Autor: Ana Tokus

  • Dentista Minuto #36: Comidas “Remosas”

    Dentista Minuto #36: Comidas “Remosas”

    Você provavelmente já ouviu falar sobre certos alimentos que as pessoas supostamente devem evitar após extrair um dente ou se submeter a outro tipo de cirurgia bucal. Popularmente, dá-se o nome de “comida remosa” a esse tipo de alimento. Como exemplos de comidas remosas posso citar: carne de caça, ovos, carne de porco e frutos do mar (camarão, mariscos, caranguejo, etc.).

    A sabedoria popular diz que esses alimentos não devem ser consumidos porque aumentam os sintomas inflamatórios e/ou prejudicam a cicatrização.

    Mas isso tudo é verdade ou é só crendice?

    Na verdade, o problema parece estar não no que a gente come, mas no que comem os animais que a gente come. Muitos desses animais consomem alimentos em decomposição, que estão cheios de bactérias. As bactérias não são um problema em si, já que são eliminadas quando a carne é bem cozida, mas as toxinas que elas fabricam podem permanecer. Então a “reima” estaria nas substâncias potencialmente tóxicas na carne desses animais.

    E aí… pode ou não pode comer comidas remosas?

    Há indícios de que certos alimentos não beneficiam o processo de cicatrização.

    Mas o mais importante é que você coma bem, de forma nutricionalmente equilibrada e procure seguir à risca as recomendações pós-operatórias do seu dentista. Assim as chances de uma boa recuperação, sem intercorrências, aumenta bastante.


  • Dentista Minuto #35: Herpes

    Dentista Minuto #35: Herpes

    De repente o seu lábio começa a coçar. Aí parece que arde. Depois de um tempo aparecem uma bolhas bem pequeninas cheias de “água”. Essas bolhas permanecem por mais ou menos uns 3 dias e então começam a secar, dando origem a uma ferida, que leva 1 semana para sumir.

    Se você apresenta esses sinais/sintomas de forma recorrente, você tem herpes.

    Herpes é um vírus

    Cerca de 2 terços das pessoas têm o vírus Herpes simplex no seu organismo. Mas ter o vírus não significa manisfestar as vesículas. Às vezes elas nunca aparecem.

    A transmissão do herpes se dá por contato pessoal (num beijo, por exemplo) ou pelo contato direto com objetos infectados, como copos e talheres. Por isso, higiene é fundamental, até porque o vírus do herpes pode ser transmitido para outras partes do seu próprio corpo, especialmente para as mucosas oculares, bucal e genital.

    O herpes genital tem as mesmas características clínicas do herpes labial. Muda o endereço, mas não muda o problema. USE CAMISINHA também no sexo oral!

    O causa o aparecimento das vesículas?

    Os fatores desencadeantes mais comuns do herpes são a exposição ao sol ou ao frio intensos, estresse, fadiga física e/ou mental, transtornos emocionais e baixa de imunidade.

    Qual o tratamento?

    O tratamento, à base de Aciclovir, pode ser sistêmico e/ou local, na forma de cremes ou comprimidos. O tratamento não cura o herpes, apenas acelera o ciclo e some mais rápido com a ferida. Converse com seu médico ou dentista.

    As lesões do herpes labial desaparecem depois de uns 10 dias, sem deixar cicatrizes.


  • ANVISA proíbe a venda dos componentes da liga de amálgama

    ANVISA proíbe a venda dos componentes da liga de amálgama

    A Anvisa proibiu pela RDC n° 173, a fabricação, a importação, a comercialização e o uso, em serviços de saúde, dos elementos mercúrio e pó para liga de amálgama na forma não-encapsulada. A liga de amálgama é uma liga metálica usada em restaurações dentárias.

    Liga para Amálgama

    Resolução DC/ANVISA Nº 173 DE 15/09/2017

    Publicado no DO em 18 set 2017

    Proíbe em todo o território nacional a fabricação, importação e comercialização, assim como o uso em serviços de saúde, do mercúrio e do pó para liga de amálgama não encapsulado indicados para uso em Odontologia.

    A Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, no uso da atribuição que lhe conferem o art. 15, III e IV, aliado ao art. 7º, III e IV, da Lei nº 9.782, de 26 de janeiro de 1999, e o art. 53, V, §§ 1º e 3º do Regimento Interno aprovado nos termos do Anexo I da Resolução da Diretoria Colegiada – RDC nº 61, de 3 de fevereiro de 2016, resolve adotar a seguinte Resolução da Diretoria Colegiada, conforme deliberado em reunião realizada em 05 de setembro de 2017, e eu, Diretor-Presidente, determino a sua publicação.

    Art. 1º Ficam proibidas em todo o território nacional a fabricação, a importação e a comercialização, assim como o uso em serviços de saúde, de mercúrio e do pó para liga de amálgama na forma não encapsulada indicados para uso em odontologia.

    Parágrafo único. A proibição estabelecida no caput deste artigo não se aplica aos produtos constituídos por liga de amálgama na forma encapsulada para uso odontológico.

    Art. 2º Os produtos relacionados no art. 1º desta Resolução que forem retirados de uso deverão seguir a Resolução da Diretoria Colegiada – RDC nº 306, de 2004, que dispõe sobre o Regulamento Técnico para o gerenciamento de resíduos de serviços de saúde, ou outra que vier a substituí-la.

    Art. 3º Os cadastros na Anvisa de produtos relacionados no art. 1º, vigentes na data de entrada em vigor desta Resolução, serão automaticamente cancelados.

    Art. 4º O descumprimento das disposições contidas nesta Resolução constitui infração sanitária, nos termos da Lei nº 6.437, de 20 de agosto de 1977, sem prejuízo das responsabilidades civil, administrativa e penal cabíveis.

    Art. 5º Esta Resolução entrará em vigor em 1º de janeiro de 2019.

    JARBAS BARBOSA DA SILVA JUNIOR



    Os produtos com liga de amálgama na forma encapsulada não estão proibidos. Fabricantes de produtos como termômetros e lâmpadas fluorescentes, que têm mercúrio na composição, deverão seguir a Resolução da Diretoria Colegiada – RDC nº 306, de 2004, que explica como proceder em relação a resíduos de serviços de saúde.

    A decisão, publicada nesta segunda-feira (18/9), está no Diário Oficial da União e entra em vigor em 1º de janeiro de 2019.

    Fonte: ANVISA


  • Dentista Minuto #34: Água oxigenada clareia os dentes?

    Dentista Minuto #34: Água oxigenada clareia os dentes?

    Todo dia tem uma receita nova na Internet pra clarear os dentes. É casca de banana, esfoliação com morangos, bicarbonato de sódio, carvão…

    Há alguns meses tem circulado na web uma lista dos supostos benefícios da água oxigenada: cicatrizante, desinfetante, anti-fúngico, antisséptico, descongestionante nasal e, é claro, serve para clarear os dentes. Serve?

    Água oxigenada clareia os dentes?

    Água oxigenada nada mais é que peróxido de hidrogênio em solução aquosa. Sabe o que os dentistas usam pra clarear os dentes? Peróxido de hidrogênio. Mas… água oxigenada clareia os dentes? NÃO.

    A água oxigenada que se compra na farmácia não se encontra na forma adequada, porque é líquida, e não tem a concentração necessária pra clarear dentes. A concentração da água oxigenada comum de 10 volumes é de 3%, e a usada em clareamentos dentários costuma ser de 35% (equivalente a 130 volumes).

    Faz nem cosquinha.

    “Ah, mas não faz mal tentar!”

    Faz. Mal para os dentes, porque as soluções comerciais de peróxido de hidrogênio tem pH em torno de 5, o que quer dizer que são ácidas, e mal pra gengiva, porque causa descamação e tem efeito erosivo, o que pode levar a ulcerações. Por isso é que o dentista isola a gengiva quando faz clareamento no consultório.

    “Ah, mas a água oxigenada é um poderoso cicatrizante e antisséptico!”

    É nada! Ela é ruim como cicatrizante e tende a formar marcas e cicatrizes. Ela até pode limpar uma ferida, mas como antisséptico tem “n” opções melhores. O que a água oxigenada faz é agredir quimicamente o ferimento, além de ser um agente co-carcinógeno, ou seja, ela potencializa o efeito de indutores de câncer de boca, como o tabaco e o álcool. Imagina fazer bochecho com isso?

    Quer fazer clareamento dental responsável? Procure um dentista. 😉


  • Dentista na UTI diminui a zero os casos de pneumonia no HRC

    Dentista na UTI diminui a zero os casos de pneumonia no HRC

    O Hospital Regional de Ceilândia (HRC) alcançou, e mantém há 13 meses, índice zero de pneumonia associada à ventilação mecânica em pessoas internadas na UTI Adulto. O número é resultado do trabalho, iniciado há aproximadamente seis anos, de integração de cirurgiões-dentistas para cuidar dos pacientes em estado crítico, modelo que começou a ser estendido neste mês para as demais unidades da Secretaria de Saúde que contam com UTI.

    “A atuação começou quando identificamos um quadro infeccioso de difícil tratamento, mesmo com a aplicação de diversos recursos terapêuticos. Apenas com a avaliação odontológica foram diagnosticados problemas em sua saúde bucal, que foram tratados para que o paciente recebesse alta”, contou o dentista Marcos Barbosa Pains, o primeiro profissional da área a atuar no serviço rotineiro.

    Desde então, o dentista conta que conseguiu reduzir sensivelmente os casos de pneumonia relacionados à ventilação mecânica. “Os pacientes que estão na UTI com insuficiência respiratória precisam de um aparelho para ajudar na oxigenação. O uso dele aumenta o volume de bactérias que acabam alcançando o pulmão, causando a infecção. Por isso, o principal benefício da presença do dentista na UTI é prevenir essas infecções”, explicou Pains.

    Dentista no hospital

    13 meses sem qualquer registro

    Segundo ele, enquanto no primeiro semestre de 2011, quando inexistia o trabalho, o índice de pneumonia relacionada à ventilação mecânica foi de 8, o número no segundo semestre, quando começou o serviço rotineiro, caiu para 1,33, perfazendo média anual de 4,76. O dado é calculado com base no total de pacientes e período de utilização de ventilação mecânica, sendo que zero significa inexistência da doença.

    Nos demais anos os valores foram 3,78 (2012); 1,87 (2013); 4,21 (2014); e 1,82 (2015). No primeiro semestre de 2016, a média alcançou 1,1. Desde julho do mesmo ano não houve mais casos até a última estatística, atualizada até julho de 2017, somando 13 meses sem qualquer registro.

    Dentista na UTI: custo ou economia?

    De acordo com a Anvisa, 33% dos pacientes de UTI que desenvolvem essa infecção evoluem para óbito. “Cada episódio de pneumonia associada à ventilação, prolonga o tempo de internação em aproximadamente 12 dias, o que aumenta os gastos de recursos públicos e o uso de antibióticos. Cada dia de internação na UTI custa, em média, R$ 4 mil”, completou o profissional, ao lembrar que essas ações aceleram a rotatividade dos leitos, já que o paciente pode receber alta mais rápido.

    O dentista faz avaliação diária dos pacientes, remoção de placa bacteriana visível, eliminação de focos infecciosos, extrações e restaurações, diagnósticos de doenças diversas e supervisão do protocolo de higiene bucal executado pela equipe de enfermagem.

    Há também outras infecções relacionadas à falta de cuidados bucais que podem ser prevenidas com o trabalho dos dentistas, como os abcessos (pus na cavidade bucal), a endocardite e a periodontite (infecções no coração e na gengiva, respectivamente). O quadro pode piorar caso as bactérias acessem o sistema circulatório, o que pode causar, inclusive, infecção generalizada.

    O dentista também contribui no diagnóstico de outras doenças causadas por fungos, vírus ou bactérias, como candidíase e herpes.

    A extensão do serviço para outros hospitais, que também atende a resolução RDC 7 da Anvisa, começou com a realização de um curso, neste mês, para capacitar os dentistas para atuarem em UTI. Durante a formação, foram abordados os temas: farmacologia, abordagem multiprofissional na ventilação mecânica, rotina no atendimento odontológico na UTI, doenças infectocontagiosas, saúde bucal na UTI, entre outros.

    Todos os hospitais da rede que possuem leitos de UTI contam com atendimento odontológico. São eles: Asa Norte, Base, Materno Infantil, Taguatinga, Santa Maria, Sobradinho, Paranoá, Gama, Samambaia e Ceilândia.

    Vote na consulta pública sobre o PL 34/2013

    Alguma dúvida de que URGE a presença de cirurgiões-dentistas dentro dos hospitais? O Projeto de Lei da Câmara n° 34, de 2013, de autoria do Deputado Federal Neilton Mulim (PR), quer tornar obrigatória a prestação de assistência odontológica a pacientes em regime de internação hospitalar, aos portadores de doenças crônicas e, ainda, aos atendidos em regime domiciliar na modalidade home care. Clique no link abaixo e vote na consulta pública sobre o assunto no site do Senado Federal.

    –> CLIQUE AQUI PRA VOTAR <–

    Via Portal da Saúde DF


  • Dentista Minuto #33: Hiperplasia Gengival

    Dentista Minuto #33: Hiperplasia Gengival

    A hiperplasia gengival é uma das lesões mais comuns de boca. Diferentemente de lesões neoplásicas, que possuem crescimento autônomo, a hiperplasia pode ter seu crescimento interrompido se conhecido e removido seu agente causador.

    O termo hiperplasia significa um “super crescimento”, ou seja: a gengiva cresce a partir de um estímulo, ficando “gordinha” e muitas vezes cobrindo parte dos dentes.

    Os tipos mais comuns de hiperplasia gengival são:

    Hiperplasia por trauma

    Quem usa prótese mal-adaptada deve saber o que é isso. Tem gente que acha que é normal que as dentaduras machuquem a gengiva até “fazer calo”. Não é. Converse com o seu dentista para ajustar sua prótese.

    Hiperplasia Medicamentosa

    É o crescimento gengival causado pelo uso de certos remédios, como a Fenitoína, imunossupressores e alguns anti-hipertensivos.

    • Difenil-hidantoinatos (Fenitoína): podem causar hiperplasia em 20% dos usuários
    • Imunossupressores (Ciclosporina): podem causar hiperplasia em 10% dos usuários
    • Anti-hipertensivos bloqueadores dos canais de Ca2+ (Nifedipina): podem causar hiperplasia em 5% dos usuários

    Este tipo de hiperplasia gengival é muito semelhante a observada em pacientes com leucemia.

    Hiperplasia por placa bacteriana

    Esse é um tipo muito comum de hiperplasia gengival em pacientes que usam aparelho ortodôntico e não fazem a higiene bucal adequada. Consequência da gengivite. Não adianta ficar bravo com o ortodontista… é falta de escovar os dentes!

    Acontece com quem não usa aparelho, também.

    Qual o tratamento?

    O tratamento consiste na remoção do agente causador da hiperplasia: trocar a prótese, parar com a medicação (nesse caso só com a autorização do médico que a prescreveu), melhorar a higienização, etc..

    Caso não haja a regressão completa, é preciso remover o excesso de gengiva com cirurgia.


  • Enfermeiros podem fazer laserterapia bucal em pacientes oncológicos

    Enfermeiros podem fazer laserterapia bucal em pacientes oncológicos

    Foi aprovado, na reunião plenária do Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF) realizada em maio, o Parecer Técnico 04/2017, que trata da aplicação, por enfermeiro, de laser de baixa intensidade no tratamento de mucosite oral em pacientes com câncer. Segundo o documento, a atividade deve ser “executada privativamente pelo enfermeiro no contexto de uma abordagem multiprofissional, desde que seja capacitado em cursos específicos, reconhecidos e em instituições regulamentadas”. A conclusão é baseada no Decreto 94.406/1987, que regulamenta a Lei do Exercício de Enfermagem (Lei 7.498/1986) e atribui ao profissional de nível superior os cuidados que exijam maior complexidade técnica.

    Laserterapia no hospital

    Mucosite

    Durante ou após o tratamento oncológico, ocorrem complicações bucais nos pacientes, como dor, dificuldade no ato da mastigação, deglutição e fonação. As mucosites orais acometem entre 40% e 76% dos pacientes que fazem tratamento radioterápico ou quimioterápico. A laserterapia bucal é utilizada para tratar esse problema, caracterizado pela morte de células epiteliais e a redução de suprimento sanguíneo. Os efeitos terapêuticos do laser sobre os tecidos estimulam a atividade celular, aceleram a cicatrização de feridas e minimizam a dor.

    Para as aplicações, são necessárias medidas de biossegurança tanto para o paciente quanto para o profissional, sendo fundamental a utilização de óculos e demais equipamentos de proteção individual, seguindo as normas da Associação de Normas Técnicas (ABNT). “Condiciona-se à aplicação dessa terapia o uso da Sistematização da Assistência de Enfermagem (Resolução Cofen 358/2009) e a criação e o estabelecimento de um protocolo operacional padrão”, finaliza o parecer.

    Por que um enfermeiro e não um cirurgião-dentista?

    Porque na maioria dos hospitais não tem dentista. E não é porque a gente não quer não, é porque… alguém RAIOS sabe o porquê? Faz algum sentido não ter dentista dentro de hospital como membro obrigatório e ESSENCIAL da equipe de saúde? Portanto, a luta pra inserir o dentista no ambiente hospitalar continua!

    Clique no link abaixo pra votar SIM sobre o projeto de Lei da Câmara n° 34, de 2013, de autoria do Deputado Federal Neilton Mulim (PR), quer torna obrigatória a prestação de assistência odontológica a pacientes em regime de internação hospitalar, aos portadores de doenças crônicas e, ainda, aos atendidos em regime domiciliar na modalidade home care.

    –> CLIQUE AQUI PRA VOTAR <–

    Enfermeiros podem ajudar. Mas além deles estarem BEM sobrecarregados, na maioria dos casos de problemas bucais, só um cirurgião-dentista é resolutivo.

    O texto completo do Parecer Técnico 04/2017 está disponível no site do Coren-DF.


  • Dentista Minuto #32: O Cheiro do Dentista

    Dentista Minuto #32: O Cheiro do Dentista

    O medo é uma experiência que se vive com o corpo todo… inclusive com o nariz!

    Sabe quando você passa na frente da padaria, sente aquele cheirinho de pão e o seu estômago ronca? É seu nariz mandando uma mensagem para o seu cérebro dizendo pra ele acordar seu estômago! Sabe quando você está na sala de espera do dentista e sente aquele cheiro de dentista… e as suas pernas tremem? É o seu nariz mandando uma mensagem para o seu cérebro: TÔ FERRADO. 😀

    Dentista tem cheiro de que?

    Os cheiros que sentimos no consultório do dentista são muitos, mas o mais característico deles é o de eugenol… aquele cheiro de cravo. O eugenol é um componente de materiais usados em restaurações provisórias (a famosa “massinha” que vai no dente), no forramento de algumas restaurações definitivas (pra proteger o nervo do dente) e no cimento obturador em tratamentos de canal.

    O eugenol é altamente biocompatível, tem propriedades analgésicas, antissépticas e balsâmicas. O eugenol é tudo de bom!

    Sabendo disso, procure reformular os comandos que o seu cérebro dá. Repita comigo: cheiro de dentista é bom… é eugenol… eugenol é bom… não preciso ter medo.

    Aí da próxima vez que você for ao dentista, vai lembrar que o eugenol é seu amigo. E o dentista também. 🙂


  • Dentista Minuto #31: Paralisia de Bell

    Dentista Minuto #31: Paralisia de Bell

    O que é paralisia de Bell?

    A paralisia facial (paralisia de Bell, paralisia hemifacial ou paralisia facial periférica) é uma condição, via de regra temporária, que afeta o nervo facial deixando a pessoa com metade do rosto sem movimento, o que leva à assimetria da face. Até Airton Senna – e mais recentemente Angelina Jolie – passaram por isso! Acontece.

    Quais os sintomas?

    A testa não enruga, a sobrancelha não sobe, o olho não fecha e o canto da boca fica caído. Isso tudo, via de regra, de um lado só do rosto. Outros sintomas que podem estar presentes, mas com menos frequência: dor perto da orelha, perda de paladar, hipersensibilidade auditiva, dor de cabeça e de ouvido, “olho seco” e “boca seca”.

    Paralisia facial

    Qual a causa?

    As causas variam, mas geralmente a paralisia ocorre por um processo inflamatório ou infeccioso, por bactérias ou vírus (vírus do herpes, herpes zoster, citomegalovirus, etc.).

    Qual o tratamento?

    Não existe um tratamento padrão, porque o tratamento depende da causa, e a causa da paralisia de Bell nem sempre é determinada. Então o tratamento tem foco nos sintomas. Pode incluir medicamentos (anti-inflamatórios, antibióticos, antivirais), fisioterapia e fonoterapia. Mas o prognóstico é bom: a maioria dos pacientes se recupera em até 6 meses, mesmo sem nenhum tratamento. Porém o tratamento precoce, é claro, costuma acelerar a recuperação.

    Se acontecer, procure um médico ou dentista o mais rápido possível. 😉


  • Luz violeta clareia os dentes?

    Luz violeta clareia os dentes?

    Vocês já devem ter ouvido falar de um novo tipo de clareamento que surgiu: o clareamento com luz violeta. Não, a luz não serve pra “ativar” o gel… até porque nem gel tem. É só a luz, mesmo. Um estudo desenvolvido por Vitor Hugo Panhóca, pesquisador e pós-doutorando do Grupo de Óptica do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP, aponta no sentido de que o método funciona. A luz violeta é uma luz visível e não ionizante.

    Hoje, o clareamento dental pode ser feito de duas maneiras básicas, sempre com gel (peróxido de hidrogênio ou carbamida): o método caseiro supervisionado e o método de consultório, este com ou sem luz (e a “ativação” por luz LED azul é questionável, como sabemos).

    Segundo Vito Hugo existem vários estudos feitos por pesquisadores de outros países, como da Croácia e da Itália, que descrevem a potencialização da eficácia do clareamento através do uso de LED violeta associado à aplicação de gel de peróxido de hidrogênio ou de carbamida. Sabendo disso, ao ter aplicado apenas essa luz em dentes bovinos e humanos — sem o uso de gel — o pesquisador do IFSC notou que ocorreu o processo de clareamento dental.

    Comparação com outros métodos

    Segundo Vitor Hugo, o clareamento com luz violeta mostrou-se tão eficaz quanto os clareamentos com gel, com a vantagem de que mais de cinquenta pacientes que participaram dos testes realizados por Vitor, com a aplicação de luz violeta sem o gel, não se queixaram de qualquer sensibilidade dentinária.

    “Observamos que a luz violeta tem energia suficiente para quebrar os pigmentos do dente, da mesma maneira que os géis fazem. A diferença é que, enquanto os géis de peróxido agem de modo mais químico, a luz atua de maneira mais física”, explica ele, que desenvolveu esse estudo sob a orientação do professor Vanderlei Bagnato, do IFSC, e em parceria com as professoras Alessandra Rastelli, da Faculdade de Odontologia da Universidade Estadual Júlio de Mesquita Filho (Unesp/Araraquara) e Fátima Zanin, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), e com o professor Aldo Brugnera, da Unicastelo, campus de São Paulo.

    “O professor Aldo Brugnera, por exemplo, também tem estudado o clareamento dental através de LED violeta e tem encontrado resultados semelhantes àqueles que obtivemos aqui no Instituto de Física de São Carlos”, diz o pesquisador.

    Após a descoberta de que o clareamento dental pode ser feito apenas com o uso de luz violeta, Vitor desenvolveu um equipamento que integra um LED composto pela cor em questão. O aparelho já está sendo comercializado pela empresa MM Optics, no valor entre R$3 mil e R$5 mil. A proposta é que, a partir desse equipamento, os cirurgiões-dentistas possam fazer o clareamento dental em pacientes durante três sessões de trinta minutos, dividas em três semanas.

    Clareamento com luz violeta

    “É importante ressaltar que o clareamento dental não depende apenas da técnica utilizada, mas, também, do tipo de mancha que o paciente tem. Os pigmentos de manchas orgânicas, causadas por corantes, como o de café, são os mais fáceis de se quebrar”, pontua Vitor Hugo, acrescentando que as manchas inorgânicas, que podem ser provocadas por contaminação de sangue em caso de trauma dental, são mais difíceis de remover.

    Só acreditamos vendo

    O trabalho experimental de clareamento em dentes bovinos foi apresentado por Vitor no 15th Biennial International Photodynamic Association Congress, que reuniu estudantes e pesquisadores da área de biofotônica, em 2015, no Rio de Janeiro.

    Quanto a nós, vamos acompanhar. 😉

    Via USP