Autor: Ana Tokus

  • O Motivo de Eu Cobrar Consulta

    O Motivo de Eu Cobrar Consulta

    Eu não tinha paciente ontem. Não até as 11:00h, quando minha colega ligou do consultório e me perguntou se eu podia fazer duas avaliações de ortodontia. Sim, eu podia. Eram o pai e o filho e o Espírito Santo amém, ambos queriam saber se precisavam usar aparelho. Já avisei minha colega: “não esqueça de avisá-los que a avaliação custa R$ 30,00”. Assim foi feito, e eles foram agendados para as 14:00h.

    DENTISTA cobrar consulta?

    Cheguei às 13:45h, depois de deixar o meu filho na escola, especialmente para atendê-los. Dei uma ajeitada nas coisas, me vesti de dentista, separei luvas, material, etc.. Sentei na frente do computador e, em companhia da Internet, fiquei aguardando meus pacientes. Não apareceram. Vamos analisar os possíveis motivos:

    1. Eles tocaram a campanhia e eu não escutei.
    2. Surgiu um imprevisto. Imprevistos acontecem.
    3. Eles não queriam pagar pela avaliação.

    Eu, particularmente, acho plausíveis os itens 2 e 3. Realmente, às vezes na hora de sair de casa acontece alguma coisa e atrasa tudo… a aí não dá tempo de chegar na hora agendada. Pode ser, eu posso compreender isso. Mas é pra situações como essa que existe o telefone, não é?! “Doutora, não vou poder ir!”. Não devolveria o tempo que eu perdi, mas seria um resquício de consideração pela minha pessoa. Mas o que eu acho que aconteceu mesmo foi a situação 3…

    Bom… se os pacientes não apareceram porque eu disse que cobraria, então isso seria uma razão para eu NÃO COBRAR a avaliação, certo? Parece certo, mas eu não penso assim. Eu acho que esse é mais um motivo pra eu cobrar. Explico.

    Geralmente, quando você avisa que a consulta tem um custo e mesmo assim o paciente agenda, ele vem. Claro, existem exceções, vide o caso que eu acabei de relatar. Mas quase sempre essa verdade se aplica. Uma explicação para a falta ao compromisso pode ser “vergonha”. O cara achou chato dizer que não ia agendar depois que soube que seria cobrado. Explica, mas a emenda fica pior que o soneto, né?!

    Mas por que o paciente não quer pagar pela consulta? Possíveis razões:

    1. A maioria dos dentistas não cobra consulta. Se tem um monte por aí que não cobra, por que ir em um que cobra?
    2. O paciente está fazendo pesquisa de preço. Se o dentista já cobra só pra olhar, imagina pra trabalhar!
    3. O paciente não conhece o dentista, nem sabe se é “bom”. Vai pagar pela opinião dele por que?

    Eu sei que parece meio contraditório, mas tenho convicção de que ontem eu não perdi 2 pacientes porque resolvi cobrar pelo meu trabalho. Eles não seriam meus pacientes, no fim das contas. A maioria das pessoas, e isso é um direito que lhes cabe, vai no dentista (quando não está com dor de dente) pra saber quanto vai gastar num possível tratamento. E, infelizmente, o critério principal de uma boa parte das pessoas é preço. Não julgo isso, cada um sabe onde o seu calo machuca, embora eu ache essa uma forma perigosa de escolher um profissional de saúde. A questão é: certamente, os meus honorários não são os mais baratos da região em que eu trabalho, porque meu diferencial não é esse. Portanto, pra quem procura preço, eu talvez não seja a melhor escolha. E depois que eu comecei a cobrar consulta não achei que o meu número de pacientes decresceu, pelo contrário.

    Ontem perdi tempo, e todo dentista sabe que tempo é dinheiro. Mas estou certa de que, se eles tivessem vindo, mesmo não dando continuidade ao tratamento, o meu trabalho, o meu tempo e o meu conhecimento para diagnosticar um problema e propor uma solução estariam pagos. R$ 30,00 não é nada, eu não fico mais rica e nem o paciente mais pobre. É um valor quase simbólico, que significa, pra mim, um compromisso entre as partes. Mas já é um começo.

    E se eu fosse médica, este post existiria? Pensem nisso.


  • Dentista Adora Brinde!

    Dentista Adora Brinde!

    Taí uma verdade… a gente adora mesmo. Aliás, quem não gosta de um mimo? Problema nenhum nisso. O problema não é a gente gostar… o problema é quando grandes empresas do ramo odontológico usam isso praticamente CONTRA nós. Explico.

    De 28 a 31 de janeiro de 2012 acontece o 30o CIOSP (Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo), o maior congresso de Odontologia da América Latina, em sua edição que marcou a estreia do Fórum Sobre Blogs e Mídias Sociais… um sucesso de audiência que já teve lugar confirmado no CIOSP do ano que vem. Eu nunca havia participado de um evento desse porte, embora tenha ido a muitos CIOPAR (Congresso Internacional de Odontologia do Paraná)… 🙂

    Boa parte do tempo a gente aproveita visitando os stands da feira. Produtos, serviços, novidades, tecnologia a serviço da Odontologia. Muito legal. Dentro da mochila do congressista vem um talão com umas 400 folhas… cada uma dessas folhas oferece um benefício, que geralmente consiste em desconto na compra de determinados produtos ou na entrega de brindes junto aos stands das empresas. Em tese, é só entregar o voucher, preencher um cadastro (tudo bem, estratégia válida!) e pegar o seu brinde. Em tese.

    Dessas eu tenho um monte… já as de alta-rotação ninguém quer me dar, né?! 😀

    Eu não sei vocês… mas se eu fosse representante de uma empresa do ramo, pra mim seria uma HONRA e uma oportunidade de negócio se os profissionais de Odontologia tivessem uma amostra do meu produto… afinal de contas, o dentista é quem faz essa indústria milionária girar! Nós somos os grandes consumidores dos produtos que essas empresas vendem… e no caso dos produtos que têm venda direta para o consumidor-paciente, como cremes dentais e escovas, por exemplo, os dentistas são responsáveis por boa parte da publicidade… afinal, quem nunca ouviu que “9 entre 10 dentistas recomendam” certa pasta, certa escova, certo enxaguante bucal?

    Mas o que eu vi no CIOSP não condiz com esse cenário. O que eu vi foi um monte de dentistas se engalfinhando por amostras grátis que, via de regra, não contribuem em nada. Chaveiros, canetas, bugigangas e pastas de dente que podem ser encontradas no mercadinho do lado de casa bem barato e sem filas. Ah, as filas! Quilométricas!

    Era de se esperar, pela quantidade de gente presente, que houvesse filas. Mas não consigo entender o propósito de se esperar 1 hora numa fila para pegar amostras de pastas e escovas de dentes e ser OBRIGADO a participar de certas atividades pra levar os mimos pra casa (ou pro consultório). Exemplo?

    No (ou num dos) stand da Colgate era necessário preencher um cadastro (ok!) e participar de uma atividade para ganhar um carimbo. Tendo esse carimbo, o dentista seria “liberado” para pegar o brinde. Eram 4 atividades… não sei exatamente quais (tinha um “cineminha” entre elas, acho) porque não me submeti a isso. Falta de tempo, de paciência e excesso de amor próprio. Cada atividade contava com uma fila de mais de 100 metros para a participação e, saindo de lá com cara de trouxa e com o carimbo na folha, enfrentava-se a segunda fila, que efetivamente dava direito ao prêmio. Se você aparecesse na fila do brinde sem o carimbo (nem por mal, mas por não saber das regras do jogo), havia uma mocinha com cara de BUNDA provavelmente pensando “quem esses dentistas pensam que são?” pronta para fazê-lo dar meia volta e colocar-se no seu devido lugar.

    Pois bem… você consegue imaginar uma fila de médicos com o mesmo propósito? Eu não.

    O que me parece é que os dentistas não sabem a importância que têm. Gente, nós somos o motivo da festa! Nós somos os “patrões” das Odonto-Empresas! Eles é que têm que fazer fila atrás da gente! Que inversão é essa?

    Enfim… este post não é um #mimimi porque eu não ganhei brinde 😉 (até porque eu ganhei um monte)… é uma forma que eu achei de lembrá-los do quão importante nós somos. E de que as empresas do ramo odontológico sabem que nós NÃO SABEMOS disso. Fica a dica.

    Veja também: Por que dentistas gostam tanto de brindes? no Vida de Dentista


  • Como Administrar o Dinheiro da Formatura

    Como Administrar o Dinheiro da Formatura

    Recentemente veio a público um caso que deixou dentistas e acadêmicos indignados: um colega de turma do curso de Odontologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) simplesmente usou o dinheiro arrecadado para a formatura, durante o curso, em benefício próprio. Sumiu com ele.

    Cadê?

    Segundo a formanda Fernanda Lavarda Ramos,  “… há 5 anos juntamos dinheiro para realizarmos a nossa formatura, o grande sonho de todo acadêmico. E faltando 1 mês para o grande dia, descobrimos que o dinheiro da conta da nossa turma foi desviado… nossos convites já foram entregues, já estava tudo certo… mas agora precisamos pagar 60.000 reais, que foram tirados de nós, para pagar a empresa que realiza a formatura”. Veja o relato completo no Vida de Dentista.

    Aproveitando o tema em voga, gostaria de passar a minha experiência sobre o assunto, pois vejo muita gente tratando o dinheiro da formatura (e a formatura em si) com desinteresse. Tipo “tá lá no banco e ACHO vai dar pra pagar tudo”. Não é assim que funciona… tudo parte de um planejamento, e o valor das mensalidades deve ser baseado numa projeção de gastos… senão, no final, vai faltar.

    Eu fui a tesoureira da minha turma, portanto, a pessoa responsável pela guarda e uso de todo dinheiro arrecadado. Considerando minha experiência no assunto, gostaria de dar alguns conselhos que podem ser bastante úteis pra vocês que estão naquela fase inicial de arrecadação para a formatura:

    1. Se você não é uma pessoa organizada e capaz de administrar os seus próprios bens, seja auto-crítico e não se candidate para administrar o dinheiro dos outros só porque “você não confia em ninguém fora você”. Isso evita muita dor de cabeça (pra você e para os outros).
    2. Não escolha o tesoureiro da sua turma pelo critério “amizade”. Nessa hora, o que menos importa é o seu grau de amizade com o candidato. Pergunte-se: “Eu daria o número da minha conta e a minha senha pra essa pessoa administrar por mim o meu dinheiro?” Porque é EXATAMENTE ISSO que você fará. Seja objetivo.
    3. O dinheiro arrecado é seu, você é dono dele tanto quanto qualquer outro colega da sua turma. Você ficaria 5 anos sem tirar um extrato da sua conta pessoal? Exija transparência. Relatórios e prestações de contas mensais (ou a qualquer momento, se solicitado) são OBRIGATÓRIOS.
    4. Banco não é um “colchão bem grande”. O dinheiro que se põe lá não fica guardado dentro de um cofre, parado. Esse dinheiro pode e DEVE ser aplicado para render, no mínimo, o que rende a poupança (cerca de 0,6%/mês). É obrigação do tesoureiro ADMINISTRAR o dinheiro que entra, e não apenas ficar como um 2 de paus na frente do cofre com a chave na mão. Existem aplicações de baixíssimo risco que rendem muito melhor que a poupança (1 ou 1,2%/mês, pelo menos). A minha turma fez R$ 5.000,00 apenas com rendimento de aplicação. Disponha sempre. 😉
    5. Se sobrar dinheiro depois da festa paga, é bom aguardar pelo menos 1 ano para devolver a cada formando a parte que lhe cabe. Isso porque nesse meio tempo, pode aparecer algum débito “maroto”, gasto não-previsto (como aquela porta de vidro que o cretino do seu colega, bêbado, resolver chutar durante o baile) ou multa contratual. Porque, depois do dinheiro devolvido, seus colegas vão sumir… e quem vai pagar a conta sozinha, caso haja necessidade (e vocês não tenham aberto uma empresa), é a Comissão de Formatura (mais especificamente quem assinou o contrato: o presidente).

    Minha turma não abriu empresa, ou seja, a Comissão de Formatura não tinha um CNPJ. Deu certo com a gente, e evitamos, assim, gastos com a parte burocrática da coisa. Porém, aconselho que vocês o façam. Digo isso porque, dessa forma, todos são sócios… e veem-se obrigados a arcar com eventuais obrigações que envolvam dinheiro. É justo.

    Em resumo: pra mim, o cargo de tesoureiro é quiçá o mais importante da Comissão de Formatura e, depois do presidente da mesma, é o com maior potencial ao ódio alheio. Mas a irritação de “quem não faz mas sabe exatamente como você deve fazer” cai por terra quando se é transparente. Mostre “serviço”. Seja pró-ativo. Justifique-se mesmo quando não for solicitado.

    Este post tá longo demais, eu sei, mas eu realmente gostaria que ele fosse o mais completo possível e colaborasse pra que o que aconteceu com a turma da UFSM não acontecesse mais. Por isso, quero disponibilizar 3 planilhas que eu usava pra montar os relatórios de arrecadação da minha turma. Faça os downloads e use-as (se você não é o tesoureiro, mande os arquivos pra ele!). É tudo automático, basta colocar os valores nas células em VERDE. Não altere as demais, sob pena de estragar tudo. E, se você não sabe usar o Excel, aprenda cabeção!

    Download: Modelo de Relatório Mensal

    Download: Modelo de Relatório Geral

    Download: Modelo de Controle de Mensalidades 

    Dúvidas sobre a utilização das planilhas: [email protected]

    Só lembrando: os formandos da UFSM precisam de R$ 60.000 pra pagar as contas, e estão arrecadando através de uma Vakinha ou por depósito na conta do Banco do Brasil, Agência 3058-9, Conta: 37566-7, Variação: 01. Quem puder ajudar… 🙂


  • Atendendo Pacientes HIV Positivo

    Atendendo Pacientes HIV Positivo

    Você já atendeu pacientes HIV positivo no seu consultório? Pode ter certeza. Mesmo que você não se recorde de nenhum caso em específico, esteja certo de que, no mínimo, você fez um exame clínico em algum. Isso porque, seja por medo, por vergonha, ou por achar que você não tem nada a ver com isso, alguns pacientes mentem durante a anamnese.

    Lembrando: paciente HIV positivo e paciente com AIDS são coisas diferentes. Estar com AIDS pressupõe a manifestação do vírus HIV, o que nem sempre acontece.

    Vírus HIV

    Mas se o paciente mente e não há nenhuma manifestação bucal que me faça desconfiar da doença, como me proteger adequadamente durante o atendimento clínico? Ora, o protocolo de biossegurança não muda! Já dizia um professor meu da época de faculdade: atenda seus pacientes (do ponto de vista da biossegurança) como se TODOS ELES fossem HIV positivo. Não se pode negligenciar o uso de EPIs por achar que alguém oferece mais ou menos risco de contaminação por qualquer doença, até porque é sabido que a chance de contaminação do profissional (ou contaminação cruzada) dentro de um consultório odontológico é muito maior para outras doenças, como a hepatite B e C, por exemplo.

    Mas consideremos que durante o exame clínico e/ou anamnese o paciente revela: “tenho AIDS”. E aí? Somos obrigados a atender? Legalmente, não. Aliás, não somos obrigados a atender nenhum paciente, e fazemos isso rotineiramente quando encaminhamos nossos pacientes para colegas. Não faço endo, encaminho para o endodontista. Não faço implante, chamo o implantodontista. Não me sinto seguro para atender um paciente HIV positivo? Encaminho para um colega que eu acredito ser mais capacitado que eu, com a aprovação de ambas as partes (paciente e dentista), claro.

    E é inevitável falar de paciente HIV positivo e não falar em sigilo profissional, considerando a carga de preconceito que essa condição carrega. Segredo pode ser definido como “o dever e o direito que todo indivíduo tem de manter oculto algo que assim deva permanecer”. Ele é protegido por lei e sua quebra é crime. O segredo pertence ao paciente, o cirurgião-dentista apenas possui a sua guarda. E aí… posso contar pra alguém que o paciente é HIV positivo?

    Depende. O CEO coloca o segredo profissional como dever fundamental do cirurgião-dentista, porém reconhece a existência de justas-causas (grifos meus).

    Código de Ética Odontológica – Capítulo VI – Do Sigilo Profissional

    Art. 10. Constitui infração ética:
    I. revelar, sem justa causa, fato sigiloso de que tenha conhecimento em razão do exercício de sua profissão;
    II. negligenciar na orientação de seus colaboradores quanto ao sigilo profissional;
    III. fazer referência a casos clínicos identificáveis, exibir pacientes ou seus retratos em anúncios profissionais ou na divulgação de assuntos odontológicos em programas de rádio, televisão ou cinema, e em artigos, entrevistas ou reportagens em jornais, revistas ou outras publicações legais, salvo se autorizado pelo paciente ou responsável.

    § 1º. Compreende-se como justa causa, principalmente:
    a) notificação compulsória de doença;
    b) colaboração com a justiça nos casos previstos em lei;
    c) perícia odontológica nos seus exatos limites;
    d) estrita defesa de interesse legítimo dos profissionais inscritos;
    e) revelação de fato sigiloso ao responsável pelo incapaz.

    A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida é uma doença de notificação compulsória, segundo a Portaria Nº 5 do Ministério da Saúde, de 21 de fevereiro de 2006. Nesse caso há uma causa que justifica a quebra de sigilo mas, claro, isso não deve causar nenhum tipo de constrangimento ao paciente.

    Veja que interessante a questão do último concurso para cirurgião-dentista da Prefeitura Municipal de Curitiba:

    Questão do último concurso para CD da PMC

    Embora a notificação compulsória se aplique ao paciente HIV positivo, o Art. 269 do Código Penal diz que não pode “… deixar o médico de denunciar à autoridade pública doença, cuja notificação é compulsória”. A pena é de 6 meses a 2 anos + multa. Porém, não se aplica diretamente ao dentista, não há para nós sanção penal, pois nossa obrigação é mais de cunho “moral” do que legal (como no exemplo da questão acima, o que constitui fato moralmente relevante).

    O fato é: o paciente HIV positivo que não informa ao seu dentista sobre a sua condição coloca sua própria vida em risco. Lembro ainda que é lícito ao cirurgião-dentista solicitar o exame de HIV, desde que o paciente concorde.

    E você, colega que teve paciência de ler até aqui, o que acha? Qual a sua experiência no atendimento de pacientes HIV positivo? Ou você costuma encaminhar? Comente! 😉

    Um ótimo livro sobre o assunto –> Abordagem Odontológica da Criança Infectada pelo HIV – Ivete Pomarico Ribeiro de Souza e Gloria Fernanda Castro

    Veja também:

    Estamos preparados para atender soropositivos? no Vida de Dentista

    A Odontopediatria e as Crianças com AIDS no Tio Dentista


  • Obrigação de Resultado na Odontologia

    Obrigação de Resultado na Odontologia

    No último dia 27 o Superior Tribunal de Justiça decidiu que “… a responsabilidade do ortodontista em tratamento de paciente que busca um fim estético-funcional é obrigação de resultado, a qual, se descumprida, gera o dever de indenizar pelo mau serviço prestado”. Explicando: se um tratamento ortodôntico não atinge o resultado esperado, independente do motivo, configura-se “mau serviço prestado” e o ortodontista deve (literalmente) pagar por isso.

    Eu quero meu sorriso assim. Vire-se, doutor!

    Só pra nos situarmos, existem 2 naturezas de obrigação contratual, a saber:

    • De meio: obrigação de ser diligente, cuidadoso, prescrever corretamente… zelar pela saúde do paciente.
    • De resultado (de fim): quando o paciente “compra” o resultado do tratamento. Atualmente, isso costuma se aplicar a procedimentos ditos “estéticos”.

    Quando ambas as partes, paciente e dentista, cumprem o papel que lhes cabe, costuma não dar briga. Pois o paciente que é consciente do seu papel ativo no sucesso do tratamento sabe reconhecer o zelo que o profissional tem pela sua saúde. O problema começa quando uma das partes (ou ambas) “atravessam o samba”. E aí… a culpa do insucesso do tratamento é de quem?

    São 2 as teorias da culpa:

    • Teoria subjetiva: a culpa é do paciente e/ou do dentista.
    • Teoria objetiva: a culpa é sempre de quem pratica o ato, no caso, o dentista.

    Ainda, é importante lembrar que:

    • O único artigo do Código do Consumidor que fala em culpa é o Art. 14, parágrafo 4o, que diz que os profissionais liberais sempre respondem por culpa (em caso de negligência, imperícia ou imprudência), caracterizando ato ilícito. Porém quem alega a culpa é que tem que prová-la. E quem comete ato ilícito terá que repará-lo.
    • No caso do paciente ser considerado a parte mais frágil da briga (o que é comum), pode acontecer a inversão do ônus da prova, que quer dizer que quem é acusado é que tem que provar que é inocente. Isso visa, segundo o Código de Defesa do Consumidor, o equilíbrio da relação de consumo face à reconhecida vulnerabilidade do consumidor.

    Sabe-se (ou todo profissional de saúde sabe) que não se pode prometer resultados quando se lida com estruturas biológicas, por um motivo simples: isso foge ao nosso alcance. Não somos um amontoado de peças que podem ser trocadas e/ou consertadas. Então, como é que começou essa história de querer atribuir obrigação de resultado ao profissional de saúde? A coisa é antiga…

    Em 1937 um jurista chamado José Menegale Guimarães caracterizou a atividade do cirurgião-dentista como atuante sobre patologias bem específicas, que apresentam sintomas, diagnóstico e forma de tratamento simples e, portanto, ficaria mais fácil para o profissional prometer a cura. Na década de 50 outro jurista, Aguiar Dias, reforçou esse conceito, que vem sendo usado até os dias de hoje… o reflexo taí na decisão do STJ.

    O fato é que a Odontologia de 1937 e a de hoje são MUITO diferentes. Na década de 1930 ser dentista era arrancar dentes que doíam. E convenhamos: se você arrancar o dente certo, ele vai parar de doer… é um resultado realmente previsível (desconsiderando complicações pós-operatórias, é claro). Mas, hoje em dia, a (boa) Odontologia busca fazer o paciente entender o conceito da prevenção, o que DEPENDE DIRETAMENTE DA CO-PARTICIPAÇÃO  DO PACIENTE no seu próprio tratamento! A despeito disso, o STJ entende que o dentista (ortodontista, implantodontista, whatever!) é obrigado ao sucesso do tratamento mesmo que o paciente não siga as suas orientações.

    E orientar não é mais suficiente… você, colega, tem que garantir que seu paciente faça o dever de casa! Você tem que se mudar pra casa dele e fazê-lo escovar os dentes após as refeições, usar o fio dental… dar um beijinho de boa noite e colocá-lo pra dormir. Porque se der perimplantite  ou se o tratamento ortodôntico não progredir porque o cidadão só aparece quando quer e com a gengiva abraçando os bráquetes, a culpa é EXCLUSIVAMENTE sua.

    Hoje em dia não basta ser correto, competente e aplicar a técnica embasada em anos de estudo… você tem que ser Deus. E essa divindade compulsória se baseia num parecer de um jurista (um respeitado jurista, diga-se de passagem) que em 1937 achou que era fácil ser dentista.

    Colegas, estamos caminhando numa direção perigosa, de olhos vendados e sem freio. Protejam-se mantendo os prontuários em dia, anotem tudo, guardem exames, colham a assinatura do paciente até se ele quiser ir ao banheiro… porque certamente seremos culpados se não provarmos inocência.

    Só de uma coisa tenho certeza: logo logo esta categoria do blog vai deixar de se chamar Profissão: Dentista pra virar Profissão: Perigo. São McGyver olhai por nós…

    Veja aqui, na íntegra, a decisão do STJ sobre a obrigação de resultado na Odontologia.

    Sugestão de leitura: Da Responsabilidade Civil e Ética do Cirurgião-Dentista (acho que era bom comprar esse livro, hein?!) 😉


  • Podcast Divagando #1: Ser Dentista

    Podcast Divagando #1: Ser Dentista

    Divagando #1: Ser Dentista

    E neste Dia do Dentista, nada melhor pra comemorar do que reunir as 5 OdontoDivas pra falar sobre as alegrias e dificuldades da nossa nobre profissão. O tema não podia ser outro: Ser Dentista. Se você é ou quer ser dentista, taí uma ótima oportunidade pra refletir, dar risada e ganhar prêmios!

    Sim… a Angelus está oferecendo aos nossos leitores-ouvintes uma cesta de produtos no valor de R$ 300,00! O kit contém:

    • MTA Fillapex (Cimento Obturador Endodôntico)
    • Kit Fusion Duralink (Sistema Adesivo Dentinário)
    • Exacto (Pino cônico intra-radicular translúcido)
    • Defense Chroma (Selante de Fóssulas e Fissuras)
    • Caneca Térmica USB da Angelus (a caneca mais disputada da Twittolândia… dentistas de todo o mundo se estapeiam por ela!) 😀

    Concorrer a esse super presente é mais fácil que arrancar dente com mobilidade grau 3: fizemos uma pergunta durante nosso podcast e você precisa respondê-la nos comentários deste post. Qual a pergunta? Ouça o podcast no player aí em cima, oras! Quem acertar a resposta (tá no comecinho, seu preguiçoso…) concorre aos prêmios acima.

    Regras:

    1. O contemplado precisa ser dentista ou acadêmico de odontologia (e provar isso, se for solicitado).
    2. Valem apenas as respostas que estejam nos comentários deste post. Dica: a resposta está aqui. 🙂
    3. Cada comentário receberá um número (por ordem de chegada) e o ganhador será conhecido através de sorteio no site Random.org, na próxima segunda-feira, 31/10/11.
    4. Ah… o primeiro a responder AUTOMATICAMENTE ganha um presente especial: cupcakes da maior cupcaker-dentista do Brasil: Dra. Paula Rollemberg. E esse não é sorteio: depende da sua agilidade! Corre!
    5. Sendo você o contemplado com o kit da Angelus,  se estiver seguindo os perfis das @OdontoDivas e da @AngelusOdonto (os dois!), além da cesta de produtos leva também os cupcakes. Dá follow aí, ou vai ficar sem cupcakes seu trouxa?

    Obrigada Angelus pelo apoio e parabéns colegas! Um ótimo Dia do Dentista pra nós! 😉

    Se preferir, faça o download do arquivo completo: Podcast Divagando #1: Ser Dentista


  • O dia em que ganhei uma avaliação odontológica

    O dia em que ganhei uma avaliação odontológica

    Segunda-feira recebi uma ligação que eu podia ter até ignorado, ou xingado o cara, whatever. Mas, felizmente, o sangue blogueiro que corre nas minhas veias não me deixou perder a oportunidade de compartilhar essa experiência com vocês. 😀

    Do outro lado da linha um rapaz me informa que eu e meu marido tínhamos sido sorteados e o prêmio era uma avaliação odontológica grátis! Sim, Divos e Divas do meu Brasil… eu, cirurgiã-dentista, tive a sorte de ganhar um presentão desses! Nasci com alguma parte especial do meu corpo virada pra Lua, só pode…

    O que eu fiz? Agendei, ué?! Eu não ganhei? Vou lá buscar o que me pertence…

    Meu maior medo era de dar de cara com algum conhecido, porque aí o plano ia por água abaixo. Se perguntassem minha profissão, o que não fizeram, era só responder “designer”, o que é verdade e eu tenho até um diploma pra provar. Tá ali fazendo calço na mesa do escritório… 😀

    Chegando na tal clínica, que fica dentro de um shopping, a recepcionista anotou alguns dados meus e me pediu que eu aguardasse em outra sala pelo chamado da dentista. Quando a tal doutora apareceu na porta, senti aquele alívio por nunca tê-la visto mais gorda. Sentei na cadeira, fazendo o papel de paciente (coisa que a gente devia fazer mais vezes, viu?! Dá uma outra perspectiva da coisa…). Começou o exame clínico.

    Eu não cronometrei, mas deve ter durado uns 3 minutos e 16 segundos a tal avaliação. E eu nem esperava que durasse muito mesmo, porque sei que não tenho nada de especial pra fazer na minha boca. Pelo menos era o que eu achava…

    Minha avaliação odontológica grátis

    Diagnóstico fast-food: 4 cáries (16, 26, 27 e 46) + raspagem e troca da minha contenção ortodôntica inferior por uma “higiênica”. A colega ainda me ofereceu um clareamento de sobremesa. 😉

    A dentista me liberou e eu fui pro abatedouro pro departamento financeiro. Lá, uma mocinha muito simpática me explicou os procedimentos dos quais eu “precisava” e me passou quanto ia custar. O “orçamento” taí pra vocês verem. Como pedi desconto (AHHAUUAHHAUAHHA!), ela foi ver com o chefe o que podia fazer por mim, pois eu era, segundo ela, cliente especial. Ganhei R$ 350,00 de desconto. #epicwin

    No total (antes do desconto), R$ 950,00 por procedimentos dos quais eu não preciso. R$ 400,00 apenas pela raspagem do tártaro que eu não tenho, tratamento que, segundo a mocinha simpática me explicou, era essencial que eu fizesse para evitar que eu perdesse meus dentes…

    Minhas considerações
    1. Obviamente eu não fui sorteada, pelo simples fato de não ter me inscrito em nenhum sorteio. Isso, além de mentira, pode ser enquadrado como infração ética em função do artigo 34 do CEO:
      • VII: [Constitui infração ética] aliciar pacientes, praticando ou permitindo a oferta de serviços através de informação ou anúncio falso, irregular, ilícito ou imoral, com o intuito de atrair clientela, ou outros atos que caracterizem concorrência desleal ou aviltamento da profissão.
      • XI: [Constitui infração ética] anunciar serviços profissionais como prêmio em concurso de qualquer natureza, bem como oferecer prêmios pela utilização dos serviços prestados.
    2. Não acho que a “minha dentista” tenha agido de má-fé, inventando procedimentos. Mas eu não tenho 4 cáries, isso é fato. Meu 46 tem uma pequena restauração que quer começar a infiltrar (uma manchinha de nada mesmo), que eu acompanho há um tempão. Os outros 3 molares têm pigmentação de restaurações antigas de amálgama, lindas, que eu troquei por resina há alguns anos (essa triste história fica pra outro post). Quem olha rápido e não conhece o histórico, pode até pensar em cárie… mas não é. Uma radiografia resolveria o impasse… mas radiografar (ou fazer anamnese) numa avaliação odontológica gratuita? Nem pensar…
    3. A contenção higiênica tem essa propriedade só no nome. Do ponto de vista de retenção de placa, na minha opinião, ela é até pior. No meu caso, que sei usar o fio dental e realmente o uso diariamente, pode ser uma boa. Mas não é pra qualquer paciente. E, convenhamos: pra quê trocar se a danada tá ali bonitinha?
    4. Se dá pra dar R$ 350,00 de desconto (cerca de 37%) é porque a margem de lucro foi superestimada, certo? Independente do quão “especial” o cliente seja…
    5. VAI TIRAR R$ 400,00 DE TÁRTARO DE ONDE??? DO MEU FIOFÓ???

    Pronto, passou. 😀

    O nome da clínica é o que menos importa, isso tem de monte por aí. Eu acho que a lição que fica é que é bom se colocar do outro lado da cadeira de vez em quando. Ensina a gente a ser humilde e nos lembra de tratar nossos pacientes com respeito. Com relação aos valores, se eu fosse leiga, pagaria. Não discuto os honorários em si (exceto os R$ 400,00 de “perio básica”, essa eu não engulo), cada colega faz os seus. Mas, sem dúvida, um diagnóstico bem feito leva mais de 5 minutinhos e transcende a olhadinha…

    Portanto, já me decidi: nunca mais me inscrevo nesses sorteios pra avaliação odontológica grátis… OH WAIT… 😀

     


  • O Sorriso e a Autoestima

    O Sorriso e a Autoestima

    Dia desses eu estava no quarto da minha mãe batendo um papo com ela. Acima da TV tem uma prateleira onde ela coleciona porta-retratos… tem foto dos netos, dos filhos e deles, meu pai e minha mãe. Tem uma foto em especial que eu acho linda, talvez a foto mais legal que meus pais já tiraram juntos. Mas, nessa foto, minha mãe não está sorrindo “com os dentes”, apenas naquele estilo Monalisa. Pensei (coisa de dentista): “Que pena! Minha mãe tem um sorriso tão bonito…”.

    Oi, SUA LINDA.

    É. Mas não tinha…. Ela fez uma reabilitação bucal extensa, coisa de 15 anos atrás. Meu pai brinca que ela tem “um carro popular” dentro da boca, uma referência ao custo da obra ;).

    Aí fui percorrendo a tal prateleira com os olhos, meio em ordem cronológica. Percebi que não havia uma foto tirada antes do tratamento em que ela aparecesse sorrindo. Mas nas posteriores, era dente pra tudo quanto é lado! Não acho que isso seja coincidência…

    Você deve estar pensando: “Claro, antes os dentes eram feios e agora são bonitos, e ela quer mostrar”. Sim, concordo. Mas acho que o efeito é mais amplo: depois do tratamento odontológico, ela tem mais vontade de sorrir. Sabe o nome disso: autoestima.

    Autoestima é apreço por si mesmo. É se avaliar como alguém melhor. Veja, não acho que uma pessoa com dentes lindos é efetivamente melhor que outra com dentes feios. Aliás, bom se pudéssemos implantar boa índole e caráter junto com os dentes, né… tem um monte de gente por aí precisando de um tratamento desses ;)! Mas é fato: que parece melhor, parece. E se tem alguém no mundo cuja opinião interessa a você é você mesmo. Se considerar alguém melhor é o primeiro passo pra ser alguém melhor. E se, de alguma forma, nós cirurgiões-dentistas pudermos ajudar nessa retomada de autoestima… estamos à disposição.

    É isso que nos motiva, é isso que nos faz pessoas e profissionais melhores. Ser dentista é oferecer saúde e autoestima a quem só pediu pra sorrir!

    P.S.: Hoje é aniversário do Dona Guiomar. Parabéns, mãe.

    P.S. outra vez: No Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa o termo “autoestima” se escreve assim mesmo, sem hífen. Embora pareça estranho pra caramba, é bom a gente ir se acostumando com a ideia (ideia que antes, era idéia). 😀


  • A Diferença Entre Cura e Tratamento

    A Diferença Entre Cura e Tratamento

    As doenças que acometem os dentes e seus tecidos de suporte, tem na sua grande maioria, tratamento, e não cura.

    Por isso diz-se: Tratamento Odontológico e não Cura Odontológica.

    Para que o dente fosse curado, este precisaria ser capaz de se regenerar, o que infelizmente, não é possível.

    A restauração devolve ao dente sua capacidade de manter as funções mastigatórias, funcionais e estéticas.

    Nem parece um dente restaurado! Mas é. E não é pra sempre.

    Um dente restaurado pode e deve continuar exercendo o trabalho para o qual foi projetado, mas nunca mais será igual ao original.

    Gengiva e ossos são ainda mais complexos. As doenças que acometem estes tecidos, não raro, são muito invasivas.

    Um dente que teve uma lesão por cárie, e foi restaurado, não está curado. Está tratado. Vai precisar de avaliações periódicas. A união entre a restauração e o dente não é perfeita, e a possibilidade de cariar novamente, existe.

    O material restaurador, mesmo os mais modernos, tem propriedades físico-quimicas diferentes do dente, e portanto, reagem de forma diferentes a estímulos iguais.

    As restaurações indiretas (próteses) são ainda mais complexas. Mesmo que muito bem adaptadas, tem na sua união com o dente uma região crítica.

    A gengiva tem sim uma capacidade de regeneração, mas é limitada. Sucessivos traumas comprometem esta propriedade.

    Os ossos, estes não toleram desaforo. Uma vez traumatizado e perdido, não se forma mais. E o pior, não tem como restaurá-lo.

    Assim como o cardiologista, que não cura a arritmia cardíaca, e sim a trata, nós, os dentistas, tratamos os dentes.

    Os elementos tratados devem ter igual ou maior cuidado por parte do paciente.

    Nós não somos responsáveis, eternamente, por aquilo que tratamos.

    Mesmo cumprindo as mais rígidas normas e melhores materiais, se o paciente não fizer a sua parte em casa, de nada adiantará.

    Eu costumo dizer: DEUS deu pra você o melhor material, e deveria durar a sua vida toda. Não durou. Quem sou eu pra fazer algo que durará eternamente.

    Darei o meu melhor. Faça a sua parte.

    Guest Post

    Guest post escrito pela Dra. Celia Barral, dos blogs Odontostalgia e Pensamentos Compartilhados.


  • Ser da Comissão de Formatura Não é Fácil!

    Ser da Comissão de Formatura Não é Fácil!

    Sim, eu fui da Comissão de Formatura. E vou dizer uma coisa pra vocês: realmente NÃO É FÁCIL.

    A Comissão de Formatura pode ser definida como um grupo de alunos que representa a vontade de toda a turma perante qualquer assunto que envolva a formatura: contratação de serviços para os eventos, contato com empresas, negociações, arrecadação, decisões…

    Acho que existem 2 pontos críticos principais aí, aqueles que podemos chamar de “sementes da discórdia”: arrecadação e decisões.

    A arrecadação representa dinheiro, e dinheiro, via de regra, causa discórdia. Metade da turma acha que a mensalidade é muito alta, a outra metade que é muito baixa. Mas todos querem que os Rolling Stones toquem no baile :D. E sempre tem quem ache que a comissão tá guardando uma parcela no próprio bolso…

    De cima pra baixo, da esquerda pra direita: Felipe, Suzana, Renata P., Ana (eu!), Renata T., Deborah, Mariana e Vanessa. Os sofredores. 😀

    Eu era a tesoureira da minha turma. Graças a Deus (e a muita transparência da minha parte) nunca tive problema com isso. Mas sou exceção. Portanto, se você for o responsável pelo gerenciamento financeiro da sua classe, o conselho que dou é: não dê margem para dúvida. Forneça relatórios periódicos (ou sempre que for requisitado) do montante em caixa e saiba até os centavos que estão na conta. Uma coisa que fiz foi aplicar o dinheiro, ideia que a maioria dos tesoureiros não têm, ou por desconhecimento ou por preguiça mesmo. Informe-se com o gerente do banco, existem investimentos de baixo risco que rendem muito mais que a poupança, por exemplo. Fazendo isso, minha turma agregou cerca de R$ 5.000,00 ao caixa. Dinheirinho muito bem-vindo, viu?! Os Rolling Stones agradecem… 😀

    O papel principal da Comissão é tomar decisões pela turma. Porém, nem todos entendem dessa forma, e aí tá feita a briga. Muitos acham que qualquer decisão que diz respeito à formatura precisa ser votada pela turma toda. Ledo engano. Se assim fosse, pra quê Comissão de Formatura? Claro, algumas escolhas demandam a opinião de todos, como o local da colação e do baile, o valor da mensalidade. Mas, por exemplo, a cor da capa das cadeiras no salão ou se a foto oficial vai ser com capelo ou sem capelo, dispensa votação, né?! Mas tem gente que vai achar a cor da capa da cadeira r-i-d-í-c-u-l-a e que o capelo amassa o cabelo! E o cordão dos insatisfeitos cada vez aumenta mais…

    Assim como a Comissão representa a turma, o presidente da Comissão representa a Comissão. E o ódio direcionado à Comissão de Formatura é personificado nessa pessoa. Portanto, se você tem intenção de se candidatar a esse cargo, prepare-se. Você será saco de pancada e seu celular não vai parar de tocar com gente querendo te vender alguma coisa ou reclamando do que já tá pronto.

    Se você pretende participar da Comissão de Formatura da sua turma, acostume-se a ser odiado… e não espere reconhecimento, pois ele não virá (aliás, nunca faça nada buscando reconhecimento… essa nunca deve ser nossa motivação). Mas depois que o baile acaba dá uma sensação de dever cumprido indescritível… de ter valido à pena.

    E as cortinas se fecham… sejam bem-vindos à Odontologia! 😉