Certeza que vocês já viram o comercial da Colgate Total 12 – Professional Gengiva Saudável… é, aquele do “sangue na maçã”. Na primeira vez que eu vi confesso que não prestei muita atenção, peguei na parte da explicação didática do pai-dentista sobre gengivite. Depois, na segunda vez, prestei mais atenção e ri. Depois chorei.
É uma estratégia mais do que batida usar dentistas para dar credibilidade a produtos de higiene bucal… é aquela história do “9 entre 10 dentistas recomendam” ou “a marca mais recomendada pelos dentistas” ou “9 entre 10 dentistas usam”. E quando esse dentista é pai do paciente do comercial, imagine só como o vínculo de responsabilidade aumenta… que pai não ia querer o melhor para o seu filho?
Pois bem. Mas é inevitável considerar algumas coisinhas… você que é dentista (e pai/mãe) vai concordar comigo. Veja o comercial:
A mocinha leva uma maçã para o pai e dá uma mordida em outra, que fica suja de sangue. Imagine o TAMANHO da gengivite pra que isso acontecesse… então, ela diz com toda calma do mundo: “Ih pai… sangue”, como se fosse a primeira vez que isso tivesse acontecido. Se a gengivite já está sujando a comida, difícil de acreditar que isso seja novidade, não é mesmo?!
O pai-dentista olha a maçã e diz: “Nossa filha, isso pode ser sinal de gengivite, que causa mau hálito”, no mesmo tom que usaria para dizer: “Nossa filha, soltei um pum”…. a coisa mais normal do mundo. Ainda: a preocupação dele é que gengivite causa mau hálito… claro, é o nosso maior problema O.o. Ainda mais: se aquela quantidade de sangue não for sinal de gengivite, sua filha tá apanhando do namorado! Lei Maria da Penha nele!
Sério mesmo que o dentista esperou a filha ficar adulta pra explicar pra ela o que é gengivite e como se previne?
Sério mesmo que o dentista diagnostica gengivite mordendo uma maçã? Se sangrar tem gengivite, se não sangrar não tem? No final do comercial ele mesmo morde uma maçã e diz “Viu só?”.
A mocinha se despede do pai e diz que vai pra casa escovar os dentes. NÃO TEM UMA PIA NESSE CONSULTÓRIO?
Enfim… se fosse minha filha, levava uma bifa um sermão e ia escovar os dentes na hora, na minha frente! Na verdade, se fosse minha filha, ela saberia desde cedo o que é gengivite, como se previne, como se diagnostica e que pasta de dente não faz milagre, principalmente se você não souber como usar a escova de dente e o fio dental. Se assim fosse, bastaria colocar um pouco de Colgate Total 12 – Professional Gengiva Saudável e bochechar, não é verdade?!
É o que eles acham, pelo menos. Bom, deixe-me contar a história toda pra vocês…
Em fevereiro, a moça da Oral-B veio fazer a sua visita periódica ao meu consultório. Deixou, como de costume, uma série de amostras grátis de produtos, entre eles o creme dental Pró-Saúde (aquele azul). Ainda não havia experimentado o produto e, até para poder dar uma opinião caso meus pacientes perguntem, passei a usá-lo na minha higienização bucal diária. Resultado: depois de 3 dias de uso contínuo, minha gengiva e minha mucosa jugal começaram a apresentar descamação e um aspecto áspero e sangrante (vide foto). De cara, associei ao uso da pasta de dentes.
Efeitos do uso contínuo do creme dental
Por motivos óbvios, interrompi o uso. Entrei em contato com o SAC da P&G (fabricante do creme dental) e relatei o ocorrido. Eles me responderam rapidamente com aquele e-mail padrão de desculpas, colocando-se à disposição e fazendo um monte de perguntas, do meu nome ao tamanho do meu sutiã ;). Sinceramente? Fiquei com preguiça de responder e deixei por isso mesmo, que é o que a maioria das pessoas faria nesse caso e a verdadeira intenção daquele monte de perguntas. Porém, em maio recebi uma nova visita da representante da marca no meu consultório. Dessa vez a intenção era me ~~presentear~~ com uma caixinha chiquérrima (mesmo) com 2 novas versões do creme dental Pró-Saúde: o Pró-Saúde Clinical Protection Cuidado da Gengiva e o Pró-Saúde Clinical Protection Sensitive. Embora não seja consenso, eu particularmente acho as pastas da Oral-B muito “gostosas”, deixam um gosto mentolado na boca que me agrada muito. Por isso, não resisti e resolvi experimentar, começando pela Cuidado da Gengiva, até por se tratar de um produto diferente daquele que havia me causado a reação adversa. Depois de 3 dias, adivinhem o que aconteceu? O mesmo. Mas mesmo assim, resolvi fechar 1 semana de uso contínuo, com 3 escovações diárias, pra confirmar e padronizar a “amostra”. Até porque a cobaia era eu mesma, WHATEVER. Crianças, NÃO FAÇAM ISSO EM CASA, ok?!
Bom, dessa vez não teve como deixar pra lá. Entrei em contato novamente e relatei os sintomas. Como eu já tinha aquele monte de perguntas em mãos, expliquei que aquele era meu segundo contato pela mesma razão e já enviei todas as perguntas respondidas, como pode ser visto abaixo (clique na imagem para ampliar), bem como as imagens de antes e depois que vocês veem neste post.
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A pergunta que eu mais ~~gostei~~ foi: “Procurou orientação médica”? Fiz questão de deixar claro que, sendo dentista, nem precisaria, e se precisasse, procuraria um colega. Mas vamos considerar que foi só uma forma “errônea” de se expressar, né Oral-B? 😉
No dia seguinte recebi o seguinte e-mail da P&G:
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Em resumo: “Nosso produto é sensacional e você é uma perebenta. Não use mais, sua trouxa!”. 😀
Gente, é claro que organismos diferentes reagem diferentemente quando expostos a certas substâncias. Aí resolvi pesquisar que substância poderia estar causando isso, independentemente dessas reações que eu apresentei serem resultado de uma “não adaptação pessoal”. Até porque, como eu disse à P&G no e-mail, ouvi relatos de reações similares tanto por parte de pacientes quanto de colegas. Portanto, estamos falando de várias “não adaptações pessoais”. Eu acho isso relevante!
Logo que aconteceu a primeira ~~alergia~~ em mim, conversei com uma pessoa que eu conheço e que trabalha junto à Oral-B e perguntei se havia relatos parecidos com o meu e, se sim, qual componente da fórmula dos cremes dentais Pró-Saúde estaria causando essas reações adversas. Essa pessoa me respondeu que SIM, que havia relatos similares, e que o nome da substância é: hexametafosfato de sódio (Na(n+2)PnO(3n+1)) O hexametafosfato de sódio (HMF) é o mesmo componente usado pelo creme dental Crest Pro-Health, que é famoso no exterior mas não é vendido aqui no Brasil (não que eu saiba). Como só a Oral-B tem a licença de uso dessa tecnologia patenteada em cremes dentais no nosso país, faz muito sentido que o componente “adverso” seja esse… sempre usei Colgate e nunca tive nenhuma ~~alergia~~. Segundo o que li a respeito, o HMF em cremes dentais é útil na remoção de manchas extrínsecas de esmalte e tem a propriedade de transformar o cálculo dental em uma forma solúvel de cálcio. É muito usado em rações para cães, porque 9 entre 10 cães AINDA não usam cremes dentais da Oral-B :D. Só pra ficar clara a ação do HMF:
Ação quelante sobre o cálcio: quela e remove parcialmente o cálcio presente na saliva, para que não haja a formação do cálculo. Também, se une à superfície do dente, deixando-o como se estivesse recoberto por uma camada de teflon. .
Proporciona a desnaturação e o rompimento das proteínas constituintes da matriz da placa bacteriana, promovendo a solubilização das manchas. .
O HMF, na concentração normalmente encontrada nos dentifrícios, quando não completamente dissolvido, atua como um abrasivo ~~suave~~.
Pra não ficar no “achismo” e pra saber se a hipótese tinha fundamento, mandei mais um e-mail para a P&G e fiz a mesma pergunta que eu já havia feito ao meu “conhecido”. Reiterei que sou dentista e que as reações que relatei já havia ouvido antes, tanto de pacientes quanto de colegas:
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A resposta deles? Exatamente o mesmo e-mail que haviam me mandado antes, “não adaptação pessoal” e bla blá blá ZZZzzzZZZzzzzzZZZzZZZZzzzzzz…
Enfim… independentemente de qual componente químico seja o vilão da história (se é que isso procede), os cremes dentais da Oral-B costumam ser bastante abrasivos. A abrasividade de uma pasta de dentes é dada por duas escalas chamadas REA (Relative Enamel Abrasivity, abrasividade com relação ao esmalte) e RDA (Relative Dentine Abrasivity, abrasividade com relação à dentina), e essas escalas nem sempre correspondem entre si (uma pasta de dentes que tem RDA alto não tem necessariamente um REA alto). Eu procurei e não consegui descobrir quais são os REA e RDA dos cremes dentais da família Pró-Saúde, mas a ADA (American Dental Association) preconiza que um dentifrício com RDA abaixo de 250 pode ser considerado seguro. Já a FDA (Food and Drugs Administration) considera como seguros dentifrícios com valores de RDA abaixo de 200.
Minha chateação fica por conta de não poder usar mais os cremes dentais da Oral-B que, como eu disse, acho “gostosos” e por ter sido tratada pelo SAC como usuária comum. Não sou melhor do que qualquer outro cliente da Oral-B mas, por ser dentista, imaginei que falariam de “igual pra igual” comigo, entretanto percebi que entrar ou não entrar em contato com o o SAC deles não faz diferença nenhuma: a “culpa” vai ser sempre do cliente “não adaptado” aos seus produtos.
Você paciente ou colega dentista que já teve as reações adversas que eu relatei, poderia por favor manifestar-se nos comentários? Quem sabe assim a P&G perceba que tem muita gente por aí com problemas de adaptação aos seus produtos.
Olha que imagem linda, e que demonstra muito bem o que os dentes são: órgãos vivos, que merecem cuidados. Quando falta um dente na boca o prejuízo é imenso e extremamente subestimado por quem é leigo… porque vocês não fazem ideia das consequências da perda de um dente!
Chega dessa história de “eu prefiro arrancar”. Dentes são órgãos. Cuide bem dos seus!
Essa pergunta veio via comentário no meu outro blog. E eu achei muito interessante, porque demonstra uma mudança importante de comportamento clínico.
Nós perdemos muitos homens bons lá fora!
Não é que os dentistas não gostem de arrancar dentes, tem alguns que adoram ;)! Mas a Odontologia moderna só extrai dentes COM INDICAÇÃO para isso, e eu acho que aí está a assência da dúvida do leitor.
Há não muito tempo, na época dos nossos pais e avós, dor de dente justificava qualquer extração. Os dentistas eram “arrancadores de dentes” mesmo, e muito do medo que as pessoas têm do dentista hoje, é consequência daquela época. Agora a gente não só não extrai sem indicação como procura mostrar para o paciente a falta que o dente vai fazer… e o dinheiro que ele iria gastar no futuro se simplesmente se livrasse do elemento. Este último argumento costuma ser o mais convincente…
Enfim… eu fico muito feliz que os dentistas não gostem mais de arrancar dentes e que os pacientes tenham notado isso. Sinal dos tempos. 😉
Pra você que é dentista não há novidade alguma, mas tem muita gente que não sabe disso: problemas dentários podem repercutir no organismo todo (coração, articulações, etc.). Por isso eu vivo dizendo para os meus pacientes: nunca subestime um dente “inflamado”!
O atacante do Milan, Alexandre Pato (desculpe o trocadilho infame no título do post, mas não resisti ;)) está afastado dos gramados desde 13 de dezembro, quando seu time foi derrotado pelo Palermo por 2 a 0. Pato sofreu uma lesão muscular em uma das coxas e desde então realiza tratamento intensivo de reabilitação. Segundo os jornais locais (o local é a Itália, no caso) “um problema bucal não especificado pela agremiação Rossoneri estaria diretamente ligado ao problema na perna”. E, por esse motivo, na quarta-feira (ontem) o jogador seria submetido a uma cirurgia odontológica. De acordo com a equipe médica do clube, o jovem jogador deve repousar por 3 dias após a cirurgia, e só então voltará aos treinos.
Já tô melhor, gente!
O cirurgião-dentista Rodrigo Guerreiro Bueno de Moraes relatou em entrevista à Universidade do Futebol outros casos de atletas que passaram pelo mesmo problema:
“Nós temos um histórico, na Copa de 1958, relatado pelo já falecido Mário Trigo, que foi o primeiro cirurgião-dentista a compor uma delegação brasileira em competição. Ele lembra que extraiu mais de sete dentes de Mané Garrincha, antes da Copa de 1958. O jogador não conseguia recuperar-se de lesões musculares por conta de infecções bucais. E quando sanou essas infecções na boca, ele teve condições para recuperar-se e brilhar”, disse.
Ainda, segundo conta o Dr. Rodrigo, “Ronaldo Fenômeno certa vez teve que ficar 3 ou 4 rodadas afastado da Inter de Milão, por causa de uma contusão muscular. Por indicação, o jogador fez a extração de um terceiro molar que o incomodava há tempos, e teve êxito na recuperação muscular, dando continuidade ao seu trabalho no clube”, finalizou.
Enfim, mesmo que muita gente negligencie a saúde bucal (embora saúde só exista uma – e não “bucal” e “corporal” – mas vocês entenderam…), problemas dentários têm colocado muito marmanjo de molho. Vários estudos indicam que a problemas bucais podem acarretar queda de rendimento físico. Alexandre Pato foi a vítima mais recente.
O texto abaixo é do colega José Carlos Faria Lago, originalmente publicado no Facebook e que transcrevo aqui com autorização do autor. Uma opinião diferente, lúcida e madura sobre a algo mais profundo que uma propaganda na TV, mas que veio à tona por causa do tal comercial de uma marca de cerveja. Leiam e reflitam.
* * *
Percebo que nem tudo está perdido quando vejo uma classe levantar-se unida, atingida em seus brios por possível decoro maculado e amor-próprio ferido por ameaças à própria reputação. Não tinha visto o tal comercial de cerveja e resolvi informar-me para procurar entender o que provocou tanta celeuma, e para isso consultei o YouTube. Procurei analisar a proposta daquele vídeo que trata de maneira considerada apelativa o representante de uma classe e, de imediato compreendi a reação dos colegas, não pelo teor da proposta, mas pela circunstância deste estimulo ter aportado no momento certo, no lugar certo e na hora certa para provocar esta reação vigorosa.
Não posso tirar-lhes a razão, meus jovens. É como se fosse uma gota d’água no copo já prestes a transbordar. Porém, julgo oportuno colocar em pauta algumas considerações para julgamento dos colegas, enfocando o episódio sob outro prisma. Este vídeo traduz em linguagem midiática (o cômico vende e tem alto recall) o que o vendedor quer, isto é, vender. Paralelamente, milhares de colegas DENTISTAS postam aqui no Facebook e anunciam, com os indefectíveis rsrsrsrsrs, ou kkkkkkkk!!!!!, o glorioso fim de sexta-feira que chega prenunciando aquelas tão pessoais “propostas deliciosas” do sábado libertador. Quem não trabalha pensando, antevendo e saboreando isso? Deem uma olhada nas postagens deste dia, revistam-se do espírito aí latente e tentem criar e postar em seus portais situações DIVERTIDAS a comemorar o fato. O tal vídeo considerado afrontoso pode ser interpretado dessa forma, caso fosse construído “intra muros”, ou por nós mesmos. Porque uma sequela positiva (não são muitas) que vieram junto aos poucos cabelos brancos que me restaram, é que aprendi a compreender um pouquinho as circunstâncias das motivações humanas, a afastar a ira do touro à vista da capa vermelha por entender a armadilha como teste à maturidade.
Colegas, muito cuidado, porque reação exacerbada a este tipo de estímulo considerado como provocação deixa entrever indisfarçável complexo de afirmação social e sem o fair play de quem sabe o que vale e representa na sociedade. Não se esqueçam de outra informação: o cirurgião-dentista foi muito bem cotado na lista das profissões mais confiáveis. Sim, somos dignos e temos o respeito da sociedade. Observem como aquele indivíduo que, ao recusar um apelido por julgá-lo ofensivo, repele-o energicamente e em consequência nunca mais dele se livra, justamente por perceberem ali um ponto fraco? E este pega porque os que estão à volta percebem a fraqueza e divertem-se com sua aflição? O que pensará o público que nos elegeu na enquete citada a respeito de algo que nos afronta tanto? Afinal, já pensaram na interpretação do público leigo? Aquele mesmo que ri daquele humor televisivo em que machões fogem espavoridos à vista dos dedões do médico urologista a chamá-los para o exame prostático? Os médicos provavelmente também riram, pois sabem o quanto valem para sentirem-se arranhados por tão pouco.
Colegas, peço-lhes que não se agastem tanto com o episódio, vamos desmerecê-lo simplesmente ignorando-o, vamos abandonar este comportamento de vestal enclausurada na defesa de sua dignidade violada e voltar nossos olhos para aquilo que realmente denigre, choca, vilipendia e desmerece a classe: as ofertas de serviços por preços vis, as propagandas oferecendo brindes, descontos, promoções, a passividade frente aos abusos de fabricantes que alardeiam recursos inexistentes em seus produtos, além do pior deles, o trabalho escravo de subserviência a planos de saúde conduzidos por forasteiros à classe, que dela tira sangue, suor e dignidade. Contra isso, sim, vale a pena combater, dedicando vocês, jovens, todo o entusiasmo e vigor. Vivam a vida com dignidade e honrando a profissão, podendo ao cabo dizer, parodiando o apóstolo Paulo, “combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé”.
Se tem uma coisa que eu não aguento mais ouvir é gente me perguntando que remédio tomar pra dor de dente. E normalmente quem pergunta faz isso pela Internet, pelo telefone e por outros meios não-presenciais. Acredito que esse comportamento tenha 2 motivos principais: aquela coisa do brasileiro “dar um jeitinho” de não pagar uma consulta e porque as pessoas realmente acham que dor de dente se cura com remédio (e um remédio mágico!). Para essas pessoas, taí a solução:
O Mal de Alzheimer é uma degeneração cerebral que atinge cerca de 3% da população mundial. A faixa etária na qual ela mais se manifesta é entre 65 e 74 anos.
Quem já teve um caso na família sabe que não é fácil… a família toda se vê envolvida. Os sintomas principais, consequência da perda gradativa das funções cerebrais, são perda de memória, dificuldade de raciocínio e alteração comportamental. O tratamento visa minimizar esses sintomas, mas a cura ainda não existe.
E o que é que a Odontologia tem a ver com isso? Segundo recentes pesquisas, muita coisa.
Paciente idosa, com sintomas de Mal de Alzheimer
A University of Southern California tem feito pesquisas que relacionam a doença periodontal à ocorrência do Mal de Alzheimer. Segundo essas pesquisas, a periodontite libera toxinas que, ao chegarem no cérebro, desencadeiam um processo inflamatório que aumenta em 4x a chance de uma pessoa desenvolver a doença. E como essas bactérias e toxinas chegam no cérebro? Via corrente sanguínea. Por isso eu sempre digo: nunca subestime um “dente inflamado”…
Da mesma forma, um estudo recente da Faculdade de Odontologia de Nova York demonstrou que os doentes de Alzheimer têm um nível muito mais alto de anticorpos e moléculas inflamatórias diretamente relacionadas a um histórico de doença periodontal, quando comparados às pessoas saudáveis.
Ainda, o hábito de mastigar os alimentos de qualquer jeito (ou a mastigação deficiente por falta de dentes) pode levar ao acúmulo de uma proteína beta no SNC. Essa proteína destroi os neurônios e é indicadora de Alzheimer.
Gente… vamos caprichar na escova aí? Porque desse jeito, daqui a pouco vocês não vão nem conseguir encontrá-la… 😉
Colaborar. Etimologicamente, “colaborar” significa trabalhar com uma ou mais pessoas e, embora não esteja incluída no conceito uma atitude voluntária, sempre achei que quem colabora o faz porque quer. Eis que recebo a CONVOCAÇÃO abaixo:
"Convocação"
Na ocasião da última eleição do CRO-PR eu estava amamentando meu filho, que na época devia ter uns 4 meses. Eu parei de trabalhar no período para poder dar atenção apenas pra ele. Uns dias antes do pleito (de chapa única, como o atual), uma secretária do CRO-PR liga me “convidando” a trabalhar nas eleições. Eu expliquei que não poderia, já que estava cuidando especificamente do meu filho naquele período, que inclusive mamava no peito ainda. A secretária me informou que “era bom” que eu comparecesse e, de lá, fosse dispensada pelo responsável. Isso tudo, é claro, acompanhado daquela bajulação básica… “mas doutora, haverá um café da manhã especial para aqueles dentistas que vão trabalhar na eleição… e almoço!”. Como se eu não tivesse comida em casa…
No dia previsto, no local combinado, lá estava eu. Deixei o Mateus dormindo com o pai dele e corri pra ser dispensada assim que desse, já que meu marido tinha que ir para o trabalho e eu nunca tive babá à disposição. Quando fui conversar com o manda-chuva, ele tem a AUDÁCIA de me perguntar:
“Ah, você está amamentando? Precisa sair de quanto em quanto tempo?”
Taí uma pergunta que eu só esperaria escutar de um homem mesmo! Respondi que eu só precisaria sair uma vez, já que não voltaria.
No fim das contas, assinei sei-lá-o-quê, justifiquei minha saída e voltei pro meu bebê.
Mas o tempo passou, e chegou mais uma eleição. Tudo de novo. Só que dessa vez, eu resolvi deixar de ser trouxa e procurar conhecer o que a legislação diz a respeito dessa suposta convocação. Pra minha surpresa (nem tanto) sabe o que acontece se eu não aparecer pra trabalhar nas eleições do CRO? Nada. Segundo o Regimento Eleitoral vigente (Resolução CFO 80/2007), disponível no site do CFO, todo cirurgião-dentista é obrigado a VOTAR (sob pena de multa), mas não a TRABALHAR NAS ELEIÇÕES, se “convocado”. Olha só que interessante…
Pelo que pude perceber, não tem multa, não tem nada. Nada previsto em lei, pelo menos.
Acho que votar, algo propalado aos 4 ventos como “exercício de cidadania e de democracia”, não pode ser obrigatório. Seja no CRO, seja no Brasil. Mas isso é assunto pra outro dia. O que me chamou atenção nessa história é que o CRO nos convoca sem ter poder pra isso. Pelo menos eu não achei nada no Regimento Eleitoral que dê base para a ideia de convocação, nem na lei 4.324/64 que veio estampada na carta que recebi.
Portanto, não comparecerei. Vou votar (e se não fosse obrigatório eu votaria da mesma forma) mas, neste ano, dispenso o café da manhã dos vencedores. Se você quiser me convencer do contrário como se você desse a mínima importância, tem menos de 24 horas pra isso. Corra! Ou não. 😉