Coaching para dentistas

Recebemos um comentário muito bom no post que ainda é o mais lido desse blog rosa, e achei MUITO pertinente falar um pouco sobre. É a visão de um paciente sobre os convênios e acho que cabe a nós revermos alguns conceitos.

Meu convênio é Odontoprev, mas não uso a mais de 3 anos porque o tratamento feito pelos dentistas conveniados não prestam… Procurei então um particular de qualidade na zona norte de SP (um dentista famoso na região que coloca anúncios em revistas do antes e depois do tratamento estético, tipo restauração de dente com retração de gengiva). Parei meu carro 2013 na frente do consultório (sim, o carro está financiado, mas em apenas 20 meses, não em 100) e fiz um orçamento para mim e minha noiva. Valor do tratamento: 24 mil reais!?!? Pois é, metade do preço do meu carro. E esses valores poderiam aumentar conforme o tratamento, caso precisasse modificar algo no meio do caminho.

Como vocês podem ver, um tratamento descente é para poucos, pelo menos aqui em SP, mas poderiam ficar no meio termo, pois eu me senti ofendido com o orçamento, um assaltado.

Eu pagaria até uns 5 mil no meu tratamento, mas agora estou fazendo diversos orçamentos e tendo que pagar consultas, que eu também acho um absurdo, pois quando eu pago uma consulta em um médico eu saio de lá com uma receita médica e já tratado de minha doença, porem os dentistas chegam a cobrar mais de 150,00 só para dizer quanto eu irei gastar no tratamento. Um absurdo!

Quando vocês resolverem brigar com os convênios, tenha certeza que a maior vítima é a gente, os pobres clientes, que somos lesados desde a compra de um veículo que custa 3x mais que em outros países, até por tratamentos duvidosos dos planos de saúde que somos obrigados a aceitar para não ter que deixar nosso carro no consultório.

Colegas… confesso que fiquei um pouco envergonhada, e hoje vou falar sobre o outro lado da questão, assim como nosso leitor enfatizou: o paciente.

Foto do amigo Luiz Rodolfo, do Blog DicasOdonto

Entrei em contato com ele pelo meu e-mail pessoal falando que o comentário dele viraria post e ele me mandou mais um:

Ótimo o seu blog, obrigado por ter feito ele.

Porém, estamos nos sentidos no meio de um tiroteio com os dentistas/médicos versus plano de saúde. Você não tem noção de como ja fomos mal tratados por dentistas conveniados. Parece que estamos fazendo um favor para eles, que é de graça… há excessões, mas poucas.

Realmente não tem como pensar que pagando apenas 35,00 por mes(descontado do holerite) tenhamos um bom atendimento ou bom material, mas sei que, pelo menos no banco que nos oferece o benefício, ele possui uns 5 mil funcionários pagantes… multiplicando isso por 35,00 sabemos que não é pouco dinheiro que a odontoprev recebe da empresa. Façam essas contas ao dizer que com pouco que se paga por mes não podemos receber tratamento adequado. E não é todo mes que vamos ao dentista, 1x por ano e olhe lá. Então esses 5 mil funcionários pagam 11 meses os 35,00 e não usam o dentista. E existem diversas empresas que oferecem esse benefício ao funcionário, então entra é muito dinheiro na odontoprev, é por este parâmetro que acreditávamos na boa prestação de serviço das clínicas e dentistas.

Mas isso não justifica o uso de material de segunda nem mal atendimento, o problema é do dentista com o convênio. Somos pacientes não apenas clientes ok?

Como em toda área, o bom profissional é sempre bem remunerado. Os bons dentistas em SP são ricos, mas nem todos os dentistas são bons, e esses reclamam mais.

Tenho que refazer 2 canais, e trocar restaurações mal feitas. E foi em dentistas particulares que foram feitas. Cobraram caro, não quer dizer que eram bons dentistas.

Quanto à convênios médicos, eu como conveniada passo pela mesma coisa. Marco consultas com 3 meses de antecedência pra conseguir um atendimento pagando só a diferença, que no particular conseguiria pra mesma semana. Mostrar exames então? Demora. Consultei com um médico particular pois os do convênio mal me olhariam e me dariam uma receita e não era isso que eu queria. O médico solicitou alguns exames pra poder me passar um diagnóstico melhor sobre a minha condição e marchei com R$447,00 no total consulta + exames, que poderia ter gasto apenas R$50,00 pelo convênio e talvez sem ter um diagnóstico preciso.

Hoje vou falar do nosso dever de profissional quando concordamos em atender pelo convênio.

Quando assinamos um contrato com um convênio nós estamos concordando com os termos do contrato, e o mesmo juramento que fizemos na faculdade deve continuar válido. Não é por estamos recebendo menos por um serviço prestado que este trabalho desse ser porco ou perder na qualidade.

Eu atendo a vários convênios, e em um deles não realizo clínica geral, apenas cirurgia. Em outros, realizo todos os procedimentos clínicos exceto procedimentos de prótese e estética dental. Em nenhum deles atendo emergências, por motivos óbvios, e deixei isso claro no contrato assinado. Minha cirurgia no paciente conveniado é a MESMA do paciente particular. Minha restauração do convênio segue o mesmo passo a passo do paciente que paga pelo procedimento particular. A qualidade do atendimento é a mesma em ambos.

Alguns me chamam de burra, mas meu negócio, meu marketing pessoal é a QUALIDADE dos atendimentos. E meu sistema de lucro no consultório é esse também, já que a excelência dos procedimentos não é deixada de lado. O que muda? Material de consumo. Um paciente que me paga uma restauração particular vai receber uma resina mais cara, de marca líder. Vai realizar uma exodontia com um anestésico melhor, top de linha. Meu paciente do convênio vai receber o “feijão com arroz”, uma resina de menor custo e um anestésico mais simples também, diferente do “filé mignon” do particular. Mas a QUALIDADE do preparo do filé mignos e do feijão com arroz vai ser a mesma.

Por que quase ninguém trabalha assim? Porque visam o lucro apenas. Ganham na QUANTIDADE, por isso, quanto mais rápido realizar o tratamento de um paciente conveniado mais gente ele vai poder atender, e consequentemente mais ele vai ganhar. E que diferença vai fazer se a restauração cair ou se sobrar um pedacinho de raiz dentro do osso desse paciente do convênio? “Ah, ele não pagou quase nada por isso, é permitido errar.

Eu não consigo ver as coisas desse jeito e talvez seja por isso que meu consultório tenha demorado tanto tempo pra começar a dar certo. Ou talvez é por eu ter trabalhado tantos anos na saúde pública, e ter aprendido a fazer muito com pouco material, em prol de sorrisos daqueles que mal conseguem comprar comida, e consequentemente não conseguir visar o lucro antes da saúde.

Quanto aos colegas que já tem sucesso profissional e cobram rios de dinheiro por um tratamento, cabe pensar também no ponto de vista do paciente. Não acho errado você cobrar caro se você tenha quem pague por isso, desde que os fins justifiquem os meios. O meu tratamento no consultório não é o mais barato e nem desejo ser procurada por isso. Mas também não é o mais caro, é o que acho justo pelo meu tempo de estudo e pelo resultado final. O meu foco é na qualidade, e tenho pacientes que me procuram por isso assim como tenho pacientes que me deixaram quando comecei a cobrar consulta. O resultado disso? Pacientes fiéis e eu profissionalmente satisfeita.

Pergunto: é difícil tratar nossos pacientes dessa maneira? Ou os nossos pacientes do convênio dessa maneira? Na minha opinião, nem um pouco, afinal, eu concordei com o contrato.

Quando escrevi o texto mais lido do blog, estava indignada por não ter sido paga pelos meus procedimentos realizados. Eu não havia tido nenhuma orientação pessoalmente ou por telefone sobre os procedimentos e os pré-requisitos, eu fiz apenas o que estava no manual e não recebi por aquilo. Tive um rombo de cerca de 2 mil no meu orçamento graças aquilo.

Com o texto no ar eu fui procurada pelos consultores da OdontoPrev que me disseram que a reclamação havia sido muito bem formulada e que eles fariam o possível para reverter o quadro, e assim fizeram. Recebi aquilo que havia sido burocraticamente glosado. Era só isso que eu queria, afinal, eu havia realizado os procedimentos e trabalhado de graça enquanto os pacientes eram descontados pelos procedimentos. Era apenas o justo. Me explicaram também que muitos bons dentistas acabam pagando pelos ruins e malandros que mandam procedimentos a mais ou riscam o rx periapical pra dizer que foi realizada uma endodontia, e se desculparam por eu ter sido uma das prejudicadas.

Hoje, que joguem as flechas voltei a atender por este convênio onde realizo apenas exodontias. Alguns dos meus pacientes me procuraram e pagaram por procedimentos particulares enquanto a paralisação estava acontecendo. Outros, ainda pagam por procedimentos que eu resolvi não realizar, pois deixei claro à entidade que realizaria apenas exodontias. Muitas coisas mudaram principalmente quanto ao envio de radiografias e fico feliz pela repercussão que o meu texto teve no país, principalmente pela quase união da classe.

Quero que fique claro a todos que a intenção desse texto de hoje é mostrar que se estamos dispostos a atender por convênios ninguém além de nós mesmos topamos fazer isso, e somos obrigados APENAS a realizar um bom trabalho. O paciente que paga convênio não tem culpa dos nossos repasses não são como nós desejamos, e merece sim um procedimento adequado.

Colega conveniado, repense nas suas atitudes. O dentista exige respeito das empresas, mas o paciente clama pelo nosso respeito como profissional. Se você é conveniado não discrimine seu paciente do convênio: você quis isso.

Reflitam.

#goDIVAS! GO!

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