Você provavelmente já ouviu falar sobre certos alimentos que as pessoas supostamente devem evitar após extrair um dente ou se submeter a outro tipo de cirurgia bucal. Popularmente, dá-se o nome de “comida remosa” a esse tipo de alimento. Como exemplos de comidas remosas posso citar: carne de caça, ovos, carne de porco e frutos do mar (camarão, mariscos, caranguejo, etc.).
A sabedoria popular diz que esses alimentos não devem ser consumidos porque aumentam os sintomas inflamatórios e/ou prejudicam a cicatrização.
Mas isso tudo é verdade ou é só crendice?
Na verdade, o problema parece estar não no que a gente come, mas no que comem os animais que a gente come. Muitos desses animais consomem alimentos em decomposição, que estão cheios de bactérias. As bactérias não são um problema em si, já que são eliminadas quando a carne é bem cozida, mas as toxinas que elas fabricam podem permanecer. Então a “reima” estaria nas substâncias potencialmente tóxicas na carne desses animais.
E aí… pode ou não pode comer comidas remosas?
Há indícios de que certos alimentos não beneficiam o processo de cicatrização.
Mas o mais importante é que você coma bem, de forma nutricionalmente equilibrada e procure seguir à risca as recomendações pós-operatórias do seu dentista. Assim as chances de uma boa recuperação, sem intercorrências, aumenta bastante.
A paralisia facial (paralisia de Bell, paralisia hemifacial ou paralisia facial periférica) é uma condição, via de regra temporária, que afeta o nervo facial deixando a pessoa com metade do rosto sem movimento, o que leva à assimetria da face. Até Airton Senna – e mais recentemente Angelina Jolie – passaram por isso! Acontece.
Quais os sintomas?
A testa não enruga, a sobrancelha não sobe, o olho não fecha e o canto da boca fica caído. Isso tudo, via de regra, de um lado só do rosto. Outros sintomas que podem estar presentes, mas com menos frequência: dor perto da orelha, perda de paladar, hipersensibilidade auditiva, dor de cabeça e de ouvido, “olho seco” e “boca seca”.
Qual a causa?
As causas variam, mas geralmente a paralisia ocorre por um processo inflamatório ou infeccioso, por bactérias ou vírus (vírus do herpes, herpes zoster, citomegalovirus, etc.).
Qual o tratamento?
Não existe um tratamento padrão, porque o tratamento depende da causa, e a causa da paralisia de Bell nem sempre é determinada. Então o tratamento tem foco nos sintomas. Pode incluir medicamentos (anti-inflamatórios, antibióticos, antivirais), fisioterapia e fonoterapia. Mas o prognóstico é bom: a maioria dos pacientes se recupera em até 6 meses, mesmo sem nenhum tratamento. Porém o tratamento precoce, é claro, costuma acelerar a recuperação.
Se acontecer, procure um médico ou dentista o mais rápido possível. 😉
Hoje é dia de Patologia! Vamos relembrar alguns conceitos lá da graduação.
Segundo Neville, o termo Granuloma Periapical refere-se a uma massa de tecido de granulação crônica ou agudamente inflamado no ápice de um dente desvitalizado. No entanto, ele mesmo diz que o termo não é histologicamente correto, pois não apresenta uma inflamação granulomatosa verdadeira. Para ele, o termo correto seria periodontite apical, porém causaria muita confusão para um clínico. A formação de lesões inflamatórias periapicais representa uma reação defensiva secundária à presença de infecção bacteriana no canal radicular, com a disseminação de produtos tóxicos relacionados em direção apical.
Então, coloquialmente falando: o granuloma é uma reação de defesa do organismo a uma infecção aguda.
Na primeira fase o organismo tenta evitar a sua disseminação revestindo o exsudato, para ele não ir para a corrente sanguínea, formando uma camada de epitélio em volta dele. Quando, porém, a infecção não é tratada, o corpo não consegue debelar… as bactérias tornam-se resistentes às células de defesa e a periodontite apical cresce a ponto de se tornar um abscesso.
Por que tratar o canal?
O tratamento endodôntico vem para remover a causa do problema, que é a necrose radicular, porém o tecido periodontal e ósseo podem permanecer com algum tipo de contaminação. Como o granuloma é composto por macrófagos, células epitelioides, células gigantes e cercado por linfócitos T e, em alguns casos, por plasmócitos também, com o tempo alguns granulomas podem fazer a substituição de macrófagos por fibroblastos (células produtoras de colágeno) e aumentar progressivamente as fibras de colágeno, formando uma cápsula e deixando uma cicatriz. Conforme as células morrem elas se calcificam e aparecem radiograficamente.
Porém, em alguns casos a piora da infecção pulpar pode levar ao reaparecimento da inflamação, ao desenvolvimento de sintomas e ao possível aumento da área radiolúcida associada. Essas infecções são chamadas de abscesso fênix, nome dado baseado no pássaro mitológico que morria e renascia de suas próprias cinzas.
Que bom seria se o tratamento de canal esterilizasse o dente e tecidos adjacentes, não é mesmo? Porém isso não acontece. O tratamento endodôntico apenas diminui o numero de bactérias para um patamar tolerável pelo organismo.
E o que fazer para que o tratamento tenha êxito?
Condições bucais favoráveis: Uma boa profilaxia e tratamento periodontal prévio ao tratamento aumentam as chances de uma descontaminação mais efetiva. .
Cadeia asséptica: Materiais sempre estéreis e material de descontaminação adequados associados a uma técnica eficaz. .
Restauração (protética ou não) eficiente: Deixar a restauração provisória por meses ou a falta de vedamento correto pode levar a falhas de tratamento, porém não associados ao tratamento endodôntico em si.
E a pergunta que não quer calar:
Granuloma é câncer?
NÃO.
Nem tem potencial de virar um. Um dente sem o tratamento adequado pode sofrer uma infecção aguda e pode acontecer dessa infecção levar bactérias pela corrente sanguínea, trazendo complicações para outros órgãos… um exemplo, a endocardite bacteriana. Mas granuloma não é carcinoma. O câncer vem de alterações genéticas celulares, o que não acontece em um granuloma.
Muito cuidado na hora de explicar para um paciente esses conceitos. Pode gerar confusões desnecessárias e pacientes mais resistentes ao tratamento.
Um abraço.
Com base em: NEVILLE, B. W. et al. Patologia Oral e Maxilofacial. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009. Para a fonte das imagens, clique nelas.
Você sabia que cirurgiões-dentistas têm direito a aposentadoria especial? Na verdade, qualquer profissional da área da saúde que tenha se exposto a agentes nocivos – químicos, físicos e biológicos -, doenças infecto-contagiosas, tido contato direto com pacientes (quem nunca? 😉 ), material pérfuro-cortante, sangue, ou realizou tomadas radiográficas, têm direito a aposentadoria especial. Aliás, até o ruído da alta-rotação é motivo. Quem aí se identificou com alguma (pra não dizer todas) dessas situações?
Em caso de necessidade de ação judicial (e êxito, claro), são pagos os atrasados desde o dia em que se deu entrada no INSS.
Mas ter direito não significa, necessariamente, receber esse direito sem brigar. A aposentadoria especial é devida aos trabalhadores que se expuseram a agentes nocivos ou periculosos, de modo habitual e permanente, e que comprovem isso por 25 anos de atividade. Dessa forma, CDs segurados do INSS ou funcionários públicos federais, distritais, estaduais ou municipais podem requerer aposentadoria especial.
Se o dentista trabalha com carteira assinada, as informações necessárias pra pedir a aposentadoria especial constam no PPP (Perfil Profissiográfico Previdenciário), o qual as empresas são obrigadas a fornecer. Nesse caso, fica “fácil”. Já quando não um empregador para fornecer esse documento, ou seja, o dentista trabalha como autônomo, o próprio CD terá que contratar um engenheiro de segurança do trabalho pra elaborar um laudo (LTCAT) e o formulário PPP.
Quem já se aposentou tem direito a revisar a aposentadoria e “transformá-la” em especial.