Categoria: Casos Clínicos

  • Alternativas ao tratamento com lentes de contato

    Alternativas ao tratamento com lentes de contato

    Como já disse em posts anteriores, a lente de contato dentária está na moda. Mas nem todo mundo tem indicação pra usar, e o resultado final pode ser desastroso. Se você quiser melhorar a estética do seu sorriso, vamos te informar sobre as várias opções de tratamento, algumas BEM mais viáveis financeiramente do que a lente de contato.

    • TRATAMENTO PERIODONTAL BÁSICO: Tem a ver com estética? Sim e não. Uma boa profilaxia e remoção de tártaros melhora o aspecto gengival, diminui (ou até elimina) aquele sangramento na hora de escovar e diminui a flora bacteriana que em algumas vezes pode ser nociva. E não há tratamento bem feito sobre restos de sujeira, então, sempre, impreterivelmente, tem que começar com ele. “Mas a limpeza clareia meus dentes?” Não, jovem padawan. Limpeza é pra limpar, clareamento é outra coisa que vamos falar agora.

    Tártaro

    • CLAREAMENTO (OU BRANQUEAMENTO) DENTAL: Consiste no uso de géis clareadores, usados no consultório ou não, ativados a luz ou a laser (lembrando sempre que o laser possui luz VERMELHA, então se te vendem clareamento a laser e te colocam aquela luz azul de fazer restauração, NÃO É LASER. Também funciona, mas não é laser), porém SEMPRE SOB SUPERVISÃO DO DENTISTA. O dentista sabe indicar qual o clareador correto pro seu caso, a porcentagem do produto a ser usado para evitar ou diminuir a sensibilidade dentinária. Não faça clareamento sem supervisão do dentista. Estamos falando de produtos químicos que podem fazer mal aos dentes e a gengiva se não forem utilizados corretamente. Clareamentos da China podem sair muito mais caros que tratamento de dessensibilização.

    Clareamento dental

    • CLAREAMENTO ENDÓGENO: É o clareamento feito em dentes não vitais, isto é, dentes que já receberam tratamento de canal. Esse tipo de clareamento é feito dente por dente e não tem como prever o quanto ele vai responder ao tratamento. Depende do motivo que levou o paciente a tratar o canal: se foi uma queda, uma batida, um traumatismo dentário, ou se foi cárie mesmo. Dificilmente não se consegue algum benefício com ele, desde que seja bem feito o tampão cervical (MUITO IMPORTANTE), pois gel clareador vai pro cemento e o organismo não reconhece como sendo parte dele, reabsorvendo o dente.
    Clareamento endógeno
    Caso da Dra. Elaine Batista Assis
    • FACETAS: Feitas em porcelana ou resina, são as “primas” das lentes de contato. O desgaste feito é maior, porém todo o dente sofre alteração de cor. Ainda é largamente utilizada na odontologia com ótimos resultados, sempre sob indicação e cuidados do Dentista e do paciente.Faceta de porcelana
    • COROAS EM PORCELANA: Quando o dente sofreu muito desgaste ou possui muitas resinas, essa é uma das opções. Todo o dente é desgastado, e é feito um dente artificial em porcelana (com base em metal, zircônia ou livre de metal). A aparência é de um dente natural,caso as cores da porcelana sejam semelhantes aos dentes adjacentes. Em alguns casos pode precisar de tratamento de canal antes, um núcleo metálico  ou de fibra de vidro, e sobre tudo isso, uma coroa.

    Coroas de porcelana

    • ALTERAÇÕES MORFOLÓGICAS: Quando o paciente tem alguma alteração no formato do dente, seja um dente conóide (em forma de cone), ou se gostaria de aumentar ou diminuir a largura do elemento. Esse tratamento costuma dar resultados estéticos bastante satisfatórios. Pode ser usada também se o paciente tem alguma alteração no esmalte, ou dentinogênese imperfeita.
    Caso da Dra. Juliana Lemes
    • ASSOCIAÇÃO DE TÉCNICAS: Algumas dessas técnicas podem ser associadas a outras para um resultado estético mais harmônico: Pode ser um clareamento endógeno e o ativado à luz, pode ser o uso dos dois tipos de clareamento… Cabe ao paciente e ao dentista escolherem a melhor forma de tratar cada caso. Acredito que todos os envolvidos ficarão satisfeitos.

    * * *

    Viu como nem tudo é lente de contato? Esses dias eu vi um preparo pra coroa total, um coping em zircônia e uma lente em cima, que o colega jura que é de mínimo desgaste. Mínimo desgaste pra quem, se já tem um preparo de coroa e um coping? Não compre gato por lebre. Converse com seu dentista e ele vai elaborar um plano de tratamento adequado.

    DISCLAIMER: Nenhuma das fotos acima fere o código de ética odontológica, visto que não existe ato promocional, nem endereço dos dentistas envolvidos. As fotos são somente para ilustração dos casos em caráter apenas educativo.


  • Casos e “Causos” de um consultório odontológico.

    Casos e “Causos” de um consultório odontológico.

    casos e causos

    Acho que todos os dentistas devem algum dia ter passado por situações parecidas, o paciente fala que aconteceu alguma coisa de um jeito, sempre mais grave do que realmente foi e então alguém próximo conta como realmente o fato aconteceu.

    Bom, aqui vão algumas situações que ocorreram no meu consultório.

    Hoje me ligou cedo a mãe de um pacientinho pedindo um encaixe, pois ele havia quebrado novamente o central que eu havia feito a restauração há uns meses, perguntei como havia quebrado, ela falou que estava conversando com ele e assim, do nada o pedaço do dente pulou da boca. Marquei um horário, a mãe deixou o menino e saiu para resolver algumas coisas, e então perguntei: Nossa, como que você conseguiu quebrar esse dente?, e ele falou que brigou com o irmão e ficou tão nervoso que começou a ranger muito forte e por isso quebrou e também porque havia tomado uma bolada na boca no futebol no dia anterior bem no dente da frente.

    Outro dia chegou uma paciente com a placa de mordida toda quebrada, falou que deve ter tirado a noite da boca sem perceber, caiu no chão e pisou ao se levantar, até ai tudo bem, consegui arrumar. Uma semana depois chega o marido dela falando: ai, não sei como ela teve coragem de colocar aquele negócio que o cachorro ficou mordendo na boca.

    Teve também o caso do paciente que estava comendo banana e o provisório acabou se soltando, na hora pra não engolir ele cuspiu e não conseguia achar, se eu poderia fazer um novo e qual seria o custo. Passei o orçamento, ele falou que iria procurar mais um pouco na casa pra não ter que pagar novamente, no dia seguinte ele voltou com o provisório, cimentei novamente… dias depois o filho falou, só meu pai mesmo, pra ter coragem de colocar novamente na boca o dente que ele engoliu.

    E uma vez fiz uma adequação com ionômero na boca de uma pacientinha, ela voltou três dias depois com todos os ionômeros verdes, estranhei, o pai me falou q devo ter colocado material ruim, porque do nada esverdeou tudo, daí a criança vira e fala: Pai, eu já falei que na hora que eu estava na aula eu estava mordendo uma canetinha e ela estourou na minha boca, o pai ficou com cara de nada…

    E você colega tem alguma história assim?


  • Cada Um No Seu Quadrado

    Cada Um No Seu Quadrado

    As pessoas são livres para seguirem a carreira que quiserem: engenheiros, arquitetos, médicos, dentistas, farmacêuticos, ex BBB, etc.

    Você escolhe seu caminho, frequenta a Universidade de sua escolha e, enfim, pega o canudo e vai fazer aquilo que você sonhou! Eba \o/

    Mas e quando a pessoa é formada numa determinada área e dá pitaco na área de outra pessoa?

    quadrado

    Há dias atendi um paciente em caráter de emergência. Realizei os procedimentos que eram necessários, orientei e prescrevi a medicação para o caso. Liberei o paciente e remarquei a consulta dele para hoje.

    Eis que ele chega com a seguinte novidade: “Dra, estou sem dor! Fui na farmácia comprar o remédio que a Sra mandou mas o farmacêutico disse que tinha um melhor e eu comprei!”

    COMO É QUE É??????????????????????????

    Diagnóstico de balcão de farmácia passando por cima da prescrição que eu fiz!

    Eu não fiquei nada feliz com o que houve! Achei a atitude do balconista (ou farmacêutico, sei lá) errada.

    Se prescrevemos um remédio, sabemos o que estamos fazendo. Há um conjunto de fatores que influenciam na escolha do fármaco a ser utilizado, em especial a história médica do paciente. Se em uma consulta odontológica demoramos um tempo considerável para fazer uma anamnese bem feita, não creio que esse mesmo cuidado que tive tenha acontecido na farmácia.

    Infelizmente no nosso país, a venda de remédios é indiscriminada e isso eu diso por mim: amo remédio e tenho em casa pra tudo (ALOKA) e nunca tive qualquer tipo de restrição para comprá-los.

    O paciente precisa estar ciente de que remédio não é brincadeira! Tudo tem um propósito.

    Imagina se o quadro tivesse piorado com o remédio que o “balconista” receitou, ou se o paciente tivesse tido uma reação alérgica ou, até mesmo, uma interação medicamentosa que colocasse em risco a eficácia de outro fármaco, por exemplo?

    Por mais boas intenções que tenham, os atendentes de farmácia não tem o conhecimento necessário para intervir no nosso procedimento. Digo intervir no procedimento tendo em vista que a medicação é uma complementação do tratamento odontológico.

    Sabendo da falta de legislação na venda de remédios no país, é importante fazermos a receita em 2 vias, independente do tipo de medicamento. Caso não seja possível, jamais devemos deixar de anotar na ficha do paciente a prescrição, dosagem e administração do remédio, fazendo o paciente assinar ao lado da anotação, a fim de nos documentarmos e nos protegermos de qualquer tipo de ação judicial.

    Cada um no seu quadrado!


  • Doutora, preciso tirar meu siso??

    Doutora, preciso tirar meu siso??

    É comum ouvirmos essa pergunta no consultório.

    “Mas meu dente não nasceu, não me dói ou atrapalha em nada. Por que preciso tirar meu siso?”

    Além de uma série de complicações que podem ocasionar os sisos inclusos/impactados como ortodônticas ou apicais, um dos motivos é reabsorção radicular dos dentes vizinhos.

    Vejam este caso do Dr. Paulo Gutierrez, dentista do bem e cirurgião buco-maxilo-facial de Londrina.

    Reabsorção no segundo molar ocasionado pela inclusão do terceiro. Perdeu-se um dente importante por conta de um que não servia para nada!

    Colega, converse com seus pacientes sobre os problemas que um dente incluso pode causar, mesmo quietinho. Se você não faz esse tipo de procedimento, tenha sempre um colega de confiança pra esses casos.

    Paciente, se você tem mais de 18 anos e seus sisos não apareceram na boca ainda, procure um dentista.

    #goDIVAS! GO!

     

     


  • Sorrir? O Oziel Quer Muito!

    Sorrir? O Oziel Quer Muito!

    Você conhece o Oziel?

    Oziel é um rapaz de 22 anos que foi encaminhado pelo dentista de sua cidade para avaliação de uma lesão em sua gengiva. O colega que o examinou e o medicou com antibióticos ealguns bochechos diários.

    Após alguns anos e com a piora do quadro clínico de Oziel, ele foi até São Paulo, onde diagnosticou-se um tumor maligno na face. A remoção do tumor resultou na aparência de Oziel hoje.

    Para reabilitá-lo, são necessárias cirurgias, próteses faciais além da medicação para completo restabelecimento da saúde dele!

    Vamos ajudar o Oziel a sorrir!

    Oziel tem um site explicando tudo que aconteceu com ele. Para saber mais, clique AQUI!

    Nós, colegas, estamos divulgando essa campanha! O Dr. Fabrício Mendes, do blog Vida de Dentista, também está mobilizando as pessoas para ajudar, com qualquer quantia, para que o menino tenha um rosto!

    Divulgue, compartilhe com seus amigos e faça sua doação!

     


  • OdontoDiva explica #1: Miíase Oral

    OdontoDiva explica #1: Miíase Oral

    Fly Over White by https://br.depositphotos.com/
    O que é MIÍASE?

    Doença parasitária provocada pela larva da mosca Dermatobia hominis. A larva da mosca penetra na pele do hospedeiro, que pode ser o homem ou outros animais, onde vai se desenvolver.

    Manifestações clínicas:

    Após a penetração, começa a formar-se uma lesão nodular, avermelhada, com um orifício central, por onde é eliminada secreção aquosa (exsudato), levemente amarelada ou sanguinolenta. Podem ser uma ou mais lesões e atingir qualquer área da pele, inclusive o couro cabeludo. A doença provoca dor em fisgada e, em alguns casos, coceira.

    Uma característica clínica que define o diagnóstico pode ser notada observando-se atentamente o orifício central da lesão. De tempos em tempos a larva sobe ao orifício para respirar e esta movimentação pode ser percebida claramente. Com a evolução, que pode durar entre 30 a 70 dias, a larva tende a deixar o orifício.

    Pode ser classificada em:

    Miíase primária
    A larva da mosca invade o tecido sadio e nele se desenvolve. Essa infestação é também conhecida por berne.
    Miíase secundária
    A mosca coloca seus ovos em ulcerações na pele ou mucosas e as larvas se desenvolvem nos produtos de necrose tecidual.

    A miíase secundária apresenta-se sob três formas:

    • cutânea
    • cavitária
    • intestinal
    Tratamento:
    • Limpar a ferida
    • Retirar larva por larva com uma pinça
    • Fazer curativos
    • Usar medicação, mediante indicação médica, para eliminar as ovas postas pelas larvas que foram removidas

    Gente, é grotesco DEMAIS. Pelo que andei lendo por aí, a miíase bucal é uma afecção rara, predominante em população rural e, em pacientes com problemas mentais e senilidade entre outras que limitam os indivíduos, e/ou casos de alcoolismo, respiradores bucais, hábitos de roncar, que adormecem ao ar livre e, com a boca aberta durante o dia. 

    A má higiene bucal, com lesões e odor fétido, atua como atrativo para as moscas fertilizadas depositarem seus ovos.  O diagnóstico dessa lesão é sempre clínico e o tratamento utilizado foi a remoção mecânica das larvas, com irrigação com soro fisiológico e Iodofórmio.

    O uso de anestesia é recomendado em casos de pacientes com problemas mentais e, quando as larvas se encontrarem profundamente nos tecidos, muitas vezes comunicando-se com estruturas anatômicas importantes, como o seio maxilar as fossas nasais.

    A prevenção deve ser sempre recomendada através de curso, conferências e palestras, em locais onde se observa maior ocorrência dessas condições.

    Quem tiver estômago forte pode ver mais algumas fotos extremamente grotescas aqui. Que for fodástico e tiver estômago mais forte ainda, pode assistir esse vídeo.

    Mas, na dúvida, NÃO DURMAM de boca aberta. E como eu disse pras minhas alunas do ASB08 da Iodontus, observem bem em quem vocês saem dando beijinhos na noite. Primeiro, converse suficientemente com a pessoa pra perceber se ela tem mal hálito. Depois, observe se você encontra pontos pretos ou uma gengiva vermelho gritante. Se não tem nada disso, você está segura(o). Pelo menos não tem berne na boca do(a) vivente…

    #goDIVAS! GO!

    Fontes:  MIÍASE EM PACIENTE NÃO COLABORADOR: RELATO DE CASO CLÍNICO
    Wikipédia
    Blog Isso é Bizarro,


  • CASO CLÍNICO: A menina borboleta

    CASO CLÍNICO: A menina borboleta

    Ontem meu último horário da agenda era ocupado por uma menininha linda, sua revisão após o nascimento dos dentinhos. ela tem um ano e meio. Os pais são meus pacientes. Dessa vez ela veio acompanhada de uma amiguinha, que acaba de se mudar pra Passo Fundo vinda do Rio de Janeiro com os pais. Essa menininha linda que sorria e brincava mordendo os meus gibis da recepção era apenas 2 meses mais nova que minha pacientezinha, e apresentava algo que à primeira vista não identifiquei, míope que sou. Os pais queriam que eu avaliasse a saúde bucal dela, e eu o fiz.

    A menina apresenta EPIDERMÓLISE BOLHOSA, uma doença que até então só havia visto em livros. Os pais a chamam de “borboletinha”, pois a pele dela é tão delicada quanto a asa de uma borboleta. E a borboleta é o símbolo dos portadores dessa alteração.

    A Epidermólise Bolhosa é uma doença grave e rara, não contagiosa, que se caracteriza por uma sensibilidade muito acentuada na pele e mucosas com formação de bolhas nas células epidérmicas, especialmente nas áreas de maior atrito, como resposta a qualquer acidente doméstico ou casual, ou mesmo mudanças climáticas.

    Criança com Epidermólise Bolhosa
    Criança com Epidermólise Bolhosa

    Até o momento a doença não tem cura. A engenharia genética e as ciências da saúda têm trabalhado no assunto, mas a cura ainda é vista como um fato a acontecer no futuro. Com o avanço da Ciência na área de genética, tem-se a esperança de cura dentro de alguns anos.

    Ao exame clínico pude observar diversas bolhas na mucosa oral da minha paciente. Os dentinhos estão nascendo e imaginando a dor que ela deve sentir não realizei conduta nenhuma no momento do exame. Os pais me falaram que utilizam um cotonete pra fazer a limpeza dos dentes dela e que uma vez uma dentista no Rio deu uma escova de dentes ultra macia. Entrei em contato com algumas odontoempresas solicitando algumas escovas, vamos ver se consigo.

    A alimentação dos pacientes com epidermólise bolhosa é basicamente pastosa, pois qualquer pequeno trauma gera bolhas na cavidade oral. Me informei também que são realizados bochechos com solução fluoretada para evitar o aparecimento de cáries.

    Aposto que todo mundo já recebeu o email do caso da menina Amanda (da foto ao lado) que precisava de doações. Esse é o aspecto do corpinho da minha pequena paciente. Os pais falaram que melhorou muito o aspecto das bolhas desde a mudança, pois Passo Fundo tem um clima mais frio.

    Pés de uma criança com Epidermólise Bolhosa

     

    Perguntei sobre o tratamento e eles me falaram que não há nada específico. Há uma pesquisa sendo desenvolvida nos Estados Unidos sobre transplante de medula para o tratamento, ainda em fase inicial.

    O paciente requer tratamento constante através do uso de pomadas, curativos para os ferimentos, além de vitaminas e uma alimentação diferenciada, rica em proteínas e calorias, necessários para os portadores terem condições de sobreviver. A alimentação adequada é muito importante para evitar a desnutrição, a baixa resistência, a infecção e outras complicações. Por isto os pacientes devem ser acompanhados por um nutricionista.

    Em alguns casos, os pacientes são acometidos por bolhas no esôfago e estas ao cicatrizarem causam estreitamento no órgão. O estreitamento pode ser corrigido com cirurgias, mas como acontece com as mãos, as cirurgias se repetem sempre que se fizerem necessárias.

    Me informei sobre a doença no Neville, meu livro favorito de patologia e também na internet, onde encontrei o site da APPEB, Associação de Parentes, Amigos e Portadores de Epidermólise Bolhosa Congênita de onde tirei as informações em itálico deste post. O tratamento para estes pacientes é interdisciplinar, e vou acompanhá-la em Passo Fundo de agora em diante, e posteriormente colocarei fotos. Se algum colega já tratou pacientes com essa doença gostaria de trocar experiências.

    #goDIVAS! GO!


  • Caso Clínico: Mordida Cruzada Anterior

    Caso Clínico: Mordida Cruzada Anterior

    A Ortodontia preventiva e interceptativa ainda é novidade para o público em geral. Não há o hábito de se levar as crianças ao ortodontista ou odontopediatra logo que os dentes permanentes começam a irromper (e até antes disso). Mas prevenir ou evitar uma má-oclusão é a melhor forma de abreviar e/ou facilitar um tratamento ortodôntico futuro com aparelhagem fixa, já que não se permite que um problema oclusal em evolução acabe se agravando.

    Paciente E. K. Y., 8 anos. A mãe do paciente procurava orientação com relação ao elemento 11, que estava irrompendo lingualmente ao antagonista. Ao exame clínico, constatou-se a mordida cruzada.

    Aspecto inicial

    Realizados os exames de imagem iniciais, o paciente foi moldado para a confecção de aparelho removível acrílico com levante oclusal, arco vestibular e mola digital para vestibularizar o elemento 11. O 21 estava começando a irromper na ocasião.

    Aparelho removível com mola digital

    Após instalação e ativação da mola, o paciente retornou em 1 semana para reavaliação. Verificou-se que a mesma já se encontrava passiva e foi feita nova ativação. Em 2 semanas do começo do tratamento o dente já havia descruzado, faltando apenas alcançar a posição vestibular desejada, o que levou 40 dias.

    Aspecto final

    O uso de aparelhos removíveis em Ortodontia preventiva e interceptativa pode trazer resultados muito satisfatórios e rápidos, mas é preciso contar com a colaboração do paciente e/ou dos pais. No caso de E. havia essa colaboração, o que resultou num tempo curto de tratamento.

    Aspecto inicial x final

    No arco inferior, os incisivos laterais irromperam em posição lingualizada também, mas parece haver espaço para que a própria ação da musculatura lingual se encarregue de reposicionar os elementos. Foi agendada reavaliação em 6 meses. Embora em casos de vestibularização como esse não haja necessidade de contenção, pois a recidiva é incomum, o paciente foi orientado a apenas dormir com o aparelho (inativado) por mais 30 dias (recomendando à mãe que o filho não o usasse mais após esse tempo), já que ele achou a experiência de usar aparelho super divertida! 😉

    A única ressalva fica por conta da higienização, que durante esse período parece ter piorado. Fez-se o alerta e orientação em higiene bucal junto ao paciente e à responsável.

    Agradecimento especial

    Obrigada a Dra. Renata Tassi, que fez as fotos. 🙂


  • Caso Clínico: Dente Aberto no SUS

    Caso Clínico: Dente Aberto no SUS

    Uma discussão foi travada ontem de tarde via Twitter, graças ao post da nossa diva Ju Lemes. Adoro essas discussões, muitas opiniões e condutas diferentes aparecem.

    E aí? Deixa aberto?

    Não estão erradas e talvez nem todas certas, mas todas chegam ao mesmo desfecho: a solução do problema do paciente. Cada um com a sua conduta, adequada para o caso, de acordo com o que aprendeu ou convive. O Luiz Rodolfo como plantonista já abordou o tema no blog DicasOdonto brilhantemente, quem quiser conferir clica aqui.


    Tenho pavor daqueles pacientes que chegam no consultório falando mal do dentista anterior: “Aquele dentista fez um rombo no meu dente!” ou então: “Ele mexeu tanto no meu dente que eu tive que segurar a mão dele!” e pior ainda: “Ele só mexeu com o espelhinho no meu dente e doeu, não fez mais nada…”. Não sabemos quais foram as circunstâncias que levaram aquele dentista a tomar determinada conduta.

    Muitos pacientes fazem um tour pelos postos de saúde e até mesmo nos plantões, volta e meia acabam comigo novamente. Me dá vontade de largar um “Bem feito pra ti!” pra aqueles pacientes que reagudizam um processo crônico. Anoto tudo na ficha clínica: medicação prescrita e o tempo solicitado para o retorno. Quem segue as minhas orientações prescritas passa por exodontias indolores e tratamentos de canais tranquilos. Por quê? Eu SEMPRE medico. Prefiro errar por medicar demais do que por de menos. Mas não pensem que isso foi a faculdade que me ensinou e sim 3 anos de Estratégia de Saúde da Família.

    É preciso ser criativo e improvisação pra trabalhar em PSF. Quem não consegue isso pode esquecer: não tem perfil de PSF e vai se frustrar. O que aprendemos na teoria funciona perfeitamente bem quando temos todos os recursos disponíveis – o que não acontece na maioria das vezes no serviço público. Já fiquei muito tempo sem limas endodônticas por exemplo, precisava solucionar os problemas com o que tinha. Foi assim que aprendi a usar o amalgamador: ficando sem ácido para condicionamento por mais de 1 mês! Na prática, porque a academia me disse que não era preciso saber fazer um bom amálgama já que não era mais tão usado nos dias de hoje graças às resinas de alta geração. No meu consultório tudo bem, no PSF são outros 500.

    Por trabalhar 40 horas semanais na atenção primária, sigo uma agenda para atender aos meus pacientes. São agendados 8 pacientes para as manhãs e 5 para tarde. Além disso, são realizados atendimentos de urgência, visitas domiciliares, prevenção na escola, reuniões de equipe e atendimentos realizados por alunos que supervisiono. Encaixa isso tudo numa agenda semanal?

    Entende-se por urgência: dor aguda ou fratura dental. Pré-requisito no PSF. E dor aguda faz com que os pacientes saiam cedo da cama.

    Fico @#$% da cara com aquele paciente que chega às 11:45 com dor e quer ser atendido. Sabe aquele diazinho frio ou com chuva? SEMPRE acontece nesses dias, às 11:45, pacientes relatando que não dormiram a noite toda. E tavam fazendo o que a manhã inteira?

    A população fica mal acostumada. Quer atestado pra manhã inteira. Eu mesma ensinei alguns a fazer o teatro pra conseguir fazer Rx no CAIS sem agendar: Só dizer que estava morreeeeeendo de dor. Se não for um dentista o examinador, médico, enfermeira, técnicos, todos caem na estória. Aí o culpado é o dentista malvado que medicou sem instrumentar. Vamos combinar né?

    Enfim, o que estou querendo dizer é que não podemos julgar a atitude de um colega pelo que o paciente diz na maioria das vezes. Cada um tem a sua conduta, e ambas chegam a uma solução de maneiras diferente, depende do que o paciente vai fazer também.

    O caso da foto acima apareceu ontem de tarde, durante nosso embate via Twitter. A minha conduta nesse caso da foto ali em cima foi:

    *realizar teste de percursão vertical;
    *pressão digital na região de fundo de sulco;
    *secar a área aberta para verificar.

    O que eu encontrei:

    *dor à percursão vertical e palpação;
    *mobilidade leve;
    *lesão de furca;
    *ausência de exudato.

    A minha conduta terapêutica:

    *Prescrição de Azitromicina e Ibuprofeno;
    *Retorno do paciente para exodontia no 2 dia de medicação;
    *Deixei o dente aberto.

    Conclusão:

    *Resolvi o problema de dor do paciente, e quando for realizar a exodontia ele não estará mais sentindo dor à percurssão – logo, esta será realizada mais rapidamente e sem o sofrimento do paciente, visto que só tenho lidocaína para anestesia.
    *Não fechei o dente porque mais inflamado/infeccionado que está não vai ficar;
    *O paciente voltará para realizar outros procedimentos, visto que não houve sofrimento para a exodontia.

    O que pode acontecer:

    1) Ele volta no 2º dia de medicação e a exodontia e sutura são realizados tranquilamente, sendo prescrito apenas paracetamol se dor.
    2) Vai passar a dor e ele vai esquecer de voltar. Vai voltar daqui 3 meses com o rosto inchado e um abcesso do tamanho de uma laranja, sem conseguir abrir o olho (é o que sempre falo pra eles voltarem).
    3) Vai aumentar a resistência bacteriana e ele nunca mais vai poder tomar azitromicina!! MWAAAAA! Menos né galera! Menos! 😉

    E que venham as pedradas! =D

    #goDIVAS! GO!


  • Caso Clínico: Estética de anteriores no SUS

    >Mais um caso de gambiarra/improviso que deu certo na minha ESF.

    Paciente Benedita, 40 anos, apareceu na Estratégia de Saúde da Família Lava Pés em maio de 2010 com uma fratura na região cervical do dente 21. Chorava muito, pois não tinha condições financeiras de colocar um pivot como foi orientada no pronto-atendimento.

    Não sabia muito o que fazer, até me acalmar e decidir: pino de clips, claro! E deu certo! A gengiva da paciente é saudável, a estética ficou boa. Fiz uma faceta direta em resina no 11 também e essa semana, mais de um ano depois, a paciente me apareceu assim:


    Fratura no 11 e 12 devido uma queda pela umidade nos últimos dias aqui no sul. O 21 estava um pouco pigmentado pelo tempo, mas a forma e a função permaneciam em bom estado. Depois de desgastar toda vestibular do 11 e confeccionar uma nova faceta em resina, aproveitei pra realizar um desgaste de leve na pigmentação dos outros dentes. O resultado foi esse:

    Falta alguns detalhes na forma, mas combinamos para uma próxima consulta, pois levei cerca de 1 hora pra deixar o dente assim.

    E pra quem acha que no SUS não é possível fazer estética, minha resina e adesivo foram esses:

    Fica a dica pra quem tá entrando no serviço público: o material não é aquele que nós estamos acostumados a usar no consultório, ainda mais se tratando de estética. Usei uma única cor pra confeccionar a restauração, e ela ficou boa!

    É aquela coisa: fazer o melhor com as condições que se tem. E dessa maneira você vai ter um paciente fiel pra sempre 🙂

    #goDIVAS! GO!