“Eu odeio dentista”. Certeza que você, colega, já ouviu isso acompanhando de um “nada pessoal, doutor!”. Mas convenhamos: é difícil não levar pelo menos um pouquinho pro lado pessoal…
Isso não é ódio… é medo. Um pouco de vergonha. Às vezes até fobia. E mais, é falta de informação: seu paciente não sabe o que vai acontecer do outro lado da porta da sala de espera… e isso assusta.
Algumas verdades que aprendi interagindo com quem tem medo de dentista nesses 7 anos do Blog Medo de Dentista:
Confiança é fundamental, e a boca é uma parte muito íntima do nosso corpo. O paciente se sente vulnerável. Evite “dar bronca”… é possível orientar sem constranger. .
Nem todo mundo não escova os dentes direito por preguiça ou descaso. .
Medo não é frescura. Não é porque o cara tem 2 metros de altura por 1,5 de largura que ele não pode ter medo de dentista. .
Não subestime o medo do seu paciente, não faça pouco caso. Isso só aumenta a sensação de insegurança e é quase certo que o paciente não volta mais. .
Em caso de movimentos bruscos, avise seu paciente. Sempre que for “apertar, puxar, empurrar”, avise! .
Por outro lado, não fique explicando muito o que você está fazendo. Não entre em detalhes técnicos sobre osteotomias, odontosecções, sangramentos e retalhos. .
Deixe claro para o paciente que quem dita o ritmo é ele.
E se você não se sente preparado pra atender um paciente ansioso, não atenda. Encaminhe. Vai ser melhor pra vocês dois. 😉
Eu vejo as pessoas reclamando da saliva em 2 casos: quando têm demais e quando têm de menos. No primeiro caso, saiba: a saliva é uma bênção!
A saliva tem muitas funções
Ela participa do processo de digestão dos alimentos. Quando mastigamos, ela umedece a comida e ajuda a formar o bolo alimentar, além de contribuir com enzimas que já começam a digestão. Por isso é que a sua mãe dizia pra você mastigar direito: quanto menor o pedaço de comida, mais fácil fica o trabalho da amilase salivar. E o estômago, aquele preguiçoso, agradece. 😉
A saliva também tem ação bactericida, se lubrificação, defesa e imunidade – já que ela possui anticorpos que protegem contra doenças -, remineralização dos dentes e capacidade tampão, ou seja, tem a propriedade de manter o pH (a acidez) bucal em um padrão mais ou menos constante.
Viram? Saliva é tudo de bom!
E quando falta saliva?
Esse quadro se chama xerostomia, e pode ser causado por uma série de fatores e doenças sistêmicas. Pra esses casos, existe a saliva artificial. Converse com o seu dentista.
O local de um dente extraído consiste basicamente num “buraco” (uma loja óssea chamada alvéolo), protegido pelos pontos que o dentista deu na gengiva.
Sim, é normal que fique esse “buraco”, porque a gengiva, nesse caso, cicatriza por segunda intenção, ou seja, as bordas da ferida não se juntam. Então os pontos que o dentista dá (quando não há cortes, claro) servem mais pra formar uma rede de proteção, e não pra fechar o alvéolo.
Pode escovar diretamente o local?
Não. Considere que no local da extração há uma ferida, e feridas não devem ser escovadas. Fora isso, escove os dentes normalmente.
Pode fazer bochecho?
Não nos 3 primeiros dias. Fazer bochechos nessa fase pode remover o coágulo, o que causa sangramento e pode até levar a uma alveolite. Mesmo passados os 3 dias iniciais, evite bochechos muito vigorosos. Vá com calma.
Duas dicas importantes
Algo que pode ajudar bastante é usar uma seringa (sem agulha) cheia de água limpa, enxaguante bucal ou soro fisiológico pra lavar o local da extração. Essa estratégia ajuda a remover resíduos alimentares maiores. .
Outra dica é usar um cotonete umedecido pra limpar os pontos superficialmente, pra remover aquela camada esbranquiçada de resíduos. Mas não introduza o cotonete no “buraco” ou em qualquer reentrância, ok?! A limpeza é apenas superficial.
Sabe quando bate aquele vento “na diagonal” ou quando você toma alguma coisa gelada e seus dentes doem? Não? Sorte sua. 🙂
Hipersensibilidade Dentinária
Esse é o nome do problema. Suas causas podem ser várias: recessão gengival, desgaste dos dentes, consumo de alimentos e bebidas ácidos, escovação dentária incorreta, uso de próteses, doença periodontal, etc..
Mas, no fim das contas, o motivo é o mesmo: um maior estímulo do meio externo ao nervo do dente, seja por haver menos tecido que o proteja, seja por esse tecido estar mais permeável.
Qual o tratamento?
Quem sofre de hipersensibilidade dentinária não está condenado a sofrer eternamente! A primeira coisa é procurar um dentista e identificar a causa da sua hipersensibilidade. O tratamento pode incluir a aplicação local de dessensibilizantes, bochechos com flúor, laserterapia e o uso de pastas de dente específicas pra esse fim. Todas as principais marcas têm a sua… e com tecnologias diferentes, elas fazem praticamente a mesma coisa: fecham os túbulos dentinários para não deixar o estímulo doloroso passar.
Qual delas é o melhor? Depende. Até porque 9 entre 10 dentistas (dizem) recomendam todas elas 😉 .
Sobre cores na Odontologia podemos seguir para dois focos diferentes: em como a cor atua no atendimento odontológico, relacionado ao profissional, e como ela atua relacionada ao paciente.
A cor e o dentista
Sobre o profissional, devemos escolher para paredes, equipo e móveis com cores mais neutras, que não cansem tanto a nossa visão, porque cores inadequadas podem influenciar negativamente no rendimento do nosso trabalho. Afinal de contas passamos uma grande parte do nosso dia dentro do consultório, trabalhamos com resinas, com estética, com seleção de cores de materiais restauradores ou para prótese, e no final do dia nossa “vista” e mente já estão cansadas.
O ideal seria termos uma parede azul clara ou algum quadro na cor azul clara e, quando estamos trabalhando com resina composta ou escolhendo a cor para a confecção de uma prótese, olharmos por 30 segundos para que nossa vista descanse e possamos fazer a escolha correta.
A cor e o paciente
Devemos também ter consciência que muitos de nossos pacientes têm medo de dentista, e cores tranquilas são ótimas para que eles se sintam mais calmos a partir do momento que entram em nosso consultório.
As cores mais indicadas são o branco, o azul e o verde, mas não só. Escolha uma de suas cores preferidas e brinque nos detalhes. 🙂
O que cada cor representa?
O amarelo é cor do sol e é sinônimo de calor, alegria e dinamismo. Espaços pintados de amarelo tornam-se em geral mais otimistas, energéticos e felizes. Porém cuidado: lembre-se que o perigo também é assinalado pela cor amarela. Na verdade esta cor em demasia e em tons muito fortes e brilhantes poderá provocar sensações desagradáveis e tornar-se algo agressiva. Assim, os tons mais claros e suaves de amarelo são em geral uma aposta mais confortável. .
O azulé conhecido por ser uma cor serena, representando o céu e o mar. Apesar de haver imensos tons de azul, em geral esta é uma cor que provoca relaxamento e também segurança. Muitas vezes associada mais ao sexo masculino (sendo muito usada em quartos de meninos), na verdade esta é uma cor com muito potencial que pode trazer suavidade e harmonia a todas as divisões da sua casa – no entanto cuidado, pois muito azul nas paredes também poderá fazer com que o espaço pareça mais frio ou triste. .
O branco é luz, paz, serenidade, pureza e também espiritualidade. Ao pintar as paredes de branco consegue-se um efeito confortável, aconchegante, calmo e limpo. É uma das melhores soluções para espaços pequenos, porém também é preciso tomar cuidado: ao pintar tudo de branco pode-se simplesmente cair na monotonia e “remover” a vida e emoção aos diferentes ambientes do seu consultório. .
O castanho é a cor da terra e por isso está intimamente ligado às natureza. Esta cor transmite-nos solidez, resistência, maturidade e estabilidade; assim, ambientes pintados com tons de castanho tornam-se confortáveis, aconchegantes e simples. O castanho é em geral uma cor calma e ideal para ambientes mais rústicos e tradicionais. Porém, em demasia pode tornar o espaço muito estagnado e por isso monótono. .
O laranja é energia, vitalidade, divertimento e sucesso. Estando entre o amarelo e o vermelho, pintar uma parede de laranja dá uma energia muito quente e animada, que consegue tornar o ambiente mais alegre e sociável, deixando as pessoas à vontade. Esta é uma cor que traz originalidade e espontaneidade ao ambiente, mas tenha em conta que em exagero pode provocar irritabilidade. .
O preto é uma cor autoritária e austera, que por vezes também está associada a algo misterioso ou espiritual. Lembre-se que no ocidente esta é a cor usada para o luto, por isso o preto pode-nos trazer esta carga emocional de tristeza e penitência. Associada também à solidão, isolamento e proteção, o preto é ausência de luz, gerando ambientes mais pequenos e até claustrofóbicos. Em exagero torna qualquer espaço demasiado pesado e oprimido; porém um pouco de preto nas suas paredes pode indicar um certo requinte, elegância, exclusividade e dignidade. .
O rosaestá quase sempre relacionado com o universo feminino, transmitindo muitas vezes sensibilidade, delicadeza, romantismo e beleza. Mas além disso, o rosa também tem a capacidade de acalmar ou mesmo melhor o humor, podendo por isso ser uma boa opção para diversos ambientes. .
O roxo simboliza prosperidade e luxo mas também espiritualidade, criatividade e imaginação. Sendo a cor da realeza, ela mostra poder e exclusividade. O roxo apresenta-se como uma cor forte que marca qualquer espaço: desde o ousado roxo intenso ao mais tranquilizante e suave lilás. No entanto, se você optar mesmo por tons mais fortes, vibrantes ou escuros, deverá sempre ter algum cuidado extra para não exagerar. .
O verde é uma cor refrescante e jovem, muitas vezes relacionada com o otimismo – porém ela não é demasiado excitante, é mais serena e calma. Com capacidade de trazer a natureza para dentro do consultório, a grande variedade de verdes permite diferentes opções interessantes para ambientes interiores. Além disso, a cor verde também é associada a algo saudável e agradável, o que é sempre positivo. .
O vermelho é paixão e energia, mas também agressividade. No fundo, é uma das cores mais intensas que se pode usar – e isso tem consequências reais, pois o vermelho pode aumentar a frequência cardíaca de algumas pessoas. Espaços com algumas paredes vermelhas são arrojadas, ousadas, originais. .
Em geral cores mais suaves dão um efeito mais aconchegante e tranquilo, ideal para relaxar e acalmar, enquanto cores mais fortes provocam sensações intensas e excitantes, que podem aumentar o estresse dos nossos pacientes. Então, mesmo que você pretenda um efeito mais estimulante, deverá sempre usar as cores fortes ou brilhantes com moderação, fazendo mistura de cores.
Por fim, tenha sempre em mente que a cor não é apenas um elemento decorativo: é um fator determinante para se sentir bem no seu trabalho ou mesmo em casa, pois leva a uma reação emocional. Por isso escolha com bom senso, sem nunca deixar de lado o seu gosto pessoal.
Segundo pesquisa sobre preferência de cores pelo sexo masculino e feminino, o azul é a preferida tanto de homens quanto de mulheres.
Cores favoritas para homens e mulheres
Espero que este post tenha ajudado você a fazer a escolha das cores das paredes ou de outros detalhes do seu consultório. 🙂
O que pode ser considerado “normal” após a extração dos sisos? Taí uma pergunta que vivem me fazendo.
Depois de qualquer cirurgia, alguns sintomas são esperados e comuns. O que as pessoas sentem varia… uns sentem nada, outros sentem tudo. Ficar com o rosto inchado é bem comum, principalmente na extração dos sisos inferiores. A regra é mais ou menos essa: quando mais o dente “mexe”, maior a chance de inchar. E às vezes o dentista “mexe” bastante.
O segundo molar, dente ao lado do local de extração, pode ficar meio dolorido uns tempos. Mas é temporário.
Os pontos em extrações dentárias sem incisão servem mais pra proteger o local do que pra fechar o alvéolo. A gengiva cicatriza por segunda intenção, ou seja, de dentro pra fora.
É normal não sentir a língua ou a bochecha? Não, mas pode acontecer. O nome disso é parestesia (ou hipoestesia) e via de regra é completamente reversível. Mas pode levar várias semanas.
Pode haver dificuldade pra abrir a boca por alguns dias. O nome disso é trismo e é algo esperado, também.
Se sair um líquido amarelo transparente do local da extração, não se preocupe. É um exsudato inflamatório, uma “aguinha” cheia de proteínas. Não tem nada errado, necessariamente.
Se sangrar, desde que sejam episódios curtos de sangramento, de resolução rápida, ok.
É normal ter dor de garganta após a extração dos sisos? Sim. Por causa da proximidade anatômica com a garganta. O ouvido às vezes dói, também, pelo mesmo motivo.
Pode beber, fumar, escalar o Everest ou fazer sexo oral depois de extrair um siso? Não. Sossegue pelo menos 1 semana. 😉
Tanta gente me perguntando que eu TIVE que fazer esse vídeo com as dúvidas mais frequentes. E aí, funciona? Pode esterilizar? Quantas vezes? Vale a pena o investimento? Veja:
Dias 5 e 6 de dezembro estivemos, a convite da Kavo Kerr Group, no Digital Influencers Meeting, evento que reuniu alguns dos dentistas mais influentes nas mídias sociais. O objetivo foi discutirmos ações para melhorar a vida do dentista e do paciente odontológico.
Pra nós, termos sido escolhidas pra fazer parte desse grupo é o reconhecimento de um trabalho realizado na Internet desde 2011, aqui no blog e também nas nossas mídias sociais. Reconhecimento que se traduziu no apoio da Kavo, a marca líder em equipamentos odontológicos de alta tecnologia, reconhecida por profissionais de Odontologia em nível mundial, e que uniu-se à Kerr para oferecer também as melhores opções em materiais dentários.
Digital Influencers Meeting 2016
E vem muita coisa legal por aí! Vocês não fazem ideia (e nem farão por enquanto, não podemos contar ainda) 😉 . De 1o a 4 de fevereiro de 2017 vai acontecer o 35o CIOSP – Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo, e todos nós DIs estaremos presentes, pondo em prática aquelas ações que começamos a desenvolver lá no Meeting. Não se preocupem em como nos encontrar lá, vai ser fácil, podem acreditar. 😉
Vocês já devem conhecer todos nesse grupo de Digital Influencers mas, de qualquer forma, segue a lista:
Ao longo do exercício da nossa profissão podemos sofrer vários riscos ocupacionais severos. Um deles é a diminuição da audição, devido aos vários tipos de ruídos que estão presentes no dia a dia do nosso consultório, tais como turbinas de alta e baixa rotação, compressor de ar, sugadores de saliva, bomba a vácuo, além de outros fatores externos. Os principais efeitos do ruído ocupacional na rotina do cirurgião dentista são: diminuição da capacidade auditiva, estresse, estafa, irritabilidade, nervosismo, cefaleia, tontura, problemas digestivos, queda na produtividade, alterações na pressão arterial e aumento no risco de acidentes.
Lelo et al. (2009)* avaliaram os limiares auditivos por meio da audiometria tonal limiar (ATL), em 30 cirurgiões-dentistas que atuam ha mais de três anos na profissão, com idade máxima de 45 anos. Todos os participantes passaram pelos seguintes procedimentos: anamnese, meatoscopia, ATL, logoaudiometria e imitanciometria. Os resultados mostraram que 27% dos cirurgiões-dentistas apresentaram queixa de zumbido, 30% de insônia e 37% dor de cabeça. Segundo os autores, tais achados justificam a necessidade da realização de exames audiométricos periódicos para evitar lesões auditivas ao longo de sua carreira e o uso de protetores auriculares para a manutenção da saúde auditiva e a diminuição dos sintomas associados, mesmo esse não sendo um EPI obrigatório. Os EPIs obrigatórios são: gorro, máscara, óculos de proteção, avental, luvas e sapatos.
Existem vários modelos de protetor auricular no mercado, escolha o que mais você se adapte e comece o uso hoje mesmo!
(*) LELO, N. M. V.; RICCO, F. F.; SABO, V. A.; NETTO, M. P.; RICCO. R. A. P. O. Avaliação do limiar auditivo em profissionais da Odontologia. Colloquium Vitae, p. 71-74, 2009.