Autor: Ana Tokus

  • Dentista Minuto #30: Remédio Pra Dor de Dente

    Dentista Minuto #30: Remédio Pra Dor de Dente

    Quando a dor de dente aparece, é compreensível que você vá atrás de um remédio. Só que, pra saber o remédio certo (e se é caso pra remédio), é preciso saber a causa da dor. E pra saber a causa da dor, só procurando um dentista.

    Analgésicos

    Analgésicos diminuem a dor, mas existem muitos tipos deles, que agem de várias formas. O que funciona pra um paciente, pode não servir pra outro.

    Anti-inflamatórios

    Anti-inflamatórios são medicamentos que combatem a inflamação dos tecidos. Às vezes os sintomas da inflamação (entre eles a dor) são exacerbados, e por isso se recomenda anti-inflamatórios, que acabam, direta ou indiretamente, atuando sobre a dor. Existem vários tipos de anti-inflamatórios, pra diferentes fins. Não, não é tudo igual.

    Antibióticos

    Antibióticos são remédios usados pra combater infecções, eles combatem bactérias. Antibióticos NÃO SÃO analgésicos ou anti-inflamatórios mais fortes, como muita gente pensa.

    Tendo isso em mente, fica claro que se você tem uma dor de dente é preciso entender o motivo pra tomar o melhor remédio. Se é que precisa de remédio.

    Às vezes há dor, mas não há inflamação. Às vezes há inflamação, mas não há infecção. Às vezes há infecção mas não há dor. Mas a verdade mais importante é que nenhuma dor pode ser eliminada sem que a causa dela seja removida… e aí entra o dentista.

    Dor de dente não é doença, é um sintoma. Não pule a parte mais importante… tá com dor de dente? Procure um dentista pra avaliar e tratar do jeito que funciona!


  • Alunos de Odonto da UnB fazem e doam próteses faciais a pacientes carentes

    Alunos de Odonto da UnB fazem e doam próteses faciais a pacientes carentes

    Estudantes de Odontologia da Universidade de Brasília (UnB) estão ajudando pacientes mutilados e de baixa renda do Distrito Federal a retomar a autoestima e a qualidade de vida. Eles produzem e distribuem, gratuitamente, próteses de nariz, olho, lábios e orelhas artificiais.

    As peças são fabricadas no próprio Hospital Universitário de Brasília (HUB), de forma personalizada.

    Os atendimentos começaram em 2005 com uma única voluntária, a professora Aline Úrsula. Formada em Odontologia, ela teve de viajar até São Paulo para fazer a especialização em Prótese Dentária e Implantodontia. Ao retornar a Brasília, Aline decidiu aplicar as novas técnicas aprendidas em pessoas que não podiam pagar pelas peças. Atualmente o projeto de reabilitação de pacientes mutilados conta com 35 voluntários, entre estudantes, residentes e dentistas graduados. “Nosso objetivo é atender a pacientes mutilados. Tentamos dar qualidade de vida a pessoas que talvez não teriam, se ainda estivessem com a mutilação à vista”, diz.

    Como o projeto não tem parceria com centros públicos de tecnologia – para a aquisição de uma impressora 3D, por exemplo –, as próteses são feitas em silicone, manualmente, pelos próprios estudantes. A professora dá suporte e acompanha cada fabricação. No gesso, os voluntários moldam o rosto do paciente. Com as mãos e a ajuda de instrumentos próprios, a região mutilada vai ganhando uma nova forma, feita inicialmente com cera aquecida. As peças são testadas nos pacientes e, quando adaptadas ao rosto, seguem para a fase definitiva de confecção, em silicone ou acrílico. O trabalho é minucioso.

    “Fazemos uma caracterização para deixar mais próxima do real, depois cobrimos com acrílico transparente e fica pronta para entregarmos ao paciente”.

    Luiz Felipe Araújo, de 6 anos nasceu com o olho atrofiado e, quando completou nove meses de vida, recebeu a primeira prótese dos voluntários do HUB. À medida que Luiz Felipe cresce, a peça vai sendo substituída. O garoto disse não se importar com a condição. No departamento de saúde bucal do HUB, enquanto esperava pela confecção do olho artificial, Luiz Felipe contou sobre os sonhos para a vida adulta. “Quero ser policial de trânsito. É uma boa profissão”.

    Luiz FelipeLuiz Felipe

    Se tivessem que pagar pela prótese, os familiares de Luiz Felipe teriam que desembolsar de R$ 5 mil a R$ 9 mil a cada troca de tamanho. Não há uma estimativa exata de quantas atualizações são necessárias.

    Há 9 anos, a dona de casa Rosilene Silva foi diagnosticada com um carcinoma no olho, que se espalhou por todo lado direito da face. Para conter o avanço da doença, ainda em 2008, foi preciso retirar o olho, a sobrancelha e a maçã do rosto da paciente.

    Rosilene Silva

    Após a cirurgia, ela passou a utilizar um tampão, com gaze e esparadrapo, para esconder as partes mutiladas. Sem ter coragem de sair de casa, Rosilene desenvolveu depressão e parou de se olhar no espelho. “A gente fica com a autoestima baixa. Fico muito isolada e sinto tristeza. Pensar que terei a prótese está levantando a minha autoestima. Quando eu receber, pretendo voltar a trabalhar e sair mais”. 

    A dona de casa vive em Brasília com um salário mínimo, fruto da pensão pela morte do marido. Segundo Rosilene, uma pesquisa feita em outros centros de saúde indicou que a prótese, na rede privada, custaria de R$ 20 mil a R$ 30 mil. Um valor que Rosilene não tem condições de pagar. Devido ao projeto, em poucas semanas, a paciente deve receber a peça artificial gratuitamente. Feita de silicone, a peça está em fase de confecção há quase seis meses. Nessa parte do trabalho, os voluntários tentam reproduzir, com perfeição, os detalhes do rosto: veias, pigmentação da pele, cor dos olhos e cílios.

    “Eu fico toda empolgada no dia de vir para cá, porque sei que daqui a alguns dias terei a prótese. Agora eu estou com a autoestima até altinha”. 

    A reabilitação de pacientes mutilados é realizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) de forma gratuita. Para ser atendido no HUB, o interessado deve, inicialmente, buscar o atendimento na rede pública de saúde do Distrito Federal. A indicação para o tratamento com próteses é feita, obrigatoriamente, por alguma unidade pública de saúde do DF, que encaminha o paciente ao HUB, via sistema de regulação.

    No Hospital Universitário de Brasília a equipe realiza, em média, 20 atendimentos por semana. Cada paciente retorna de 3 a 4 vezes para dar continuidade ao processo.

    A Odontologia é uma coisa linda, né?! <3

    Dica da Celinha


  • Dentista Minuto #29: Clareamento dental deixa os dentes fracos?

    Dentista Minuto #29: Clareamento dental deixa os dentes fracos?

    Uma das grandes dúvidas que as pessoas têm em relação ao clareamento dental é se ele prejudica os dentes de alguma forma.

    Como é feito o clareamento dental?

    Todo clareamento segue o mesmo princípio: um gel – peróxido de hidrogênio ou peróxido de carbamida – penetra na estrutura dos dentes e reage quimicamente com os pigmentos. Inúmeros estudos demonstram que o princípio ativo dos géis branqueadores não modifica a estrutura mineral dos dentes, pois fatores protetores presentes na saliva previnem uma perda mineral significativa.

    O clareamento enfraquece ou prejudica os dentes?

    Géis clareadores dentais não são abrasivos, ou seja, não desgastam os dentes, diferentemente de algumas pastas de dentes que prometem branqueamento, mas só removem manchas superficiais por abrasão.

    Mas é preciso ressaltar: tem que se respeitar algo chamado ponto de saturação, que é quando ocorre o máximo clareamento. Se você continuar aplicando o gel, além desse ponto – que é diferente pra cada pessoa – o peróxido começa a atuar em outros compostos orgânicos, e pode levar à perda de estrutura mineral, sim.

    Então não invente: todo clareamento é feito sob orientação e supervisão do dentista! Procure um.


  • A relação entre os dentes e outros órgãos segundo a Medicina tradicional chinesa

    A relação entre os dentes e outros órgãos segundo a Medicina tradicional chinesa

    Já de cara quero deixar claro: nenhuma de nós, OdontoDivas®, está sugerindo que você deva acreditar ou está apoiando o que prega a Medicina tradicional chinesa. Encare este post como uma curiosidade, ok?! 😉

    Dentes X outros órgãos do nosso corpo

    Mas… segundo a Medicina tradicional chinesa, cada grupo de dentes têm relação direta com outros órgãos do nosso corpo, como se fosse uma “conexão”. Você já deve – ou não – ter ouvido falar do sistema de meridianos da acupuntura… pois bem: o “equilíbrio energético” entre os meridianos que interligam todos os nossos órgãos também ligaria os dentes a outros órgãos do organismo.

    Na Odontologia sabe-se que uma infecção dentária pode chegar a outros órgãos do corpo via aspiração ou corrente sanguínea. Falo só sobre isso aqui: Nunca subestime um dente “inflamado”! (com vídeo). Porém, a Medicina tradicional chinesa vai além… um dente “doente” interferiria diretamente na saúde do órgão ao qual ele está associado, da seguinte forma:

    Os dentes e outros órgãos

    GRUPO DE DENTES ÓRGÃO ASSOCIADOS
    Incisivos Rins, bexiga e orelhas
    Caninos Fígado e visícula biliar;
    Molares Estômago, baço e pâncreas
    “Sisos” Coração e intestino delgado



    Portanto, saber quais órgãos estão relacionados a cada grupo de dentes pode ser útil! Mas é preciso ressaltar que nem toda dor de dente é necessariamente um sintoma de doença em outro órgão. Dor de dente geralmente é só dor de dente, mesmo… com causa local: cárie, sensibilidade dentinária, doença periodontal… tudo aquilo que a Odontologia tradicional ocidental 😀 já conhece muito bem.

    Algumas doenças que podem estar associadas com problemas dentários

     

    • Dor nos incisivos superiores e inferiores: cistite, otite ou pielonefrite
    • Dor no incisivo central: tonsilite e prostatite
    • Dor nos caninos: colecistite ou hepatite
    • Dor nos pré-molares: colite, reação alérgica, pneumonia ou disbiose intestinal
    • Dor nos molares: úlcera gástrica, pancreatite, úlcera duodenal, anemia e gastrite crônica
    • Dor molares inferiores: pode ter relação com varizes, pólipos no cólon ou problema no pulmão, como asma, bronquite e pneumonia
    • Dor nos terceiros molares (sisos): problemas cardíacos e defeitos congênitos

    * * *

    Mas se por acaso você tiver uma dor de dente, não fique em casa imaginando que órgão seu está com problemas… porque via de regra é seu dente mesmo, e você precisa é de um dentista. Procure um e resolva logo isso! #ficaadica 😉


  • Dentista Minuto #28: Prótese em Odontologia

    Dentista Minuto #28: Prótese em Odontologia

    A maioria das pessoas não sabe a diferença entre os tipos de próteses odontológicas. Fixas, removíveis, totais, parciais, unitárias, sobre implantes…

    É muito comum o paciente chegar no consultório dizendo que quer um implante quando, na verdade, precisa de uma coroa. Ou pedir uma dentadura quando ao seu caso se aplica uma prótese parcial removível. Vamos arrumar essa bagunça?

    Prótese Total

    É a famosa dentadura. Ela substitui todos os dentes de um arco, ou de cima, ou de baixo.

    Prótese Parcial Removível

    Já a Prótese Parcial Removível substitui um grupo de dentes perdidos. A “ponte removível” pode ter estrutura em metal ou resina, e se apoia nos outros. Os dentes das PPRs são feitos em resina, também.

    Prótese Parcial Fixa

    É a mesma coisa. Só que é fixa. 😀 Ela é cimentada nos dentes ao lado do espaço “vago” e pode ser feita de vários materiais: cerâmica, apenas metal, metal revestido por cerâmica ou um material estético resinoso e, ainda, resina.

    Prótese Fixa Unitária

    São as “coroas”. Substituem a coroa de um dente perdido. A raiz está ok… então ela recebe um pino e uma coroa protética.

    Prótese Sobre Implante

    É uma coroa parecida com a a Prótese Fixa Unitária, só que é instalada sobre um implante, e não sobre a raiz de um dente.

    E o implante?

    O Implante é uma prótese de raiz! Quando você perde um dente inteiro, coroa e raiz, é possível instalar um implante, que nada mais é que um “parafuso” que é inserido no osso e, em cima dele, vai a coroa. Ou ponte.

    Pronto, agora você não se perde mais!

    O importante é você e seu dentista conversarem a respeito e decidirem juntos o que é mais indicado para o seu caso e para o seu bolso. Mas garanto: banguela você não fica. 😉


  • Dentista Minuto #27: Ronco e apneia do sono (SAHOS)

    Dentista Minuto #27: Ronco e apneia do sono (SAHOS)

    23% dos brasileiros roncam todas as noites. Mas apneia do sono, você sabe o que é?

    A Síndrome da Apneia e Hipopneia Obstrutiva do Sono (SAHOS) é a interrupção recorrente da respiração e a consequente ocorrência de paradas respiratórias durante o sono. A pessoa “puxa” mas o ar não vem, porque há alguma obstrução que impede a sua passagem.

    A interrupção do fluxo de ar por mais de 10 segundos caracteriza um episódio de apneia.

    O que causa a abstrução das vias aéreas?

    Alterações anatômicas (o tamanho e o posicionamento da língua, tonsilas palatinas e tonsilas faríngeas grandes (que o pessoal chama de amígdalas e adenoides) podem obstruir as vias aéreas.

    Alterações craniofaciais como retrognatia e atresia maxilar, o posicionamento mais baixo do osso hióide.

    O fator genético, obesidade, fatores hormonais (menopausa, hipotireoidismo, etc.), o uso de medicamentos (benzodiazepínicos) e o consumo de álcool no período da noite predispõem à apneia obstrutiva.

    E qual o tratamento?

    O tratamento vai desde cirurgia ao uso de máscaras nasais, aparelhos de avanço mandibular e lingual, exercícios para a musculatura orofacial, perda de peso… depende do caso.

    E como o dentista pode ajudar?

    O dentista é o profissional que mais entende da anatomia e da fisiologia do ossos da face, assim como da relação entre eles, e uma das formas de tratar a apneia obstrutiva é através dos aparelhos bucais, e é o dentista quem os prescreve. Portanto, consulte também um dentista. 😉


  • Dentista Minuto #26: A relação entre osteoporose e a perda dos dentes

    Dentista Minuto #26: A relação entre osteoporose e a perda dos dentes

    A osteoporose uma doença óssea, mais comum em mulheres a partir da menopausa, caracterizada pela baixa formação e/ou rápida reabsorção óssea. A consequência é que a densidade óssea fica diminuída e os ossos ficam frágeis.

    Mas mesmo sem osteoporose, por causa do envelhecimento, é esperado que tenhamos ossos menos densos, fenômeno que recebe o nome de osteopenia.

    E a osteoporose causa a perda de dentes?

    Não, o que faz isso é a doença periodontal.

    A periodontite pode ocorrer quando há acúmulo de tártaro ao redor dos dentes, inclusive por baixo da gengiva, levando à formação de bolsas periodontais.

    A quantidade de osso em volta dos dentes diminui, levando ao amolecimento deles e, na falta de tratamento, à perda dos dentes, que quando não caem sozinhos precisam ser extraídos.

    Portanto, a relação entre osteoporose e periodontite está em que a primeira pode piorar a segunda, mas nunca causar a perda de dentes de forma direta.

    Não bote a culpa nela. 😉


  • Dentista Minuto #25: Nunca subestime um dente “inflamado”

    Dentista Minuto #25: Nunca subestime um dente “inflamado”

    Você sabia que a infecção em um dente pode chegar em outros órgãos do seu corpo?

    Quando você fica “dando jeitinhos” de não ir ao dentista e mantém um dente com infecção sem tratamento, pode estar indo por uma caminho bem perigoso…

    Às vezes bactérias que costumam viver apenas na boca podem viajar via corrente sanguínea e aparecer em outro lugar do nosso organismo, provocando grandes danos.

    Bactérias "viajam" através do sangue
    Bactérias “viajam” através do sangue

    O que essas bactérias causam?

    No coração, podem causar endocardite bacteriana, se instalando numa válvula cardíaca.

    Nas articulações podem levar ao reumatismo articular agudo, que causa muita dor e restrição de movimentos.

    Nos pulmões, e aí via aspiração, podem causar infecção, levando até à pneumonia.

    Nos rins podem causar nefrite, que é inflamação deles. Essa condição, por sua vez, é a causadora de inúmeros outros problemas renais.

    Então as dicas são: cuide muito bem da sua higiene bucal e, ao primeiro sinal de problema dentário ou gengival, procure um dentista. Não deixe as bactérias pegarem você de surpresa. 😉


  • Dentista Minuto #24: Por que os dentes escurecem?

    Dentista Minuto #24: Por que os dentes escurecem?

    Você sabia que seus hábitos alimentares, de higiene e etc. interferem diretamente na cor das suas restaurações e dos seus dentes? Pois é.

    O que escurece os dentes?

    Pessoas que têm o costume de beber muito café, vinho e refrigerantes que abusam dos corantes artificiais podem ter diminuída a longevidade estética das suas restaurações, e ter dentes mais escuros e/ou amarelados do que gostariam.

    Da mesma forma, o fumo interfere diretamente não só na cor das restaurações como na cor dos dentes.

    O que são manchas extrínsecas? E intrínsecas?

    Todos os produtos citados favorecem o aparecimento de manchas chamadas extrínsecas na superfície dentária. Essas pode ser eliminadas no clareamento dentário. Já as intrínsecas, não.

    As manchas intrínsecas são aquelas manchas provenientes do uso de algumas variedades de antibióticos na época da formação dos dentes ainda dentro da gengiva, manchas de fluorose, etc.. Essas manchas estão na estrutura do dente, digamos assim.

    Como prevenir?

    A qualidade da sua higiene é fundamental.

    Uma boa escovação depois de ingerir certos alimentos e bebidas faz com que seus resíduos permaneçam por menos tempo em contato com o esmalte dos seus dentes, diminuindo a chance de manchas e pigmentações. Portanto, faça a sua parte. 😉


  • Por que Odontologia e Medicina não são uma coisa só?

    Por que Odontologia e Medicina não são uma coisa só?

    Médicos são médicos e cirurgiões-dentistas são cirurgiões-dentistas.

    Plano de saúde é uma coisa, convênio dental é outra coisa. Seu médico não pergunta se você está usando fio dental e seu dentista não pergunta se você está se exercitando. No continente americano, de forma geral,  a boca é tratada separadamente do resto do corpo, uma situação bizarra que Mary Otto explora em seu novo livro Teeth: The Story of Beauty, Inequality, and the Struggle for Oral Health in America (algo como: Dentes: A História da Beleza, da Desigualdade e da Luta pela Saúde Bucal na América).

    Não é estranho se especializar no tratamento de uma parte do corpo. Médicos fazem isso o tempo todo. O estranho é o divórcio entre o cuidado bucal e o cuidado geral dentro do sistema de ensino da Medicina, redes profissionais, prontuários médicos e sistemas de pagamento, de modo que o dentista não é apenas um tipo específico de médico, mas outro profissional completamente à parte.

    Mas o corpo não assinou este acordo, e os dentes não sabem que eles devem manter seus problemas confinados à boca. Esta separação leva a consequências reais: os problemas dentários não tratados pioram, e às vezes matam.

    Segue parte da entrevista com a autora Mary Otto sobre o cisma entre Odontologia e Medicina, como aconteceu, por que foi assim e quais são as consequências que perduram até hoje. Ela fala dentro do contexto nos EUA, mas aqui no Brasil não foi muito diferente. Ao longo da entrevista vou complementando as informações, entre colchetes [ ], com o contexto brasileiro, ok?!

    Dentistas são médicos.
    Dentistas são médicos. Ou não?

    Entrevista com a autora

    Julie Beck (jornalista): Voltemos à origem de como a Odontologia e a Medicina se separaram em primeiro lugar. É algo, agora, normal pra nós. Mas na verdade é realmente estranho… houve uma época em que o atendimento odontológico estava integrado com os cuidados médicos?

    Mary Otto (autora): Via de regra, sempre foram atividades separadas. Cuidar dos dentes começou como um tipo de comércio. Nos dias do cirurgião-barbeiro, as habilidades do dentista estavam entre um dos muitos serviços pessoais oferecidos por eles, como as sangrias, a ventosaterapia e as extrações dentárias. Extrair e restaurar dentes eram encarados como desafios puramente mecânicos. Esse tipo de profissional atuou na primeira parte da história dos EUA. Paul Revere, por exemplo, era um denturist (algo como um técnico em prótese dentária), ele fazia joias e também dentaduras.

    A Odontologia virou profissão mesmo em 1840, em Baltimore.

    [No Brasil nossa profissão existe oficialmente desde o decreto 9311 de 25 de outubro de 1884, quando foi instituído o primeiro curso de Odontologia brasileiro. Existiam apenas faculdades de Medicina na época, e aí foi feito o seguinte: as faculdades de Medicina passaram a oferecer, também, 3 cursos anexos: Farmácia, Ginecologia e Obstetrícia e Odontologia. Então eram 4 formações médicas distintas: médico, farmacêutico, ginecologista / obstetra e dentista. O curso de Odontologia criado em 1884 foi transformado em faculdade de Odontologia em 1925, continuando anexa a faculdade de Medicina, que pertencia à Universidade do Rio de Janeiro. Em 1933, a Faculdade de Odontologia tornou-se autônoma, sendo inaugurada em 1934].

    Surgia então a primeira faculdade de Odontologia do mundo, uma iniciativa dos dentistas práticos Chapin Harris e Horace Hayden. O casal entrou em contato com  dos médicos da faculdade de medicina da Universidade de Maryland, em Baltimore, com a ideia de adicionar o ensino da Odontologia ao curso de Medicina, porque eles realmente acreditavam que a Odontologia ia além de um desafio mecânico, e que merecia status como profissão. Mas os médicos, segundo a história nos conta, desdenharam da proposta, alegando que os dentes têm pouca importância. Esse evento é lembrado como “the historic rebuff” (“a rejeição histórica”). Não se toca muito no assunto, mas esse “fora” é visto como um marco que definiu as relações entre a educação médica e odontológica, assim como um divisor de águas no que tange à forma diferenciada como a Medicina e a Odontologia são tratadas pelos sistemas de saúde. Dentistas ainda perfuram e preenchem dentes, enquanto médicos só enxergam o corpo humano das tonsilas palatinas para baixo. É assim até hoje.

    Beck: Parece que, desde a rejeição histórica, os dentistas se acomodaram e preferiram ficar separados dos médicos. Você também acha isso? Por que não tratamos os dentes como parte do conjunto do corpo humano?

    Otto: Essa questão foi levantada várias vezes ao longo dos anos. Há quase um século, na década de 1920, um químico / biólogo chamado William Gies, um visionário, visitou todas as escolas de Odontologia dos EUA e do Canadá, em nome da Fundação Carnegie, pedindo que a Odontologia fosse considerada uma parte essencial do sistema de saúde. Ele dizia: “A Odontologia não pode mais ser aceita como mera técnica dentária”. Ele queria que a saúde bucal e a saúde geral fossem integradas no mesmo sistema, mas aí a Odontologia organizada lutou para manter a separação da Medicina. Os dentistas emergiram como defensores da autonomia profissional e da independência da Odontologia do sistema de saúde. O ex-cirurgião geral David Satcher disse o mesmo que Gies nos anos 2000, quando emitiu o relatório Saúde Bucal na América.“Devemos reconhecer que a saúde bucal e a saúde geral são inseparáveis”. E parece que as coisas estão mudando… mas muito devagar.

    Beck: Então você acha que a razão pela qual os dentistas queriam ficar separados era realmente apenas uma questão de independência profissional?

    Otto: Sim. Era uma questão de mercado. Autonomia profissional.

    Beck: É interessante como essa separação perdura até hoje, porque isso definiu o comportamento dos seguros de saúde, do acesso aos cuidados odontológicos, de todas essas coisas. Você pode nos dar uma visão geral sobre as consequências práticas de se manter a Odontologia como uma profissão à parte da Medicina?

    Otto: Um dos exemplos mais dramáticos é que mais de um milhão de pessoas por ano vão parar nas emergências dos hospitais por causa de problemas dentários. Não aqueles com origem em traumas, como em acidentes de trânsito, por exemplo, mas dores de dente e outros problemas que deveriam ser tratados em um consultório odontológico. Essas “visitas” custam ao sistema mais de um bilhão de dólares por ano. Sem contar que é raro que esses pacientes recebam o atendimento adequado, porque nem sempre há dentistas nos hospitais. O paciente recebe a prescrição de um antibiótico e de um analgésico e é aconselhado a visitar um dentista. Mas muitas dessas pessoas não fazem isso. Então, há um lembrete dramático aqui de que saúde bucal é parte da saúde geral, já que problemas dentários levam à emergência do hospital mas, quando se chega lá, não há quem atenda essas pessoas, pois médicos nada sabem de Odontologia. Há também o fato de que registros médicos e registros dentários são mantidos separadamente.

    Um pesquisador da área odontológica disse, certa vez, numa reunião em que eu estava presente: “De volta aos dias da peste bubônica, a medicina entendeu por que as pessoas morrem. Nós, dentistas, não entendemos por que os dentes morrem. Há essa lacuna na forma como abordamos as doenças bucais, como a cárie, por exemplo. Nós ainda tendemos a encará-la como se fosse um problema mecânico, que precisa ser consertado, em vez de uma doença que precisa ser prevenida e tratada. E muitas vezes enxergamos a cárie através de uma lente moral… nós julgamos as pessoas que padecem de doenças bucais como se tivessem falhas morais, ao invés de pessoas que sofrem de uma doença”. [Ouch, achei forte… e muitas vezes verdadeiro].

    Beck: O convênio odontológico também costuma estar separado do convênio médico, sendo muitas vezes opcional [E muito mais barato… e às vezes vem de “brinde”!]. Como, politicamente, o atendimento odontológico veio a ser visto como opcional?

    Otto: Esse assunto foi discutido recorrentemente ao longo do século 20. A Odontologia organizada, como a Medicina organizada, combateu os cuidados de saúde nacionalizados em muitas frentes e testemunhou contra a praticidade de ampliar os benefícios para todos os cidadãos. Todos os planos de saúde (públicos ou privados) que surgiram nesse entremeio deram ao cuidado dentário um tipo de status auxiliar, como se fosse um benefício marginal.

    Beck: É intrigante que, por um lado, o atendimento odontológico seja tratado como “opcional”, mas, por outro lado, como você observa no livro, exista uma pressão social por se ter dentes perfeitos, especialmente na América, especialmente entre os ricos [Quanto mais ainda no Brasil, entre pobres e ricos, onde usar aparelho ortodôntico confere status…]. Portanto, a Odontologia Estética faz muito dinheiro. Você acha que a pressão social para ter dentes perfeitos é uma espécie de exacerbação da desigualdade?

    Otto: Eu acho que em algum nível, sim. Nós colocamos muita ênfase em sorrisos perfeitos e há muito campo pra se ganhar dinheiro nessa área. Um dentista com quem falei enquanto trabalhava nesse projeto disse: “Ninguém quer fazer as coisas básicas”.  [Tipo, ninguém mais quer fazer raspagem e instrução de higiene bucal, todo dentista agora quer colocar facetas extra-brancas, de anatomia duvidosa, de canino a canino. Escrevi e saí correndo. 😀 ]. Claro que há muito mais dinheiro envolvido em procedimentos estéticos complexos… mas, por outro lado, existe uma grande necessidade de cuidados básicos. Um terço do país enfrenta dificuldade pra ter acesso apenas aos procedimentos preventivos e restauradores mais rotineiros, aqueles que mantêm as pessoas saudáveis.

    Beck: Eu me pergunto se o valor colocado no sorriso perfeito, “de Hollywood”, é em parte consequência de tantas pessoas não terem acesso aos cuidados dentários básicos, então dentes brancos e bem alinhados são uma maneira muito clara de sinalizar riqueza. Mais claro do que se todos tivessem acesso à prevenção e tivessem dentes sadios…

    Otto: Pode ser. Isso é muito interessante. O conceito do “sorriso americano perfeito” começou na época da depressão em Hollywood. Havia um jovem dentista chamado Charles Pincus que tinha consultório odontológico em Hollywood. Ele percebeu, assistindo os filmes, que os atores e as atrizes de cinema que não tinham dentes perfeitos, como James Dean, que cresceu em uma fazenda e usava dentaduras, assim como Judy Garland. Ele começou, então, a trabalhar dentro dos estúdios. Por exemplo, ele criou pequenas próteses instantâneas que se encaixavam nos dentes da pequena Shirley Temple, por isso nunca a vimos trocar seus dentes decíduos. Durante toda a sua trajetória no cinema, mesmo na fase do “patinho feio”, ela sempre teve um conjunto perfeito de dentes branquinhos e perolados [Agora vocês entenderam porque o Snap-on Smile é chamado de “sorriso de Hollywood”, não?].

    Mas você tem razão: a qualidade dos dentes separa os bem nutridos dos famintos… e isso é impressionante. Os seis dentes superiores anteriores são chamados popularmente de “The Social Six” [Olha lá…], e ter esses 6 dentes brancos e bem alinhados é símbolo de status não só nos EUA, mas no mundo todo. É um marcador de sucesso.

    Beck: Na sua opinião o melhor seria fazer uma reforma da Odontologia em paralelo à Medicina ou o mais adequado seria integrar a Odontologia e a Medicina de uma vez?

    Otto: Tem que envolver ambas. Já há esforços no sentido de colocar higienistas dentais nos centros de saúde qualificados em nível federal que servem comunidades rurais pobres. O assunto tem chamado a atenção de deputados, governadores e funcionários da saúde pública interessados em reduzir os custos para todos os tipos de cuidados em saúde. O argumento é que se está gastando demais na emergência hospitalar com problemas que podem ser prevenidos e tratados em outro âmbito. Por isso o incentivo financeiro  na disponibilização de cuidados preventivos e restauradores de rotina para as pessoas.

    Beck: Uma tentativa de desfazer alguns dos danos da rejeição histórica…

    Otto: Sim, não é curioso?

    (Traduzido por mim e adaptado do original: Why Dentistry is separate from Medicine)

    Panorama brasileiro

    Do ponto de vista científico, por qualquer ângulo – anatômico, morfológico, fisiológico, etc. – não dá pra separar a Odontologia da Medicina… e o motivo é claro: Odontologia É Medicina. Nos EUA os graduados em Dentistry não são apenas dentists, e sim DDS (Doctor of Dental Surgery) ou DMD (Dentariae Medicinae Doctor), portanto ambos como Doctor. Somente médicos, cirurgiões-dentistas e médicos veterinários são chamados de Doctors nos Estados Unidos, porque são reconhecidos publicamente como médicos.

    Do ponto de vista profissional, nos EUA essa separação institucional parece ter valorizado o dentista. Aqui no Brasil, o efeito foi contrário: os cursos de Odontologia abandonaram a sua matriz médica: deixamos de ser médicos estomatologistas e nos tornamos cirurgiões-dentistas, profissionais reconhecidos publicamente em “tratar dentes”, do jeitinho que o médico francês Pierre Fauchard (*) idealizou: como habilidosos artesãos.

    Odontologia não… Medicina Orofacial

    Habilidades manuais são bem-vindas a qualquer CD. Não há como negar. Mas não é isso que faz o dentista, e sim muito estudo, treinamento e base científica no que diz respeito a todo o sistema estomatognático. Entendendo que dentista não cuida só de dente, surgiu um movimento no sentido de alterar o nome da nossa profissão de Cirurgião-Dentista para Médico Orofacial.

    A petição no Avaaz já tem mais de 21.000 assinaturas, sustentando o seguinte:

    “Na prática o cirurgião-dentista é um médico especialista em medicina oral. [A intenção é] equiparar a nomenclatura utilizada no Brasil com a utilizada em Portugal e demais países lusófonos, adotando os nomes de “Médico Orofacial” e curso de “Medicina Orofacial”, por exemplo, em substituição aos nomes de “Cirurgião-Dentista” e curso de “Odontologia”. Com o título de Médico Orofacial, esse profissional será enquadrado no grupo de médicos nos vários PCCRs e PCCSs municipais e estaduais aprovados no país, passando a ser tratado e remunerado nos mesmos níveis dos demais profissionais médicos. As nomenclaturas “dentista” e “odontólogo”, já obsoletas, causam confusão generalizada nos vários PCCRs e PCCSs, havendo a contratação e enquadramento de profissionais com os três nomes diferentes. Lembrando que os Conselhos Regionais e o Federal continuam os mesmos, mudaria apenas o nome. Ex.: Conselho Federal de Medicina Orofacial”.

    E você… acha o quê? Concorda? Discorda? Sugere outra coisa? Comente! 

    (*) O médico francês Pierre Fauchard criou a figura do cirurgião-dentista em 1728, com a publicação de sua famosa obra Le Chirurgién Dentiste Aux Traité Des Dents. Ele retirou da competência do então médico estomatologista as atividades relacionadas à “arte dentária”, tudo relacionado aos dentes, como cirurgias dentárias, restaurações dentárias, doença periodontal, próteses dentárias, higiene bucal, etc.. Foco nas habilidades manuais e na imagem de artesão, deixando meio pra lá a parte científica da coisa.