Toda atividade que não envolve a resolução de problemas complexos e não depende de imaginação e criatividade será “dramaticamente” modificada, a ponto de os empregos desaparecerem. A previsão é do pesquisador Silvio Romero de Lemos Meira, referência no país em tecnologia e inovação.
Diga AAAAH
Em entrevista à Folha de S.Paulo, ele falou do futuro das profissões e dos avanços tecnológicos que estão transformando o universo do trabalho. Segundo Meira, as atividades mais ameaçadas de extinção são aquelas que podem ser informatizadas mais rapidamente. Boa parte do trabalho de advogados, por exemplo, é pesquisar a jurisprudência e, a partir daí, preparar a síntese dos argumentos que serão usados para defender ou atacar. Já há softwares que fazem isso. É melhor do que pôr um time de advogados para fazer. Não é trabalho de alta complexidade cerebral, mas de busca, organização, correlacionamento. Não precisa ser ministro do STF para fazer.
“Há profissões relevantes agora e que vão sumir. Se informatizarmos as ruas, não haverá placas, faróis. O carro não vai estacionar onde não pode, a rua o informará disso. O guarda de trânsito já era. Imagine informatizar todo o dinheiro. Não há mais dinheiro físico circulando. Se é virtual, as transações ficam registradas. Minha contabilidade é sistêmica. Não tenho mais contador. Desaparece”.
Segundo o entrevistado, a área mais avançada tecnologicamente é a de software. As coisas que fazemos seriam inimagináveis há 15 anos. Por exemplo, edição de DNA, faceta de engenharia de software aplicada a sistemas biológicos. A área de inteligência artificial também. O software deve continuar definindo, no médio e no longo prazo, o que a humanidade faz de mais avançado. Se não tem software não faz sentido olhar como coisa avançada.
E o cirurgião-dentista?
Segundo estudo da universidade de Oxford, a única profissão sem chance de ser informatizada nos próximos 25 anos é a de dentista. A resposta é sociotécnica: “você teria coragem de abrir sua boca para um robô? Precisamos de um grau de confiança em quem vai fazer essa atividade”.
Depois desses 25 anos… aí não sei. Quem viver, verá. 😉
Temos dois assuntos a serem discutidos hoje: A primeira é uma propaganda que aquela empresa da caixa vermelha e filas enormes no CIOSP. Navegando pela internet, um colega se deparou com a seguinte propaganda:
Prof. Dr. Mario Leonardo chora. Prof. Dr. Carlos Estrela tem crises de riso. E qualquer endodontista olha pra isso e chora em posição fetal. A MAIOR MENTIRA DA HISTÓRIA. Dente tratado endodonticamente NÃO TEM SENSIBILIDADE DENTINÁRIA. Se o seu tem, procure seu endodontista, pois tem algo errado. Um canal acessório, alguma falha no procedimento, e não se trata com creme dental. Todo dente que tem o canal tratado tem o nervo removido, vivo ou morto, e o dente passa a não ter nenhum tipo de sensibilidade (não vou nem procurar fonte pois qualquer aluno de graduação em Odontologia aprende isso no primeiro dia de aula de endo.) Essa é a premissa da endodontia.
Tratar o canal é remover a polpa, a cárie e os detritos (se houver) e depois de limpo e desinfectado, é obturado com um material inerte chamado guta percha. Depois que o canal é tratado, é feita a parte protética. Pode ser uma restauração, uma “peça”, uma coroa. Mas canal tratado não tem sensibilidade. Não sei se o webmaster da página não tinha essa informação, se a marca se equivocou, ou se houve má fé de quererem vender um produto que não vai atingir a expectativa. Vou ser Poliana e deixar essa dúvida no ar (apesar dos 12 problemas bucais serem apenas 4 repetidos com outras palavras até virarem 12).
A segunda estória veio de um dentista que postou a seguinte foto na Intenet:
Vamos aos numerosos questionamentos à respeito:
“O Flúor faz engordar”
Em 2014 em um congresso em SP uma nutróloga apresentou um trabalho afirmando que “Segundo as pesquisas, o organismo de uma pessoa que retenha, diariamente, quantidades de flúor superiores a 2mg, ao chegar aos 40 anos, começa a apresentar problemas como artrite, escoliose, rugas e arteriosclerose. Por também competir com o iodo, ocupando seu lugar na tireoide, o flúor pode desencadear um quadro de hipotiroidismo, levando ao ganho de peso”.
SUPONDO que a pesquisa da doutora esteja certa, uma pessoa escova os dentes com 1,5g de creme dental. Um creme dental popular possui 1200 ppm (partes por milhão). O FDA (órgão de controle alimentar americano) aceita até 1500 ppm PARA EVITAR A FLUOROSE E NÃO O GANHO DE PESO. Entendendo que o paciente não faça a ingestão do creme dental, mas cuspa o excesso e muitas vezes até lave a boca depois, essa ingestão estaria muito longe de 2mg/dia, portanto essa teoria já cairia por terra. O creme dental SEM FLÚOR está indicado para crianças exatamente por não terem desenvolvido essa capacidade de cuspir sem ingestão. Mas a partir do momento que a escovação aconteça com a capacidade de não ingestão do produto, torna-se necessário acrescentar o Flúor, em menor quantidade, até a fase adulta. Além do mais, existem fluoretos na própria água mineral e em alimentos. Vamos cortar a água também?
“O Flúor induz ao hipotireoidismo”
Vamos a um texto do Prof. Jaime Cury, da UNICAMP:
“Embora Flúor e Iodo sejam elementos químicos do grupo dos halogêneos (grupo 17) eles tem propriedades totalmente distintas e como Focinho de Porco não deve ser confundido com Tomada Elétrica, eles não devem e não podem ser confundidos. Entretanto nas redes sociais há médicos, como autoridades, emitindo opiniões, sem nenhuma evidência, de associação entre flúor, iodo e problemas da tireoide. Isso tem gerado incerteza em alguns colegas da área odontológica quanto a segurança de uso de flúor no controle de cárie, principalmente a água fluoretada, alvo predileto dos ativistas contra flúor. Algumas chegam ao desespero:
“Ola Dr. Jaime Cury, primeiramente quero dizer que sou sua fã, e segundo que estou desesperada por meu tema de TCC ser muito complexo e não estou conseguindo achar artigos e livros suficiente pra me aprofundar na pesquisa , meu tema é a influencia do flúor na tireoide. Se pudesse me enviar link com artigos relacionados com meu tema, agradeço”.
Sobre esse tema foi publicado esse ano uma “bomba inglesa” cujo artigo concluiu que “flúor da água deve ser considerado um fator contribuinte do hipotireoidismo”. Essa “bomba inglesa” foi habilmente desmontada por especialistas da própria Inglaterra. O primeiro especialista (Dr Grimes, da Universidade de Oxford) mandou carta para a revista onde a bomba foi armada, questionando a publicação feita desde que estudos de associação não permitem concluir se há relação causa-efeito, isto é a conclusão da publicação não é válida! Outro grupo de especialistas, de London, Birmingham e Bristol, liderados pelo Dr. Newton, desmontou totalmente “o artefato bélico montado por Peckmana et al.” fazendo uma dura critica cientifica à publicação feita sobre a associação entre fluoretação da água e hipotireoidismo. Comecei essa postagem com um ditado popular “Não devemos confundir focinho de porco com tomada elétrica” e a termino com outra: “Roupa suja se lava em casa” e os Ingleses são bons nisso também!” Obviamente não podia faltar o senso de humor ácido (salgado) com o qual o Dr. Grimes terminou a carta dele: “As conclusões do estudo de Peckman e cols são simplesmente não convincentes, e devem ser consideradas talvez com grande ceticismo [“be taken with a large pinch of (fluoridated) salt”].”
Focinho de porco não é tomada
“Inibe 62 enzimas”
62 eu não consegui contar, mas está mais do que claro que inibe a produção de enzimas glicolíticas microbianas, o que é a intenção, diminuir a quantidade de microbiota produtora de cáries, não é mesmo?
“N-Lauril Sulfato induz câncer”
Não consegui encontrar qualquer estudo que afirmasse positivamente esta sentença. Foram 3 horas de busca em buscadores nacionais e internacionais.
* * *
Dentistas, não dentistas e curiosos: prestem bastante atenção no que as empresas tentam vender para vocês. A Odontologia TEM que ser baseada em estudos. Não vamos voltar 200 anos nos estudos de tantos e tantos pesquisadores que corroboram o mesmo tema. Sejamos críticos: O que é mais fácil: Trabalhar com produtos já testados e aprovados pela ciência ou voltar ao empirismo e utilizar produtos fartamente negados pela ciência? Vamos voltar pra cúrcuma novamente? Fica a reflexão.
Estão muito na moda as lentes de contato dentais. São um procedimento estético onde são realizados mínimos desgastes no esmalte e são confeccionadas “capinhas” de porcelana pura , que são coladas ao dente, podendo melhorar muito a estética do sorriso. Fechamento de diastemas, mudanças no formato dos dentes (correção de laterais conoides, por exemplo). Estão em todas as capas de revistas, muita gente fazendo, muito dentista ganhando dinheiro.
WTF?
Mas vamos aos principais”incômodos” das lentes que nós, dentistas generalistas, temos observado:
Coloração
Dentição permanente NÃO É BRANCA. “Nos diversos grupos dentários, existem variações de coloração. Os dentes incisivos tendem a uma coloração branco acinzentada, enquanto os pré-molares e molares se aproximam do amarelado. Os caninos, por serem dentes com a coroa clínica desenvolvida, são os que apresentam a tonalidade amarelada mais carregada. Outras variações de cor são devidas ao período etário. À medida que os dentes envelhecem, vão se tornando mais amarelados, independente da deposição de outras substâncias na superfície dentária” (PICOSSE, Milton, Anatomia Dentária). Isso quer dizer que DENTES ADULTOS NÃO SÃO BRANCOS, POIS O AMARELAR FAZ PARTE DO PROCESSO DE ENVELHECIMENTO. Alguns profissionais têm trabalhado muito com essas lentes de contato, por vezes até com coroas em porcelana livre de metal, baseados numa brancura que não é normal para um ser humano adulto.
Gente, tá feio. Pessoas de mais de 20 anos desgastando esmalte sadio para colocar um elemento estranho ao corpo humano sem necessidade, somente pela mudança da cor para um branco OMO DUPLA AÇÃO. Não façam isso. Temos ótimos produtos para o clareamento que não causarão nenhum tipo de dano ou desgaste ao paciente podem, sim, mudar vários tons desse amarelado para uma cor mais próxima ao branco, sem perder a naturalidade. As lentes de contato são sim, uma ótima opção em alguns casos, desde que respeitadas as limitações que o corpo humano exige. A caraterização é um dos elementos mais importantes de um bom trabalho estético e deve ser compatível com a raça, o formato do rosto, os dentes presentes e a oclusão do paciente.
Tamanho
Na confecção das lentes, em alguns casos, vemos as porcelanas ocupando um espaço entre as partes cervicais das coroas, acima do ponto de contato. A lente pode ser feita de forma a fechar esse espaço para dar um formato mais quadrado ao dente, o que causará uma diferença entre o formato do rosto e o formato do dente. E faz diferença também na hora da higienização. Na confecção das lentes, se eventualmente elas passarem mais de 0,7 mm para dentro e invadirem a gengiva, pode não haver espaço para o uso do fio dental; e se ele não limpar tudo, o paciente começa a desenvolver gengivite. Se ela progredir, pode causar perda óssea e o dente perde sustentação.
Oclusão
Na maioria das fotos de casos de lentes que tenho visto, o paciente não está em oclusão. Será que existe algum risco dessas porcelanas se chocarem e quebrar um pedacinho? Existem estudos em médio e/ou longo prazo da durabilidade, estabilidade e resistência dessas lentes? Existe algum tipo de restrição a esses trabalhos protéticos depois de serem instalados?
Temos aqui dois modelos de trabalhos de porcelana. Percebam a diferença entre eles:
À esquerda, fonte: Internet / À direita, fonte: Dra. Emirene Moreira Alves
Indicação
Nem todo mundo pode fazer lentes de contato dentais. Problemas de posicionamento da arcada, dentes cariados, doenças gengivais e o bruxismo impedem a confecção desse trabalho. Além do preço, que varia de R$2.000,00 a R$3.000,00 POR DENTE. Fora a manutenção delas.
Existem outras formas de conseguir uma estética agradável e harmoniosa com opções além das lentes de contato. Clareamento, restaurações estéticas, tratamento ortodôntico, facetas, coroas em porcelana… Procure um dentista de confiança e ele lhe dará as opções que te farão sorrir.
Se vocês acompanharam nossas redes viram que postamos bastante coisas sobre esse evento. Agora que estamos todas em casa e de volta ao trabalho vou contar um pouco mais pra vocês sobre o que foram esses 4 dias de evento.
Primeiramente ganhamos um título: digital influencer. Já vi várias pessoas no instagram se denominarem digital influencers mas nunca achei que tivéssemos direito a esse termo, afinal a gente sempre se chamou de “blogueiras”. Mas como o blog leva informação e conteúdo até nossos leitores, e também falamos sobre as marcas que se identificam com a nosso perfil (e nós com o delas), o termo digital influencer se tornou pertinente. Além de ser muito mais moderno.
Digital Influencers do Blog Odontodivas presentes no evento
Agora, falando sobre o evento em si. Cada dia foi dedicado a uma especialidade, e o primeiro dia foi de Endodontia. Desde a faculdade, nunca mais vi nada relacionado a endo, e o que posso dizer é que MUDOU MUITO. Tem pelo menos uns 10 anos que não me atualizava no assunto e me mantinha apenas na abertura coronária, MIC e pulpectomia, usando apenas estirpa nervo e ainda usando tricresol formalina… bom, pra vocês terem idéia, só faz endo manual quem quer, porque até quando se usa lima tem um contra-ângulo que é possível adaptar uma lima e ele faz os 1/4 de volta.
Foram grandes nomes da endodontia nacional e mundial palestrando, e eu gostei muito da palestra do Dr. Ginaluca Gambarini, de onte tirei esta imagem:
É Photoshop, não se apavorem!
À noite tivemos um jantar com todos os digital influencers presentes no evento, equipe de marketing da Kavo Kerr e toda diretoria, para nos conhecermos melhor. O ponto máximo foi quando ganhamos nossas lindas turbinas de alta rotação personalizadas, em reconhecimento de um trabalho nas mídias sociais que já vem há 6 anos!
Digital Influencers da Odontologia com as turbinas personalizadas Um luxo as nossas turbinas!
Ainda sobre endo, pude conversar um pouco com o Dr. Gary Glassman do Canadá no café da manhã, que ficou apavorado comigo e me perguntou “Como você pode ser tão fit se você come tanto, eu vi você se servir 3 vezes!?” e eu respondi que é porque sou atleta em offseason. Mas gente!!! Servi um pratinho de frutas, um de ovos com bacon, e outro com pães de queijo! kkkk
No segundo dia o tema foi Implantodontia, e como pra mim que sou orto implantes são coisa de outro mundo, fui conhecer a feira e os stands. Fiz aquele vídeo das turbinas de alta-rotação, onde realmente deu pra sentir a diferença entre elas, recomendo que vocês assistam! Só clicar aqui.
À tarde tivemos uma reunião almoço com toda equipe de marketing e diretoria, pra estabelecer metas para os próximos eventos. Só tenho uma coisa a dizer: aguardem que vem muuuuuitas novidades, e que também teremos bastante trabalho! O CIOSP vai ser top das galáxias!!
Digital Influencers e Equipe KaVo Kerr As meninas mais empolgadas que nunca com as novidades da reunião! Reunião foi tão produtiva que rendeu até uma comemoração particular no fim do dia!
O terceiro dia foi dedicado à Radiologia e Empreendedorismo. Grandes nomes estiveram presentes, e transmitimos via facebook o que foi possível! A grande lição que tiramos disso tudo é que o dentista não se forma pra ser administrador ou empreendedor, e acabamos nos tornando por necessidade. Realmente não estamos prontos. Eu saí da faculdade há 9 anos e estou tentando desde então, trabalhando certinho, cobrando consulta, pagando imposto e ainda acho que preciso aprender muito. Na palestra do Max Gehringer fomos chamados pelo nome pra fazer perguntas, e ter uma dica dessa fera pessoalmente dada a mim me fez criar coragem pra não desistir.
No último dia, tudo foi sobre Dentística. Fizemos um hands on com o Dr. Carlos Francci que foi todo transmitido via facebook utilizando o SonicFill, e tô louca pra ter o meu!!! Esse dispositivo é um ultrassom que conectamos na ponteira da turbina de alta rotação, onde acoplamos uma cápsula com resina com carga que, ao ativar por pedal fluidifica a resina para que esta possa ser inserida na cavidade. As restaurações com a resina BulkFill, que é a utilizada com o SonicFill, podem ter até 5mm de profundidade, que a polimerização é completa. Após inserida, a resina volta a ter a textura de uma resina incremental, possibilitando escultura. Aí entra outro dispositivo muito legal, que é o CompoRoller, uma espátula com ponteira rotativa que é uma delícia de utilizar. O bacana é que todos os palestrantes de endo e dentística falaram muito do SonicFill, e o Dr. Ronald Jackson disse que nos Estados Unidos já utilizam ha algum tempo o sistema SonicFill e CompoRoller. Tudo demora mais chega aqui.
Enfim, em nome das Odontodivas, só tenho a agradecer o convite que nos foi feito e o respeito e confiança que toda equipe do Grupo Kavo Kerr depositou em nosso blog. Foram dias muito agradáveis na presença dos nossos amigos, e esperamos que essa parceria ainda renda muitos frutos! Nos sentimos horadas e muito felizes pela nossa marca favorita na Odontologia nos tratar como digital influencers com a mesma exclusividade com que trata os seus clientes todos os dias!
E pra quem é orto como eu e utiliza os sistemas autoligados já vou adiantando: O Dental Master Experience de 2018 terá um dia dedicado à Ortodontia! Mal posso esperar!
E que novembro chegue logo também!! Tem mais novidade por vir 😀
Go, Divas! GO!
PS: O Luiz Rodolfo do DicasOdonto também falou sobre o evento e postou muitas fotos aqui.
Olha que interessante o resultado de uma pesquisa recente realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL): os gastos com cosméticos e tratamentos estéticos estão entre os que menos são cortados pelo consumidor brasileiro em momentos de crise. Apenas 6,8% dos pesquisados disseram deixar de comprar produtos de beleza e 6,4% afirmaram reduzir a despesa com procedimentos feitos em clínicas de estética. A porcentagem só não é menor que daqueles que dizem abrir mão de gastar com tratamentos odontológicos (6,3%). Foram ouvidas 790 pessoas de todo o país.
Crise?
Na outra ponta da tabela, a preferência maior por limitar o orçamento em tempos difíceis ficou para para bares e restaurantes (35,4% dos pesquisados), viagens (30,9%) e compra de roupas, sapatos e acessórios (29,2%). O mercado de cosméticos faturou 42,6 bilhões de reais em 2015, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec).
Foram ouvidas poucas pessoas e eu não faço ideia de que tipo de pessoas (escolaridade, classe social, etc.), mas confesso que fiquei surpresa com o resultado da pesquisa. Ainda, não sei se foi uma pesquisa em que se deu opções de resposta e nem o que as pessoas querem dizer com “tratamentos odontológicos”… casos de urgência? Considerando que os produtos de beleza são os menos “cortados” em tempos de crise, talvez estivessem falando de tratamentos odontológicos estéticos. De qualquer forma, já é legal, né?! 😉
Nesse meu primeiro post queria saber de vocês o que vocês pensam dos jalecos e gorros coloridos? Eu amo. Tenho alguns (principalmente gorros), mas gostaria de saber de vocês se deixar de usar branco parcial ou totalmente tira a “credibilidade” do cirurgião dentista.
Lembram do Ato Médico, a lei 12.842/2013 que dispõe sobre o exercício da Medicina? Eu esmiucei ele aqui, ainda em 2013, e deixei claro que ela não tinha motivo nenhum pra ameaçar o dentista dentro da sua área de atuação. Teve dentista que ficou com medo de não poder nem mais prescrever um analgésico, mas nada a ver. O Ato Médico regulamenta o que é e o que não é competência do profissional médico, além de apontar para algumas atividades que são privativas dessa categoria. Ou seja, é uma normatização feita por médicos para médicos, já que até aquele momento não existia algo do gênero, o que já era realidade em outras categorias profissionais da área da saúde. O “Ato Odontológico”, digamos assim, é a lei 5081/1966.
Agora a Senadora Lúcia Vânia do PSB-GO está propondo a alteração da lei 12.842/2013. O projeto de lei 350/2014 traz de volta alguns artigos então vetados pela Presidente da República à época, o que novamente trouxe à tona a discussão sobre o Ato Médico. Você pode ler aqui o texto completo do projeto de lei (link para download do PDF).
Ora… se temos uma lei que define nossas competências e o próprio Ato Médico afirma que:
… então qual o problema? O problema é que o novo Ato Médico dá o tapa e esconde a mão. Ele versa sobre questões bem específicas, que podem fornecer embasamento jurídico pra quem quiser questionar a execução de certos procedimentos por cirurgiões-dentistas. Afinal, a área de atuação do dentista é o sistema estomatognático, e é difícil pacas definir o que se inclui no sistema estomatognático ou “até onde ele vai”. Cada fonte consultada vai dizer uma coisa diferente. Já a área de atuação do médico é… o universo tudo, independentemente de sua especialidade.
Os artigos polêmicos da nova proposta para o Ato Médico estão nos artigos 4 (“são atividades privativas do médico”) e 5 (“são privativos de médico”), por razões óbvias: o que estiver escrito ali define o que só médicos podem fazer. A ideia da Senadora Lúcia Vânia é acrescentar o seguinte (destaques meus):
Basicamente, incluiu-se o que foi vetado da última vez. E tem umas mudançazinhas marotas aí… cês viram? Se não viram, vamos lá: falou em agulha, o negócio é com eles. Claro que ninguém acha que pra que um dentista faça o bloqueio anestésico do nervo alveolar inferior, por exemplo, seja preciso um médico segurando a mão dele. Até porque, nesse caso, é mais do que claro o fator área de atuação. Mas esses mudanças não visam interferir nisso…
… só sendo muito ingênuo pra não entender que um dos alvos é a aplicação de toxina botulínica e ácido hialurônico pelo cirurgião-dentista. A Resolução 112/2011 do CFO, alterada posteriormente pela Resolução 146/2014, em seu artigo segundo afirma que “… o uso da toxina botulínica será permitido para procedimentos odontológicos e vedado para fins não-odontológicos”. Quer coisa mais genérica que isso? O que seria um “fim odontológico”? Basicamente, alguns diriam, seria dizer que o uso dessas substâncias pelo cirurgião-dentista estaria proibido para fins estéticos, sendo permitido apenas para fins exclusivamente terapêuticos (bruxismo, sorriso gengival, DTM, dores faciais, etc.). ~Tá serto~, Odontologia e estética não têm nada a ver. 😀 Outros argumentariam que o problema é a aplicação na derme, e a derme está fora da área de atuação do dentista. Ok. Mas, nesse caso, não podemos mais drenar abscessos extra-orais, por exemplo? Entendem como é complicada esse delimitação?
Concluindo, reitero o que havia dito no post anterior sobre o assunto: a sugestão do artigo 5 da nova proposta, de que só médicos podem chefiar serviços médicos, é ofensiva. O atendimento é feito por uma equipe multidisciplinar, não havendo justificativa para que apenas uma categoria tenha a prerrogativa de direção e chefia na unidade de saúde. Os buco pira. 😉
UPDATE EM 1/08/2016: A Senadora Lúcia Vânia retirou o projeto.
Projeto removidoResultado da consulta pública
Diferença expressiva no resultado da consulta pública no site do Senado…
UPDATE EM 1/09/2016:
O Plenário do CFO, composto pelos nove conselheiros efetivos e oito suplentes, aprovou por unanimidade em reunião em 1 de setembro na sede do Conselho em Brasília resoluções que regulamentam o uso da substância toxina botulínica por cirurgiões-dentistas, as residências em Odontologia e a concessão de diárias. As resoluções entrarão em vigor após a publicação, que acontecerá nos próximos dias.
O Plenário autorizou os cirurgiões-dentistas a utilizar a toxina botulínica e os preenchedores faciais para fins terapêuticos funcionais e/ou estéticos, desde que não se extrapole a área anatômica de atuação do profissional da Odontologia (novamente, algo aberto a interpretações…). O uso estético dessas substâncias deve ter como finalidade a harmonização facial em sua amplitude. Notícia completa no site do CFO.
Foram vetados pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS) os cursos de graduação da área de saúde na modalidade de Educação a Distância (EAD).
O Sistema Conselho Federal de Odontologia (CFO/CROs) há muito tempo vem se posicionando contra, por achar que a modalidade não contemplava um ensino de qualidade. “Estamos felizes com essa medida do CNS porque o ensino a distância na área de saúde não estabelece a qualidade e o vínculo do atendimento. Há muito tempo vínhamos argumentando sobre esse tema e que hoje o objetivo foi alcançado. Assim conquistamos mais um direito para o cidadão brasileiro”, diz o presidente do CFO, Dr. Ailton Morilhas.
A Resolução 515, aprovada na última reunião do Pleno, em Fortaleza, no início de junho, abrange os 14 cursos profissionais de nível superior da área de saúde reconhecidos pelo colegiado: assistentes sociais, biólogos, biomédicos, profissionais de educação física, enfermeiros, farmacêuticos, fisioterapeutas; fonoaudiólogos, médicos, médicos veterinários, nutricionistas, cirurgiões-dentistas, psicólogos e terapeutas ocupacionais.
De acordo com o presidente do CNS, Ronald Santos, com essa decisão o colegiado resgata para o SUS a prerrogativa constitucional que regula os recursos humanos para a saúde. “Temos como centro a qualidade dos serviços que são oferecidos para a população”, afirma.
Já para a coordenadora da Comissão Intersetorial de Recursos Humanos do CNS e representante da Associação Brasileira de Enfermagem, Arindelita Neves, os profissionais de saúde devem prezar, principalmente, pelo contato com o ser humano em sua formação. “O especialista em saúde deve identificar o sofrimento do paciente, seu contexto e o seu ambiente de vida. Essa prática deve ser condicionante no exercício da profissão da saúde”, defende.
A estudante de Odontologia da Universidade de Taubaté (Unitau), Iasmin Caroline do Rosário, de 21 anos, criou uma cartilha sobre higiene bucal para portadores de necessidades especiais. O projeto foi apresentado neste ano ao Ministério da Saúde, em Brasília.
A pesquisa teve início em 2013, quando Iasmin conheceu o projeto de extensão Odontologia para Deficientes (OPD), que estuda maneiras de garantir a higiene bucal a essas pessoas. A partir daí ela começou a participar de congressos sobre o tema e, no Congresso Internacional da USP, recebeu o convite para apresentar o projeto no Ministério da Saúde.
As informações da cartilha buscam atender todo tipo de deficiência. A ideia é explicar aos cuidadores dos portadores de necessidades especiais, com uma linguagem coloquial, como realizar corretamente a escovação dos dentes. Com soluções simples, a aluna propõe, por exemplo, formas de manter a boca do paciente aberta durante a escovação.
“A cartilha ensina desde qual escova usar, até os movimentos que devem ser feitos durante a escovação. O bacana é que conseguimos traduzir algumas linguagens técnicas da área por termos de fácil compreensão”. Dessa maneira, segundo ela, até mesmo a pessoa com pequena deficiência recebe a explicação e compreende o que deve fazer.
A vontade de entender mais sobre a rotina de quem possui necessidades especiais surgiu quando ela sequer pensava em se tornar cirurgiã-dentista. Iasmin conta que estudou em uma escola publica de São José dos Campos (SP), onde existia uma sala separada apenas para deficientes. E era com esses colegas que a menina se divertia no intervalo das aulas.
“Sempre tinha um amigo com algum tipo de deficiência na escola. Eu até aprendi a falar em Libras (sigla de Linguagem Brasileira de Sinais) sozinha. Então sempre foi uma aproximação espontânea, natural”, conta.
“Por causa do projeto, apareceu a possibilidade de fazer uma especialização na Paraíba. Algumas pessoas até me perguntaram o motivo de ir tão longe quando possuímos ótimas formações em São Paulo. Mas acredito que com o novo cenário criado com o aumento de casos de microcefalia no Nordeste, esse tipo de trabalho vai somar e muito ao cuidado com deficientes”, concluiu.