Autor: Ana Tokus

  • Dentista Minuto #23: Meu paciente tem medo de dentista!

    Dentista Minuto #23: Meu paciente tem medo de dentista!

    “Eu odeio dentista”. Certeza que você, colega, já ouviu isso acompanhando de um “nada pessoal, doutor!”. Mas convenhamos: é difícil não levar pelo menos um pouquinho pro lado pessoal…

    Isso não é ódio… é medo. Um pouco de vergonha. Às vezes até fobia. E mais, é falta de informação: seu paciente não sabe o que vai acontecer do outro lado da porta da sala de espera… e isso assusta.

    Algumas verdades que aprendi interagindo com quem tem medo de dentista nesses 7 anos do Blog Medo de Dentista:

    • Confiança é fundamental, e a boca é uma parte muito íntima do nosso corpo. O paciente se sente vulnerável. Evite “dar bronca”… é possível orientar sem constranger.
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    • Nem todo mundo não escova os dentes direito por preguiça ou descaso.
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    • Medo não é frescura. Não é porque o cara tem 2 metros de altura por 1,5 de largura que ele não pode ter medo de dentista.
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    • Não subestime o medo do seu paciente, não faça pouco caso. Isso só aumenta a sensação de insegurança e é quase certo que o paciente não volta mais.
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    • Em caso de movimentos bruscos, avise seu paciente. Sempre que for “apertar, puxar, empurrar”, avise!
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    • Por outro lado, não fique explicando muito o que você está fazendo. Não entre em detalhes técnicos sobre osteotomias, odontosecções, sangramentos e retalhos.
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    • Deixe claro para o paciente que quem dita o ritmo é ele.

    E se você não se sente preparado pra atender um paciente ansioso, não atenda. Encaminhe. Vai ser melhor pra vocês dois. 😉


  • Dentista Minuto #22: Restaurações de amálgama são tóxicas?

    Dentista Minuto #22: Restaurações de amálgama são tóxicas?

    As restaurações de amálgama são aquelas metálicas, que contém mercúrio, um metal pesado, em sua composição.

    Quais os tipos de mercúrio? O que tem no amálgama é tóxico?

    Sim, tem mercúrio no amálgama. Mas calma… só fica assim desesperado quem não entende como a coisa funciona. A questão é: o mercúrio contido nas restaurações de amálgama entra em contato com o organismo a ponto de intoxicá-lo?

    É preciso lembrar que existem três formas de mercúrio: o inorgânico, o orgânico e o elementar. O mercúrio que está no amálgama é o inorgânico, que quando EVENTUALMENTE absorvido, fica nesse estado até ser completamente eliminado na urina.

    O mercúrio tóxico é o orgânico, que é completamente diferente do inorgânico, e é esse tipo de mercúrio que está presente em peixes e mariscos de água contaminada e em alguns pesticidas. Fuja desse! Já o mercúrio elementar vem da inalação de vapores, sendo que o vapor de mercúrio é absorvido e oxidado completamente à sua forma inorgânica no nosso organismo. Também vai embora no xixi.

    É importante salientar que o organismo não é capaz de transformar o mercúrio inorgânico em orgânico, o tipo tóxico.

    Precisa se vestir como o Walter White pra remover restaurações antigas de amálgama? Se você entende como funciona o material e não pretende assustar seu paciente… não. 🙂


  • Dentista Minuto #21: Pra que serve a saliva?

    Dentista Minuto #21: Pra que serve a saliva?

    Eu vejo as pessoas reclamando da saliva em 2 casos: quando têm demais e quando têm de menos. No primeiro caso, saiba: a saliva é uma bênção!

    A saliva tem muitas funções

    Ela participa do processo de digestão dos alimentos. Quando mastigamos, ela umedece a comida e ajuda a formar o bolo alimentar, além de contribuir com enzimas que já começam a digestão. Por isso é que a sua mãe dizia pra você mastigar direito: quanto menor o pedaço de comida, mais fácil fica o trabalho da amilase salivar. E o estômago, aquele preguiçoso, agradece. 😉

    A saliva também tem ação bactericida, se lubrificação, defesa e imunidade – já que ela possui anticorpos que protegem contra doenças -, remineralização dos dentes e capacidade tampão, ou seja, tem a propriedade de manter o pH (a acidez) bucal em um padrão mais ou menos constante.

    Viram? Saliva é tudo de bom!

    E quando falta saliva?

    Esse quadro se chama xerostomia, e pode ser causado por uma série de fatores e doenças sistêmicas. Pra esses casos, existe a saliva artificial. Converse com o seu dentista.


  • Dentista Minuto #20: Como limpar o local da extração de um dente?

    Dentista Minuto #20: Como limpar o local da extração de um dente?

    O local de um dente extraído consiste basicamente num “buraco” (uma loja óssea chamada alvéolo), protegido pelos pontos que o dentista deu na gengiva.

    Sim, é normal que fique esse “buraco”, porque a gengiva, nesse caso, cicatriza por segunda intenção, ou seja, as bordas da ferida não se juntam. Então os pontos que o dentista dá (quando não há cortes, claro) servem mais pra formar uma rede de proteção, e não pra fechar o alvéolo.

    Pode escovar diretamente o local?

    Não. Considere que no local da extração há uma ferida, e feridas não devem ser escovadas. Fora isso, escove os dentes normalmente.

    Pode fazer bochecho?

    Não nos 3 primeiros dias. Fazer bochechos nessa fase pode remover o coágulo, o que causa sangramento e pode até levar a uma alveolite. Mesmo passados os 3 dias iniciais, evite bochechos muito vigorosos. Vá com calma.

    Duas dicas importantes

    1. Algo que pode ajudar bastante é usar uma seringa (sem agulha) cheia de água limpa, enxaguante bucal ou soro fisiológico pra lavar o local da extração. Essa estratégia ajuda a remover resíduos alimentares maiores.
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    2. Outra dica é usar um cotonete umedecido pra limpar os pontos superficialmente, pra remover aquela camada esbranquiçada de resíduos. Mas não introduza o cotonete no “buraco” ou em qualquer reentrância, ok?! A limpeza é apenas superficial.


  • Dentista Minuto #19: Dentes sensíveis… o que fazer?

    Dentista Minuto #19: Dentes sensíveis… o que fazer?

    Sabe quando bate aquele vento “na diagonal” ou quando você toma alguma coisa gelada e seus dentes doem? Não? Sorte sua. 🙂

    Hipersensibilidade Dentinária

    Esse é o nome do problema. Suas causas podem ser várias: recessão gengival, desgaste dos dentes, consumo de alimentos e bebidas ácidos, escovação dentária incorreta, uso de próteses, doença periodontal, etc..

    Mas, no fim das contas, o motivo é o mesmo: um maior estímulo do meio externo ao nervo do dente, seja por haver menos tecido que o proteja, seja por esse tecido estar mais permeável.

    Qual o tratamento?

    Quem sofre de hipersensibilidade dentinária não está condenado a sofrer eternamente! A primeira coisa é procurar um dentista e identificar a causa da sua hipersensibilidade. O tratamento pode incluir a aplicação local de dessensibilizantes, bochechos com flúor, laserterapia e o uso de pastas de dente específicas pra esse fim. Todas as principais marcas têm a sua… e com tecnologias diferentes, elas fazem praticamente a mesma coisa: fecham os túbulos dentinários para não deixar o estímulo doloroso passar.

    Qual delas é o melhor? Depende. Até porque 9 entre 10 dentistas (dizem) recomendam todas elas 😉 .

    Converse com o seu dentista.


  • Dentista Minuto #17: Dente com tratamento de canal pode doer?

    Dentista Minuto #17: Dente com tratamento de canal pode doer?

    Quando um dente tem o canal tratado, o nervo dele é removido e o seu interior preenchido com um material que o veda e impede nova proliferação de bactérias.

    Mas dente sem nervo dói?

    A polpa, que é o nervo do dente, não dói mais, claro. Mas tudo que está em volta do dente continua vivinho da Silva! E esses tecidos doem, sim.

    E o que pode causar dor?

    Os motivos podem ser vários, mas os mais frequentes são:

    Sobreinstrumentação

    Quando a lima usada pra limpar o interior do dente vai um pouco além de onde deveria ir. Geralmente incomoda uns dias, depois passa.

    Sobreobturação

    Quando o material que vai dentro do canal vai um pouco além de onde deveria ir. Se for muito, tem que remover.

    Problema na restauração

    O canal está ok, mas a restauração ficou “alta”, por exemplo. Aí os tecidos em volta do dente ficam doloridos e é preciso ajustar a restauração.

    Deficiência no tratamento de canal

    Não ficou bom. Pode haver pus saindo por um buraquinho na gengiva. Aí tem que tratar o canal de novo, não tem jeito.

    Se seu dente teve o canal tratado e tá doendo ainda, entre em contato com o seu dentista pra reavaliar. 😉


  • Dentista Minuto #16: Raios X fazem mal?

    Dentista Minuto #16: Raios X fazem mal?

    Sim ou não?

    Sim, mas vamos por partes. Os raios X são um tipo de radiação ionizante. Eles modificam os tecidos do nosso organismo através de reações químicas. Seus efeitos são cumulativos e o dano é permanente e irreversível. Mas CALMA! Os raios solares fazem a mesma coisa e nem por isso você usa protetor solar todo dia. Ou usa? (se não usa deveria #ficadica)

    Então, por que tanto medo de fazer radiografia no médico ou no dentista? Que fique claro: não tem nada NADA de radioativo nos aparelhos de raios X. Eles só emitem radiação quando acionados.

    É radioativo?

    A radioterapia – que não tem nada a ver com radiografia – pode usar isótopos radioativos, sim, pra destruir células tumorais, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra.

    Qual a dose de radiação de uma radiografia?

    A dose de radiação que você recebe ao fazer uma radiografia no dentista é baixíssima. Pra se ter uma ideia, você teria que fazer 100 mil (!) radiografias periapicais no mesmo ano pra aumentar o risco de ter câncer. Não pra TER: pra aumentar a chance!

    Um levantamento periapical tem 14 radiografias. Quem é que faz mais de 7 mil deles por ano? Uma radiografia panorâmica vale por 4 periapicais. Seria preciso fazer umas 68 POR DIA em 1 ano pra correr algum risco. Você faz talvez umas 2 por ano… e olhe lá!

    Se há indicação de exame radiográfico, esteja certo que o benefício é infinitamente maior que o custo biológico.

    E se no dia da consulta no dentista estiver muito quente e você for se expor ao sol no caminho, use um boné e passe filtro solar. Sol dá câncer. 😉


  • Auto-tratamento ortodôntico com alinhadores transparentes

    Auto-tratamento ortodôntico com alinhadores transparentes

    Fazer um tratamento ortodôntico exige tempo, dinheiro e muitas idas ao ortodontista. Exceto para um aluno do New Jersey Institute of Technology, que fez seus próprios alinhadores removíveis usando uma impressora 3D e US$ 60.00 (cerca de R$ 190,00).

    Amos Dudley chegou a usar aparelho fixo normalmente, como qualquer mortal, mas seus dentes lentamente voltaram a se desalinhar. Shit recidiva happens. Sem dinheiro no banco, o designer digital tinha a sua disposição “apenas” sua inteligência e uma impressora 3D de alta qualidade da Universidade.

    Dudley pesquisou sobre Ortodontia e sobre como funciona a movimentação ortodôntica com alinhadores… e depois de muitos testes, deu certo! Ele conta o processo todo em seu blog.

    Modelo inicial
    Sequência de modelos
    Alinhadores

    Certamente alguém vai dizer: “ah, mas isso é exercício ilegal da Odontologia!” Sabe que eu acho que não? Ele não “tratou” ninguém, ele fez nele mesmo! Ele foi imprudente, claro, considerando que não tem conhecimento suficiente sobre ortodontia… mas é preciso reconhecer: ele é muito inteligente.

    Acabei me identificando com a história dele porque sou formada em Odontologia e Design de Produto, e vivo dizendo: são duas áreas que têm TUDO a ver. Taí a prova. Fico feliz que tenha dado tudo certo e que o Dudley não tenha perdido nenhum dente. 🙂

    E se você aí tá achando que descobriu um jeito de “driblar” o ortodontista, sinto muito: o caso desse estudante de Design é uma exceção. Ele é esperto, teve que fazer muita pesquisa e a movimentação ortodôntica que ele pretendia era bem pequena.

    Claro que agora tem um monte de gente no blog dele querendo que ele faça alinhadores, mas ele já avisa: “I won’t be making retainers/aligners for people (even if you offer money). I’ve thought about the possibility, and decided it’s not a good idea for a large number of reasons. Sorry!”. Em tradução livre: “Eu não vou fazer alinhadores para as pessoas (mesmo se você oferecer dinheiro). Eu pensei sobre essa possibilidade, e decidi que não é uma boa ideia por uma série de motivos. Desculpe!”.

    Procure um ortodontista. 😉


  • Dentista Minuto #14: A Anestesia do Dentista

    Dentista Minuto #14: A Anestesia do Dentista

    Depois do motorzinho do dentista, o que causa mais medo é a anestesia. Ué, mas não era pra anestesia ser uma coisa boa? E é, acredite!

    A agulha gengival é bem mais fina e flexível que aquelas de injeção. Não fique imaginando uma “injeção na boca”, é bem mais light que isso.

    “Ah, doutora, será que precisa mesmo?” Precisa. Aliás, por que o dentista sugeriria anestesia se não houvesse necessidade? Muitas vezes o paciente vem com aquela história de “vamos tentar sem anestesia pra ver se dá”, mas acaba sendo pior…

    “Eu quase morri de dor no dentista!”. E você deixou o dentista aplicar anestesia? Então…

    Sim, a anestesia pode oferecer certo desconforto. Mas nada de mais. A anestesia é uma bênção!

    Resumindo… ninguém gosta de tomar anestesia. Eu não gosto. Mas a anestesia não é um motivo pra sentir dor, é a solução pra ela. Não há nada pior pra você do que ser aterrorizado pela possibilidade da dor cada vez que o seu dentista aperta o pedal do “motorzinho”. E não há nada pior para o seu dentista do que tentar atender você enquanto você pula na cadeira. 🙂


  • Atestados, prescrições e pedidos de exames de dentistas não podem ser recusados

    Atestados, prescrições e pedidos de exames de dentistas não podem ser recusados

    O título deste post é tão óbvio que confesso que fico até meio constrangida de ter que afirmar isso. E essa afirmação está sendo feita com o objetivo de alertar nossos pacientes… porque empregadores, farmácias, convênios, laboratórios, etc. sabem disso… só fazem de conta que não sabem quando assim convém.

    Portanto, apesar de questionamentos, pacientes devem ficar atentos: pedidos de exames, atestados odontológicos e prescrições de medicamentos de cirurgiões-dentistas valem tanto quanto documentos assinados por médicos. E por que seria diferente?

    Exame no dentista

    Documentos constantemente emitidos por cirurgiões-dentistas, os atestados odontológicos, receitas e pedidos de exame ainda são alvo de questionamentos. As dúvidas vêm tanto de setores de RH quanto de profissionais da área de vendas de medicamentos, técnicos de laboratórios e se estendem também aos pacientes. O que muita gente não sabe é que os mecanismos têm validade garantida juridicamente e não podem ser rejeitados, a não ser que haja suspeita de falsificação ou outras irregularidades, que devem ser averiguadas.

    Atestados

    O atestado, por exemplo, está previsto no Artigo 6º, parágrafo III da Lei 5081/66. Ele aponta que é de competência do cirurgião-dentista: “Atestar, no setor de sua atividade profissional, estados mórbidos e outros, inclusive, para justificação de faltas ao emprego”. A relevância do documento é a mesma conferida aos atestados emitidos por médicos e é dever de empregadores e gestores de RH atentarem para esse detalhe.

    Os dados que constam no atestado odontológico podem ser usados para diversos fins. Eles informam desde o tempo que o paciente esteve no consultório até a indicação de necessidade de repouso. O CID (Classificação Internacional de Doenças) – muitas vezes exigido pelas empresas – só pode ser lançado a pedido expresso de quem passa pela consulta, isso porque o cirurgião-dentista é obrigado a garantir a privacidade do paciente e o sigilo profissional. A recusa do documento por parte de empregadores pode trazer questionamentos na justiça. Quando uma empresa não aceita um atestado odontológico legítimo, o trabalhador tem o direito de acionar a Delegacia Regional do Trabalho e o sindicato que o representa para denunciar o fato.

    “O atestado não pode ser negado sob a justificativa de que o mesmo foi emitido por cirurgião-dentista”, ressalta o presidente da Comissão de Ética do CROSP (Conselho Regional de Odontologia de São Paulo), Wilson Chediek. As únicas situações que justificariam a recusa são indícios de eventual falsificação ou rasuras e informações incompletas. Além dos atestados odontológicos, a prescrição de medicamentos também faz parte das competências do cirurgião-dentista. De acordo com a Lei Federal nº. Lei 5081/66, dentistas têm o direito de prescrever e aplicar especialidades farmacêuticas, em decorrência do ato ou procedimento odontológico.

    “O cirurgião-dentista também pode usar medicação de urgência, no caso de acidentes graves que comprometam a vida e a saúde do paciente”, acrescenta Chediek.

    Para que tenha validade, a receita precisa ser clara, legível e em linguagem compreensível. Deve ser escrita sem rasuras, em letra de forma ou por extenso. Abreviaturas, códigos e símbolos estão vedados.

    Pedidos de exame

    A recusa de pedidos de exame solicitados por cirurgião-dentista por parte de laboratórios e Operadoras de Planos Médicos ou Odontológicos também é assunto polêmico e já ganhou repercussão nacional na TV. Pacientes e profissionais denunciaram que planos de saúde só aceitavam documento com carimbo do Conselho Regional de Medicina (CRM), o que é ilegal de acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

    A Lei Federal nº Lei 5081/66, além da Lei 9656/98 e as normativas da ANS asseguram aos profissionais da Odontologia o direito de solicitar exames, o que também está garantido na Portaria do Ministério do Trabalho e Emprego n° 397 de 2002. Ela estabelece, dentro da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), a competência do cirurgião-dentista em solicitar exames complementares, como radiografias, ressonância magnética e solicitações de risco cirúrgico e exames de laboratório em geral.

    Portanto, os pedidos de exame só podem ser rejeitados caso haja rasuras ou alguma outra inconsistência relacionada ao paciente ou ao profissional. “Para que isso não ocorra é importante seguir a legislação vigente e as normas do Código de Ética. Mas, se ainda assim houver a recusa por parte das operadoras de saúde, laboratórios, clínicas e hospitais, o paciente ou o profissional devem denunciar o caso à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)”.

    É importante que os pacientes verifiquem se o exame é considerado de cobertura obrigatória pelo rol mínimo estabelecido pela ANS ou pelas cláusulas do contrato com o plano de saúde. Havendo essa obrigatoriedade e, sendo o exame um documento necessário para que o cirurgião-dentista estabeleça seu diagnóstico e acompanhe a evolução do tratamento odontológico, ele não poderá ser negado pelas operadoras, hospitais, clínicas ou laboratórios.

    A recusa, de forma indiscriminada, dos documentos odontológicos como atestados, prescrições e pedidos de exames trata-se de conduta ilegal e que deve ser levada ao conhecimento dos órgãos competentes de acordo com seu âmbito de averiguação, seja perante os CROs, a ANS, o PROCON ou outro órgão de defesa do consumidor. 

    Colegas CDs, façam suas requisições de exames e anexem uma cópia da Súmula Normativa no 11 da ANS. Lá está bem claro que é competência do dentista pedir exames e requisitar internações, e não precisa ter “guia do convênio” não… exigir isso é má fé. Fica a dica.

    Veja também o que o CFO fala sobre isso.

    Via Segs