Categoria: Estomatologia e Diagnóstico Bucal

  • Granuloma Periapical

    Granuloma Periapical

    Hoje é dia de Patologia! Vamos relembrar alguns conceitos lá da graduação.

    Segundo Neville, o termo Granuloma Periapical refere-se a uma massa de tecido de granulação crônica ou agudamente inflamado no ápice de um dente desvitalizado. No entanto, ele mesmo diz que o termo não é histologicamente correto, pois não apresenta uma inflamação granulomatosa verdadeira. Para ele, o termo correto seria periodontite apical, porém causaria muita confusão para um clínico. A formação de lesões inflamatórias periapicais representa uma reação defensiva secundária à presença de infecção bacteriana no canal radicular, com a disseminação de produtos tóxicos relacionados em direção apical.

    Então, coloquialmente falando: o granuloma é uma reação de defesa do organismo a uma infecção aguda.

    Na primeira fase o organismo tenta evitar a sua disseminação revestindo o exsudato, para ele não ir para a corrente sanguínea, formando uma camada de epitélio em volta dele. Quando, porém, a infecção não é tratada, o corpo não consegue debelar… as bactérias tornam-se resistentes às células de defesa e a periodontite apical cresce a ponto de se tornar um abscesso.

    Por que tratar o canal?

    O tratamento endodôntico vem para remover a causa do problema, que é a necrose radicular, porém o tecido periodontal e ósseo podem permanecer com algum tipo de contaminação. Como o granuloma é composto por macrófagos, células epitelioides, células gigantes e cercado por linfócitos T e, em alguns casos, por plasmócitos também, com o tempo alguns granulomas podem fazer a substituição de macrófagos por fibroblastos (células produtoras de colágeno) e aumentar progressivamente as fibras de colágeno, formando uma cápsula e deixando uma cicatriz. Conforme as células morrem elas se calcificam e aparecem radiograficamente.

    Porém, em alguns casos a piora da infecção pulpar pode levar ao reaparecimento da inflamação, ao desenvolvimento de sintomas e ao possível aumento da área radiolúcida associada. Essas infecções são chamadas de abscesso fênix, nome dado baseado no pássaro mitológico que morria e renascia de suas próprias cinzas.

    Granuloma periapical
    Granuloma periapical

    Que bom seria se o tratamento de canal esterilizasse o dente e tecidos adjacentes, não é mesmo? Porém isso não acontece. O tratamento endodôntico apenas diminui o numero de bactérias para um patamar tolerável pelo organismo.

    E o que fazer para que o tratamento tenha êxito?

    1. Condições bucais favoráveis: Uma boa profilaxia e tratamento periodontal prévio ao tratamento aumentam as chances de uma descontaminação mais efetiva.
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    2. Cadeia asséptica: Materiais sempre estéreis e material de descontaminação adequados associados a uma técnica eficaz.
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    3. Restauração (protética ou não) eficiente: Deixar a restauração provisória  por meses ou a falta de vedamento correto pode levar a falhas de tratamento, porém não associados ao tratamento endodôntico em si.

    E a pergunta que não quer calar:

    Granuloma é câncer?

    NÃO.

    Nem tem potencial de virar um. Um dente sem o tratamento adequado pode sofrer uma infecção aguda e pode acontecer dessa infecção levar bactérias pela corrente sanguínea, trazendo complicações para outros órgãos… um exemplo, a endocardite bacteriana. Mas granuloma não é carcinoma. O câncer vem de alterações genéticas celulares, o que não acontece em um granuloma.

    Muito cuidado na hora de explicar para um paciente esses conceitos. Pode gerar confusões desnecessárias e pacientes mais resistentes ao tratamento.

    Um abraço.

    Com base em: NEVILLE, B. W. et al. Patologia Oral e Maxilofacial. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009. Para a fonte das imagens, clique nelas.


  • HPV aumenta risco de câncer de boca e garganta em jovens

    HPV aumenta risco de câncer de boca e garganta em jovens

    Se há vinte anos os registros de câncer de boca e garganta eram quase que exclusivamente entre pessoas acima dos 50 anos, atualmente um dado chama a atenção dos oncologistas: cada vez mais jovens – adultos até 40 anos – têm apresentados tumores malignos nessas partes do corpo. “A média etária de pessoas com câncer nessas áreas tem caído. Hoje em dia, atinge cerca de 30 a 40% de pessoas que não são tabagistas nem etilistas, e são mais jovens”, afirma o oncologista Luiz Paulo Kowalski, Diretor do Núcleo de Cabeça e Pescoço do Hospital A. C. Camargo.

    De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), os cânceres de cavidade oral e orofaríngeo estão entre os dez tipos de maior incidência em homens brasileiros. E, mesmo que o cigarro e o álcool ainda sejam suas principais causas, eles costumam exigir uma exposição prolongada para o desenvolvimento de um tumor – entre 15 e 30 anos de consumo. Por isso, um outro fator de risco tem sido considerado pelos pesquisadores: o papilloma vírus, popularmente conhecido como HPV, que tem a capacidade de desenvolver um câncer em menos tempo.

    “Com a queda do consumo do tabaco, esperávamos diminuir a incidência e a mortalidade do câncer, mas houve uma mudança de perfil. Está caindo o número de cânceres relacionados ao tabaco, devido às campanhas de controle, mas estão aumentando os casos relacionados ao HPV”. Pesquisadores apontam que, até 2030, o número de casos relacionados ao vírus deve superar os casos ligados ao tabaco nos Estados Unidos.

    Um estudo atual, feito com orientação da bióloga e geneticista do A.C. Camargo e da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Sílvia Regina Rogatto, aponta que em casos de câncer de amídala a incidência do HPV cresceu de 25%, registrados há 20 anos, para 80%. Em uma outra pesquisa, comandada por Kowalski, os médicos detectaram que 32% dos casos de câncer de boca em jovens adultos eram em portadores do vírus. Em pacientes acima de 50 anos, a presença do vírus foi detectada em apenas 8%.

    Contaminação pelo HPV

    O estudo feito por Silvia e sua equipe em pacientes do A. C. Camargo, na capital paulista, e no Hospital do Câncer de Barretos, no interior do Estado, descobriu que 80% dos pacientes da capital são positivos para a presença do vírus enquanto os voluntários de Barretos correspondem a 15%. .

    “A presença em grandes capitais é mais evidente, pois os hábitos costumam ser um pouco diferentes”, analisa Kowalski. Mas não se deve relacionar a transmissão exclusivamente à atividade sexual, apesar do sexo oral desprotegido ser um dos fatores principais de contaminação. “O vírus pode ser transmitido por saliva, com um beijo na boca, por exemplo. Antigamente não era educado beber no copo de ninguém, hoje já é uma coisa normal”.

    Estima-se que entre 25% e 50% das mulheres e 50% dos homens  estejam infectados pelo HPV em todo mundo. Mas a maioria das infecções é transitória, sendo combatida espontaneamente pelo sistema imune. De acordo com pesquisas feitas entre homens norte-americanos, mexicanos e brasileiros, ao menos 2% da população adulta tem o vírus HPV e não apresenta nenhum sintoma.

    Sintomas

    Existem papilomas que são como verrugas que podem aparecer na garganta ou na boca. Quem apresenta alguma ferida deve observar se ela está demorando a cicatrizar. Porém, mesmo quando o tumor maligno já se desenvolveu, pode não haver lesão visível. Em outros casos, pessoas que tiveram infecção podem não ter anticorpos elevados também. “A infecção pode ser silenciosa”, conta o médico.

    No geral, cânceres de boca e garganta podem apresentar os seguintes sintomas: dor constante, nódulo, dificuldade para mastigar, rouquidão, dor na língua e mau hálito persistente. “Quanto mais precoce o diagnóstico, melhor, pois o tratamento não é tão agressivo e as chances de recuperação são maiores. Uma lesão que durar mais de 15 dias é porque tem algo errado”.

    Os tumores ligados ao HPV tem uma taxa de cura maior do que os associados a tabaco e ao álcool. “Eles respondem melhor ao tratamento, tanto com cirurgia, que geralmente é seguido de radioterapia, quanto na associação de radioterapia e quimioterapia”.

    Prevenção

    A vacinação é a melhor forma de se prevenir. “Ela dá imunização fazendo as três doses e é fundamental que se inicie uma campanha para vacinar todo mundo, principalmente meninos e meninas antes de iniciarem a vida sexual.  Nós precisamos começar a trabalhar agora para ter efeito daqui a 15 ou 20 anos”, diz o oncologista.

    Autoexame bucal

    Outras formas de prevenção são: sexo seguro, se alimentar bem, não fumar, não beber, boa higiene bucal e evitar traumatismos. “Um terço dos casos de câncer poderiam ser evitados se houvesse alimentação adequada e a prática de atividades físicas”, explica o nutricionista Fábio Gomes da Silva, da Unidade Técnica de Alimentação, Nutrição e Câncer do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Verduras e frutas, especialmente as cítricas, são protetoras. “A alimentação corresponde de 20 a 30% na prevenção”.

    Fazer o auto-exame da boca com frequência também é importante. Analise a mucosa na bochecha, abaixo da língua, acima, e observe se há manchas avermelhadas e esbranquiçadas e/ou pequenos nódulos.

    Leia também: A relação entre o HPV e o câncer de boca no Blog Medo de Dentista

    Via Estadão


  • Do canal (será?) ao abscesso cerebral: o caso Renata Banhara

    Do canal (será?) ao abscesso cerebral: o caso Renata Banhara

    A modelo Renata Banhara está internada em estado grave no Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

    “Ela está com uma infecção grave no cérebro. Ela tinha um dente que não se manifestou, ficou alojado. Como o dente é poroso, a bactéria entrou e ficou no osso do rosto e foi para o cérebro. Isso rendeu uma grande sinusite, que também é uma bactéria. Essa junção de bactérias acabou indo para o cérebro. Ela está na CTI com médicos excelentes e não pode receber visitas”, disse Roneia Forte, assessora da modelo.

    Renata Banhara

    O irmão de Renata, Túlio Alano, contou que ela está sedada. Antes da sedação, ela chegou a gravar um vídeo explicando um pouco da sua situação médica. “Fiz canal há seis anos, e esse dente meu fechou, tudo lindo, maravilhoso, sem problema. Esse dente fez um polo de infecção. Só que ele não deu febre, ela não deu pouso, ele não infeccionou. Ele fez uma infecção sigilosa”, explicou, dentro do seu entendimento. “São leves esses ossos da cabeça. A bactéria foi para os ossos, fez uma sinusite e essa sinusite criou outras bactérias. Mas a sinusite também não me deixou com febre, não saiu secreção, não fez nada, tudo silencioso”.

    Foi por causa de um tratamento de canal?

    Então… só com base no que a modelo contou, não temos como saber. Dá pra afirmar que o problema tem a ver com o tratamento endodôntico que ela fez há vários anos? Sem um monte de exames, não.

    As sinusites podem surgir em decorrência de diversas doenças infecciosas sistêmicas como gripes, resfriados, pneumonias, asma, bronquite, etc.. A inflamação da membrana sinusal pode ter origem odontogênica, também. O desenvolvimento de lesões periapicais em dentes próximos ou invaginados no seio maxilar pode provocar alterações inflamatórias na mucosa sinusal e levar ao desenvolvimento de sinusites. A sinusite odontogênica abrange de 10 a 12% dos casos de sinusite maxilar com histórico de infecção odontogênica ou periodontal.

    Em resumo: é bem possível que Renata Banhara tenha chegado ao abscesso cerebral por causa de uma sinusite bacteriana. Se ela começou como sinusite odontogênica, são outros quinhentos.

    Melhoras, Renata.

    O Blog DicasOdonto falou sobre esse assunto aqui: Modelo Renata Banhara, Canal, Sinusite e Infecção Cerebral

    UPDATE em 15/04/17: Renata Banhara pode perder parte dos movimentos do rosto

    UPDATE em 18/04/17: A modelo já está em casa, continua o tratamento com antibióticos, e diz que vai providenciar a extração do dente que – supostamente – causou a infecção.


  • Saúde Bucal em Pacientes com Câncer

    Saúde Bucal em Pacientes com Câncer

    Câncer é a denominação de um conjunto de doenças que possuem como característica um desordenado crescimento celular num determinado tecido ou órgão, podendo se espalhar para outras regiões do corpo (metástase). A multiplicação celular desordenada determina a formação dos tumores (ou neoplasias malignas). Deve-se atentar para o fato de que a denominação “tumor” nem sempre estar relacionada à malignidade. Inúmeras características são avaliadas para a classificação “maligna” ou “benigna”, mas ambas referem-se à multiplicação celular desorganizada.

    câncer

    De acordo com a origem celular, podem ser classificados como carcinomas (quando de origem epitelial), sarcomas (de origem conjuntiva) e os tumores líquidos, como é o caso da leucemia.

    A Organização Mundial de Saúde caracteriza o câncer como um problema de saúde pública, devido ao grande crescimento no número de casos e, também, ao fato da assistência aos pacientes portadores da doença ser oneroso, em virtude dos custos relativos à prevenção, diagnóstico e tratamento.

    As neoplasias malignas constituem a segunda maior causa de morte no Brasil e, de acordo com o sexo do paciente, temos o câncer de próstata, traqueia, brônquios e pulmão os de maior incidência nos homens e o câncer de mama e colo de útero nas mulheres.

    Atualmente, três terapias são utilizadas para o tratamento das neoplasias malignas: quimioterapia, radioterapia e intervenção cirúrgica. A quimioterapia e a radioterapia agem pela destruição/inibição do crescimento celular, enquanto que a cirurgia é específica para o tecido. Por ter ação não somente nas células neoplásicas (ou seja, por agirem em células normais do organismo), a radioterapia e a quimioterapia produzem efeitos colaterais na cavidade bucal. Os fatores que estão diretamente relacionados à frequência do desenvolvimento das alterações bucais são: o paciente (idade, tipo de câncer e condição bucal) e o tipo de terapia (tipo de droga utilizada, dose, frequência e se há a combinação de terapias diferentes).

    Visando a melhora do quadro de saúde do paciente e otimização do tratamento como um todo, a presença do Cirurgião Dentista é fundamental para auxiliar no diagnóstico e tratamento das alterações bucais dos pacientes com câncer, em ação conjunta com o Oncologista, Nutricionista e outras especialidades.

    Quarenta por cento dos pacientes submetidos à quimioterapia desenvolvem algum tipo de alteração bucal em virtude do tratamento.

    A Mucosite é uma inflamação e ulceração da mucosa oral, geralmente dolorosa, que se inicia de 3 a 7 dias após o início da quimioterapia. O paciente relata queimação, maior sensibilidade a alimentos quentes e condimentados, áreas de descamação que podem evoluir para lesões ulceradas dolorosas, influenciando na nutrição do paciente. A má nutrição e hidratação devido à dor produzida pela mucosite interferem na regeneração celular. A região do palato mole, bochecha, lábios e a superfície ventral da língua são as mais acometidas. A lesão costuma desaparecer sem cicatrizes, caso não haja complicação importante por infecções secundárias ou xerostomia. O tratamento inclui o uso de soluções isotônicas, anti-inflamatórios, antimicrobianos e laserterapia.

    mucosite

    A Xerostomia é uma alteração transitória que cessa após o término do tratamento. Trata-se da diminuição do fluxo salivar associado a mudanças de características da saliva produzida, que se torna mais viscosa e com menos ação de tamponamento. As alterações salivares influenciam o paladar, deglutição e a fala, além de ser um fator importante no desenvolvimento de lesões de cárie. Para o tratamento, temos o uso de saliva artificial, sialogogos (medicamentos administrados por via oral que aumentam a produção de saliva e estimulam o tecido glandular) e chicletes sem açúcar.

    xerostomia

    A neurotoxicidade decorre do uso de alcaloides vegetais envolvendo nervos bucais, causando dor aguda local o generalizada, sem sinais clínicos de cárie, doença periodontal ou qualquer outro tipo de infecção e que pode desencadear necrose pulpar e evolução para um abscesso dento-alveolar.

    Em relação à estomatoxicidade, condições de má higiene oral são consideradas de risco para o desenvolvimento de infecções: acúmulo de placa, cálculo salivar, raízes residuais, cárie, doença periodontal, problemas endodônticos, aparelhos ortodônticos, próteses mal adaptadas, etc. Condições assim favorecem a proliferação de fungos e bactérias e facilita a instalação de doenças secundárias devido à imunossupressão ou neutropenia. Como a condição do paciente em tratamento é delicada, as reações às infecções podem ser mascaradas e, quando diagnosticadas, estarem associadas a quadros clínicos de infecções crônicas.

    Infecções fúngicas causada pela Candida albicans são comuns devido à imunossupressão do paciente. Dependendo da gravidade, a infecção fúngica deixa de ser local e estende-se ao esôfago e pulmões e, em casos graves, produz sepsis generalizada pela disseminação hematogênica. Em alguns casos, considera-se a terapia anti-fúngica sistêmica para combater a infecção. Também, não raro, os pacientes imunossuprimidos desenvolvem infecções virais pelo vírus do herpes simples ou herpes zoster.

    Candidíase oral
    Candidíase oral
    Herpes labial
    Herpes labial

    A trombocitopenia é um efeito colateral frequente e o profissional deve estar atendo aos sangramentos gengivais e submucosos (espontâneo ou por trauma).

    No caso de pacientes infantis com câncer, podem ocorrer alterações dentárias durante a odontogênese, o que promove encurtamento da raiz dos dentes, diminuição do tamanho da coroa dental, hipoplasia e hipocalcificação do esmalte.

    Para os pacientes submetidos à radioterapia, as alterações são restritas aos tecidos irradiados. No caso ocorra na região de cabeça e pescoço, além das alterações citadas anteriormente, temos o trismo muscular (diminuição da abertura de boca), devido ao edema e destruição das fibras musculares. Porém, a alteração mais severa em virtude da radioterapia é a osteorradionecrose, quadro onde a radiação ionizante diminui o fluxo sanguíneo na região irradiada, diminuindo a resistência do osso a trauma e aumentando a suscetibilidade a infecções.

    O dentista tem um papel fundamental no trabalho que antecede o começo do tratamento anti-neoplásico. Para que o tratamento com quimioterapia e/ou radioterapia comece sem riscos de infecção e visando melhorar a qualidade de vida do paciente, um tratamento odontológico urgencial deve ser realizado.

    • Remoção de focos de infecção e adequação de meio bucal: exodontias, tratamento periodontal e endodôntico, remoção de cárie e selamento de cavidades;
    • Educação em saúde para o paciente e responsáveis;
    • Aplicação tópica de flúor;
    • Bochechos com clorexidina são indicados, desde que com soluções sem álcool para preservação da mucosa bucal;
    • Orientação de dieta pobre em sacarose para evitar o aparecimento de lesões de cárie;
    • Eliminar qualquer fonte de potencial irritação e acúmulo de placa: aparelhos ortodônticos, bandas ortodônticas, próteses mal adaptadas, grampos quebrados, etc.
    • Consultas de avaliação em menor espaço de tempo: a cada 6 ou 8 semanas

    Os pacientes oncológicos devem receber orientações em saúde bucal e o profissional estar incluído na equipe de tratamento para manter o paciente em ótimas condições de higiene, melhorando a saúde e possibilitando melhor aproveitamento das terapias propostas. Equipe multidisciplinar e atendimento integrado visando melhor qualidade de vida do paciente.


  • Um mal chamado “Água Oxigenada”

    Um mal chamado “Água Oxigenada”

    Mais uma vez vamos falar sobre o vilão chamado Peróxido de Hidrogênio, produto responsável pelo clareamento dental e que vem sendo indicado, por pessoas sem conhecimento, como agente antisséptico de rotina.

    Clareamento Dental e, de um modo geral, o uso de Peróxido de Hidrogênio, deve ser realizado de forma criteriosa e sob supervisão de um Dentista.

    A água oxigenada, nome popular do peróxido, não deve ser considerada um cosmético. Para ser considerado cosmético, o produto não pode gerar alteração fisiológica. E isso não acontece, já que ele age no esmalte, na dentina, na polpa e tecidos moles, seja causando a remoção de pigmentos, seja causando porosidades na estrutura ou alterações na cor e brilho da gengiva e outros tecidos.

    Nome popular do Peróxido de Hidrogênio
    Nome popular do Peróxido de Hidrogênio

    Portanto, já que causam essas alterações, a água oxigenada é considerada MEDICAMENTO e, exatamente por isso, que entidades como CROSP e APCD estão propondo a regulamentação da comercialização desse produto somente com a apresentação e retenção de receita, prescrita por Dentistas, nas farmácias e internet, assim como acontece com os antibióticos.

    (Daí que eu me pergunto, até agora, como as tiras branqueadoras da Gisele estavam sendo distribuídas no CIOSP, Congresso Internacional realizado pela APCD, uma das entidades que propôs a venda do produto mediante prescrição de um dentista………)

    É comum relatos em blogs ou redes sociais que o Dentista quer o lucro e que o paciente pode utilizar o produto sem a orientação profissional. Em várias postagens aqui no Blog, podemos ver a revolta dos pacientes em relação ao controle profissional no caso de procedimentos de clareamento dental.

    Sabe-se que o peróxido tem efeitos deletérios sobre as estruturas duras e moles presentes na boca. Porém, quando manipulado e aplicado seguindo protocolos clínicos de utilização, conseguimos diminuir os riscos e usá-lo a favor da saúde do paciente.

    Além de atuar no clareamento e, até mesmo, como auxiliar de quadros infecciosos, a água oxigenada tem poder promover a carcinogênese bucal, por meio da potencialização de outros agentes carcinógenos presentes no meio bucal, como pesticidas, herbicidas, alimentos, tabaco, vírus, etc.

    Como já dito, o profissional de Odontologia utiliza de meios de isolamento para a aplicação segura do produto nos dentes, bem como orienta a forma e a quantidade de produto a ser usada nos procedimentos caseiros.

    O contato do produto com tecidos moles causa vermelhidão e queimaduras, podendo até mesmo evoluir para lesões ulceradas que não cicatrizam normalmente. O esmalte fica poroso e pode resultar em quadros dolorosos pela agressão ao tecido pulpar.

    A automedicação é muito frequente, infelizmente, e não podemos medir o dano da utilização do medicamento em longo prazo. Do mesmo modo, Dentistas e entidades preocupam-se com a venda indiscriminada de agentes clareadores nas farmácias do país e na internet.

    O paciente precisa conscientizar-se que a água oxigenada causa danos ao organismo e que sua utilização deve ser feita com cautela e sob supervisão profissional.


  • Herpes Labial

    Herpes Labial

    Segunda-feira, final do dia. Eis que sinto uma queimação no canto do lábio inferior e uma coceirinha chata. Fui até o banheiro e, BINGO: lá estavam as pequenas vesículas se formando.

    Sim, eu tenho Herpes labial.

    herpes1

    Trata-se de uma doença viral recorrente, causada pelo Herpes simples virus, e pode acometer a mucosa bucal, a genitália e até mesmo causar problemas neurológicos. O vírus tipo I é responsável pelo acomentimento da boca, enquanto o tipo II pelo aparecimento da doença na região genital. A doença não tem cura e relaciona-se, quase que diretamente, com o estado emocional e queda de imunidade do hospedeiro. Em pacientes imunocomprometidos, as lesões herpéticas podem ser severas. A doença, também, é classificada como uma DST.

    No dia a dia do consultório, é uma doença comumente diagnosticada e é responsável, muitas vezes, pelo atraso no tratamento uma vez que há desconforto para o paciente, risco de contágio, dificuldade da realização de procedimentos pela limitação de movimentos (dor, sangramento, dificuldade de instrumentação) e necessidade de aumento da biossegurança durante a sessão, de modo a evitar infecções cruzadas e proteção de equipe profissional e paciente.

    Lesões características do vírus da Herpes
    Lesões características do vírus da Herpes

    A liberação do vírus acontece quando há rompimento das vesículas (pequenas bolhas com água) que caracterizam a manifestação clínica da doença, podendo sobreviver por horas ou dias no meio externo. O contágio acontece por meio de contato. O toque com os dedos pode resultar em contaminação de outras áreas do corpo.

    A suspensão do tratamento odontológico nos casos onde o paciente apresenta as lesões é muito importante, pois a instrumentação pode gerar o rompimento das vesículas e, com isso, todo material deve ser descartado após a contaminação. Também deve-se tomar cuidado para que o conteúdo líquido das vesículas não escorram para outras áreas do corpo, resultando em autocontaminação.

    O paciente deve ser orientado a não romper as “bolhas”, a evitar o toque com os dedos e consequente transmissão para olhos e outras mucosas, separar talheres, copos, pratos, produtos de higiene, roupa de cama e banho. Além dos cuidados com a contaminação, o dentista pode prescrever medicação específica para o caso.

    Assim como deve-se evitar o atendimento de pacientes com a doença, nós profissionais também não devemos atender caso estejamos com as manifestações clínicas do vírus, principalmente pelo risco de contaminarmos nossa equipe de trabalho e os pacientes que tiverem contato conosco. Caso o Dentista preste serviço a terceiros, atestado médico deve ser solicitado, e o tempo varia de 3 a 5 dias, dependendo da lesão.


  • OdontoDiva explica #1: Miíase Oral

    OdontoDiva explica #1: Miíase Oral

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    O que é MIÍASE?

    Doença parasitária provocada pela larva da mosca Dermatobia hominis. A larva da mosca penetra na pele do hospedeiro, que pode ser o homem ou outros animais, onde vai se desenvolver.

    Manifestações clínicas:

    Após a penetração, começa a formar-se uma lesão nodular, avermelhada, com um orifício central, por onde é eliminada secreção aquosa (exsudato), levemente amarelada ou sanguinolenta. Podem ser uma ou mais lesões e atingir qualquer área da pele, inclusive o couro cabeludo. A doença provoca dor em fisgada e, em alguns casos, coceira.

    Uma característica clínica que define o diagnóstico pode ser notada observando-se atentamente o orifício central da lesão. De tempos em tempos a larva sobe ao orifício para respirar e esta movimentação pode ser percebida claramente. Com a evolução, que pode durar entre 30 a 70 dias, a larva tende a deixar o orifício.

    Pode ser classificada em:

    Miíase primária
    A larva da mosca invade o tecido sadio e nele se desenvolve. Essa infestação é também conhecida por berne.
    Miíase secundária
    A mosca coloca seus ovos em ulcerações na pele ou mucosas e as larvas se desenvolvem nos produtos de necrose tecidual.

    A miíase secundária apresenta-se sob três formas:

    • cutânea
    • cavitária
    • intestinal
    Tratamento:
    • Limpar a ferida
    • Retirar larva por larva com uma pinça
    • Fazer curativos
    • Usar medicação, mediante indicação médica, para eliminar as ovas postas pelas larvas que foram removidas

    Gente, é grotesco DEMAIS. Pelo que andei lendo por aí, a miíase bucal é uma afecção rara, predominante em população rural e, em pacientes com problemas mentais e senilidade entre outras que limitam os indivíduos, e/ou casos de alcoolismo, respiradores bucais, hábitos de roncar, que adormecem ao ar livre e, com a boca aberta durante o dia. 

    A má higiene bucal, com lesões e odor fétido, atua como atrativo para as moscas fertilizadas depositarem seus ovos.  O diagnóstico dessa lesão é sempre clínico e o tratamento utilizado foi a remoção mecânica das larvas, com irrigação com soro fisiológico e Iodofórmio.

    O uso de anestesia é recomendado em casos de pacientes com problemas mentais e, quando as larvas se encontrarem profundamente nos tecidos, muitas vezes comunicando-se com estruturas anatômicas importantes, como o seio maxilar as fossas nasais.

    A prevenção deve ser sempre recomendada através de curso, conferências e palestras, em locais onde se observa maior ocorrência dessas condições.

    Quem tiver estômago forte pode ver mais algumas fotos extremamente grotescas aqui. Que for fodástico e tiver estômago mais forte ainda, pode assistir esse vídeo.

    Mas, na dúvida, NÃO DURMAM de boca aberta. E como eu disse pras minhas alunas do ASB08 da Iodontus, observem bem em quem vocês saem dando beijinhos na noite. Primeiro, converse suficientemente com a pessoa pra perceber se ela tem mal hálito. Depois, observe se você encontra pontos pretos ou uma gengiva vermelho gritante. Se não tem nada disso, você está segura(o). Pelo menos não tem berne na boca do(a) vivente…

    #goDIVAS! GO!

    Fontes:  MIÍASE EM PACIENTE NÃO COLABORADOR: RELATO DE CASO CLÍNICO
    Wikipédia
    Blog Isso é Bizarro,