissionais pagos, população desassistida e tudo no mais pacato conformismo.

    Eis que os comentários chegam a nível federal, é realizada uma vistoria na cidade.
    Resultado 2: As verbas do CEO e do Laboratório de Próteses são cortadas. Além da falta de atendimento, não há como pagar os dentistas e aqueles poucos dentistas que trabalhavam com ações preventivas, deixam de trabalhar.

    Moral da História:

    Esse é o reflexo da falta de atendimento em Saúde Bucal em diversos municípios em nosso país. Apesar das mudanças ocorridas no Atendimento em Saúde Bucal, dos recursos implantados no país, o atendimento público ainda depende da boa vontade de prefeitos, secretários, vereadores e companhia limitada.

    Outro problema enfrentado no atendimento público são profissionais que não apresentam perfil para trabalhar em serviço publico, que estão limitados as ações individualizadas da odontologia (direcionadas a um paciente especifico) e esquecem que podem trabalhar a odontologia em coletividade. Esquecem que, mesmo sem recurso para realizar ações curativas, eles podem trabalhar como promotor de saúde na comunidade que ele atua, como a Marjo falou brilhantemente em um post especial para o ortoblog sobre O Papel do Dentista nas Estratégias de Saúde da Família.

    Muitas vezes temos uma visão muito limitada do que é o atendimento publico no Brasil, é comum vermos discursos inflamados sobre: “O Brasil é um país de desdentados”, “Não existe politicas públicas para Saúde Bucal”, “Só se fala em saúde Bucal, quando politico distribui dentadura em ano de eleição”. Não é bem por aí.
    Existem politicas públicas em Saúde Bucal, recursos estão sendo implantados em diversas áreas da odontologia, desde programas preventivos até os reabilitadores. Ainda existe descaço do poder publico, afinal são muitas esferas politicas, e os interesses pessoais ainda são prioridade para muitos políticos brasileiros. Mas também, existe descaço da população, que além de não desempenhar seu papel social desconhecer e/ou inutiliza seu poder democrático.

    Alias, falando em poder democrático, nessa “cidade qualquer” os relatórios das Conferencias Municipais de Saúde desaparecem. Ninguém saber se foi redigido, se foi arquivado ou se foi encaminhado para alguém. Ou seja, até quando algum popular se manifesta e exerce sua cidadania, seu direito é vetado pelos interesses, ou desinteresses, de uma minoria mais hierarquizada, digamos assim.

    Enfim, todo essa historinha é pra dizer que o que parece ser algo pequeno, DESCASO NO ACESSO A SAÚDE BUCAL NO SERVISO PÚBLICO DE SAÚDE.

    É reflexo de uma sequencia de erros: é um país com dimensões continentais que dificultam uma maior fiscalização, um melhor gerenciamento dos recursos empregados; falamos do individualismo dos políticos, que só defendem seus interesses pessoais e partidários, sem levar em consideração os populares, mas esquecemos que também estamos inseridos nessa sociedade e fechamos os olhos para os problemas que não nos atingem; são as verbas desviadas para ações de maior visibilidade para promover o governo atual. A problemática está em esferas menores, está em mim, está em você, está na formação social do brasileiro.

    Esse texto seria um desabafo, e criou um aspecto de convite, um convite à reflexão. Reflita um pouco sobre a cidade onde você mora, será que você conhece o atendimento odontológico no serviço público? Sei que você não faz uso desses serviços, mas está envolvido nessas ações:

    1- Você é dentista e trabalha no serviço publico: representante clássico de um cidadão que participa das ações desenvolvidas pelo poder publico. É o serviço publico que paga seu salário, e são suas ações que CONTRIBUEM para o sucesso ou insucesso desse programa.

    2- Você é dentista e trabalha no setor privado: você atende uma demanda que procura o serviço privado, não somente porque procuram um serviço de excelência, mas porque foi desassistida pelo poder publico. Tanto em ações preventivas, quanto em ações curativas.

    3- Você é um cidadão qualquer, que não trabalha na área odontológica: Você custeia os atendimentos do serviço publico e, muitas vezes, não faz uso desse recurso que vem investindo por tanto tempo.

    Pensem um pouco em sua cidade, conheça a realidade dela e posta aqui nos comentários o que vocês descobriram, sua cidade é uma “CIDADE QUALQUER” ou ela tem feito a diferença?

    Antes que eu prolongue esse texto, gostaria de agradecer e retribuir o carinho às meninas divas do Blog. Vida longa ao OdontoDivas e Parabéns pelo ótimo trabalho que vocês vêm realizando.

    Aproveito para convidá-los para participar dos debates sobre Odontologia e Saúde Coletiva no ortoblog, logo mais sairá um post com um resumo de tudo que foi debatido sobre saúde coletiva entre Junho e Agosto no Blog e em minhas andanças pelos Blogs amigos. Contamos com a participação de vocês.”

    E então?? Comentem!!!

    #goDIVAS! GO!