Dentista paramentadoEm 17/09/13 a Secretaria de Saúde do Estado do Paraná abriu consulta pública, durante 45 dias a contar da data de sua publicação (ou seja, 1o de novembro), para que sejam apresentadas críticas e sugestões relativas à proposta de Resolução sobre o Regulamento Técnico que “Dispõe sobre os requisitos de boas práticas para instalação e funcionamento de instalação e funcionamento de Estabelecimentos de Odontologia (EO) no estado do Paraná”. Em resumo:colega que trabalha no Estado do Paraná,  as regras para abrir e manter seu consultório / clínica  dentro da lei vão mudar.

Leia na íntegra a minuta da resolução.

As mudanças mais polêmicas
  • Obrigatória a esterilização da alta rotação e do contra-ângulo de baixa rotação a cada paciente.
  • Manutenção periódica preventiva / corretiva e aferição dos equipamentos de raios-X, com registro.
  • Obrigatória a esterilização do avental usado pelo dentista e a troca do mesmo a cada atendimento. Proibido o processamento de roupas fora do estabelecimento exceto na terceirização. Proibido o processamento de roupas descartáveis.

Outros pontos podem gerar controvérsia (como a necessidade de uma infinidade de anotações, controles e rotinas, como o registro em livro da data de realização, identificação cadastral do paciente, quantidade de filmes e tempo de exposição utilizados em quaisquer exames radiográficos), mas os impactos mais relevantes são os gerados pelos pontos acima.

Ontem houve uma reunião na sede do CRO-PR em Curitiba, que infelizmente contou com pouca participação da parte mais interessada: nós, dentistas. Os esclarecimentos lá prestados foram os seguintes:

  • Os aparelhos de raios-x periapical não precisam ter paredes chumbadas, só o espaço mínimo de 2m para que a equipe se afaste. Os aparelhos devem ser aferidos periodicamente para garantir a segurança do profissional e proteger o meio-ambiente. Mas não se entrou em consenso sobre QUEM fará essa aferição, se o fabricante ou outra entidade.
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  • O processamento de roupas consiste em usar um outro jaleco (de um tecido que é um “primo rico do TNT”, digamos assim) por cima do nosso jaleco mesmo, isso em qualquer procedimento que envolva formação de aerossol (tipo, tudo). Esses jalecos devem ser descartáveis e encontram-se à venda em dentais e lojas de produtos médicos. Outra opção (bem mais cara) é mandar jalecos de tecido comum para a desinfecção e lavagem em alguma empresa que tenha licença sanitária para isso. Se a opção for pelos descartáveis (o que segundo a comissão da vigilância sairá mais em conta), esses jalecos devem possuir certificado da ANVISA para uso em saúde.
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  • O assunto mais polêmico: a esterilização de altas e baixas rotações. Será necessário que tenhamos 1 jogo esterilizado para cada paciente. Motivo: a desinfecção com ácido peracético e álcool 70 é eficaz somente pelo lado de fora das canetas, e uma tese de mestrado da USP demonstrou que as canetas têm um refluxo, o que “puxa” o líquido da boca do paciente para dentro dela. O único jeito, portanto, de garantir a esterilização completa desses equipamentos é a autoclave.
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    Como são vários atendimentos ao dia, serão necessários várias altas e baixas (o que varia com o fluxo de pacientes do consultório / clínica). Segundo consta, uma caneta de alta rotação é capaz de suportar por volta de 1600 esterilizações. Continha rápida:  atendendo-se 10 pacientes ao dia, o equipamento teria de 8 a 10 meses de vida útil… ou seja, a cada 10 meses, novas canetas (ou, no mínimo, troca de rolamentos).
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    Peraí, não acabou: é preciso lubrificar as canetas com lubrificante HIDROSSOLÚVEL antes (apenas antes) da esterilização. Parece que só existe 1 marca de lubrificante hidrossolúvel no mercado que deve pertencer a algum deputado, claro
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  • Ah, fica terminantemente proibido uso de estufas e de outra embalagem que não seja o grau cirúrgico. A validade dos pacotes continua sendo de 1 mês.

Dia 22 deste mês deverá haver reunião geral, a ser convocada pela Prefeitura de Curitiba, para a qual todos os CDs devem ser chamados.

Tudo o que citei acima são regras que se aplicarão a clínicas e consultórios odontológicos, existem outras que se aplicarão a laboratórios de prótese e clínicas de Radiologia.Você pode ler sobre isso no link da minuta, lá em cima.

Minha opinião: tâmo fu. Sou a favor, e tenho certeza de que vocês também são, de oferecer um atendimento digno e dentro dos padrões de biossegurança. Nossos pacientes merecem isso e, de minha parte, sempre receberão. Mas vamos combinar: tá complicado…

Pois bem: isso é aqui no Paraná mas, é claro, a tendência é que vire regra no Brasil todo, mais dia ou menos dia. O que você achou das propostas? Solte o verbo nos comentários!

Post a pedido da Dra. Sabrina de Castro e com a valorosa ajuda da Dra. Flávia Seixas, nossa correspondente internacional. 😉

UPDATE em 19/10/13: e-mail enviado pelo CRO-PR deixando claro que se ninguém se manifestar, tá aprovado:

E-mail do CRO-PR

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